quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cosmos

No dia 20 de Dezembro de 2007, a 62ª Assembléia da Organização das Nações Unidas proclamou 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Este ano, celebramos a primeira observação telescópica, feita por Galileu Galilei, há 400 anos atrás. Desde então, a humanidade se empenhou para conseguir explorar e conhecer o cosmos e o que encontramos, de tão imenso em distâncias e significado, nos mostrou o quanto somos pequenos frente a um universo tão grandioso, e o quanto somos raros.

As comemorações do ano internacional da astronomia são inúmeras e vários projetos que levam a ciência espacial para leigos estão sendo desenvolvidos. Mês passado, numa visita ao Parque do Ibirapuera, tive a chance de assistir a duas apresentações no planetário de São Paulo. São 3 sessões diárias, muito interessantes e informativas, que valem a visita.

Sempre gostei de astronomia. De uma forma bastante leiga, é claro, mas sempre encarei com espanto o estudo do espaço. Talvez essa minha predisposição tenha sido o fator chave para o impacto que senti ao conhecer as idéias e a obra de Carl Sagan.


Carl Sagan foi um astrônomo que impressionou, principalmente por dois motivos: se dedicar ao estudo da exobiologia, área da astronomia um tanto quanto desacreditada, focada na busca de vida extra-terrestre, e à divulgação magistral da ciência para o grande público. Sagan foi um crítico ferrenho das chamadas pseudociências e iluminou a vida de tantas pessoas com sua visão privilegiada do mundo. Como cientista e consultor da NASA, ampliou o nosso conhecimento sobre vários planetas do nosso sistema solar e esteve envolvido no projeto que culminou no lançamento das sondas Voyager, que carregam uma mensagem da humanidade caso algum dia sejam resgatadas por outra civilização. Nestas sondas, além de um mapa de onde os seres humanos estão “localizados no Universo”, também foram enviados sons comuns na Terra, entre eles a voz do próprio filho de Carl Sagan.

Carl Sagan foi, ainda, o apresentador de uma série muito popular chamada COSMOS, que lindamente passava ao público as maravilhas da astronomia. O show fez tanto sucesso que, por diversas vezes, Carl interrompia suas atividades do dia a dia para receber o cumprimento de inúmeras pessoas que só queriam agradecer por ele ter “apresentado o Cosmos” ao mundo. Sagan também escreveu muitos livros, entre eles “O Jardim do Éden”, que ganhou um prêmio Pulitzer, e “Contato”, que se tornou um clássico do cinema. Seu fascínio por Marte e sua possível colonização fez com que o cientista gravasse uma mensagem emocionante, direcionada aos futuros colonizadores do planeta.

Carl Sagan morreu de pneumonia aos 62 anos, em 20 de dezembro de 1996, após lutar por 2 anos contra uma mielodisplasia. Sua obra até hoje encanta e inspira tantas pessoas. The Carl Sagan Portal, site oficial que agrega informações sobre o astrônomo, é uma verdadeira homenagem!

PS: Mas nada que encontrei ali foi tão emocionante quanto a mensagem escrita pela astrônoma Ann Druyan, a esposa de Carl, 10 anos após sua morte.

SAGAN E A EDUCAÇÃO
"Eu acredito que parte do que impulsiona a Ciência é a sede de maravilhamento. É uma emoção muito poderosa. Todas as crianças a sentem. Em uma sala de aula de primeira série, todos a sentem; em uma sala de aula do último ano do ensino médio, quase ninguém a sente, ou sequer a reconhece. Algo acontece entre a primeira e a última séries, e não é só a puberdade. Não somente as escolas e a mídia não ensinam muito ceticismo, mas também há pouco incentivo dessa agitante sensação de maravilhamento. Ciência e pseudociência, ambos despertam esse sentimento. Popularizações pobres da Ciência estabelecem um nicho ecológico para a pseudociência."

SAGAN E A COMUNICAÇÃO COM CIVILIZAÇÕES EXTRATERRESTRES
Através de toda a nossa história, temos meditado sobre as estrelas e imaginado se a humanidade é de fato única ou se, em algum outro lugar na escuridão do céu noturno, haverá outros seres comtemplando e imaginando da mesma forma que nós, como colegas pensantes na imensidão do cosmo.

SAGAN E A BELEZA DO UNIVERSO
Se olharmos para qualquer ponto do universo, encontraremos algo de estupendo. Antes de mais nada, encontraremos um universo extremamente belo, construído de maneira sutil e intrincada.

SAGAN E O CETICISMO (filosófico)

"Parece-me que é necessário um equilíbrio muito cuidadoso entre duas necessidades conflitantes: o escrutínio mais cético de todas as hipóteses que nos são oferecidas e ao mesmo tempo uma grande abertura a novas idéias. Obviamente que essas duas modalidades do pensamento estão em alguma tensão. Mas se você puder exercitar somente uma delas, qualquer que seja, você tem um problema sério.

Se você for somente cético, então nenhuma idéia nova chega até você. Você nunca aprende nada de novo. Você se transforma em uma velho excêntrico convencido de que o absurdo é que governa o mundo (evidentemente que há muitos dados para lhe dar apoio.). Mas, de quando em quando, talvez uma vez em cem casos, uma nova idéia acaba acertando, válida e maravilhosa. Se você estiver no hábito demasiado forte de ser cético com tudo, você não a perceberá ou se sentirá agredido, e de qualquer maneira estará barrando o caminho da compreensão e do progresso.

Por outro lado, se você estiver aberto a ponto de ser crédulo e não tiver um grama de ceticismo, então você não conseguirá distinguir as idéias úteis das sem valor. Se todas as idéias tiverem validade igual então você está perdido, porque então, me parece, nenhuma idéia tem validade alguma.

Algumas idéias são melhores do que outras. O aparato para distingui-las é uma ferramenta essencial para lidar com o mundo e especialmente com o futuro. E é precisamente a mistura dessas duas modalidades de pensamento que é central ao sucesso da Ciência.

Os cientistas realmente bons fazem ambas as coisas. Quando estão por sua própria conta, falando consigo mesmos, eles criam um monte de idéias novas e as criticam sem piedade. A maior parte das idéias nunca chega ao mundo exterior. Somente as idéias que passam por rigorosos filtros pessoais conseguem sair e são criticadas pelo restante da comunidade científica. Acontece às vezes que as idéias que são aceitas por todos acabam por se mostrar erradas, ou ao menos parcialmente erradas, ou ao menos substituídas por idéias mais gerais. E, se por um lado, naturalmente, existem algumas perdas pessoais -- vínculos emocionais a idéias que voccê mesmo ajudou a criar --, não obstante a ética coletiva é de que toda vez que uma idéia assim cai e é substituída por algo melhor, a Ciência beneficiou-se. Em Ciência, freqüentemente acontece que os cientistas digam, "Sabe, esse é um argumento bom mesmo; minha posição está errada", e então mudam mesmo de idéia e você nunca mais ouve aquela visão antiga. Isso acontece mesmo. Não tão freqüentemente como deveria, porque os cientistas são humanos e a mudança às vezes é dolorosa. Mas acontece todos os dias. Mas ninguém consegue lembrar qual foi a última vez em que algo assim aconteceu na política ou na religião. É muito raro que um senador, por exemplo, diga "esse é um bom argumento. Vou mudar minha afiliação política."


2 comentários:

Vinícius disse... [Responder comentário]

Muito legal!
Talvez eu devesse ler mais sobre esse tio ai '-'

Cristiane disse... [Responder comentário]

Leiga?!!! Imagina que se fosse especialista então! =D
Está tendo uma exposição de astronomia aqui em BH. Tenho que ir ver.

bises

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