sábado, 15 de agosto de 2009

Escolhas

Depois de uma conversa com um amigo fiquei pensando em como somos reféns dos nossos genes e apresentamos sempre padrões iguais de comportamento, independente do contexto cultural e religioso em que vivemos. A conversa foi um pouco abrangente para um post, mas, resumindo, esses pontos abaixo são interessantes:

1. Se no futuro for possível escolher que genes você quer deletar ou adicionar nos seus filhos, você faria a opção por modificá-los? Você tiraria genes que pudessem levar a uma doença grave ou que aumentassem a propensão ao alcoolismo, por exemplo? E modificaria os genes que definem a cor dos olhos e da pele? Diminuiria (se houvesse como) uma tendência à tristeza/depressão ou aumentaria os atributos para que seu filho fosse um atleta perfeito? É possível que todo esse processo, no fim, levasse a uma seleção das pessoas para empregos através desse perfil genético e que surgisse um novo tipo de preconceito, baseado nas pessoas "geneticamente perfeitas"? E se isso acontecesse a "opção" de modificar ou não o seu filho deixaria de ser somente uma opção, mas seria mesmo algo crucial, pois quem não optasse por "engenheirar" suas crianças estaria fechando as portas para o sucesso profissional dos filhos. Eles provavelmente ficariam só com os piores empregos e não seriam considerados bons o suficiente para se destacarem em nenhuma área. Esse tema foi muito bem explorado no filme GATTACA.

2. Sobre as escolhas humanas: Aqui entra um dilema conhecido. Um trem está prestes a atropelar 5 pessoas, mas caso você puxe uma alavanca, ele será desviado para outro trilho e atropelará somente 1. Você puxa a alavanca? A maior parte das pessoas responde que sim, afinal de contas é 1 vida que se perde ao invés de 5. Aí entra a segunda parte: Em outra situação um trem vai atropelar as mesmas 5 pessoas a não ser que você empurre um gordinho, que está passando por perto, no trilho. Nesse caso o trem só mataria o gordinho e as 5 pessoas estariam salvas. Você empurra o cara? A maior parte das pessoas responde que não. Numericamente você permite que 5 pessoas morram nesse caso, ao invés de somente uma. O que faz a gente ter esse tipo de escolha é algo inato, que faz parte de ser humano. Agora, sem dúvida nenhuma, se no primeiro caso a pessoa que está sozinha fosse nosso parente, não teríamos dúvida em salvá-la ao invés dos outros 5.

3. Por fim, o certo e o errado são definições humanas. Os animais não seguem as nossas regras. Sabemos que não devemos matar ou andar por aí sem roupa e aceitamos viver as regras da sociedade. Mas se, por exemplo, drogas não viciassem ou fizessem mal algum, e se você pudesse fazer as atividades do dia sem problemas, você as experimentaria para viver as sensações de "felicidade"? A resposta da maioria das pessoas é SIM. Isso porque você só estaria com a parte boa, sem consequências. E com que frequência você usaria drogas? Só de vez em quando, de forma recreacional, ou o tempo todo? (Não se esqueça que cerveja e cigarro são drogas, apesar de serem aceitas pela sociedade). Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é um livro antigo, mas que retrata uma sociedade futurista que alcançou a paz e estabilidade social através do uso diário de drogas. As pessoas vivem num estado de tranquilidade e satisfação 100% do tempo.

Somos produtos do meio em que vivemos. Se morasse num país islâmico, viveria com um pano cobrindo minha cabeça e, provavelmente, acharia isso normal. Mas o meio está sempre em transformação, assim como as pessoas que vivem nele. As nossas escolhas, sem a menor dúvida, são baseadas no "certo e errado" que nós mesmos definimos.

Abaixo um final alternativo do filme GATTACA, que foi retirado do filme após algumas apresentações, pois muitas pessoas reagiram mal a ele, sentindo-se pessoalmente atingidas:



Na minha opinião é um final muito muito bonito e que faz a gente pensar...

1 comentários:

Vini disse... [Responder comentário]

WTH?!?!
Empurra o gordinhu não pow!

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