sábado, 11 de julho de 2009

Colcha de Retalhos

Memória é algo engraçado mesmo. A gente passa por tanta coisa e sempre sobram fragmentos de recordações na nossa mente. Estou falando realmente dos restinhos de situações, não da memória completa de algo que aconteceu. A minha cabeça está repleta deles. Lembro de certas cenas como se fossem fotos. De certos fatos como se eu os tivesse lido num livro. Dos vários "pedacinhos" de memória soltos na minha mente, escolhi 10, por serem muito.. mas MUITO nítidos em mim:
  1. Acho que o fato mais antigo que me lembro é a música que a minha mãe cantava para que eu dormisse. Nessa época eu morava em Jequitinhonha e, com certeza, não tinha nem 3 anos de idade. Ela cantava o sucesso da época: Cidadão ("Tá vendo aquele edifício moço, ajudei a levantar... Era um tempo de aflição, eram 4 condução, duas pra ir, duas pra voltaaaar...").
  2. Lembro de um aniversário, ainda em Jequitinhonha, de 4 anos de idade. Não sei por qual motivo, fiz uma birra tamanha e comecei a saltar e chorar na cama. Minha mãe me deu umas palmadas merecidas.
  3. Eu, chorona que era, um dia dei um show na porta da minha casa. Eu queria ir à missa junto com a minha mãe e aprontei um escândalo. Lembro que o querido Frei Emiliano veio me consolar e disse que eu não chorasse, pois legal mesmo era a missa das crianças!
  4. Uma memória forte e nítida foi o meu primeiro passeio "oficial" a cavalo. Isto é, sem ajuda de uma pessoa que "puxasse" o animal pra mim. Esse passeio eu fiz com o meu avô, só nós dois, eu sozinha em um cavalo! Foi praticamente uma emancipação! Lembro dele ter me mostrado vários cavalos lá longe e eu perguntando a ele se algum daqueles podia ser meu!
  5. Já em Belo Horizonte, na escolinha Bueno Brandão, lembro que levantei a mão e disse, na maior sabedoria do mundo: "Professora, você sabe quem descobriu o cometa Halley? Pedro Álvares Cabral!". Não sei de onde tirei isso, mas vi a professora rindo e imaginei que devia ser de orgulho de uma aluna tão sabida! E não venham me dizer que eu era bobinha, pois todos os outros coleguinhas acreditaram em mim!
  6. Uma memória suave é a que eu tenho de um encontro com a escritora Alaíde Lisbôa, que escreveu os livros infantis A Bonequinha Preta e O Bonequinho Doce. Eu não devia ter mais do que 10 anos de idade e lembro perfeitamente que estava saindo com a minha mãe de uma missa e ela me disse: "Olha, aquela lá é a Alaíde Lisbôa, vamos lá falar com ela?". Nem acreditei! E a escritora, uma perfeita dama, nos convidou a entrar em sua casa, conversou comigo e me deu vários dos seus livros! Há tempos tenho vontade de falar mais dela aqui. Quem sabe nos próximos posts?!
  7. Já aos 18 anos, após uma vida como aluna de escola pública, eu estava me matando com os estudos de uma pré-vestibulanda cuja única opção de ensino superior seria a UFMG. Lembro que estudava desesperadamente, já que as minhas deficiências eram enormes! Fui tirar dúvidas com um professor e não me esqueço das palavras dele: "Você é inteligente, mas não tem chance de passar este ano na UFMG. Se continuar estudando muito, quem sabe ano que vem não consegue?!". Isso me deu toda a força que eu precisava nas noites mal dormidas. Só fiz um vestibular na vida. Naquele ano eu passei na UFMG para o curso de Ciências Biológicas. Passei ainda para a primeira turma!
  8. Lembro de uma maravilhosa viagem que fiz com 7 amigos de faculdade para Ilha Grande, um verdadeiro paraíso no litoral brasileiro. Mas uma das lembranças mais fortes que tenho daqueles dias é a dos momentos que eu passei lendo "O Hobbit", de J.R.R. Tolkien. Lá começou a minha viagem pelo mundo fantasioso do Senhor dos Anéis.
  9. Aos 21 anos fui trabalhar em um acampamento de verão nos Estados Unidos. Lembro de estar sentada, uma noite, junto a muitas pessoas ao redor de uma fogueira enorme. Uma das meninas do acampamento, muito loirinha, sentou no meu colo e começou a cantar a música que todos cantavam. A cena era tão diferente, tão bonita, várias pessoas cantando, um local absurdamente lindo, que eu falei: "I will never forget this moment". A garotinha respondeu: "Me neither!".
  10. Por fim, lembro perfeitamente, como se fosse hoje, do meu nome sendo chamado: "Ana Lúcia Campanha Rodrigues". Eu me levantei, meio vacilante, meio envergonhada, sem saber como andar com aquela beca de formatura. A música "Oh Darling" dos Beatles começou a tocar alto e me acompanhou até que eu recebesse o diploma de Bióloga das mãos dos meus dois professores mais queridos!
Essas memórias, assim como tantas outras, formam uma colcha de retalhos na minha mente e me deixam nostálgica. Nesse contexto, a minha trilha sonora perfeita é a música dos Beatles In My Life


5 comentários:

fabiomiyazaki disse... [Responder comentário]

eita.. qtos momentos bacanas
ja da pra escreve um livro ein xD

SGi/Sonia disse... [Responder comentário]

É normal chorar com as lembranças alheias?
Lindo tudo o que escreveu!

Beijins:*

Vini disse... [Responder comentário]

Gente...

É normal chorar com as lembranças alheias? [2]


Nossa... *-*

Cristiane disse... [Responder comentário]

"A lembrança da vida da gente se guarda em trechos dievrsos, cada um com seus signo e sentimento, uns com os outros nem não se misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, , cada vez daquela hoje vejo que que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto. O senhor é bondoso de me ouvir. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe." Guimarães, o Rosa

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

Vixi, que bonito esse texto to Guimarães Rosa!

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