terça-feira, 26 de maio de 2009

Bittersweet

Bittersweet é uma palavra inglesa que eu adoro, simplesmente por ser tão antagônica, que é usada quando se quer dizer que algo é “amargo e doce” ao mesmo tempo ou, se tratando de sentimentos, triste e feliz. Assim é a vida do pós-graduando brasileiro!

Porque, vamos falar a verdade, tem coisa mais estranha do que alguém que vive de uma bolsa de mixaria, trabalha mais de 40 horas por semana, repete infindáveis experimentos que só Deus sabe quando decidirão parar de funcionar, estuda como se aquilo fosse pré-requisito pra vida, possui uma pseudo vida social, E AINDA GOSTA DO QUE FAZ!?!? E nem tente explicar para alguém o que se faz no dia a dia do laboratório ou qual o objetivo da sua tese, pois isso normalmente requer tanto conhecimento prévio que quase ninguém consegue acompanhar (ou ver muito sentido do porque gastar a vida em algo tão cheio de detalhes). Sinceramente, pós-graduação é pra quem tem inclinação pra coisa.

Eu, já tendo diploma de graduação, resolvi enfrentar um mestrado, que defendi em 2005. Resolvi, então, ganhar dinheiro e fui trabalhar em empresas, ser professora, explorar minhas opções. Hoje vivo de bolsa de doutorado. Ponto.

Às vezes me dá uma agonia e eu fico pensando: em que ponto da vida eu olhei minha conta bancária, que ia muito bem obrigada, minha vida social, que estava melhor ainda, meus planos de viagens, passeios, compras e resolvi que o bom mesmo seria passar aperto? Vai saber! Acho que quando eu nasci o mesmo anjo torto que mandou Carlos Drummond ser “gauche” na vida virou pra mim e disse: Vai, minha filha, ser pobre na vida!

Certas situações no dia a dia dos pós-graduandos são tão comuns, apesar de um tanto quanto absurdas e sem sentido, que existe até mesmo uma tirinha (em inglês) que tenta retratar esse cotidiano: http://www.phdcomics.com/comics.php

Bobeiras à parte, ciência no Brasil é difícil, sofrida e realmente para quem está disposto a abrir mão de vários tipos de comodidades. É uma área muito competitiva, eu diria até que é um modo de vida para aqueles que querem ter reconhecimento. Apesar de não saber se vou continuar trabalhando em laboratórios após o doutorado, essa foi uma escolha muito bem pensada que fiz. E muito bem acertada. O que me encanta na Ciência é a oportunidade de conviver em um ambiente de troca de idéias, de perguntas inteligentes e respostas empíricas, de CONHECIMENTO!

2 comentários:

Matheus disse... [Responder comentário]

Nossa, gostei do post, mais neh...nao quero ser pobre nao...espero q o anjo q falo pra Drummond ser gauche nao olhe pra mim e me ponha nessa vida de laboratorio!!! ateh pq minhas teses nao iriam pra frente! + Fora isso gostei do blog *-*

Vinícius disse... [Responder comentário]

Nossa... Muito bom esse!

Adorei o jeito que vc colocou as tirinhas durante o texto (isso sem falar que são engraçadas!) ^^
E ainda mostra como é ser uma pessoa louca pelo que faz ou louca por biologia, coisa que vc é (não que eu já não soubesse, mas enfim...)!

Acho que Bio não é pra mim =/

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