quarta-feira, 30 de setembro de 2009

De partida!

Eba, está chegando a hora! Não é novidade pra ninguém (nem pro Papa) que eu estou indo pra Europa! Saio de SP hoje à tarde e vou pra um congresso na Áustria e outro na Itália, nesse meio tempo eu passo por por Paris e Roma (ai, como eu tô chata!). Mas para os meus amigos de "blogagem" eu deixo um vídeo meu, pra vocês não se sentirem sozinhos, sabem como é, só volto para o Brasil no dia 17 de outubro. Espero que vocês gostem! Já aviso que foi dificílimo fazer esse vídeo, já que tive que treinar muito os passos de dança e literalmente "me duplicar" na filmagem!

http://sendables.jibjab.com/view/leLpGHCoZIZe3nKZ

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Se for possível eu vou postando de vez em quando novidades sobre a viagem, talvez algumas fotos! Agora deixa eu terminar de arrumar tudo!

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

4 minutos cravados!

Hoje foi um dia de cão! Passei a noite tentando treinar a apresentação oral para o congresso de Veneza. Tinha que caber tudinho em 10 minutos, mas não cabia! Eu demorava 15 minutos. Cortei alguns slides. Demorei 14. Cortei mais. 13 minutos e meio. Já quase às 3 da matina eu consegui falar tudo que precisava em 11 minutos e 45 segundos. Ainda não estava bom. Mas imagine você que eu estava já há umas 4 horas tentando, falando sozinha no meu quarto, em inglês macarrônico, caindo sempre e sempre nos mesmos erros. Minha cabeça doía que era um horror. Hoje acordo às 8 para continuar na minha tentativa de compactar a apresentação. Quando eu tentei levantar da cama, quase rolo no chão. Minha cabeça doía, parecia oca, eu estava morta de sono, meio lerda, meio sem noção de tudo! Pensando agora, eu devia estar igualzinha ao David (o garoto do vídeo abaixo, que recebeu anestesia do dentista. Lá nos Estados Unidos os pacientes recebem anestesia inalatória e ficam meio grogues. Eu sei que esse vídeo é velho que dói, mas eu tava tão parecida com o menino que resolvi postar!)



Agora eu recebo um email da organização do congresso dizendo que eu não terei mais 10 minutos para apresentar. Eu terei apenas 4 minutos. 4 MINUTOS! Como assim 4 minutos? Choquei! E agora? Não quero nem pensar, mas vou ter que reformular tudo o que fiz até agora! E isso porque ainda não fiz as malas! Ninguém merece!

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domingo, 27 de setembro de 2009

Tempo que passa... cada vez mais rápido!



Hoje eu estava conversando com a minha mãe e ela disse algo do tipo: "Nossa, já está chegando outubro, daqui a pouco chega o Natal! O ano está passando tão rápido!". Quantas vezes a gente não sente que o tempo está acelerado? Que o passar de um ano agora não é do mesmo jeito que era antes. Antes demorava muito mais! Principalmente se a gente é pequeno, o aniversário demora tanto a chegar, que é uma aflição só! E o mais interessante é que, a sensação do tempo passando cada vez mais acelerado acontece porque a gente está envelhecendo. Quando se é pequeno e não se tem vivência de nada, tudo é novidade. O cerebrozinho das crianças tem que processar uma quantidade enorme de informação. Várias coisas são interessantes, chamam a atenção, merecem destaque. Aí a gente cresce e o cérebro, para otimizar tudo, processa as coisas que a gente vivencia de maneira automática. Tudo começa a ficar familiar demais, sem tanto interesse. E daí vem a sensação de tempo passando cada vez mais rápido. E o desespero da idade?! Depois dos 20 anos parece que alguém pisou no acelerador... os 25 chegam rapidinho... já depois do 25, Deus me livre! Parece que soltaram um carro sem freio na ladeira... E disso eu sei, porque em pouco mais de um mês vou fazer 30. 30? Como assim 30? Mas eu tinha 21 esses dias mesmo!Parem o mundo que eu quero descer!!! Não quero nem imaginar como vai ser daqui pra frente!

E sempre que a conversa é envelhecer eu me lembro daquela história que diz "e se a gente nascesse velho e fosse rejuvenescendo até morrer de infância?". Um dos bons filmes que assisti foi O Curioso Caso de Benjamin Button, que explora exatamente isso.




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sábado, 26 de setembro de 2009

Bilbo, o Gatorr

Era um dia quente, daqueles que fazem a gente ir derretendo aos pouquinhos, e eu estava na Feira de Artesanato de Belo Horizonte com duas amigas. Como não tinha mais nada a fazer ali, estávamos de saída, procurando espaço para caminhar em meio a multidão costumeira do lugar. Foi quando eu o vi. A coisinha mais lindinha, mais fofinha, mais pequenina, deitado em uma caixa. O gatinho siamês perfeito. Eu sempre adorei gatos. Desde pequena pedia um gato às pessoas que encontrava. E desde muito já tinha decidido que gatos siameses eram os mais perfeitos dentre todas as raças. Na caixa estavam ainda seus 3 outros irmãos. Me aproximei um tanto quanto encantada com os bichanos e perguntei, apontando para aquele que tinha atraído minha atenção: "é uma fêmea?". O rapaz me disse: "Não, já vendi todas as fêmeas, todos esses são machos". "Posso pegar neles?". "Pode sim". Levantei um por um. Todos cravaram as unhas na minha roupa. Todos menos aquele primeiro, que deitou pacificamente na minha mão e ficou por ali achando tudo ótimo. Foi amor à primeira vista. "Quanto custa um gatinho?". "Cinquenta reais". "Tá caro!". "É o preço". "Faz um desconto?". "Esse é o preço". "Não sei se tenho esse dinheiro todo na minha conta, faz um desconto!". "É o preço, se você quiser pode me dar um cheque e eu espero um tempo antes de depositar". Coloquei a minha melhor cara de falta de interesse e disse: "Vou ao banco, talvez eu volte para pegar um, talvez não". Dei alguns passos e voltei: "Guarda estezinho aqui pra mim? Mas ó, só serve ele hein!". Ele guardou. Voltei sem pensar muito no que eu estava fazendo e comprei o miador. Fomos para a casa de uma das minhas amigas. Me bateu um desespero, eu pensava que meus pais não iriam querer um gato no apartamento, na verdade eles tinham me dito isso diversas vezes, e ali estava eu, carregando um gato já comprado comigo. Falei com minha amiga, implorei pra ela ficar com o bichinho se as coisas desses errado lá em casa e ele fosse expulso de lá. Ela disse que ficaria com ele somente nesse caso. Carreguei aquela coisinha lindinha o dia todo comigo até chegar em casa.

Chegando ao apartamento coloquei o gatinho no chão e disse: "Mãe, olha que lindo!". Aí eu contei toda uma história inventada para aquele momento com um único propósito de convencer gente desconfiada: "Pois é, você não sabe o que houve, uma coisa séria mesmo, minha amiga está indo fazer intercâmbio e a gatinha dela pariu e ela está realmente desesperada porque não sabe o que fazer com os filhotes, aí ela pediu pra eu trazer um e caso vocês realmente não deixassem eu ficar com ele eu poderia dá-lo para minha outra amiga, bla bla bla". Ela não gostou muito, mas acreditou. Eu me senti até mal pelo tamanho da mentira, mas era por uma boa causa.

O primeiro dia foi um horror. O bichinho só miava, subia onde não devia, não conseguia ficar sozinho sem destruir metade da casa, não comia nada. Mas pelo menos as necessidades ele só fazia na terrinha higiênica que eu comprei. Meu pai chegou e fez uma cara! Pensei: "Ferrou, já era Gatóvski, esse aí você não convence". Mas ele só achou ruim e não falou mais nada. A noite inteira o gatinho miou. Eu, pra acostumar o bichano logo com a vida dura, coloquei um caixote pra ele dormir na área de serviço. Já tinha sido uma vitória mantê-lo por ali todo aquele tempo, não dava pra forçar! Mas o gato miava o tempo inteiro. Boa parte da noite eu fiquei lá com ele. De manhã eu estava derrotada. E assim foi por alguns dias. Quando eu já estava até tendo pesadelos e amargamente arrependida do meu ato impensado o gatinho se ajeitou.

Isso foi em 2001. Daquela época pra cá o bichano, que se chama Bilbo, mas que eu sempre insisti em chamar de Gatorr, cresceu e se acha o rei do pedaço. Minha mãe cuida bem dele, mas vive dizendo que ele bagunça tudo e dá trabalho. Meu pai diz que não gosta do pobrezinho, mas o pobrezinho o ama de paixão, chegando a seguí-lo pela casa! No fundo eu acho que os dois adoram o bichano, mas nunca vão admitir. De vez em quando eles ameaçam doar o Gatorr e eu quase morro de aflição aqui em São Paulo. Mas o certo é que ele está com a gente já há 8 anos e meio.
Morro de saudades dessa coisinha linda que me deu a maior alergia que já tive na vida. Na verdade é só chegar perto que a minha rinite alérgica começa com força. Mas fazer o que? Se esse é o preço a pagar para apertar essa bolinha gordinha, é o jeito!

PS: Ah é, e minha mãe até hoje não acredita que o gato foi comprado. Contei pra ela uns anos depois e ela disse pra eu "parar de inventar história".

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O verdadeiro conto da Branca de Neve

Praticamente todos os dias tem texto novo e interessante no blog entremares. O de hoje me fez bem desde cedo! Já saí de casa com bom humor! Adorei e estou (re)postando aqui:

"Branca de Neve

Branca de Neve tinha um sonho, um sonho antigo; ser acordada pelo beijo de um príncipe, se possível encantado.
A tal ponto se dedicava a tentar realizar o seu sonho que, todos os dias, mal os sete anões partiam para a mina, prontamente se vestia com as suas melhores roupas, mordiscava uma maçã e deitava-se sobre a cama, imaculadamente branca, arrumada a um canto do jardim.
E por ali se deixava estar, de olhos fechados, a tentar cumprir uma história que – diziam – terminaria sempre com a chegada de um belo príncipe, que a beijaria nos lábios, despertando-a daquele sono profundo.
Branca de Neve, expedita nas acções, decidira saltar aquele passo intermédio e preferia ficar acordada, apesar dos olhos fechados.
Por mais de uma vez se levantou sobressaltada, fugindo a esconder-se no quarto. O Atchim, talvez o mais simpático dos sete anões, tinha o irritante hábito de aparecer de surpresa em casa. Dizia ele que não dispensava a sua casa de banho, que as instalações da mina eram muito... públicas. E lá corria a nossa Branca de Neve a fechar-se no quarto e a espreitar pela fechadura, à espera que o Atchim lá voltasse para os trabalhos da mina, mais aliviado.
Naquele dia em particular, a manhã estava calma e o Atchim ainda não a brindara com uma das suas aparições surpresa. Pelo contrário, um ruido compassado, a principio longínquo, progressivamente mais audível... fez-lhe disparar o coração. Alguém se aproximava... e a cavalo, dois cavalos, não havia como enganar.
Fechou os olhos e colocou a sua expressão mais serena, tantas e tantas vezes ensaiada em frente ao espelho do quarto.
Pouco depois, sentiu que alguém desmontava, ouviu-lhe as botas pesadas de encontro às pedras. Aproximava-se.
O tempo passou... e nada.
Mais uns momentos... nada de forçar a situação.
Mas ... não... definitivamente, não estava a acontecer nada, e muito menos o tal beijo esperado.
Abriu muito, muito suavemente uma fresta do olhar e viu-o. Era belo, sem dúvida. Príncipe ou não, mas definitivamente belo.
Uma longa cabeleira alourada, uns olhos azuis de cortar a respiração, uns lábios carnudos como morangos – ao menos que seja um príncipe – não se cansava de repetir para si mesma.
Um pouco enfadada pelo arrastar da situação, decidiu acelerar um pouco o processo. Num gesto bem estudado, suspirou lânguidamente, abrindo um pouco os olhos.
Ele pareceu surpreso.
- Meu príncipe... – sussurou ela, enquanto lhe segurava a face com as duas mãos.
E, não fosse a história ser levemente diferente do que pensava, decidiu ser ela a beijá-lo.
Puxou-o suavemente para si e apertou-lhe os lábios contra os seus. Mentalmente, conferiu se todas as peças do cenário estariam nos seus devidos lugares... incluindo os estratégicos últimos laços do vestido, que deixara propositadamente abertos, a pele branca do peito embebida de suave perfume.
- Por quem sois, vil creatura... largai-me...
E num gesto simultaneamente brusco e com alguns trejeitos, o talvez príncipe fugiu-lhe dos braços.
Mais atrás, o pajem segurava em silêncio as rédeas dos cavalos.
- Meu príncipe... – ainda repetiu, os braços esticados sem o conseguir tocar – beijai-me com paixão, para que eu possa finalmente acordar deste sono profundo a que a bruxa malvada me votou...
Ele piscou os olhos e pegando com a ponta dos dedos na capa vermelha, lançou-a sobre os ombros, ao mesmo tempo que empertigava os ombros.
Foi nesse momento que Branca de Neve suspeitou que algo na história não se estava a desenrolar conforme o previsto.
- Que horror... mulher... estais quase ... nua... que afronta aos meus olhos...
Branca de Neve abriu muito os olhos, sem poder acreditar no que lhe estava a acontecer. Entre todos os príncipes e plebeus, possíveis e imaginários, com ou sem reino... tinha logo que por ali aparecer ... talvez o único... enfim.... mais delicado?
Talvez tivesse percebido mal. Decidiu jogar a sua última cartada. Num arrojo de ousadia, abriu os últimos cordões do vestido, expondo ainda mais generosamente o peito alvo de neve.
- Meu príncipe... quebra-me o encantamento...
O possível ou talvez príncipe revelou-se então em todo o seu esplendor. Levou as mãos aos olhos, gritou fininho e correu a agarrar-se ao seu fiel pajem que o abraçou carinhosamente.
- Pajem, pajem... socorro, acode-me que ela se está a despir... acode-me...

Nota: Esta é a verdadeira história. A outra, aquela que circula por aí, é a versão censurada, para poder ser contada às crianças, claro..."

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dudu

"Urso estúpido!" pensou o menino. Com movimentos raivosos pisou no brinquedo e o atirou pela janela. Dudu, como sempre chamara seu ursinho de pelúcia, foi parar no jardim, ao lado de um canteiro de rosas, em meio a uma tempestade. "Nunca mais vão rir de mim, nunca mais!". Desde que sua mãe morrera, em meados do ano anterior, o garoto se apegara ao brinquedo. Levava-o a todos os lugares. Na sua antiga escola era comum ver o pequeno caminhando, na hora do recreio, com o urso debaixo do braço. Era a ele que confidenciava a saudade arrasadora que sentia da mãe. Dudu tinha sido o último agrado que ganhara dela, poucos dias antes do acidente. O pai tentara por vezes levá-lo a psicólogos, mas o menino mantinha-se sempre calado. Só o ursinho sabia o que se passava naquela alma tão jovem e tão sofrida.

O pai sempre fora distante. Um homem fechado em seus próprios negócios e afazeres, com pouco tempo para a família. Já a mãe fora um raio de sol em uma casa gélida. Ela era a responsável pela criação do menino, era com ela que ele passara todos os seus bons momentos. Mas, agora que ela se fora, como transpor a barreira que existia entre o homem e seu filho? E o garoto se apegara ao urso, um objeto inanimado que ganhou vida em sua imaginação. O pai, obviamente, desaprovava o modo infantil de lidar com a dor.

Desde o acidente, o menino tinha pesadelos constantes. Acordava no meio da noite revivendo a morte da mãe, sua ausência, seu enterro. E sempre alcançava o ursinho a seu lado e o abraçava forte, algo que, de uma certa forma, o confortava e acalmava. Sentia-se em pânico quando perdia de vista o brinquedo, mesmo que fosse somente por alguns instantes. O urso era seu melhor amigo.

E assim fora até o pai decidir mudar o garoto de escola. O menino foi transferido para uma escola militar, que, na visão paterna, era o lugar ideal para transformar seu filho frágil e superprotegido em um homenzinho. O garoto não gostou da escola desde o primeiro momento, quando foi visitá-la e conheceu homens e mulheres secos e formais, professores e professoras. E não gostava também da idéia de largar sua outra escola, onde já havia construído um refúgio só seu. A ordem do pai fora inquestionável: "O urso fica em casa, você está muito grande para agir como um bebê". O menino sofreu com a ansiedade da separação semanas antes do ano letivo começar. Mas no primeiro dia de aula, saiu de casa com as mãos vazias.

A escola era um terror. Mestres rígidos, rituais estranhos, coleguinhas que arrumavam a todo momento um motivo para testá-lo. O garoto sofria sozinho, sem o seu melhor amigo a quem contar o que ia em seu coração triste. Uma semana foi o máximo que aguentou. No dia seguinte, colocou o urso bem escondido no fundo da sua mochila e lá se foi para a escola odiada. Talvez pelo zelo com que cuidava da mochila, talvez por puro azar, os colegas descobriram o brinquedo e puseram-se a rir e a humilhá-lo. Arrancaram o brinquedo de suas mãos, jogaram-no para todos os lados, zombaram daquele urso tão infantil, que não caía bem a um rapazinho da escola militar. Ele aguentou tudo encolhido num canto, sentindo uma raiva crescente do mundo e de todos. Ao chegar em casa explodiu num choro violento. Descontou toda a sua revolta no ursinho, sem dó, sem compaixão. Arrancou-lhe os olhinhos e um dos braços pensando: "Nunca mais vão rir de mim. Nunca mais! E a culpa é sua. Urso idiota! Urso estúpido. Eu já sou grande e por sua causa me chamaram de criança. Eu te odeio". E foi assim antes de atirar o ursinho no jardim.

Naquela noite teve sonhos agitados. Ouvia a mãe lhe chamando, o pai sumindo num nevoeiro e o som das risadas das crianças da escola. Acordou de sobressalto chorando, coração acelerado, aperto no peito e soube exatamente o que fazer. No escuro levantou, saiu do quarto descalço e caminhou pelo longo corredor e pelas escadas. A porta da casa se abriu. O menino andou na chuva, que agora caía fina, até o canteiro de rosas, as preferidas da sua mãe. Abraçou o urso encharcado e maltratado enquanto dizia: "Vem Dudu, eu vou te levar pra casa, você vai ficar bom, eu nunca mais vou te abandonar, eu prometo".

Boy with a Teddy Bear, de Axel Torneman

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mariazell

Ai, ai, ai! Eu estou realmente "me achando a tal"! Não só terei a chance de participar de dois congressos na minha área, lá na Europa, como também vou apresentar o meu trabalho em ambos! E aí, só para me sentir chique de morrer, recebo um email dizendo que o congresso na Áustria vai ter uma noite social, para que os participantes tenham a chance de se conhecer num ambiente agradável. Resumindo, eles querem saber se eu prefiro visitar:

1. uma famosa vila de peregrinos austríacos, chamada Mariazell
2. uma caverna próxima
3. caminhar até uma típica fazenda nas montanhas

Óbvio que eu vou ver a vila! Eu até já achei umas fotos dela na internet:

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domingo, 20 de setembro de 2009

Estradas, caminhos, trilhas e afins

A estrada da minha vida, assim como da vida de qualquer um, é uma estrada solitária. Não porque faltam amigos ou alguém a quem confidenciar segredos, nem porque é vazia de vida, mas porque a rota que traçamos, com as nossas decisões, é única e é fruto das escolhas que tomamos todos os dias, às vezes mesmo sem perceber. Quando eu escolhi vir para São Paulo, fechei a porta para todas as possibilidades que ficar em Belo Horizonte representava. Em compensação, me voltei para um mundo de possibilidades que os anos que estarei aqui me trarão. É preciso ter coragem para continuar no caminho sabendo respeitar o que realmente se deseja. Muito comum é a gente se acomodar e pegar carona na estrada dos outros, o que é realmente mais fácil, mas que não é muito útil, já que estamos vivendo os sonhos alheios e não os nossos. A cada dia a gente muda um pouco a nossa trilha. As vezes ela fica um tanto turbulenta, agitada, escura. Nesses momentos só mesmo uma certeza de que as nossas decisões foram corretas nos impede de correr de volta e tomar outro rumo. Por certos trechos encontramos companhia, pessoas que dividem um mesmo "querer", um mesmo "gostar" e por um tempo o caminho fica mais leve. Mas não há como se enganar, depois de uma tempestade sempre vem a bonança e o contrário também é verdadeiro. O mais importante é prestar atenção às encruzilhadas. Elas sim, nossos grandes momentos de escolha, nos direcionam para uma opção de caminho. Uma vez li num livro que mais importante do que chegar é a maneira de viajar. Isso me soou tão correto que ficou na minha cabeça e sempre serve de apoio na hora de tomar uma decisão. Alcançar um objetivo é ótimo, mas pode ser que não valha a pena, se para chegar até ele temos que passar por infindáveis momentos de dor, tédio, cansaço, tristeza. E eu não quero chegar lá nos 100 anos de idade e dizer: foi uma vida de sofrimento, mas alcancei o meu objetivo! Mesmo porque é da natureza do ser humano cansar de certa coisa, uma vez que já a tem nas mãos. E isso me faz lembrar de algo que li também há tempos atrás e que diz: "Minh'alma é uma criança, ignorando o que faz. Quer tudo o que não alcança, quando alcança não quer mais". Do autor eu não tenho idéia. Mas é a coisa mais verdadeira do mundo. O que importa é a jornada, mesmo porque as experiências da viagem acabam por mudar a forma como encaramos a caminhada. Quem trabalha só por dinheiro, vira um robozinho que só faz o que faz por obrigação. Quem tem por objetivo maior casar custe o que custar, acaba perdendo sua própria identidade e sendo um parasita do outro. Quem acha que está velho demais pra mudar, está velho demais pra viver! E a quem conseguiu chegar até aqui nesse texto eu peço desculpas porque já está parecendo um livro de auto-ajuda. Parei!


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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Colecionadora de Prazeres

Ela era uma colecionadora de pequenos prazeres. Desde muito pequena sentia um ímpeto de fazer certas coisinhas secretas que lhe proporcionavam sensações diversas, todas muito agradáveis. Não conseguia andar pela feira sem enfiar a mão inteira dentro de um saco de grãos que por ali encontrasse. Ela rodeava a barraca, observava as pessoas e a dinâmica da venda, esperava que o senhor que ali trabalhava se distraísse por alguns segundos e aproveitava o momento. A mão ia rápida e mergulhava nas sementes. Sentia o roçar de cada grãozinho nos dedos, chegava a fechar os olhos para aproveitar o momento. E então saía dali discretamente, procurando não ser notada.

Outra fraqueza eram as coberturas de bolos. Eram tentações tão suculentas e convidativas! Gostava de sentir o cheiro doce, observar cada cantinho da calda e escolher o lugar certo. A mão praticamente agia sozinha. Num movimento rápido, a doçura já enchia sua boca e acalmava seu desejo. Tudo feito silenciosamente, sem testemunhas, sem culpa.

Gostava ainda de passear pelo campo após os temporais. O cheiro da terra molhada subia inebriante e tomava de uma só vez seus sentidos. Era um momento só seu, uma entrega a sensações, um verdadeiro deleite.

A alegria furtiva de momentos como esses era tudo que sempre se permitiu. Mas a ansiedade que sentia agora era algo novo, precedia uma emoção diferente. Ao contrário da clandestinidade dos seus pequenos prazeres, esse seria um prazer definitivo, aquele para o qual todos os outros foram apenas um ensaio. Seu coração batia descontrolado. Tinha sido tudo tão rápido! A ninguém devotara esse carinho, nunca antes quis tanto algo como agora. Esse novo sentimento enchia sua alma. Com poucos encontros pôde perceber que essa seria uma relação para a vida inteira, incondicional! E naquele pátio começaria uma nova vida. Enquanto pensava e repensava sobre os passos que a levaram até ali, uma menina sorridente, de vestidinho branco, saiu da casa grande acompanhada por uma mulher austera. Elas se aproximaram e a mulher começou uma infindável explicação sobre como as coisas deveriam ser. Mas ela já não ouvia mais. Seus olhos se fixaram ansiosamente na garota, quase desesperadamente. A senhora lhe entregou um papel onde em grandes letras se via a palavra adoção, quase no mesmo instante que uma mão pequenina pousou na sua. E aquilo bastou para encher seu coração... e mudar completamente a sua vida.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

AudioBooks!

Minha mais nova descoberta são os audiobooks! Livros que alguém leu e gravou e estão lá, para serem ouvidos. Obviamente não substituem um livro de verdade. Porque livro é a melhor coisa do mundo! Gosto de pegar um livro novo e sentir o cheirinho, passar a mão pelas páginas, observar o acabamento, a arte, a foto do autor. Olho bem pra cara dele e fico imaginando que saiu daquela cabeça a história que agora está ali, pronta pra mim. Detesto ver gente amassando página de livro, escrevendo, rasgando, dobrando. Um dos motivos de eu não gostar de "pocket books", os famosos livros de bolso, é porque não tem o acabamento do livro comum. Aí amassam mais fácil, as páginas frágeis sofrem mais com os leitores ávidos, e por aí vai. Mas voltando aos audiobooks, descobri que ele é perfeito para os momentos que eu gostaria de ler, mas não posso. Duas situções comuns na minha vida são: viajar para Belo Horizonte (ou para qualquer destino) e caminhar de casa até a USP e voltar de lá. Se eu abro um livro durante uma viagem, em menos de 2 minutos meu estômago fica completamente embrulhado. Não consigo ler nadinha. Aí fico a ver navios, no máximo escutando música. Nesse caso o audiobook é A Bênção! E a minha caminhada diária para a USP ficou mais animada com ele também! No momento eu baixei pela internet só livros em outras línguas. Estou escutando ELDEST, de Christopher Paolini, em inglês. É a história de um menino e seu dragão. Confesso que morro de rir com o narrador, que precisa fazer todas as vozes diferentes dos personagens, que incluem elfos, anões, seres humanos, seres místicos, machos e fêmeas. Outro audiobook que está na fila é o ALICIA EN EL PAÍS DE LAS MARAVILLAS, que vai me ajudar com a pronúncia do espanhol. O único problema é que agora eu estou lendo livros reais, livros no computador e ouvindo os audiobooks. Falta tempo para isso tudo!

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fim

Naquele dia, seus olhos não se abriram. Aterrorizado pela cegueira súbita, o dono dos olhos, que há muito tempo vivia numa cama de hospital, sem perspectivas e sem esperanças, chorou e se lamuriou da sua má sorte. Já debilitado pela doença terminal, não imaginava que aquela cegueira era só o começo de uma verdadeira revolução, que estava em progresso dentro de si.

Tudo começou com o despertar do seu cérebro, que, cansado de se sentir obsoleto, resolveu assumir o controle da realidade. Começou, então, cortando qualquer contato visual com o mundo exterior. Já estava por demais exausto de ver imagens de uma vida triste e sofrida em um mundo que sempre fora egoísta, sujo e caquético. Pouco tempo depois, cortou a fala e a audição, encerrando a vida em um mundo escuro e silencioso, algo que deixou seu dono bastante angustiado. Por fim, eliminou a dor.

O cérebro, então, em um último ato grandioso, começou a transmitir a vida daquele senhor, como num flashback. Nesse mundo particular, a consciência que ainda vivia assistiu aos melhores momentos de sua existência. Como se houvesse apertado uma tecla de retorno, cada instante de felicidade foi revisto, cada sorriso, cada vitória, cada alegria revisitada. A emoção do primeiro filho, do primeiro emprego, da primeira namorada, do primeiro dia de aula... E quando as memórias chegaram aos primeiros dias de vida e somente se ouvia uma voz de mulher entoando uma canção de ninar, a consciência se apagou. E ele, então, se foi.

Imagem retirada de http://www.redbubble.com/people/jackieliao/art/724305-3-dandelion

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domingo, 13 de setembro de 2009

Arte que encanta (2) - Donald Zolan

Um tempo atrás, nesse post AQUI, eu comentei das minhas impressões sobre a arte e como eu não me encaixo nos moldes definidos do que é bonito e valorizado e do que não é valioso. Hoje eu estava passeando pelo blog da Bia, quando vi seu último post, que mostra um trabalho INCRÍVEL do pintor Donald Zolan. Não resisti e estou colocando a apresentação para todo mundo ver!

OBS: A apresentação foi retirada da net. Achei outra no site http://sonialinsesilva.multiply.com/photos/album/149



Para mim, isso sim é um trabalho de tirar o fôlego!

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sábado, 12 de setembro de 2009

A menininha

Uma menina magrinha e bem loirinha, que ainda não tem idade para ler ou escrever, é carregada no colo, pela mãe, por um corredor longo de uma casa do interior. A mãe canta musiquinhas de ninar enquanto vai e volta no mesmo caminho e a menina, sem sono, canta junto com ela. Horas depois a garota acorda, já sozinha em sua cama, sob um cortinado branco que a protege dos muitos pernilongos.

Agora a menina está chegando a uma casa vizinha, branca e azul, entra na varanda e vê um senhor descansando em sua espreguiçadeira. Ele a vê e a chama, já com um sorriso enorme e ela corre pro colo do avô que canta: "Vem cá, menininha bonitinha, macaquinha do vovô!"

A menininha voa pela calçada no seu velocípede verde, já um tanto pequeno para uma garota que cresceu muito no último ano. Chega a um jardim enorme, em frente a uma Igreja tão familiar e a todos que encontra faz um pedido: "Me dá um gato?"

Dentro de um opala branco a menina se aconchega em cima do porta-malas, de encontro ao vidro, observando o mundo e as pessoas e coisas que nele habitam. Minutos mais tarde ela revê a casa de fazenda tão conhecida sua. Ela agora monta no seu cavalinho e vai acompanhando os adultos, com um medo de pegar o caminho que vira à direita, porque sabe que ali o cavalo sempre empaca na frente da casa do vaqueiro, em busca de sombra e também se aproveitando da sua pequena amazona inexperiente.

A menina está em frente a sua casa, de olhos e ouvidos atentos, de coração acelerado, esperando que os carros cheguem. Assim como em outros verões, a comitiva que vai chegar traz muitos dos seus primos e muita alegria para os próximos dias.

Acordo com o despertador tocando, ainda com a imagem da menina magrinha e loira saltando na minha mente. Já faz tanto tempo! A menina cresceu, estudou, virou bióloga, mora em São Paulo, conseguiu seu próprio gato, mas ainda morre de saudades do colo da mãe, da casa, da fazenda, do velocípede voador, e, principalmente, do avô na sua espreguiçadeira, com seu sorriso largo!

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Refém do escuro

No final de semana eu entrei no elevador do meu prédio e estava lá, novamente, pregado no quadrinho de avisos: O condomínio informa que na quarta-feira, dia 09/09/09, a energia será cortada das 8:30 às 17:30 para trocar bla bla bla... Parei.. respirei... me recompus da forma que pude, pois minha vontade era fazer picadinho daquele papel maldito. Já outras 3 ou 4 vezes esse mesmo aviso tinha aparecido nesse mesmo local. De todas as vezes avisava que no dia tal a energia seria cortada. E em todos esses dias eu tive que sair de casa antes das 8:30, desligar tudo, etc etc etc.

Quarta-feira chegou. Acordei sem lembrar da falta de energia. De repente, às 8:40 a luz foi cortada. Aí a ficha caiu! Era hoje! Não creio! Vou ter que descer 10 andares de escada!!!!! Nãããooo!

Olhei da sacada do meu apartamento. Lá fora as nuvens de chuva estavam ameaçadoras, mas não fazia frio. Coloquei só uma blusa de frio mais ou menos e comecei a descer as escadas. Graças a Deus as escadas tem luzes de emergência, afinal de contas são 10 andares. Quando eu chego no nono andar, a luz de emergência é desligada. Fiquei eu ali, no maior breu do mundo! Parece bobo pensar, lendo por este relato, que alguém possa ficar paralisado no escuro. Mas no meu caso, eu fui pega desprevenida. Não sabia o que fazer. Arregalei os olhos para tentar captar um tiquinho que fosse de luz. Nada. Nadinha. Necas. Pensei: imagina se aparece a cara de alguém aqui na minha frente, olhando de olho arregalado de volta? Momento terror! Agarrei na parede, como se o fato de ter escurecido também afetasse o meu equilíbrio. Aí me veio uma idéia: vou sair no Hall do nono andar! Fui me arrastando até encontrar a porta que dava para o 9. Abri. Também escuro do outro lado. Só as frestas de luz por baixo das portas indicavam que era dia. Pânico, por essa eu não esperava. Aí começou a minha neura: Vou cair. Vou quebrar a perna. Pior, vou quebrar o pescoço. Não, vou ficar aqui o resto da vida. Quem sabe se eu gritar alguém abre a porta? Não, gritar assusta. Talvez se eu chorar? Chorar também assusta. Quem sabe se eu rir loucamente alguém venha ver o que está acontecendo? Não.. pense friamente. O jeito é voltar pro décimo andar. São só dois lances de escada. Dois lances na escada de emergência que parece um buraco negro. Tudo bem, eu vou agarrando na parede e chego lá. E fecho os olhos que é para não ver outros olhos arregalados fixos em mim. Abra a porta. Isso, muito bem! Encosta na parede. Agora vai tateando com o pé até achar o primeiro degrau. Isso. Sobe. Muito bem! Mais um degrau. Boa! Só tome cuidado com a pessoa ao seu lado. Pessoa? Que pessoa? Não tem ninguém aqui! Tem certeza? Ai, meu Deus! Pai Nosso, que Estais no Céu.... Calma, calma... era só uma brincadeira, fica calma, aqui é a sua consciência falando. Ufa! Cheguei no décimo andar!

Entrei no apartamento me sentindo uma bestona. Como assim eu iria ficar ilhada! Pois eu sou é muito corajosa e vou descer os 10 andares usando a luz do celular! E fui. Dessa vez esbarrei realmente num vizinho que também estava pegando as escadas, com uma lanterna na mão. O coitado quase infartou de susto. Fomos eu e ele juntos na mesma revolta por terem cortado a luz de emergência. Quando cheguei lá embaixo, um vento de arrastar telhado e um friiiio! Me arrependi de ter descido com uma blusa de frio mais ou menos. Olhei para os 10 andares.. Subir tudo aquilo no escuro? Nem pensar! E lá fui eu, encarar a caminhada para a USP, já abrindo a sombrinha porque começava a chover.

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Timidez

Eu sou tímida. Quem me conhece provavelmente vai rir disso, mas é a mais pura verdade. O fato de eu não parar de falar, contar casos e piadas o tempo todo e passar a noite carregando no 220v é o de menos. Com meus amigos eu brinco mesmo, mas com o público em geral leva um tempinho para eu me sentir à vontade. Esses dias mesmo, lá no Parque da Água Branca, um repórter queria me entrevistar e saber o que eu estava achando do local. Me deu um pânico tão grande que eu devo ter ficado assim, de um vermelho rubi tão forte, que o cara dizia: "Mas só dá a entrevista se quiser, não tem problema, viu". E eu: "é.. ahmm.. ééé.. não.. quer dizer.. por favor.. eu não quero dar entrevista.. moço, que vergonha.. por favor.. eu não. escolhe outra POR FAVOR!!!". Vi que tinha exagerado quando o cara arregalou os olhos e começou a se afastar sutilmente, indo tentar a entrevista com uma amiga minha.

Fora esses momentos estranhos, eu sempre fico meio acanhada quando conheço pessoas novas. Principalmente se essas pessoas são amigas de gente conhecida. Isso porque os meus "muy amigos" espalham por aí que eu sou engraçadinha, só faço palhaçada, sou divertida de morrer, que já vou chegar contando piada, dando pirueta e cantando a Tarantela. Aí eu chego e TODAS AS PESSOAS DO MUNDO ficam me observando.. assim mesmo, na cara de pau, como se eu fosse surtar a qualquer momento. E sempre se decepcionam, é batata! Tempos depois essas mesmas pessoas vem me dizer que foi tão sem graça me conhecer, que elas estavam esperando um show, um stand up comedy, um Cirque du Soleil e cheguei euzinha lá.. meio jacu.. meio sem saber o que dizer. Mas é como eu sempre digo: Eu sou tímida!

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domingo, 6 de setembro de 2009

Desde 1998

Encontro de 7 anos de formados - dez/08

Saudades da época da faculdade e de quando fazíamos nossos churrascos na casa dos amigos. Sempre tinha roda de violão e os meninos cantavam músicas do Clube da Esquina e dos seus integrantes. Engraçado que tanta gente da mesma turma gostasse deles. Um dia chegamos a ir na esquina onde os integrantes da banda ensaiavam antes do sucesso vir. Chegamos lá quase de madrugada e começamos a cantar MESMO. Fiquei imaginando que os vizinhos deviam pensar: "Ai, meu Deus, mais uma turma que se acha original vindo berrar aqui"!

Hoje já são mais de 7 anos de formados e 11 anos que nos conhecemos. Se tudo der certo em Dezembro desse ano tem mais um encontro! Cada um foi pra um canto diferente. Tem gente no Pará, Amazonas, Roraima, Alemanha, França... muitos eu nem sei mais. Tem gente que já foi e voltou. Tem gente que pensa em ir. Mas a saudade daquele tempo e a amizade entre nós continua. Isso é palpável nos nossos encontros anuais! E eu sinto MUITA saudade desse povo!


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Caminhos alternativos

Às vezes eu tenho vontade de largar tudo e... sei lá... ir fazer uma coisa qualquer alternativa num lugar totalmente alternativo. Viver uma vida diferente. Fico pensando em como poderia ter sido se eu não tivesse escolhido a Biologia. Na época do vestibular eu cogitei outras profissões. É claro que eu não me arrependo e que acho a biologia a coisa mais interessante do mundo, mas tenho certeza que ninguém tem só um futuro profissional. Apesar da gente gostar mais de algo, pode-se ser feliz fazendo outra coisa sim. Pois bem, na época do vestibular eu considerei Fisioterapia, Jornalismo, Publicidade e até mesmo achava interessante Turismo. Se eu fosse fisioterapeuta acho que seria uma bem ruinzinha. Não sou paciente e não sei lidar com pessoas (principalmente pessoas que requerem cuidados). Como jornalista, poderia me desencantar de escrever, já que essa é uma atividade que só é boa se feita por prazer mesmo, não pela obrigação de um trabalho. Publicidade é algo ainda obscuro pra mim. Eu amava ver propagandas e ficar cantando as musiquinhas, sabia tudinho de cor e também inventava algumas. Mas sempre me disseram que o campo da publicidade era extretamente fechado. E turismo.. nem sei... acho que é até pecado que o trabalho da gente seja "turismo"... e também tem o fator "lidar com gente" e por aí vai.

Minha paixão, sem dúvida, era Ciências Biológicas. Eu me imaginava uma cientista que ia pesquisar coisas intrigantes e ajudar o mundo inteiro. Que ilusão! Não que eu não faça isso. Eu realmente estou ajudando com o que pesquiso.. mas a falta de recursos, a burocracia, a dificuldade em se manter uma boa equipe, tudo isso faz com que esse sonho de ser "uma grande cientista reconhecidíssima" fique cada vez mais distante. E eu percebi que quanto mais o pesquisador cresce, mais na parte burocrática ele entra e, consequentemente, faz menos ciência. E isso eu não quero pra mim. Pelo menos o prazer da descoberta ainda me resta. E esse é o âmago da busca científica.

Quando eu me imagino fazendo coisas totalmente alternativas, começo a viajar nas possibilidades. Cada uma mais diferente que a outra. Às vezes penso: "por que eu não me alistei na Cruz Vermelha? Eu bem podia ser do corpo de paz e ir ajudar tanta gente que precisa". Em outros momentos eu simplesmente quero fazer algo como treinar cão-guia para os deficientes visuais. Aí eu me pego pensando em ir pra Europa e ser a pessoa que lê livros e decide se eles serão ou não publicados. Ahh, e tem também a vontade de mudar de área dentro da própria biologia, isto é, sair do laboratório e virar uma ecóloga. Provavelmente seria uma péssima idéia, pois eu tenho verdadeira fobia de insetos. No começo da faculdade eu tinha certeza que iria trabalhar no CDC, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, onde em alguns laboratórios os pesquisadores tem que usar aquelas roupas de astronautas. Me imaginava trabalhando com vírus perigosíssimos, do nível do Ebola e fazia mil planos. Essa idéia eu descartei. Já dar aulas é uma coisa que eu gosto... na teoria... porque na prática os bons alunos pagam pelos maus, que fazem uma aula bem programada ficar ruim. Eu queria mesmo é ser um daqueles professores que são super hiper ultra fodásticos, que nem nos filmes. Já me imagino entrando na sala e todo mundo se levantando e dizendo: "Oh captain, my captain", como no filme Sociedade dos Poetas Mortos.



Bom, por enquanto eu ainda tenho 2 anos e meio de doutorado e essa decisão não é pra agora. Ainda bem!

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A novela Européia

Finalmente, após meses de ansiedade e tensão, essa história chega ao fim! Tenho dois congressos importantíssimos na Europa em outubro deste ano. Passei infindáveis semanas tentando conseguir um auxílio pela USP para comparecer a ambos. O auxílio foi negado, mas tenho uma reserva que pode ser usada em benefício do meu doutorado... portanto.. Europa, tô chegando!!!

Nem acredito. Acho que vou ficar com cara de boba metade da viagem, de ver tanta coisa que eu conheço só de ler nos livros. A outra metade do tempo eu vou passar tirando foto, e foto, e mais foto, chorando as pitangas de emoção!

O roteiro está completo, com passagens de avião, trens e hotéis reservados. A logística da coisa é ir para o primeiro congresso, na Áustria, e de lá passar uma semana viajando pela França e Itália antes de ir para o segundo congresso, em Veneza.

Como eu estou super hiper mega empolgada aí vai já o meu roteiro visual dos lugares por onde vou passar:

1. Saída de SP no dia 30 de setembro e chegada em Viena, Áustria no dia 01 de outubro. Vamos ficar no Hotel Austria por uma noite. Claro que eu vou tentar dar pelo menos um bom passeio pra ver o máximo que puder.

2. Ida para o local do primeiro congresso no dia 02 de outubro. Uma cidadezinha chamada Steinschaler Dörfl, próxima a Viena, onde ficaremos até o dia 04.

3. Volta para Viena e ida para Strasbourg no dia 04/10. Durante a compra da passagem eu e a Letícia-companheira-de-viagem percebemos que o trem de Viena para Paris passaria necessariamente por Strasbourg. Ela logo arrumou um jeitinho da gente ficar umas horas por lá. Vamos passar a noite viajando de trem (espero que não seja uma Maria-Fumaça!).

4. Dia 05 de outubro: chegada a Strasbourg de manhã. Vamos passear pela cidade até umas 3 da tarde, quando pegamos um trem para Paris (trem bala, eeeeee!)!


5. Noite do dia 05/10, chegada a Paris no Grand Hôtel Nouvel Opera. Como esse período agora entre congressos é por nossa conta, os hotéis também não são lá grandes coisas!! Mas gente, é Paris!!!!!!!!!


6. Dia 08 de outubro, partimos para Roma em outro trem noturno. Chegamos pelo meio da manhã do dia 09 e ficamos no Hotel Aquarium por dois dias (mais um hotel para orçamento apertado!):


7. Dia 11/10 embarcamos para Veneza, para o outro congresso. Chegamos ao meio do dia e vamos direto para o Hotel Casanova (Esse sim, um hotel que vale a pena!!). O congresso dura 6 "gloriosos" dias! De lá voltamos pra casa no dia 16/10.

Hoje comprei a passagem de avião "SP-Europa" que era o que faltava para a novela terminar e os planos de viagem de verdade começarem!

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Os filhos dos seus bisnetos - por Silmara Franco

Mais um texto lindo da Silmara Franco. Como eu conheci minha bisavó e tenho uma família graaande e que vive longos anos, adorei a mensagem!

Os filhos dos seus bisnetos

Álbum de família

Fato: os filhos dos seus bisnetos não saberão nada sobre você. Na melhor das hipóteses, muito pouco. Ouvirão algumas histórias nas reuniões de família, verão uma fotografia num álbum amarelado ou num arquivo escondido de um computador. Um vídeo, talvez. Mas, acredite: eles não saberão de você do jeito que você se conhece.

Não saberão para que time você torce, nem se você gosta de rock ou se prefere jazz. Ninguém lhes contará que você já foi ao Egito, ou que sabe fazer mousse de maracujá. Nunca imaginarão que você já teve uma banda ou que escreve poesias. Nem que você consegue desenhar cavalo, que é a coisa mais difícil deste mundo. Ou que chegou a dirigir uma empresa, antes de se aposentar e ir viver lá no meio do mato com os sacis. Muito menos que sua paixão era a dança e que você já se apresentou no Municipal. Jamais saberão como é a sua voz. Se a sua risada é estrondosa ou discreta, ou como você gosta de pentear os cabelos. E que você sempre chora nos filmes de amor.

Dos nossos avós a gente costuma se lembrar bem. Com um pouquinho de sorte, dos bisavós também guardamos alguma recordação. Mas poder abraçar os trisavós é para poucos. Ter tomado um chá da tarde com os tataravós, definitivamente, é raridade. Pena. A gente deveria saber mais das pessoas de onde viemos. Para ter uma ideia de como chegamos aqui e para onde vamos. Mas para isso cada um precisa fazer sua parte: contar muitas histórias aos filhos, várias vezes, até enjoar. Para que eles as contem aos seus e assim por diante.

E, do mesmo jeito que se aprende História – do mundo, do Brasil – na escola, deveríamos ter também ter uma matéria chamada “A sua História”. Onde a gente aprendesse a escrever os livros de família de um jeito diferente, cheios dos detalhes essenciais que geralmente passam desapercebidos. E também a plantar em grandes cadernos de desenho a nossa árvore genealógica, não só com seus ramos. Com as flores também.

(Silmara Franco)

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Elsa & Fred

Terminei o curso básico de espanhol e entrei no nível intermediário. A aula voltou com tudo e apesar dos engasgos, língua presa nos RR e micos nossos de cada dia, os temas estudados são sempre muito interessantes. A última aula foi conjunta com a turma do Intermediário II e, com duas professoras em classe, fizemos algumas dinâmicas e estudos de pronúncia. Por fim, assistimos um filme lindo, que eu já tinha visto, mas agora pude ver (e entender) todo em espanhol. O filme é Elsa & Fred - Um Amor de Paixão, e conta a história de dois velhinhos (ele turrão, ela hilária) que se encontram e se apaixonam. É lindo, comovente, engraçadíssimo e tem o seu ponto alto na Fontana di Trevi, em Roma!



Com sorte, eu estarei na própria Fontana di Trevi imaginando a cena daqui há 1 mês!

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