domingo, 5 de julho de 2009

Cegonha - Crise de Riso II

Ao escrever o último post lembrei de uma situação que vivi, um tanto embaraçosa, em uma sessão de cinema.


A Carol é uma amiga querida que me recebeu em sua casa logo que vim para SP. Um dia decidimos passear à noite no Shopping. Pegamos o ônibus errado e fomos parar na Avenida Paulista. Resolvemos assistir um filme numa das tantas salas de cinema que há por lá. Entramos no "Cine Bombril" e descobrimos que um evento de cinema estava acontecendo, a 31a Mostra Internacional de Cinema. Escolhemos um filme chamado Balada Branca, do diretor italiano Stefano Odoardi, cuja apresentação dizia: "Um filme que trata da morte para falar da vida. Trata-se de um filme não convencional, no qual a capacidade de refletir sobre os aspectos humanos universais são requisitos básicos para sua compreensão. Praticamente sem diálogos, sua narrativa é centrada no fluxo de consciência de um casal de idosos. Eles não falam mais entre si, não se tocam, não se olham, apenas vivenciam o que parecem ser os últimos dias de vida dela. Ou será que eles já estão mortos?”.

Eu e a Carol ficamos animadas com a possibilidade de vermos um filme meio artístico, com certeza repleto de sentimento. E o melhor, o diretor em pessoa estava no cine e iria assistir o filme com o público, naquela sessão!!!! Não poderíamos estar mais empolgadas!

Entramos na sala. O Diretor se apresenta e fala um pouco da idéia de fazer um filme que foque a morte, baseado no convívio de um casal, de forma tocante, bela, singela! O filme começa... silêncio total... uma estrada aparece... estrada de asfalto... as linhas brancas muito nítidas... a câmera começa a subir... percebemos que não é uma estrada e sim uma ponte... uma ponte quebrada... no começo da ponte uma mulher de preto... a mulher vem andando, cada vez mais rápido, em direção ao precipício... a câmera foca a mulher... o rosto da mulher é sofrido, triste... a mulher sai correndo em direção ao fim da ponte... tudo indica que ela vai pular para a morte! Nesse ponto a Carol chega perto de mim e diz: "Nossa, ela vai pular.. nossa.. vou chorar muito nesse filme!". De repente, na beira do abismo, a mulher pára. A câmera foca bem de perto a mulher, que... não é mais mulher! A mulher virou uma CEGONHA EMPALHADA! Fico confusa. Tento entender a poesia da cena. Olho pra cegonha, tento relembrar o que aconteceu até então... começo a sentir a cadeira se mexer... tento imaginar o que uma cegonha empalhada pode representar... a cadeira balança com mais força.. olho pro lado e vejo a Carol com uma blusa de frio enfiada na boca tentando parar de rir! Ela não conseguiu, obviamente, e eu comecei a ficar desesperada! O cinema inteiro mudo, olhares fixos nas cenas, e a Carol quase morrendo de tanto rir, loucamente, sem parar! E eu ali: "Carol, pelamordedeus minha filha, o diretor tá aqui! Ah meu Deus, que vergonha! Carol, enfia a blusa na boca mas não ri!". Mas ela não parava. Acho que só de saber que ela não devia estar rindo fez a coitada se matar mais ainda de rir. O filme tinha só 78 minutos. Os mais longos da minha vida. Em algumas cenas "diferentes" em que a mulher de preto pegava um guarda chuva e dava uma surra nas espigas de um milharal ou ainda quando a câmera parava 2 minutos seguidos mostrando uma cadeira (era mais uma foto que uma cena), ela começava a rir de novo. No fim até eu estava rindo. Foi contagiante.

Fim do filme. Acendem-se as luzes. Pessoas pensativas, ninguém rindo. Vontade de virar uma formiguinha e sair escondida daquele lugar!

3 comentários:

Vini disse... [Responder comentário]

Espacando o milharal com o guarda-chuva??!?!

Noooossa!


Que fiasco vc no cinema! Meldels!

Roberta disse... [Responder comentário]

eu, Bob como sempre, não consigo parar de imaginar a cena, a Carol, com aquela risada dela (nada nada baixa) e a sua cara de desespero :) ai jesus

Cristiane disse... [Responder comentário]

Muito bom o texto! E é assim que nascem os desassossegos... e se ela tivesse optado pela outra vida, ele viria de qualquer forma. O terrível desassossego.

O bolo é muito bom, né?! E super rápido e fácil. Eu fiz no sábado e só tive coragem de 'atacar' no domingo :( Maldita ditadura da magreza que nos tira o prazer de saborear um delicioso bolo de caneca.

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