segunda-feira, 29 de junho de 2009

Velha História

Depois de atravessar muitos caminhos
Um homem chegou a uma estrada clara e extensa

Cheia de calma e luz.

O homem caminhou pela estrada afora

Ouvindo a voz dos pássaros e recebendo a luz forte do sol

Com o peito cheio de cantos e a boca farta de risos.

O homem caminhou dias e dias pela estrada longa

Que se perdia na planície uniforme.

Caminhou dias e dias…

Os únicos pássaros voaram

Só o sol ficava

O sol forte que lhe queimava a fronte pálida.

Depois de muito tempo ele se lembrou de procurar uma fonte

Mas o sol tinha secado todas as fontes.

Ele perscrutou o horizonte

E viu que a estrada ia além, muito além de todas as coisas.

Ele perscrutou o céu

E não viu nenhuma nuvem.

E o homem se lembrou dos outros caminhos.

Eram difíceis, mas a água cantava em todas as fontes

Eram íngremes, mas as flores embalsamavam o ar puro

Os pés sangravam na pedra, mas a árvore amiga velava o sono.

Lá havia tempestade e havia bonança

Havia sombra e havia luz.

O homem olhou por um momento a estrada clara e deserta

Olhou longamente para dentro de si

E voltou.


Vinícius de Moraes - Poesia Completa e Prosa
Rio de Janeiro, 1933

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domingo, 28 de junho de 2009

Minha Vida de Menina

O livro "Minha Vida de Menina", de Helena Morley (pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira), é uma compilação dos escritos do seu diário de adolescente e retrata a vida cotidiana nos anos 1893-1895 na cidade mineira Diamantina. Na minha opinião é um livro divertidíssimo, uma delícia de leitura! É possível imaginar as cenas como se estivéssemos presentes. Abaixo alguns trechos:

"Não desejo ter dor de dente porque vejo todo o mundo chorar tanto, que penso que há de doer muito. Naninha, quando tem dor de dente, põe a casa toda maluca. Tia Agostinha fica só rezando e fazendo promessa, com medo de Naninha enlouquecer. Ela grita, rola no assoalho, bate com a cabeça na parede que a gente pensa que é doida do hospício. Outro dia os gritos foram tantos que a gente da rua entrou para acudir; ela xingou a todos e foi rolar na horta."

"Certa hora, como tínhamos posto os colchões no chão, uma pulga entrou no ouvido de Beatriz e ela pula da cama desorientada e entra pelo quarto de tio Conrado gritando: "Uma coisa entrou no meu ouvido! Eu fico doida! Me acode!". Tio Conrado desceu da cama e disse: "É uma pulga, minha filha, não vale nada!". Pelejava para tirá-la sem conseguir e Beatriz gritando: "Me acode! Eu fico doida!". Ele então, mais nervoso do que ela, pedia: "Dê cá uma pulga pelo amor de Deus! Arranjem uma pulga que eu quero pôr no meu ouvido para mostrar a esta menina que isto não é nada!". Mas nada de se arranjar uma pulga. Era impossível. Eu procurava com muita vontade de encontrar, para ele pôr mesmo no ouvido e não ficar contando histórias. Nunca tive tanto desejo de fazer uma maldade. Mas tive vontade tão grande de rir da cena dos dois, Beatriz gritando com a pulga e tio Conrado querendo também uma para pôr no ouvido, que não pude me conter."

"Se há uma coisa que eu desejo na vida é ser menos esfomeada do que sou. Tenho até vergonha. Nunca tive um dia de pouca vontade de comer. Até já perguntei ao doutor se não haverá um jeito da comida não gastar tão depressa e ele achou graça. Esperei sem poder falar muito, de tanta fome. Chegou a hora do jantar e a negra Maria encarreirou todos os meninos no banco da mesa grande do salão do forno e foi trazendo os pratos feitos para cada um. Quando chega a minha vez Maria vira para mim e pergunta: "Sinhá Helena, ocê também quer janta?". Eu, espantada da pergunta, respondi: "Não, não quero não!" Pensando que a burra entendesse. Espero o meu prato e não vem. Grito a Maria: "Que é do meu prato?". Ela responde: "Uai! Ocê não disse que não queria? Agora não tem mais comida". Fiquei tão pasma que nem pude reclamar. Fiz o que mamãe diz que a gente deve fazer quando o sofrimento é grande: oferecer o sacrifício a Deus que ele agradece e ajuda depois, quando se precisa."

E, por fim, nota da autora, sobre o livro, para suas netas:

"Agora uma palavra às minhas netas. — Vocês que já nasceram na abastança e ficaram tão comovidas quando leram alguns episódios de minha infância, não precisam ter pena das meninas pobres, pelo fato de serem pobres. Nós éramos tão felizes.' A felicidade não consiste em bens materiais mas na harmonia do lar, na afeição entre a família, na vida simples, sem ambições— coisas que a fortuna não traz, e muitas vezes leva."

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sábado, 27 de junho de 2009

Lerê Lerê!

Existe coisa mais pestilenta do que arrumar casa? A gente arruma, arruma, arruma... e daqui a pouco tá cheio de poeira, mancha no piso, marca de dedo nos móveis. E o fogão? É só acender uma chaminha besta que ele vai também ficando escuro. O microondas então, nem se fala. Dá até preguiça de usar, porque acaba sujando tudo! Só serve mesmo pra esquentar água porque pra fazer pipoca, MEU DEUS DO CÉU! Cheiro de pipoca de microondas empesteia o ambiente. Fazer na panela também muda muito pouco a realidade da limpeza diária. Lavar panela cheia de óleo é um horror! O "ó do borogodó"! Eu deixo a panela cheia de água com detergente por várias horas antes de encarar a dureza. E o chão da cozinha? Tem coisa mais nojenta que chão de cozinha após uns dias sem lavar? Tem! Banheiro! Lavar banheiro pra mim é o fundo do poço. É o limbo. É onde se paga todos os pecados. Inclusive deveria ser penitência, porque é um sofrimento só. Eu faço de tudo pra alguém lavar o banheiro por mim. E se tento lavar, tenho vontade de botar o almoço, café da manhã, janta, pra fora... é nojento, eu sei... mas olha que o meu banheiro é novinho, pequenininho, bonitinho. Tenho uma teoria que cabelo, quando solta do corpo, vira o cão chupando manga numa perna só. Com certeza é tóxico, radioativo, algo que só pode ser comparável a uma fralda suja. E o cabelo que caiu, só de sacanagem, vai se esconder no ralo, pra rir de mim na hora que eu tento tirar ele de lá! ECA! E nos raríssimos dias que animo tentar limpar o banheiro, saio me arrastando, me sentindo a mosquinha do cocô do cavalo do bandido. Pra tornar tudo isso mais agradável eu tenho uma cabeleira. É muito cabelo! Todo cabeleireiro acha o máximo alguém ter tanto cabelo, porque dá pra fazer penteados, cortar de jeitos diferentes.... NÃO É!!!! Meu cabelo cai o tempo todo, nasce mais o tempo todo, cresce muito rápido... resumindo, não me ajuda nada com a limpeza da casa!
Não levo jeito para arrumar casa. Eu até tento e não me saio tããão mal. Mas no mundo perfeito a casa das pessoas seria autolimpante. Um computador inteligente falaria: "Sra Ana Lúcia, deseja que a limpeza do banheiro seja realizada agora? Temos a opção de essência de lavanda hoje!" ou ainda "Sra Ana Lúcia, o que deseja para o almoço? A limpeza do piso será realizada quando a Sra estiver no trabalho, para não incomodá-la".
Ahhh, que sonho!
Mas deixa eu começar a arrumar a casa... pelo jeito hoje é dia de pagar os pecados...

OBS: Não, a minha casa não é suja! Moro com uma amiga que sempre está arrumando mil coisas e eu tento ajudar. E, às vezes, chamamos uma faxineira... (esses são dias de alegria divina!)

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Darwin e a Origem das Espécies

Este ano comemoramos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da divulgação da sua "Origem das Espécies". Darwin foi um grande pensador! Seu trabalho mudou a visão geral de que todos os seres eram imutáveis, mostrando que os seres vivos evoluíam e eram provenientes de ancestrais comuns. Mas não vou ficar repetindo detalhadamente o que todos já sabem sobre a Teoria da Evolução. Hoje quero falar um pouco da vida do homem por trás do cientista.

Charles Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809 na Inglaterra, numa família rica. Desde pequeno sempre se interessou pelo naturalismo, mas, por pressões de família, foi estudar Medicina na Universidade de Edimburgo. Não conseguiu se adaptar ao dia-a-dia de cirurgias (sem anestesia) e aproveitou mais o seu tempo como participante de sociedades estudantis para naturalistas. Nas suas aulas de taxidermia, seu professor (um ex-escravo negro) lhe contava inúmeros casos interessantes sobre florestas tropicais da América do Sul. Seu pai, decepcionado com a falta de interesse do filho pela profissão de médico, enviou-o para Cambridge, para que ele se tornasse um clérigo. Novamente Darwin apresentava mais aptidão para observar besouros do que para estudar. Sua chance de levar à frente sua observação da natureza surgiu quando foi indicado como naturalista para o capitão do barco Beagle, que partiria numa viagem de 2 anos no intuito de mapear a costa da América do Sul.

Tal viagem acabou durando 4 anos e 9 meses. Nesse tempo Darwin visitou diversas regiões (inclusive o Brasil) e estudou metodicamente muitas espécies, várias delas ainda não descritas. Quando o cientista voltou à Inglaterra seu trabalho de naturalista já era conhecido. É preciso ressaltar que, a princípio, Darwin acreditava na teoria vigente, de que as espécies foram criadas e não evoluíam. Entretanto, suas observações o levaram a acreditar que a evolução dos seres vivos era impossível de ser negada. Naquela época, idéias como essas eram consideradas radicais e ofensivas, já que feriam o que dizia a religião.

Como Darwin não gostava de expôr e defender suas idéias em público, começou a escrever seu "livro secreto", onde tentava explicar como seria o processo de transmutação das espécies. Sua saúde se deteriorava com o passar dos anos e o naturalista, depois de fazer uma lista de prós e contras, resolveu se casar. Dizem que na tal lista estavam presentes nos prós: "companhia constante e um amigo na velhice que será melhor do que um cão" e nos contras: "menos dinheiro para livros e uma terrível perda de tempo".

Darwin casou-se com uma prima e teve 10 filhos, 3 dos quais morreram precocemente e vários que atingiram notoriedade. Muitos apresentaram doenças, que ele acreditava serem causadas pelo fato de ter se casado com alguém de sua família. Durante toda a sua vida, Darwin foi desenvolvendo e aprimorando sua Teoria da Seleção Natural e Evolução das Espécies, que só foi apresentada abertamente ao público tardiamente, após receber a compilação das idéias de Alfred Russel Wallace, que chegava praticamente às mesmas conclusões sobre evolução.

A publicação de Darwin gerou uma enorme controvérsia e uma verdadeira "guerra" entre grupos que condenavam a evolução (a maior parte) e a apoiavam. Vários cientistas que acreditavam nas idéias de Darwin as defendiam ferozmente, já que o próprio cientista não gostava de se manifestar, entre eles Thomas Huxley, mais tarde conhecido como o " buldogue de Darwin". O confronto mais famoso entre os grupos aconteceu em um encontro da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, em Oxford. Diz a lenda que houve um embate acalorado entre Thomas Huxley e o bispo de Oxford: Samuel Wilbeforce. Quando Wilbeforce levou a discussão para um âmbito pessoal e perguntou a Huxley se ele descendia de macacos pelo lado da mãe ou do pai, este lhe respondeu que preferia ser descendente de um macaco, que de um homem educado que usava sua cultura e eloquência a serviço do preconceito e da mentira. Logo a notícia se espalhou de que Huxley preferia ser um macaco a um bispo!

O trabalho de Darwin tornou-se um marco e modificou o pensamento científico enormemente. O naturalista contribuiu com várias outras publicações antes de falecer, em 19 de abril de 1882

Para ler mais a respeito de Charles Darwin, visite http://sandroestevao2008.blogspot.com/2009/02/charles-darwin-200-anos-depois.html, blog de onde foi retirada a maior parte das informações.
Ou vá direto à fonte: http://darwin-online.org.uk/

OBS: E não.. a gente não evoluiu do macaco, mas sim de um ancestral comum às duas espécies.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Crianças em Perigo

Ligo a televisão e me deparo com o programa Profissão Repórter, da rede Globo. Nele vejo a realidade das crianças brasileiras que estão sujeitas ao trabalho duro na infância e também das que são abusadas, ignoradas, abandonadas pelos pais. O que mais chocou foi a história de uma criança de 11 anos que teve um filho do próprio pai adotivo, alguém que a submeteu a abusos repetidos. O que chama a atenção é a serenidade dessa menina-mulher, que obviamente deixou a infância para trás e só diz amar muito sua filha, incondicionalmente, e não ter raiva do pai adotivo, que se encontra preso. Com uma vozinha de gente grande conta que vai criar a menina com muito amor, respeito, dignidade, no que é apoiada pela mãe/avó. Quando a repórter pergunta se ela tem planos para o futuro e em que ela pensa se tornar quando "crescer", ela diz solenemente: "Cientista. Quero descobrir novas espécies de animais."

Não sei se senti mais revolta com a capacidade do pai-monstro de destruir a infância da própria filha, ou mais admiração de ver uma serenidade tão grande e a capacidade de sonhar com um futuro da menina-mãe.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vergonha noturna

Sono turbulento é comigo mesmo. Não sei se tenho algum tipo de sonambulismo bem fraquinho ou algo que valha, mas sempre apresentei uns episódios um tanto quanto estranhos. Às vezes acordo no meio da noite e percebo que estou sentada na cama, falando pra ninguém. Outras vezes acordo morrendo de rir ou até mesmo chorando. Um dia gritei tão alto que acordei assustada com "a gritaria da rua"!

Dificilmente lembro o que estava sonhando, se acordo no meio dessas atuações estranhas. Mas uma coisa é certa: quando percebo que estou interagindo com a parede sinto uma vergonha tão grande, que dá vontade de me enterrar no colchão!

Lembro que uns meses atrás acordei assustadíssima com um estrondo... um barulho altíssimo, como se alguém tivesse atirado uma bomba contra o prédio. Fiquei no escuro sentada na cama tentando entender o que acontecia, com medo do terrorismo, de ataque aéreo, como se eu vivesse em zona de guerra. Fiquei sentada na cama, enrolada até o pescoço no edredon, ouvidos abertos à espreita de nova turbulência. Quando aceitei que o barulho não voltaria e tentei voltar a dormir percebi que nenhum dos meus dois travesseiros estava na cama. Só aí entendi que a baderneira era eu mesma... num dos meus ataques noturnos me levantei, segurei os dois travesseiros e os atirei com toda força contra o armário do meu quarto, possivelmente lutando contra ninjas imaginários! Quase morri de vergonha de mim mesma!

Uma semana depois, quando a minha amiga Carol estava por aqui (a coitada dorme numa cama ao lado da minha), eu acordei com a sua voz dizendo: "Lulu.... está tudo bem?". Essa frase me tirou do torpor do sono e percebi que estava sentada na cama, com o dedo apontado para o escuro e repetindo, quase gritando, sem parar: "Não, não, não.... NÃO!". Vergonha extrema! Só consegui pensar em algo do tipo: "Ai, meu Deus, me teletransporta.. me carrega daqui!". O meu cérebro tentava pensar rápido, tentava arrumar uma explicação pra Carol do porquê eu estaria negando algo para a parede...Então eu saí com essa resposta: "Tá tudo bem.. eu tô só cantando!!!". Silêncio por parte dela. Constrangedor. Nova pergunta: "Lulu.... você vai atirar o travesseiro em mim?". Aí eu já tinha caído no ridículo da situação e da minha resposta e nós duas morremos de rir.

É.. eu tenho dessas coisas estranhas...

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domingo, 21 de junho de 2009

Pálido Ponto Azul

No dia 14 de fevereiro de 1990, a sonda Voyager 1 (uma das que carregam uma mensagem da humanidade para possíveis civilizações extra-terrestres) recebeu um comando para que se virasse e tirasse uma foto da Terra. Essa foi uma idéia do astrônomo Carl Sagan, um dos idealizadores da missão. A sonda já estava a 6,4 bilhões de km de distância e o nosso planeta apereceu como um "pálido ponto azul".

Essa foto foi a inspiração para que Carl Sagan escrevesse o BestSeller "Pale Blue Dot". Eu ainda não o li, mas existe uma passagem muito bonita que foi colocada nesse vídeo logo abaixo, com a voz do próprio Sagan, que faz a gente pensar... e pensar... e pensar! Simplesmente sensacional!

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sábado, 20 de junho de 2009

Uma história de vida

O que eu sabia: Steve Jobs foi um dos fundadores da Apple, aquela empresa gigante que lançou o Macintosh e, recentemente, o iPhone. Sabia que ele estava de alguma maneira envolvido com a empresa Pixar, que lança os desenhos animados mais interessantes. E li algo a respeito de um câncer de pâncreas, que ele descobriu um tempo atrás.
O que eu não sabia: Como Steve Jobs é uma pessoa de idéias interessantes, um lutador, alguém que seguiu o que mandou o coração, um vencedor.

Recebi há muito tempo este vídeo, em que Steve Jobs faz seu discurso, como "paraninfo" de uma das turmas que estavam se graduando na prestigiada Universidade Stanford. É grandinho, mas extremamente inspirador... vale a pena ver.



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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sem fronteiras

O mundo de cada um é de um tamanho. Além do nosso mundinho do dia-a-dia, existe um outro, que complementa aquele primeiro e que é bem individual. Para mim, assim como a internet é uma porta para um universo vivo, vibrante e fascinante, os livros também são portas: através dos livros pode-se embarcar numa história completamente nova e desconhecida.
Não consigo entender como tanta gente não gosta de leitura. Aqui do meu quarto, tão pequeno, eu deixo minha mente viajar sem fronteiras, pra bem longe, com um bom livro. Já estive em Manaus, Inglaterra, Istambul, Atlanta, Betelgeuse, Lua, Saturno (e todos os planetas da Via Láctea), Grécia Antiga, Portugal, Afeganistão, Alemanha em tempos de guerra, Europa/Ásia numa infindável viagem de trem, Pólo Sul e suas geleiras, Pérsia nos tempos do Xá e tantos outros locais maravilhosos, imaginários, surpreendentes.

O autor conta uma história que ele criou, mas para mim é uma oportunidade de embarcar numa viagem de personagens meus, que só vão existir com aquele rosto e aquele jeito na minha imaginação. A cada livro uma expectativa, um recomeço, um friozinho na barriga. Gosto de pegar um livro e ir olhando cada cantinho. Tenho um verdadeiro ritual literário. Observo a capa, a contracapa, sinto o cheiro (cheirinho de livro novo é bom!), passo a mão pelas folhas, observo a qualidade do papel, o tipo de impressão, mas nunca... nunca mesmo leio páginas que estão à frente do ponto onde estou na história... e muito menos leio a última página! Ah! Ler a última página antes de chegar a ela é obsceno... deveria haver uma multa para as pessoas que leem a última página antes da hora. Um livro se constrói lendo!

Tenho reverência por literatura. Acho que isso surgiu por culpa da minha mãe. Lembro que quando era bem pequena, antes mesmo de entrar para a escolinha, ela me dizia que "quando eu aprendesse a ler eu veria o quanto era bom! Que maravilha que era ler uma história diferente a cada livro." E assim foi! Logo que fui alfabetizada passei a ler tudo que caísse em minhas mãos. Minha mãe pegava livros e mais livros numa biblioteca, onde meu gosto era referência para outros leitores-mirins. E como eu gostava de ler! Um dia eu cismei que as histórias mudavam para cada pessoa, porque isso sim explicaria o fato de alguns gostarem de um livro que eu considerava o melhor de todos e outros não o acharem assim tão bom. Criei uma verdadeira teoria na minha cabecinha. Por uma tarde fiquei pensando se a história não se criava no momento que o leitor virava cada página. Coisas de uma cabeça pequenina! Mas, filosoficamente falando, eu não estava tão errada. Afinal de contas, a história de um livro só acontece para quem o lê! Livros precisam ser lidos, ora bolas!

Um livro sempre me emocionou mais do que um filme. Quantas vezes não comecei a ler furiosamente, desesperada para saber o que aconteceria em seguida. Quantas vezes não reli momentos tocantes e até mesmo anotei certas passagens. Quantas vezes não li devagarzinho as últimas páginas, com um pesar a cada sentença nova, chorosa, sabendo do fim próximo da história!

O mundo de cada um tem um tamanho. O meu beira o infinito! Quando menos espero, depois de períodos estressantes, cansativos, desestimulantes, pego uma obra nova e saio mentalmente de férias, numa viagem longa, desconhecida, empolgante, fascinante!

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Conheça São Paulo! Sala São Paulo

Estação Júlio Prestes

Imponente, elegante, maviosa, empolgante... Todos esses adjetivos cabem muito bem à Sala São Paulo. Construída na Estação Ferroviária Júlio Prestes, a mais moderna sala de concertos da América Latina é capaz de receber as melhores orquestras sinfônicas do mundo. E não faz feio! O projeto da sala São Paulo aceita qualquer tipo de apresentação, já que possui um forro com painéis móveis, que permitem uma acústica perfeita, além de um elevador para o piano e da possibilidade de mover corais e orquestras durante as apresentações. Ela é comparável às 3 salas de concerto mais modernas do mundo: as de Boston, Viena e Amsterdã.

Estar na Sala São Paulo é muito mais do que se pode imaginar. A Sala encanta, emociona, arrebata nos momentos mais grandiosos, delicia a alma! É comum ver gente deixando escapar uma lágrima furtiva, completamente rendidos pelo espetáculo.

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Estive na Sala São Paulo por duas vezes, da última vez com os meus pais. Em ambas fiquei pensando porque eu não faço esse passeio mais regularmente. Sem dúvida nenhuma foram os melhores programas que eu já fiz em SP. Com certeza, esse ano, não perco os concertos de Natal, que são tão famosos!

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Sala São Paulo - Orquestra Sinfônica do Estado de SP - Bach, Missa em Si Menor

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sábado, 13 de junho de 2009

Hipótese

"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.

-E depois que morre - Perguntou o Visconde.
-Depois que morre vira hipótese. É ou não é?"

Memórias da Emília - Monteiro Lobato, 1936

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Quatro Vozes

Tem gente que nasceu pra cantar mesmo. A voz sai tão perfeita, tão harmônica, que carrega todo mundo junto com a música. O grupo musical "A Quatro Vozes" é composto por quatro mineiras que, sem a menor dúvida, possuem esse dom de uma maneira gritante.

Tive o prazer de conhecer 3, das 4 integrantes, quando morava no interior de Minas Gerais, na cidade de Almenara. Elas estavam por lá, de passagem, e aproveitaram para dar uma canja. Foi simplesmente maravilhoso.

As quatro são parentes (3 irmãs e 1 sobrinha), são mineiras de Guaxupé, vivem em São Paulo e cantam/tocam MPB da melhor qualidade.
Lembro que na época que as conheci, eu estava indo embora de Almenara e voltando para Belo Horizonte. Elas então cantaram a música "Tocando em Frente", uma das minhas preferidas, que possui uma letra prá lá de perfeita:

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Sem dúvida uma mensagem muito bonita para quem está de partida!

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Passion Flower

Ao escrever o último post, me lembrei de um fato um tanto inusitado. Visitando uma estufa das mais bem estruturadas, em Boston, me deparei com uma flor linda, diferente, chamativa! O botânico local, que explicava curiosidades sobre as plantas dalí a um grupo de pessoas, ao me ver tão interessada a respeito daquela flor perguntou se eu gostaria de levá-la comigo. Me espantei e disse que sim, desde que não fosse fazer falta, e que gostaria muito de saber o nome daquela planta tão exótica. Ele me disse: Essa é uma "Passion Flower"!
Saí da estufa me sentindo a última coca-cola do deserto! Logo eu, uma Zé-Ninguém, tinha ganhado a "raríssima" flor da paixão! Ao encontrar minha amiga de viagem contei logo o ocorrido e ela, após rir longamente, me disse: Flor da Paixão é o nome inglês para Flor do Maracujá!
Não sei se me senti mais boba por ter achado que tinha um exemplar único no mundo ou por não conhecer uma flor de maracujá!

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sábado, 6 de junho de 2009

Arte que encanta

Sempre aceitei o fato de eu ser uma daquelas pessoas não muito ligadas à Arte. Quando tive a oportunidade de estar frente a quadros de pintores famosos, nunca me demorei mais do que 10 segundos (se muito) admirando cada um deles. Eu adoraria sentir a emoção que tanta gente sente ao entrar numa exposição de Picasso, por exemplo, mas é até mesmo um tanto frustrante admitir que não me sensibilizo com as telas. Cheguei até mesmo a sentir uma tristeza ao visitar o Guggenheim Museum em NY, um sentimento de perda de tempo e de inaptidão para apreciar a arte que o mundo todo preza.

Gosto de quadro que representa a realidade como eu a vejo. Gosto de paisagens que parecem paisagens, de gente que tem a forma verdadeiramente humana. Os traços precisos, esses sim, me encantam. No fundo acho que não é uma questão de não se sensibilizar com a Arte, mas sim de gostar de um tipo específico, que pode não ser exatamente o mais valorizado.

Sempre que tento lembrar de uma obra de arte que me chamou a atenção, dois quadros me veem à mente. Um deles é o “El Jaleo”, de John Singer Sargent, em exposição permanente no Isabella Stewart Gardner Museum, em Boston.

Esse quadro de parede inteira parece ter vida! Depois de admirá-lo de todos os ângulos dá até a impressão de se ouvir as castanholas, a música e o farfalhar da saia da dançarina! Quando visitei esse Museu, a minha sensação foi de alívio! O Museu, que fica num palácio com galerias, jardins e fontes é maravilhoso e, além de pinturas, apresenta esculturas e mobiliário de chamar a atenção. Senti naquele local, pela primeira vez, que tinha encontrado o “meu” tipo de Arte.

O segundo quadro que me surpreendeu foi o “Passion Flowers and Hummingbirds”, de Martin Johnson Heade, que também faz parte de uma exposição permanente em Boston: a do Museum of Fine Arts.

Esse quadro é bem bonito, mas não teria nada de especial se não tivesse sido a imagem de capa do meu convite de formatura da faculdade. Foi engraçado que, só quando eu cheguei ao quadro caiu a ficha e eu lembrei porque estava há algum tempo com a impressão de que já tinha visto algo desse museu antes. O reconhecimento foi bem reconfortante!
O Museum of Fine Arts também é imperdível! É um passeio pela História com suas exposições de Arte da Ásia, Oceania, África, America, entre tantas outras coisas interessantíssimas.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Chuva!

Você já parou pra pensar que boa parte das invenções que prometem facilitar nossas vidas trazem com elas uma porção de problemas que nós não tínhamos antes? Dá pra mencionar dezenas, centenas de coisas. Mas a mais emblemática, na minha opinião, é o guarda-chuva. E isso é um desabafo.

Você mora na cidade? Então tenho certeza que você odeia chuva. Chuva é uma coisa muito desgraçada na cidade. O chão de concreto não foi feito pra lidar com água caindo do céu. Isso é fato, e alguém deveria fazer algo a respeito.

Os que andam de carro podem até reclamar que passam horas parados no engarrafamento quando chove e dá enchente em São Paulo. Mas amigo - pelo menos, você está dentro de um carro. Você poderia estar fora dele, ou pior, dentro de um ônibus/trem lotado, sem ar condicionado e com as janelas fechadas, porque se abrir, chove dentro. Esses lugares têm cheiro de Cheetos - é sério. O trem é um lugar tão nojento que tem cheiro de Cheetos. O de queijo. E eu odeio Cheetos. Imagina como fica a coisa quando chove.

De qualquer forma, posso garantir que a chuva prejudica muito, muito mais quem anda a pé do que quem tem carro. Primeiro, porque chuva não significa frio - daí chove, mas tá calor, aí você põe uma calça e não um vestido, pra não molhar a perna com a chuva, mas a calça é quente demais, e ainda tá quente e úmido. Não pode usar sandália, sapato baixo, nada - tem que ser tênis, e de preferência impermeável. Precisa ficar cuidando pra que a barra da calça não molhe no chão. Precisa manter a mochila/bolsa e todo seu corpo dentro do diâmetro do guarda-chuva. E tudo isso segurando em cima da sua cabeça um pedaço de pano impermeável sustentado por uns arames que deveria ser capaz de manter a chuva longe de você, mas não é.

Existe a ilusão de que a chuva é uma aguinha cujas gotas caem num ângulo de 90º com o chão, mas isso é mentira. Existe o vento. E o vento faz com que a água te pegue, mesmo com o guarda-chuva sobre a cabeça. Normalmente, é um grande paradoxo: chove o suficiente pra que você precise abrir o guarda-chuva, senão vai se molhar mais do que o suportável, mas o guarda-chuva não protege o suficiente pra compensar o trabalho que ele dá depois da chuva - balançar pra sair a água sem atingir ninguém em volta, fechar, amarrar, pôr dentro da capinha, arrumar uma sacola plástica e, finalmente, jogar esta porcaria dentro da mochila, pra ter que tirar 5 minutos depois de novo porque ela molhou todos seus livros, e ficar carregando na mão enquanto anda, tentando evitar que ele encoste na sua calça e te molhe, o que inevitavelmente irá acontecer… já consegui te convencer de que é muito mais fácil tomar chuva?

A criatura afastada de Deus que inventou isso era muito sádica. Queria sacanear um monte de gente. "Vou inventar uma coisa que sacaneie muitos as pessoas sem que elas percebam. Vou fazer de um jeito que elas achem que valha a pena ser sacaneado. E depois vou ficar rindo pela eternidade."

PS: Recebi esse texto da Roberta e ri muito! Me identifiquei com cada parágrafo!

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Colecionadora de Palavras

Preciso divulgar os escritos de uma pessoa muito querida. A minha amiga Cristiane é uma daquelas pessoas com quem você poderia conversar por horas a fio sem perder o interesse. Ela é mineira, historiadora, adora livros e viagens, tem uma quedinha por cidades do interior e tem um quê de jornalista e poetisa. O seu Blog Colecionadora de Palavras foi a minha inspiração na hora de criar o meu Microcosmos e é uma delícia de se ler!

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terça-feira, 2 de junho de 2009

Libélulas

Ele é um neuroanatomista dos bons. É dele o livro Neuroanatomia Funcional, tão temido pelos estudantes de Medicina. Ele foi meu professor na faculdade. A matéria? Entomologia: O estudo dos insetos.

Ângelo Machado é uma daquelas pessoas incansáveis, que está sempre procurando coisas novas e interessantes, que é "pra vida não perder o sabor"! Formou-se médico pela Universidade Federal de Minas Gerais em1958, porém nunca chegou a realmente exercer a medicina. Resolveu dedicar-se ao ensino e à pesquisa na área de Neurobiologia. Chegou a fazer doutorado e pós doutorado (esse último fora do Brasil), fez descobertas consideráveis para a Ciência e ajudou a melhorar o ensino na UFMG.

Lembro-me bem do Prof. Ângelo Machado. Já no primeiro dia de aula, lembro do seu jeito de entrar na sala, respirar fundo e dizer: Eu gostaria de pedir desculpas a vocês. Sabem, eu sou médico... mas meu coração é de Biólogo!

Durante aquele semestre pude entender um pouco de como aquele professor tão extraordinário levou sua vida. Apesar de ser médico e adorar ensinar, ele mesmo admitia que seu hobby sempre foi estudar insetos, especialmente libélulas e simplesmente por achá-las belas. De tanto estudá-las, tornou-se o maior especialista brasileiro no assunto. Quando se aposentou da carreira de "médico educador", resolveu transformar seu hobby em trabalho oficial. Tornou-se professor adjunto do Departamento de Zoologia da UFMG. Como entomologista descreveu cerca de 50 novas espécies, além de 4 novos gêneros de libélulas. Mas alguma coisa faltava e, como ele próprio nos disse em uma das aulas, já que o seu hobby tinha virado coisa séria, precisava de um novinho em folha. Começou a escrever livros infantis com uma base de biologia. Deliciosas eram as aulas em que estávamos debruçados sobre montes de insetos, estudando cada parte, classificando um por um e escutando histórias diferentes, que não sabíamos ser verdade ou ficção! E olha que eu simplesmente tenho horror a insetos!

Era impossível não se admirar com a criatividade do Prof. Ângelo. Lembro-me de uma aula em que ele contou toda a saga de "Tamar, a tartaruga verde do Mar", enquanto observávamos libélulas de todas as cores. De uma outra vez, ouvíamos o relato do bicho pau, que não sabia se era bicho ou se era pau! Da mesma forma aconteceu com "O Menino e o Rio" e de como ele estava preparando um livro chamado "Os Fugitivos da Esquadra de Cabral" (um livro infanto-juvenil muito bom, por sinal).

Certa vez ele nos contou que, quando era bem mais novo, foi morar um tempo com os índios na Amazônia. Ele disse que um dos hábitos indígenas era formar uma fila onde cada índio comia os piolhos do índio à sua frente. Bem estranho e nojento, mas, ao observar que o primeiro índio não comia piolhos de ninguém e que o último da fila não tinha os seus retirados da cabeça, ele resolveu sugerir aos índios que "comessem piolhos sentados em roda", assim ninguém "sairia no prejuízo"! Depois ele nos dizia: "Fiquei arrasado, pois mudei um hábito milenar".

Aquelas aulas sempre eram curiosas e nunca me saíram da memória. É claro que li vários dos seus livros (adorei todos) e me encantei ainda mais com aquele professor tão singular! Descobri que o seu talento para histórias era algo de família, pois o Prof. Ângelo é parente de Maria Clara Machado, Lúcia Machado de Almeida e Aníbal Machado, três ótimos escritores mineiros! A sua lista de livros hoje é enorme. Já ganhou até mesmo o prestigiado prêmio Jabuti!

Pouco tempo depois, o Prof. Ângelo escreveu o engraçadíssimo livro: "Manual de Sobrevivência em Recepções e Coquetéis com Buffet Escasso". O sucesso foi tão grande que logo logo virou peça de teatro, também sensacional. Daí para aparecer no Jô Soares várias vezes foi um pulo.

Ângelo Machado sempre foi, para mim, uma inspiração. Alguém que seguiu o que o coração mandou, sempre apaixonado pela sua vida profissional. Um daqueles professores que, não importa o que ensinem, sua empolgação em ensinar já compensa qualquer desafio imposto pela matéria.

Uma entrevista interessante do Prof. para a revista FAPESP encontra-se nesse link: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3148&bd=1&pg=1&lg=

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mineirês

Viver fora da terrinha não é fácil! Especialmente quando se trata dos regionalismos e dos trejeitos de cada estado... aí, se adaptar aos modismos locais ou fazer com que as pessoas aceitem o seu jeitão de falar é uma missão ingrata!
Quantas vezes já não riram de mim por algo que eu falei? Muitas vezes as pessoas repetem uma expressão e me olham, numa tentativa “fajuta” de imitar o meu mineirês!

Aqui em São Paulo, sempre que eu pergunto “Quantas horas?”, recebo respostas do tipo “Quantas horas pra que?” ou ainda “1,2,3,4...” (a pessoa literalmente Conta as Horas, como se isso fosse muito engraçado). Mas já aconteceu uma vez de eu perguntar “Quantas horas?” para alguém desconhecido no meio da Avenida Paulista e a pessoa me olhar como se eu fosse um ET por uns 5 segundos, até uma expressão de reconhecimento tomar conta do seu rosto e ela dizer “Ah, você quer saber que horas são?!?!?”.

Outra que riram esses dias foi quando eu falei: Acho que a comida ta perdida, pode jogar fora. Risos e mais risos sem sentido seguido de um: Mas se ela está perdida, como vou encontrá-la para jogá-la fora? HÁ HÁ HÁ.. muito engraçadinhos mesmo...

Falar na padaria que eu quero um pão de sal, gera certa dúvida. Preciso sempre falar: É o pão francês mesmo! - E quando eu disse que a minha amiga Carol estava esperando menino veio pergunta de todo lado: Como você sabe que é menino? Ela já fez ultrassom?

Logo que vim para cá, fui almoçar com umas amigas e falei: Arreda pro lado, pra eu sentar aqui. Silêncio absoluto. Alguém diz: Hum? Arredar? Isso dói?
E o tal do cumprimentar dizendo “Ei”, não dá certo em SP. Muita gente sorri e diz: Ah, você é de Minas! O certo é falar Oi.

Mas o que mais chama atenção é quando eu me espanto com algo e digo: Nu!
Sempre tem quem me olhe e diga: Nu o que? Nu de quem?
Eu: Uai. Nu! Expressão pra demonstrar espanto, ué.
Ele: Mas o que significa Nu?
Eu: Nu vem de Nó!
Ele: Nó? O que é nó?
Eu: Nó vem de Nossa. Que vem de Nossa Senhora! Que vem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro! Ahh... quer saber... perdeu até o espanto!

Mas pouco a pouco as pessoas vão se acostumando. Eles já sabem que eu não falo o D final dos gerúndios: ANDANO, COMENO, ESTUDANO, PULANO. Sabem também que o UAI é começo de frase, exclamação, denota dúvida e surpresa e por aí vai. E por fim, apesar de eu ser, no momento, a única mineira que está no laboratório todos os dias, já peguei aqueles que trabalham próximos a mim dizendo: Nu, isso é ENGRAÇADIMAIS!
E dessa vez fui eu a rir!


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