domingo, 9 de agosto de 2009

Viajando

Viajar me entristece. Não o fato de conhecer novos lugares ou revisitar um lugar querido, mas o deslocamento em si. Seja de ônibus, de avião, de trem, uma viagem é sempre uma partida. E partidas são sempre difíceis.

Tudo começa com a minha má vontade de encarar uma mala. Fazer mala só não consegue ser mais chato do que desfazer a mesma. Primeiro porque eu nunca consigo fazer uma mala de um tamanho razoável. Elas são sempre gigantescas, estufadas, pesadíssimas! No fim eu desisto de tentar reduzir no tamanho e penso "antes sobrar do que faltar". Depois o caminho até a rodoviária/aeroporto que é um suplício. Se vou de ônibus ou metrô penso no quanto carregar uma bagagem daquele tamanho não é uma coisa pra gente certa da cabeça, quase morro de dor nos braços, chego ao meu destino aos cacos, mas se decido ir de táxi o sofrimento é interior pois sempre acho que o motorista vai fazer um caminho diferente, só pra aumentar o valor da corrida, que vai me enganar, que eu não posso gastar muito e como eu fui burra de não ter ido de transporte público, afinal de contas era só uma horinha e eu teria feito uma super economia.

Os momentos antes da partida são angustiantes, porque eu não paro de pensar em como a viagem vai ser longa e minhas pernas são as maiores do mundo e que eu não caibo em nenhum assento e que eu vou ter cãimbras e que uma grávida ou um gordinho vão, por certo, sentar ao meu lado e que isso não é vida, e por aí vai.

Mas quando a viagem mesmo começa, aí sim, o fato de estar partindo faz efeito. Eu entro numa espiral de pensamentos, todas as coisas passam pela minha cabeça, desde aquilo que eu não fiz ainda (e que já gostaria de ter feito) até pensamentos do tipo "o que eu estou fazendo com a minha vida"? Aí começa o momento depressivo, em que eu fico pesando se vale a pena estar fazendo o que eu faço, se daqui a dez anos eu estarei fazendo algo parecido ainda, se eu gostaria de tentar algo novo, se eu vou conseguir terminar isso tudo de uma forma positiva, se.. se.. se... Quando eu deixo amigos ou parentes pra trás, ainda há esse agravante para ser pensado e repensado: "será que quando eu voltar vai estar tudo igual? de repente eu nem deveria ter saído daqui".

Mas como tudo, essa torrente de pensamentos também passa. Ainda bem que eu durmo bastante nas viagens. Acho que durmo de exaustão, de tanto remoer possibilidades e fantasmas da minha cabeça. Aí eu chego e penso "ufa, cheguei", com um certo alívio de dar um tchauzinho para esse lugar que canaliza e amplifica tanta coisa confusa que existe em mim.

3 comentários:

Matheus disse... [Responder comentário]

credo, meldels...vc pensa tanto...e vc consegue durmi meldels...eu nao consigo...eu fico ouvidno musica mais nao durmo T_T...e vc eh mulher tem mil e uma ropas para carregar!!

Vini disse... [Responder comentário]

Meldels!
Vc pensa tanto²

E já tentou levar o *necessário* invés do guarda-roupa inteiro?!?!

fabiomiyazaki disse... [Responder comentário]

bolsa de mulher tem de tudo
imagina a mala lol
xD

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