quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Casa da Madrinha

"Lá na frente tinha um morro pequeno. Redondo e cheio de flor. Flor alta, baixa, rentinha ao chão, dava um vento e elas iam pra lá e pra cá. E tinha também um caminho que ia subindo e virando no meio daquele mundo de flor. De um lado do morro tinha uma floresta grande onde a lua estava querendo entrar, e era só olhar pras árvores - cada uma grande assim - que a gente ficava logo sabendo que lá no meio delas tinha cascata, rio, gruta, caverna, coisa à beça para descobrir. Do outro lado do morro vinha saindo um sol de dentro do mar. Mar claro, de onda mansa e água morna. Bem em cima do morro, meio tapada de flor, tinha uma casa bem branca, com uma janela de cada lado, e mais uma porta azul.Alexandre meio que ria, meio que se engasgava com tanta alegria, e Vera só dizia:
- E eu que pensei que você nunca ia chegar lá."

Lygia Bojunga - A Casa da Madrinha

OBS: Um dos livros infanto-juvenis mais interessantes que já li. Na verdade, todos os que a Lygia Bojunga escreveu são maravilhosos, sensíveis, tocantes. Toda criança merece ler algo assim.

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terça-feira, 28 de julho de 2009

Sempre eu!

O meu destino é ser escolhida em meio a multidão. Não, isso não é bom. Se fosse para ser a escolhida ganhadora da mega sena acumulada, ou ainda para ganhar um prêmio desses de rifa... se fosse para qualquer coisa que eu realmente quisesse ser escolhida, estaria ótimo. Mas eu sempre sou escolhida naqueles momentos em que ninguém quer estar em evidência. Uma vez, fui a uma peça de teatro engraçadissima chamada Como Sobreviver em Festas e Recepções com Buffet Escasso. Estava tudo indo muito bem, até que eu me empolguei e tive uma crise de riso tão violenta que não conseguia mais me controlar. O teatro inteiro tinha parado de rir e eu lá... no maior pique... gargalhando escandalosamente. O ator virou para a platéia e disse: Gente, vou dar um tempinho enquanto aquela senhora ali (aponta o dedo pra mim) não se controla. Meu Deus do Céu! Várias cabeças se viraram procurando a "senhora descontrolada". Quase tive um ataque cardíaco de tanta vergonha! Claro que eu entrei debaixo da cadeira procurando refúgio na escuridão.

Ontem saí com velhos amigos aqui de BH. Fomos a um barzinho super legal chamado Canapé. Ia ter uma exibição de "Humor Mágico", seja lá o que isso quer dizer. A minha mesa era próxima do palco improvisado. Já fiquei meio nervosa com isso. O mágico começa seu show com truques e também piadinhas do tipo stand up comedy. No meio do show ele vira pra mim, aponta o dedo (de novo não!!) e diz: "O que foi que você tá me olhando?? Não adianta dar em cima de mim que eu sou comprometido!" Quase morri! Dei uma afundadinha básica na cadeira. E antes de acabar o show ele volta a olhar pra mim e fala: "Tá rindo do que sua chechelenta?"

Gente... maldade isso... uma vez já tava de bom tamanho. Eu tenho certeza que eu sou um magneto para gracinhas em público. Ou isso ou eu estou pagando todos os meus pecados!

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Antiquário

Que meus pais tinham mudado de apartamento em BH, eu já sabia. Mudaram para o terceiro andar do mesmo prédio onde moravam. Também sabia que o "meu novo quarto" era utilizado como um escritório pela família que vivia ali antes. Mas não passou pela minha cabeça em nenhum momento que esse quarto era praticamente uma biblioteca, com armários para colocar livros e outras quinquilharias, e praticamente sem espaço para roupas e coisas comuns a quartos comuns. Eu, literalmente, estou dormindo dentro de um quarto-depósito. Chega a ser engraçado, porque durmo e acordo com uma parede de livros do meu lado (a maior parte deles, livros antigos). Isso sem falar das fotos antigas, dá época que eu morava em Jequitinhonha e tinha meus 4 anos de idade. Pra completar a cena, vários badulaques, agendas velhas (da época que as meninas passavam horas escrevendo, colorindo, colando coisinhas nas páginas) sapatos, ocupam os diversos espaços. Meus próprios móveis de quarto de verdade estão meio que entulhados no meio disso tudo.




Não é muito prático ter um quarto assim, mas como eu não moro aqui mesmo, estou achando o máximo dormir nesse quarto-biblioteca-antiquário! E o atual "dono" do quarto não se faz de rogado e sempre passa pra tomar um solzinho!


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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Fériaaaaaasssss!!!

Chegou! Nem acredito que chegou! Nesse período pré-férias eu trabalho insanamente. Acho que pra compensar o período de ausência que está perto, eu faço hora extra. Com esse frio de SP, eu ainda consegui organizar muitas coisas, dar uma adiantada em alguns experimentos, cuidar dos camundonguinhos... tudo isso pra estar pronta no dia de hoje... pronta pra ir pra casa! Tem cinco meses que não piso em solo mineiro. Minha cabeça tá só pensando no feijão tropeiro, queijo minas, costelinha, tutu de feijão, pão de queijo, doce de leite! E não consigo esquecer essa música aqui de baixo:



E no clima de "volta pra casa" essa vem bem a calhar:




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terça-feira, 21 de julho de 2009

Aquarela

Minha "vizinha de quarto" me lembrou de um vídeo que eu simplesmente amo! É a animação feita para a música Aquarela, do Toquinho, que além de lindíssima, já deixou nostálgico meio mundo afora!



Essa sim dá vontade de ver e rever muitas vezes! Esse vídeo já ganhou pelo menos 3 prêmios em concursos de animação.
Para quem quiser, aqui está o vídeo em alta definição:
http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm

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"Coisa de Biólogo"

Eu e mais duas outras mocinhas, colegas de profissão, andando pela USP. De repente, um sapo! Não um sapinho... um sapão. Grandão, gordão, praticamente um "cururu"! As duas olham pro bicho e dizem: Ahhhh, que lindooooo! e vão observar mais de perto.
Hehe.. coisa de biólogo mesmo!

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domingo, 19 de julho de 2009

"Viciozinho"

Tá, eu admito. Eu me vicio facilmente em jogos online. Desde pequena, no tempo do ATARI, eu já gostava de jogos (tudo bem que essa informação só revela o quanto eu tô "velha", mas...). Jogo praticamente todos os dias, com meus amigos que não têm idade para dirigir ou votar! Atualmente eu me divido entre 4 jogos: Fantasy Tennis, Florensia, Audition e Tales Runner. Mas apesar de ser algo viciante, essa hábito também é positivo, porque me descansa, distrai e diverte. Tento manter um nível "saudável" de jogo.

Isso antes de ver esse trailer logo aí abaixo. É um novo jogo que será lançado em alguns meses. Já viciei antes de sequer ter o dito cujo no notebook! Isso me preocupa...

video

Oba, oba, oba! Eu quero ser a menina que destrói metade do mundo! (pula e bate os pés que nem criança pequena)

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Porque samba de raiz é bom e eu gosto

Exatamente... o título já disse tudo.
Tropecei numa música que eu adorava e escutava diariamente. É um samba dos bons cantado por Marisa Monte (sempre ela!) e a Velha Guarda da Portela. Muito bom!


Acho que lembrei dessa música porque está acontecendo um Festival no Musem Of Modern Art (MOMA) em New York sobre o Brasil. Um dos filmes que estão sendo apresentados por lá é "A Velha Guarda do Samba", que apresenta exatamente essa "dupla" tão talentosa.

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Dona de casa moderna

Sabe aquela imagem antiga, associada à dona de casa perfeita? Algo que lembre a década de 50? Uma mulher que tem a casa ideal, super limpa, super cheirosa, tudo no lugar certinho e ainda mantém a pose sem um fio de cabelo fora do lugar? Tenho uma amiga assim. A Marluce sabe cozinhar de tudo, ela até tem um "fazedor de petit gateau". Gente, quem tem um "fazedor de petit gateau"? Só quem é muito chique, que já tem todo o resto. Eu, no máximo, tenho uma chapa onde aqueço pão dormido, frito ovo e tudo mais. Ela, humildemente, diz que é um "fazedor de tortinhas", claro. Mas não é não. E outra, se você vai à casa da Marluce, pode ser surpreendida com um brownie bem quentinho, desses de filme mesmo, ou então com um waffle em forma de coração! Fora a chiqueza das coisas que ela cozinha. Sim, porque ela trabalha muito mais do que eu, vai quase todo fim de semana ao laboratório cuidar de alguma coisa por lá, e ainda acha tempo de cozinhar comida de chef. E isso sem falar que ela tá sempre parecendo pronta pra uma ocasião solene. Por mais que ela fale de algo que teve que fazer, arrumar uma coisa, cozinhar outra, que a cansou, ela tá sempre lá com cara de baile de formatura. Meu Deus do Céu, se eu passo um pano na casa eu saio parecendo um Gremlin!

Hoje recebi uma mensagem toda educadinha dizendo: "Vou levar soja pra você na segunda-feira". Pelo blog não dá pra ter uma noção do que isso significa. Porque soja, normalmente, é uma coisa sem graça, às vezes até meio amarga... mas a soja da Marluce... como diz um outro amigo meu, parece ser feita de Deuses, de tão perfeita! Diz a lenda que se hospedar na casa dela é uma experiência de hotel 6 estrelas. Não duvido nada que os quartos tenham aquele cheirinho de alfazema, com uma balinha de "boa noite" debaixo do travesseiro e, quando a pessoa acorda, sente um cheirinho de pão recém-feito (sim! ela tem um "fazedor de pão"!), se bobear tem até trilha sonora! Recentemente, quando ela viu minha falta de intimidade com a culinária e minha dieta de 3 pratos (os únicos que eu sei fazer) acho que ela ficou com pena e me receitou algo para facilitar minha vida e variar o que eu como: feijão pronto que vem numa caixinha! É só esquentar e comer! Gente! Isso mudou minha vida! Foi um marco! Ela também receitou o grão de bico de caixinha, que também é ótimo! E com essas e outras eu vou aprendendo a ser uma dona de casa menos fuleira!

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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Alzheimer

A criatura vivia escondida num canto muito escuro, muito ermo, muito esquecido. Já há tanto tempo morava ali, abandonada, sozinha, sem voz, sem expressão, que não se lembrava sequer de outra realidade. Devia ter nascido naquele lugar, pois nem ao menos sonhava com uma mudança, não morria de tristeza pela sua condição, não era desejosa de uma existência diferente. Se algum dia já teve um nome, não se lembrava. Aceitava naturalmente as coisas como elas eram porque desconhecia outras possibilidades.

Até que um dia uma porta se abriu. Uma porta que estava ali o tempo todo, mas nunca havia sido notada, já que a criatura não imaginava para que serviam as portas. E com a abertura da porta surgiu um mundo novo. E a criatura sentiu curiosidade pela primeira vez na vida e, movida por esse sentimento, atravessou a porta e explorou o novo mundo, tão mais interessante que o seu canto habitual. E por um tempo ela foi feliz. E com a felicidade surgiu a esperança de encontrar uma outra porta, outra passagem, outra possibilidade. E ela veio.

Num momento, numa hora qualquer, eis que outra porta se abriu. O novo mundo que se mostrava era muito maior, mais bonito, mais aconchegante, mais interessante. E a criatura explorou seus domínios, já ansiosa de encontrar outra saída. Existiriam outras criaturas? Existiriam outras possibilidades? Começou a se lembrar de um outro ser, muito vagamente, e percebeu que aquele ambiente não era totalmente desconhecido. Um sentimento de vitória explodiu dentro de si quando percebeu que, de alguma maneira, sabia onde estava a saída daquela prisão.

Não foi difícil encontrar a outra porta. Ela estava muito bem escondida, mas achou-a com tanta facilidade que é como se o caminho estivesse gravado em sua memória desde tempos remotos. O novo ambiente era ainda mais familiar. E foi ali que uma lembrança surgiu em sua mente. Ela se lembrou de uma casa. Uma casa onde morava uma família. Uma casa que era verdadeiramente um lar. Como tinha se esquecido disso? Como podia ter perdido essa imagem tão valiosa? Com passos rápidos seguiu diretamente para a próxima porta, já tão mais visível que suas antecessoras.

Entrar no próximo cômodo foi como despertar para a vida. Mil memórias invadiram seu ser. Como pôde esquecer da sua família? Como pôde esquecer do seu próprio nome. Como pôde esquecer das únicas coisas que importavam?

O caminho agora era claro. Ainda existiam muitas portas para serem cruzadas, mas sabia exatamente para onde direcionar seus passos. Desatou a correr e a abrir passagens... inúmeras... e a cada caminho aberto, uma nova revelação. Seu marido, seus filhos, seus netos, seus bisnetos... as imagens de todos eles surgiam à sua frente. (Mais uma porta). Seus amigos mais queridos, uma fazenda, uma música tão familiar. (Mais uma porta). O dia do seu casamento, a primeira gravidez e tantas outras que vieram depois, as viagens num carro antigo verde-e-branco, uma casa com jardim numa cidade do interior. (Mais uma porta). Sua mãe, que morreu tão velhinha, tão lúcida. Uma filha, que morreu de meningite. Rosas num quintal, missa de domingo, rancho no jardim. (Muitas portas).

Até que soube que o caminho estava quase no fim. Só restava mais uma porta. Enquanto se dirigia a ela, tentava se lembrar porque estava ali. Porque abandonaria uma vida tão completa. Porque desistiria de tudo e de todos para viver esquecida, num canto, sem consciência, oca por dentro. Mas a resposta com certeza estaria lá, do outro lado da porta que estava tão próxima. E então ela estaria ciente de tudo. E então ela estaria de volta à vida. E então ela saberia o que aconteceu.

Atravessou a porta com um misto de ansiedade e medo. Piscou algumas vezes. Percebeu que não estava mais naquele labirinto. Reconheceu o quarto. Seu quarto! Sua casa! Seu lar! Sua vida! A explosão de sentimentos encheu seu coração. Mas algo estava muito, muito errado. Percebeu o soro pingando, a cama de hospital, o corpo dolorido, tão magro, inerte. Conseguiu balbuciar uma frase. Então, compreendeu que não estava sozinha. Nunca esteve. Na caverna da sua mente algo espreitava. Lembrou-se da doença no momento em que a coisa escura tão odiada estendia os seus braços e a empurrava, vertiginosamente, de volta para aquele canto muito escuro, muito ermo, muito esquecido.

Ao seu lado, a enfermeira percebeu quando os olhos daquela senhora, há tantos anos doente, recuperou um brilho momentâneo, como se tomando ciência do mundo. Ouviu-a murmurar “Onde está Ele?” e então voltaram ao mesmo torpor de sempre.

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Se eu fosse você

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina."

Rubem Alves, O Amor que Acende a Lua

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domingo, 12 de julho de 2009

5 minutos de angústia

Sabe aquela cena daquele filme que quase te matou de susto/aflição/angústia? Pois é. Uma cena do filme O Labirinto do Fauno conseguiu arrepiar até minhas unhas! Não me entenda mal, esse filme é simplesmente maravilhoso, não é de terror nem nada. Na verdade é uma história metade fantasiosa, metade real, que se passa na época em que a Espanha era governada pelo general Franco e o fascismo imperava. O filme é totalmente envolvente, mas... tem um pedaço dele, só uns cinco minutinhos, que quase me fez sair correndo de medo. Acho que sonhei com essa "coisa" várias vezes me perseguindo.

Basicamente a menina protagonista é "enviada em uma missão" e dizem pra ela ir a tal lugar buscar algo que está atrás de uma porta. Ela tem que virar uma ampulheta e pegar a tal coisa antes que o tempo acabe. E, o mais importante, não deve provar nada enquanto estiver nesse "lugar".

Sem mais delongas, a cena do filme:

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sábado, 11 de julho de 2009

Colcha de Retalhos

Memória é algo engraçado mesmo. A gente passa por tanta coisa e sempre sobram fragmentos de recordações na nossa mente. Estou falando realmente dos restinhos de situações, não da memória completa de algo que aconteceu. A minha cabeça está repleta deles. Lembro de certas cenas como se fossem fotos. De certos fatos como se eu os tivesse lido num livro. Dos vários "pedacinhos" de memória soltos na minha mente, escolhi 10, por serem muito.. mas MUITO nítidos em mim:
  1. Acho que o fato mais antigo que me lembro é a música que a minha mãe cantava para que eu dormisse. Nessa época eu morava em Jequitinhonha e, com certeza, não tinha nem 3 anos de idade. Ela cantava o sucesso da época: Cidadão ("Tá vendo aquele edifício moço, ajudei a levantar... Era um tempo de aflição, eram 4 condução, duas pra ir, duas pra voltaaaar...").
  2. Lembro de um aniversário, ainda em Jequitinhonha, de 4 anos de idade. Não sei por qual motivo, fiz uma birra tamanha e comecei a saltar e chorar na cama. Minha mãe me deu umas palmadas merecidas.
  3. Eu, chorona que era, um dia dei um show na porta da minha casa. Eu queria ir à missa junto com a minha mãe e aprontei um escândalo. Lembro que o querido Frei Emiliano veio me consolar e disse que eu não chorasse, pois legal mesmo era a missa das crianças!
  4. Uma memória forte e nítida foi o meu primeiro passeio "oficial" a cavalo. Isto é, sem ajuda de uma pessoa que "puxasse" o animal pra mim. Esse passeio eu fiz com o meu avô, só nós dois, eu sozinha em um cavalo! Foi praticamente uma emancipação! Lembro dele ter me mostrado vários cavalos lá longe e eu perguntando a ele se algum daqueles podia ser meu!
  5. Já em Belo Horizonte, na escolinha Bueno Brandão, lembro que levantei a mão e disse, na maior sabedoria do mundo: "Professora, você sabe quem descobriu o cometa Halley? Pedro Álvares Cabral!". Não sei de onde tirei isso, mas vi a professora rindo e imaginei que devia ser de orgulho de uma aluna tão sabida! E não venham me dizer que eu era bobinha, pois todos os outros coleguinhas acreditaram em mim!
  6. Uma memória suave é a que eu tenho de um encontro com a escritora Alaíde Lisbôa, que escreveu os livros infantis A Bonequinha Preta e O Bonequinho Doce. Eu não devia ter mais do que 10 anos de idade e lembro perfeitamente que estava saindo com a minha mãe de uma missa e ela me disse: "Olha, aquela lá é a Alaíde Lisbôa, vamos lá falar com ela?". Nem acreditei! E a escritora, uma perfeita dama, nos convidou a entrar em sua casa, conversou comigo e me deu vários dos seus livros! Há tempos tenho vontade de falar mais dela aqui. Quem sabe nos próximos posts?!
  7. Já aos 18 anos, após uma vida como aluna de escola pública, eu estava me matando com os estudos de uma pré-vestibulanda cuja única opção de ensino superior seria a UFMG. Lembro que estudava desesperadamente, já que as minhas deficiências eram enormes! Fui tirar dúvidas com um professor e não me esqueço das palavras dele: "Você é inteligente, mas não tem chance de passar este ano na UFMG. Se continuar estudando muito, quem sabe ano que vem não consegue?!". Isso me deu toda a força que eu precisava nas noites mal dormidas. Só fiz um vestibular na vida. Naquele ano eu passei na UFMG para o curso de Ciências Biológicas. Passei ainda para a primeira turma!
  8. Lembro de uma maravilhosa viagem que fiz com 7 amigos de faculdade para Ilha Grande, um verdadeiro paraíso no litoral brasileiro. Mas uma das lembranças mais fortes que tenho daqueles dias é a dos momentos que eu passei lendo "O Hobbit", de J.R.R. Tolkien. Lá começou a minha viagem pelo mundo fantasioso do Senhor dos Anéis.
  9. Aos 21 anos fui trabalhar em um acampamento de verão nos Estados Unidos. Lembro de estar sentada, uma noite, junto a muitas pessoas ao redor de uma fogueira enorme. Uma das meninas do acampamento, muito loirinha, sentou no meu colo e começou a cantar a música que todos cantavam. A cena era tão diferente, tão bonita, várias pessoas cantando, um local absurdamente lindo, que eu falei: "I will never forget this moment". A garotinha respondeu: "Me neither!".
  10. Por fim, lembro perfeitamente, como se fosse hoje, do meu nome sendo chamado: "Ana Lúcia Campanha Rodrigues". Eu me levantei, meio vacilante, meio envergonhada, sem saber como andar com aquela beca de formatura. A música "Oh Darling" dos Beatles começou a tocar alto e me acompanhou até que eu recebesse o diploma de Bióloga das mãos dos meus dois professores mais queridos!
Essas memórias, assim como tantas outras, formam uma colcha de retalhos na minha mente e me deixam nostálgica. Nesse contexto, a minha trilha sonora perfeita é a música dos Beatles In My Life


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quinta-feira, 9 de julho de 2009

The Corrs

Redescobrir certas coisas é ótimo! Eu sempre adorei as músicas do The Corrs, mas já tinha um bom tempinho que não escutava nada deles. Adoro as músicas irlandesas instrumentais que eles tocam. É aquele tipo de música que traz uma sensação boa!
A instrumental Toss the Feathers é a mais empolgante delas.



Lough Erin Shore, Paddy McCarty e Rebel Heart também são incríveis! Como essa mistura com música Celta é bonita!

Mas pra não dizer que eu só gosto desse estilo, aí está mais uma apresentação linda, com a música Runaway.


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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Em outubro (será?)

É bom nunca cantar vitória antes do tempo... dar chance pro azar não é comigo. Por isso não vou falar do que pode acontecer em outubro. Mas não consigo deixar de pensar nessa possibilidade. Se os meus pensamentos pudessem ser fotografados eles seriam mais ou menos assim:

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Desassossego

Ela acordou, uma noite, e se sentou na cama, no quarto escuro. Um vazio enorme crescia na sua alma. Um sentimento de inadequação tomava conta do seu peito. A vontade de gritar era esmagadora.

Não gritou. Aquele sentimento selvagem, incontrolável, vivo, ia passar. Certeza. E ela poderia então voltar feliz, com um sorriso verdadeiro, de corpo e alma, para sua vida de sempre. Logo ela, uma mãe de 4 filhos, esposa já há 30 anos, exemplo para todas as suas amigas! Logo ela, que tanto gosto fazia de receber os elogios do seu marido pela boa comida posta à mesa na hora. Logo ela, que tanto se dedicou para construir a vida perfeita.

Abrir mão da faculdade e de sonhos profissionais tinha sido difícil, mas essa foi uma decisão baseada no amor pelo marido, naquela época um namorado galanteador, alguém que daria um ótimo companheiro e permitiria a realização do seu maior sonho: ter uma família. E afinal de contas, amor era o que contava, não era? E quem disse que podia-se ter tudo? Não... na vida era preciso escolher. E ela estava certa das suas escolhas.

Mas então... porque as vezes acordava no meio da noite com o sentimento do mundo inteiro explodindo no seu peito?

Olhou o marido adormecido ao seu lado. Lembrou da sua vida antes de conhecê-lo. Tinha tantos planos! Queria tanto viajar, ser independente, mudar o mundo! Mas aí o conheceu e tudo mudou. Queria mais era viver pra ele, sonhar com a vida a dois, realizar o sonho que deveria ser o de toda mulher: casar, ter filhos, uma vida em família. E na maior parte do tempo se sentia realizada.

Se não fossem essas malditas noites, quando acordava com o coração palpitando em fúria, olhos marejados, peso dos caminhos não trilhados rondando como fantasmas na sua mente!
Mas ia passar! Como sempre, o tempo curaria tudo. Era só esperar.
E com esse pensamento, engoliu em seco, fechou os olhos, e rezou para aquele desassossego ir logo embora.

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domingo, 5 de julho de 2009

Cegonha - Crise de Riso II

Ao escrever o último post lembrei de uma situação que vivi, um tanto embaraçosa, em uma sessão de cinema.


A Carol é uma amiga querida que me recebeu em sua casa logo que vim para SP. Um dia decidimos passear à noite no Shopping. Pegamos o ônibus errado e fomos parar na Avenida Paulista. Resolvemos assistir um filme numa das tantas salas de cinema que há por lá. Entramos no "Cine Bombril" e descobrimos que um evento de cinema estava acontecendo, a 31a Mostra Internacional de Cinema. Escolhemos um filme chamado Balada Branca, do diretor italiano Stefano Odoardi, cuja apresentação dizia: "Um filme que trata da morte para falar da vida. Trata-se de um filme não convencional, no qual a capacidade de refletir sobre os aspectos humanos universais são requisitos básicos para sua compreensão. Praticamente sem diálogos, sua narrativa é centrada no fluxo de consciência de um casal de idosos. Eles não falam mais entre si, não se tocam, não se olham, apenas vivenciam o que parecem ser os últimos dias de vida dela. Ou será que eles já estão mortos?”.

Eu e a Carol ficamos animadas com a possibilidade de vermos um filme meio artístico, com certeza repleto de sentimento. E o melhor, o diretor em pessoa estava no cine e iria assistir o filme com o público, naquela sessão!!!! Não poderíamos estar mais empolgadas!

Entramos na sala. O Diretor se apresenta e fala um pouco da idéia de fazer um filme que foque a morte, baseado no convívio de um casal, de forma tocante, bela, singela! O filme começa... silêncio total... uma estrada aparece... estrada de asfalto... as linhas brancas muito nítidas... a câmera começa a subir... percebemos que não é uma estrada e sim uma ponte... uma ponte quebrada... no começo da ponte uma mulher de preto... a mulher vem andando, cada vez mais rápido, em direção ao precipício... a câmera foca a mulher... o rosto da mulher é sofrido, triste... a mulher sai correndo em direção ao fim da ponte... tudo indica que ela vai pular para a morte! Nesse ponto a Carol chega perto de mim e diz: "Nossa, ela vai pular.. nossa.. vou chorar muito nesse filme!". De repente, na beira do abismo, a mulher pára. A câmera foca bem de perto a mulher, que... não é mais mulher! A mulher virou uma CEGONHA EMPALHADA! Fico confusa. Tento entender a poesia da cena. Olho pra cegonha, tento relembrar o que aconteceu até então... começo a sentir a cadeira se mexer... tento imaginar o que uma cegonha empalhada pode representar... a cadeira balança com mais força.. olho pro lado e vejo a Carol com uma blusa de frio enfiada na boca tentando parar de rir! Ela não conseguiu, obviamente, e eu comecei a ficar desesperada! O cinema inteiro mudo, olhares fixos nas cenas, e a Carol quase morrendo de tanto rir, loucamente, sem parar! E eu ali: "Carol, pelamordedeus minha filha, o diretor tá aqui! Ah meu Deus, que vergonha! Carol, enfia a blusa na boca mas não ri!". Mas ela não parava. Acho que só de saber que ela não devia estar rindo fez a coitada se matar mais ainda de rir. O filme tinha só 78 minutos. Os mais longos da minha vida. Em algumas cenas "diferentes" em que a mulher de preto pegava um guarda chuva e dava uma surra nas espigas de um milharal ou ainda quando a câmera parava 2 minutos seguidos mostrando uma cadeira (era mais uma foto que uma cena), ela começava a rir de novo. No fim até eu estava rindo. Foi contagiante.

Fim do filme. Acendem-se as luzes. Pessoas pensativas, ninguém rindo. Vontade de virar uma formiguinha e sair escondida daquele lugar!

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Crise de riso

De tempos em tempos acontece algo comigo, durante momentos sérios, e eu tenho crises de riso. Não sei porque essas coisas têm que acontecer comigo! Mas o fato é que eu passo por isso às vezes... simplesmente me dá uma vontade incontrolável de rir e, na maioria das vezes, eu não me seguro e começo a gargalhar loucamente.

Lembro que há muitos anos atrás, durante um Carnaval numa cidade histórica do interior de Minas, fui com meus tios e primas à casa de um amigo da família. Chegamos à casa e fomos conduzidos à uma sala, muito agradável. Os anfitriões tinham colocado as cadeiras numa disposição de roda, para que todos pudéssemos conversar. Não lembro do motivo da visita. Talvez porque os donos da casa tinham se casado ou chegado de uma viagem, não me lembro mais. Lembro que todos se sentaram e só sobrou uma cadeira pra mim logo em frente ao dono. Eu, tímida, por estar alí de intrusa, metendo o bedelho na conversa de famílias amigas, tentei não chamar muita atenção. Então, vi que o senhor à minha frente piscou várias vezes seguidas e torceu a boca. Achei aquilo estranho, mas consegui conter uma risadinha. De repente, enquanto ele contava casos às pessoas, os tiques nervosos vieram. O cara torcia a boca, piscava descontroladamente... e voltava ao normal. Mas ele não mudava o tom da conversa nem nada. E todo mundo conversando numa boa. Foi me dando uma vontade absurda de rir. Eu fixei o olhar no meu pé e fingia admirar ali algo raríssimo. Das poucas vezes que tentava olhar pra frente lá estava o Senhor, tendo mini-ataques. Tive que sair da sala pra rir. Uma vergonha!

De uma outra vez, quando eu ainda dava aulas de inglês, estava estudando com um aluno seríssimo e, como parte do exercício, pedi que ele repetisse a frase "I lost my button" e a traduzisse. Quando ouvi a tradução "Eu perdi o meu butão" tive uma crise de riso incontrolável! E o aluno lá, me olhando super sério. Eu me aprumei e disse: lembrei de uma piada, não foi nada!

Por fim, semana passada tive que ir à Polícia Federal para pedir um novo passaporte. Lá estava eu sozinha na sala com o funcionário que ia recolher minhas impressões digitais. O cara demorava 30 segundos pra cada dedo. Ele rolava o dedo pra lá.. rolava o dedo pra cá. Era tudo tão lento, tão minucioso, e o rapaz prestava uma atenção tão grande às impressões digitais que foi me dando uma vontade de rir. E eu pensava: "Não vou rir. Não vou rir!!!!". Mas ao mesmo tempo me vinha o pensamento de que aquele devia ser o pior trabalho do mundo: ser um "rolador de dedo" profissional! A força que eu fazia pra não rir era tamanha que na foto digital tirada para o documento eu saí tal qual um baiacu!

Crise de riso em rede nacional com Lilian Wite Fibe

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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Conheça São Paulo! Zoológico de SP

Tem gente que acha que ir ao zoológico é coisa de criança. Quem fala isso obviamente não conhece o Zoológico de SP. Localizado numa área de 824.529 metros quadrados de mata Atlântica original, o zoo possui um lago enorme e abriga muitas espécies de aves (inclusive migratórias) e animais. Falando em números, são 3200 animais em exibição, sendo 102 espécies de mamíferos, 216 espécies de aves, 95 espécies de répteis, 15 espécies de anfíbios e 16 espécies de invertebrados. Mas só de falar, não dá pra passar a dimensão do que é o zoo. Os animais ficam em jaulas grandes, espaçosas que imitam muito bem o seu habitat natural. Alguns recintos são tão camuflados que a gente até pensa que o bicho vai sair andando de lá, a qualquer momento. Na verdade, na região do lago não existem grades e as aves podem entrar e sair à vontade. Inclusive eu cheguei a ver aves roubando, sorrateiramente, a ração de outros animais.

O zoológico foi criado em 1957 e recebe, em média, 1.600.000 visitantes por ano. No zoo, pode-se fazer um passeio a pé pelos recintos dos animais ou pode-se dar um passeio em uma das lindas jardineiras que existem no parque. Existem vários animais da mesma espécie, mas nem todos são exibidos juntos. A maior parte dos animais "descansa" numa parte privada do zoo após um dia de exibição. Essa rotação permite que os animais tirem uma "folga" da visita dos seres humanos! No zoo acontecem projetos em conjunto com a USP, o Instituto Butantã, Instituto Adolfo Lutz, entre outros. As visitas podem ser monitoradas (inclusive visitas especiais para pessoas com deficiências) e é muito comum encontrar várias turmas de colégios aprendendo um pouco mais sobre os animais. Hoje já existe a visita noturna, com um preço um pouco salgado, mas que é feito com lanternas para que se possa observar os animais de hábitos noturnos.

A equipe do zoológico é enorme e os animais podem contar com atendimentos clínico, cirúrgico e odontológico. Além disso, a alimentação dos bichinhos é controlada e existe uma fazenda em Araçoiaba da Serra que produz cerca de 1000 toneladas de alimento por ano.

Passear no zoológico é se perder no meio de tantas coisas curiosas, de tantos animais exóticos! Quando estive por lá, presenciei uma onça pintada mergulhando e nadando pra lá e pra cá, um urso bundudo pendurado num galho, o maior "crocodilão" DO MUNDO (na verdade um "Gavial da Malásia"), uma jaguatirica que desfilava para o público, um pato obsessivo-compulsivo que não parava de me seguir, um tamanduá que dormia que nem um gato enrolado, vários macacos que se estapeavam e muitas... mas muitas outras coisas.

Outra opção no zoo é fazer o passeio "Zoo Safári". Existe uma parte do parque em que os animais estão soltinhos da silva e é preciso passear dentro de carros. É como se fosse um mini-safári mesmo.

O Zoológico de São Paulo é um passeio para um dia inteiro. Além das várias lanchonetes, o parque possui áreas para piquenique e uma lojinha de souvenirs. É um passeio muito legal e que vale muito a pena para adultos e crianças.

OBS1: Para quem não vai de carro, existe uma van do zoo que faz o trajeto Zoo - Rodoviária do Jabaquara (que é associada ao metrô).

OBS2: Clique nas fotos para ver as imagens ampliadas!

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

No limite!

Estou no piloto automático. Nesta semana tenho 3 super provas. A primeira amanhã, prova de Bioquímica Avançada. Não cabe mais nada na minha cabeça! Quem falou que o cérebro é uma esponja para conhecimento pode até estar certo, mas nesse momento o meu está mais para uma esponja cheia d'água, se eu empurrar mais informação eu perco o que já tá lá dentro. Não entra mais nada... e seja o que Deus quiser! No dia seguinte, prova final de Espanhol. Era pra ter sido na sexta-feira passada, mas como a gripe suína chegou à USP, as aulas foram canceladas e a prova adiada. Resumindo, tenho que estudar de um dia pro outro. No dia seguinte (num sábado, meu pai!), às 9 da manhã, lá no cantinho da zona sul de SP, tenho uma prova de inglês. Essa prova é para o Programa de Doutorado do qual faço parte. Teoricamente para mostrar a minha "proficiência" em inglês. Então, mais uma noite mal dormida estudando. Deus queira que na hora saia algo de bom e eu não trave no vocabulário. Não falando que nem o Joel Santana já tá de bom tamanho!


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