sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hélton, Ester e Luísa - Uma história de vida!

Esse post é uma homenagem. Durante a minha estada na UFMG, como estudante de Biologia e como mestranda do Departamento de Bioquímica, tive a chance de conhecer muita gente boa e de fazer muitos vínculos duradouros. De todas as pessoas com quem convivi lá, com certeza uma das mais marcantes foi o Hélton, médico e alguém que se tornou um bom amigo de laboratório. O Hélton é uma dessas pessoas raras, que trabalhava incansavelmente, era um modelo de cientista e que ainda assim arrumava tempo para ajudar nos experimentos de muita gente, inclusive nos meus inúmeros e repetitivos testes com a substância que eu pesquisava. O Hélton tinha um humor sensacional, sempre com tiradas ótimas sobre tudo, sempre contagiando todo mundo ao redor. O Hélton era uma referência, já como aluno de Doutorado. E por fim, o Hélton tinha uma esposa encantadora, a Ester. Eles eram assim, uma espécie de casal 20!

Meus tempos de mestrado já se foram há muito. Depois disso larguei a Ciência por um período, trabalhei em escolas, faculdades, em uma empresa e agora estou aqui na USP. O meu contato com o casal cessou. Fora algumas mensagens enviadas pelo Orkut na época dos aniversários a gente pouco se falava. Eu só sabia que os dois haviam terminado o doutorado e mudado para os Estados Unidos, ambos como pós-docs. Pouco tempo atrás vejo uma atualização do orkut. Era um vídeo postado pelo Hélton que dizia: Esse vídeo é em agradecimento a Deus pela vida de Luísa Roffê Santiago. Fui lá assistir e o que vi alí mexeu muito comigo. Resumindo uma história bem longa, os dois tentavam ter um filho há bastante tempo, mas não conseguiam. Fizeram vários testes e descobriram que ambos apresentavam certas condições que praticamente impediria a vinda de uma criança pelos meios naturais. O que eu ainda não contei é que os dois são pessoas de fé. Mas de fé MESMO. E enfrentaram um processo extremamente doloroso de fertilização in vitro. Eles tinham 3 chances para conseguir o seu bebê. As duas primeiras tentativas não deram certo. Só restava mais uma. A pressão era enorme, o medo de tudo desandar era gigantesco. Mas antes da última tentativa a Luísa veio. De uma fecundação natural, sem interferência médica. Essa história é simplesmente maravilhosa e me fez ficar horas com tudo aquilo na cabeça. É algo que vale MUITO a pena ler e que faz a gente pensar sobre nossos próprios limites. É uma lição de vida! A história completa e detalhada, escrita pela Ester, está nesse endereço: http://rose_rj.e-familyblog.com/note/4653/hist%C3%B3ria-de-sucesso-ester-gravidez-natural.html. (Enxuga os olhinhos)

A Luísa é fofa! Agora ela ainda não tem noção dos pais maravilhosos, iluminados, admiráveis que tem. Mas ela é uma criança de sorte!

Abaixo o vídeo dela, que os pais fizeram, em agradecimento a Deus:



E para a Ester e o Hélton eu deixo um abraço enorme! Do tamanho do Mundo inteiro (e mais um pouquinho!). A história de vocês inspira esperança em cada um que a lê. E fica óbvio que desistir não é uma opção. Nunca!

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

The Corrs - Home

É preciso ser muito perceptivo para acertar na escolha de um presente. Não digo um presente legal, interessante, diferente. Estou falando de quando a gente ganha algo que realmente queria já há muito tempo. É preciso prestar atenção nas pequenas conversas, aquelas que revelam os desejozinhos secretos. É preciso saber o gosto do outro. É preciso ser alguém assim como a minha roomate! A moça acompanhou o meu falatório sobre os The Corrs, neste post AQUI, e cansou de me ouvir reclamar do fim da banda. Obviamente me escutou falando que eles gravaram um último CD, chamado Home, que os levava de volta à origem Irlandesa. E não é que eu ganhei o CD?!?!? Foi um presente de aniversário adiantado, que me deixou BEM feliz! Ainda mais que esse aniversário vai ser um pouco complicado, mas disso só falo quando o assunto for mesmo inevitável.

Bom, o CD é realmente maravilhoso. A banda toca músicas diferentes, até duas delas "em irlandês", escolhidas pela mãe deles. A que eu mais gostei foi essa daqui, que tem uma letra linda:



"Heart Like A Wheel"

Some say the heart is just like a wheel
When you bend it you can't mend it
And my love for you is like a sinking ship
My heart is on that ship out in mid-ocean

They say that death is a tragedy
It comes once and then it's over
But my one only wish is for that deep dark abyss
For what's the use of living with no true lover

And it's only love and it's only love
That can break a human being
and turn him inside out
That can break a human being
and turn him inside out

When harm is done no love can be won
I know it happens frequently
What I can't understand please
God hold my hand
Is why it should have happened to me

And it's only love and it's only love
That can break a human being
and turn him inside out
That can break a human being
and turn him inside out

Some say the heart is just like a wheel
When you bend it you can't mend it
And my love for you is like a sinking ship
My heart is on that ship out on mid-ocean
And it's only love and it's only love
And it's only love it is only love
And it's only love it is only love
And it's only love it is only love

Segue abaixo uma das músicas típicas irlandesas:


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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Álbum de viagem

Demorou, mas consegui fazer o upload das fotos da viagem que achei mais interessantes. Tá tudo aqui, no Flickr. Reparei que não tenho muitas fotos onde eu e minhas companheiras de viagem aparecemos. Acho que era tudo tão bonito que só isso já foi o suficiente. Mas abaixo seguem algumas dessas fotos raras!

Confraternização brasileira em Viena

Momento Turista - Viena

Eu e minha mini-porta! Me senti a própria "Coraline"! - Mosteiro no interior da Áustria

Solzinho para aguentar o frio da sala de palestras! - Islet Study Group Meeting, Steinschaler Dörfl, Áustria

Noite de apresentação de pôsters

Coffee Break e nós no sol!

Câmera que "mostra calor". Comentário da Letícia: "Nossa, como sua barriga é quente!" - Museu de História Natural, Viena

Momento Fome e a alegria de comer um donut! - Paris

Momento Turista II - Coliseu, Roma

Momento Turista III - Fontana di Trevi

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sábado, 24 de outubro de 2009

Enfim, Veneza!



Nossa última viagem de trem pela Europa nos levaria a Veneza. Demorava 4 horas, mas era o "trem rápido italiano". O casal que ia dividindo os assentos era Espanhol, mas entendiam bem o Português, porque falavam o "galego", que é algo mais próximo. Super simpáticos foram conversando, fazendo gracinhas, perguntando coisas. Eles desceram em Florença e nós seguimos. No vagão-restaurante encontramos 2 casais de brasileiros. Foi um tanto quanto diferente, pois eles estavam de férias em Roma e decidiram "passar o sábado em Veneza", mas voltariam pra Roma no mesmo dia. Gente, que viaja 4 horas ida e 4 horas volta pra visitar rapidinho uma cidade? Eles não aproveitariam quase nada! E o mais engraçado é que, ao chegarmos no nosso destino eles vieram dizer que não sabiam o que fazer alí e gostariam de dicas do que ver em Veneza. De novo: quem viaja 8 horas sem idéia do que quer ver do outro lado? Bom, seguimos da estação de trem para pegar o ônibus, ou melhor, o "water bus", conhecido como Vaporeto. O "ponto" do Vaporeto é uma estação sobre a água. E mexe. E sobe e desce. E eu passava mal. Carregar as malas pra dentro dos barquinhos também era outro processo complicado. Mas funcionou. A minha estada em Veneza foi um ponto altíssimo, não só nessa viagem mas também na minha vida profissional. O congresso que participei é o mais específico na minha área. É um congresso sobre transplante de órgãos e células para pacientes diabéticos, exatamente com o que trabalho. E foi tudo sensacional. Foram 5 dias em que eu tive a chance de encontrar pessoas do mundo inteiro que também trabalhavam com isso. Há dois anos eu leio artigos científicos sobre o tema e os pesquisadores mais brilhantes da minha área estavam lá. Todos eles! Era até empolgante! Aprendi muito. Relembrei várias coisas. Abri minha cabeça para novos rumos de pesquisa. Apresentei meu trabalho em 4 minutos cravados (sim, eu consegui, falando que nem uma metralhadora! Devo ter errado tudo no inglês!). Nunca antes, em um encontro científico, eu tinha me sentido assim tão certa do que eu faço. Estudar Diabetes, mais do que algo interessante, é um desafio apaixonante. Ainda tenho muito a fazer no meu doutorado. E tenho mais 2 anos para isso. Mas esse congresso foi uma injeção de ânimo! Conheci vários médicos, a maioria cirurgiões que fazem transplantes, que também são pesquisadores assim como eu. Porque médico fora do Brasil também faz pesquisa básica. Fiz alguns contatos, troquei cartões, ouvi diferentes opiniões e percebi que o grupo aqui da USP, do qual faço parte, não fica atrás em qualidade de trabalho frente a nenhum outro grupo. O próximo congresso é só daqui há dois anos. E, quem diria, será na cidade que eu mais tenho vontade de conhecer no mundo: Praga. Quase gritei de felicidade quando descobri! Até lá espero ter um trabalho muito mais rico do que já tenho agora.

Mas voltando para Veneza. É uma daquelas cidades em que é preciso estar por mais de um dia. Veneza é, basicamente, uma cidade musical. Não sei se porque o meu Hotel ficava ao lado da Praça São Marcos. Na praça, todas as noites, acontecem concertos simultâneos de música clássica. É a coisa mais maravilhosa do mundo! Você vai andando por aquela praça linda, com a Basílica de São Marcos e o Campanário ao fundo, e escuta aquele som perfeito, praticamente uma trilha sonora. Andar por Veneza é obrigatório! As vielas vão te levando. A cidade é um perfeito labirinto, e do nada, em uma virada de rua, descobre-se um lugar mais lindo que o anterior. Junte a isso as conversas que se ouve, aqui e ali, no idioma mais lindo do mundo, o italiano! Os bares e restaurantes são um espetáculo à parte, assim como as igrejas, que impressionam pela imponência. Em um dos dias, à noite, a direção do congresso nos preparou uma visita à Basílica de São Marcos, com guias exclusivos. Todo mundo deveria fazer visitas guiadas. O passeio triplica de importância. A basílica tem o chão completamente torto. São ondas no piso, podem acreditar! Isso porque Veneza não é exatamente o melhor lugar para se construir algo. Na verdade toda a cidade é meio torta. Visitamos, na basílica, o túmulo de São Marcos, entre tantas coisas interesssantes. No dia seguinte demos uma nova passadinha por lá, só pra conferir o interior da igreja com a luz do dia entrando pelas janelas, e não à luz de lampâdas. A entrada da igreja estava toda molhada! A maré subiu e alagou aquela parte. Em outro dia também visitamos o palácio do Doge ou Palazzo Ducale. Lindíssimo! Do palácio dá pra chegar até uma parte que era uma prisão. Vários presos condenados à morte ficavam nessas celas. E para chegar até lá atravessa-se uma ponte interna chamada Ponte do Suspiro.

Não visitamos tudo o que queríamos em Veneza. Faltaram igrejas, museus, praças, parques. Faltou uma passeio de gôndola (algo que eu não faria mesmo, porque é o "olho da cara" de tão caro). Mas tirei fotos de quem se aventurou em uma delas. Chegamos mesmo a ver, um dia, um cara cantando a plenos pulmão "Oh Sole Mío". Em muitos momentos de muita fome e pouco tempo para ver a cidade, as famosas pizzas italianas nos salvaram. Comprávamos e seguíamos a visita à cidade comendo pelo caminho mesmo. Sorvete então, nem se fala. Mesmo no frio que fazia por lá foi nosso companheiro diário! E por fim, os vinhos! Eu poderia me acostumar a tomar uma taça de vinho todos os dias, no jantar.

De todos os lugares que estive nessa grande viagem, Veneza foi, surpreendentemente, o que mais deixou saudade. Não porque seja melhor que Paris, Roma, Strasbourg ou Viena. Mas porque, além de termos passado mais dias por alí, foi muito significativo em termos profissionais também. Deixamos a cidade, rumo ao Brasil, numa sexta-feira, com um aperto no coração. E a certeza de que tudo que vivi ali valeu muito a pena. Assim como a Europa. Valeu cada centavo!

Detalhes das Gôndolas de Veneza

Parada do Vaporeto em frente à Piazza San Marco

Bom dia, Veneza!

Ponte Rialto

Um dos muitos cantinhos de Veneza

Pôr do sol

Entardecer

Piazza San Marco com Campanário e Palazzo Ducale em primeiro plano

"Ponto do Vaporeto"

Um dos inúmeros pequenos canais

Campanário e Basílica de San Marco ao fundo

Pedacinho da Piazza San Marco, entre o Palazzo Ducale e o Campanário

Relógio da Piazza San Marco

Foto tirada do alto do Campanário

Foto tirada do alto do Campanário

Pombos da Piazza San Marco

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Arrivederci Roma!



O meu segundo dia em Roma amanheceu em meio a uma tempestade medonha. Mas como o tempo se manteve bom durante toda a viagem, dessa vez não foi diferente. Saímos até bem arrumadinhas, com duas blusas de frio, de bota, cheirosinhas. Lá pro meio do dia estávamos como um husky siberiano no deserto do Saara.

O nosso roteiro incluía pegar várias vezes o ônibus que dava voltas e voltas por Roma. A primeira parada de hoje seria grandiosa: O Coliseu! E bota grandioso nisso. Porque o Coliseu é algo que todo mundo já ouviu falar, já viu em fotos, mas o Coliseu ao vivo é outra coisa. Já vi tanta gente dizer que ele nem é tãooo legal assim, é só um monte de pedra, etc e tal, que cheguei a acreditar que era só dar uma passadinha, tirar uma foto pra desencargo de consciência e pronto. O problema é que eu gosto de saber a história por trás das coisas. E o Coliseu é um prato cheio pra pessoas como eu! Pra mim não é só pedra, eu tentava imaginar direitinho tudo que tinha acontecido ali, todas as barbaridades que se desenrolaram naquele local em nome da "diversão e entretenimento" e por aí vai. De lá fomos ver o Forum Romano que também é sensacional. Além do local ser lindo e gigante, dá pra imaginar direitinho como era antes. Era tudo muito grandioso! Gastamos uma manhã inteira nesses dois pontos. Tiramos foto até o dedo doer. E ficamos ainda um bom tempo passeando pelos arredores. Infelizmente não tínhamos tempo de visitar outros museus, pois ainda tinha muita coisa interessantíssima pra ver e só mais algumas horas para tanto. Fomos então para La Bocca della Verità, ou a boca da verdade, que fica na parede em frente à Igreja Santa Maria in Cosmedin. Diz a lenda que se você colocar a mão na boca dessa escultura feita em mármore e contar uma mentirinha que seja, sua mão já era. A boca literalmente se fecha e arranca a mãozinha. Óbvio que existe uma fila pra tirar foto com a mãe na Boca da Verdade. E claro que tem que pagar. Tudo bem. Fui lá e tirei a foto, mas por via das dúvidas não pensei em nada. Dalí seguimos para a rua "chiquetésima" de Roma: Via Veneto. É verdade que vale o passeio, porque é tudo bonitinho, chiquezinho, com lojinhas super carinhas, mas é interessante ver a diferença dalí pro resto da cidade. Saindo de lá, nos perdemos várias vezes até chegar na Piazza di Spagna, onde conhecemos os famosos Spanish Steps. Não foi tão legal assim. Parecia feira de domingo: a coisa mais lotada do mundo! Saímos correndo dalí. Nossa próxima parada foi um dos locais que eu sempre quis conhecer: a Fontana di Trevi. Seja no filme "La Dolce Vita", ou até mesmo no ótimo "Elsa y Fred", a Fontana de Trevi aparece como um destaque. E na minha cabeça ficava a imagem daquele lugar ermo, onde se chega por uma ruazinha estreita, com uma fonte enorme de água azul. Como sempre, a imagem romântica da nossa cabeça nunca é exatamente como a realidade. A Fontana di Trevi também é entupida de gente! Enquanto eu e Letícia nos matávamos para tentar tirar uma foto da fonte, eu também tentava procurar um café que minha cunhada tanto falou. Ela me disse que alí ao lado estava a sorveteria que sempre ganha o prêmio de melhor sorvete de Roma. Mas encontrei 4 cafés. Todos vendiam sorvete. Escolhi um deles e pus na minha cabeça que devia ser o certo. E sem dúvida foi o melhor sorvete de Cereja que eu já tomei. Fomos então pro Pantheon. Ele estava aberto, mas uma missa estava sendo celebrada. A entrada só seria liberada as 18 horas. Consultamos o relógio, fizemos uns cálculos. Teríamos uns 5 minutos para entrar, ver tudo e sair desesperadas para pegar o último ônibus para voltar o hotel. E então seria o fim do nosso tour por Roma. O que nós não esperávamos era que uma multidão GIGANTE iria se formar ao nosso redor. Quando abriram as portas para o Pantheon, aquela massa humana começou a se mover, e eu gritava: Pelo amor de Deus Letícia, segue o fluxo e não cai, senão a gente morre pisoteada! Até gravei a cena com minha câmera! Desnecessário dizer que o Pantheon é lindo de morrer! E lá está a tumba de Rafael, que foi devidamente fotografada!

Roma foi assim, algo caliente nessa viagem! A zona de Roma é meio viciante. Deu uma saudade enorme deixar aquela cidade-museu pra trás. Mas Veneza nos esperava. E em Veneza o verdadeiro motivo da minha viagem. O Congresso que eu esperei por 2 anos! Mas isso só no próximo post.

Coliseu


Por dentro do Coliseu

Fórum Romano


La Bocca della Verità


Piazza di Spagna


Fontana di Trevi


Pouca gente na Fontana di Trevi


Pantheon

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ciao Roma!



Roma é uma zona! Verdade seja dita. A cidade é sim maravilhosa, praticamente um museu a céu aberto, cheia de locais que tiram o fôlego e que quase fazem a gente chorar de emoção. Mas isso não muda o fato de ser uma cidade muito, mas MUITO, "largadona". Não que isso seja ruim. Na verdade combina perfeitamente com o jeitão "caloroso" dos italianos!

Comecei a descobrir um tiquinho da Itália já no trem Paris-Roma. Como já comentei antes, viajaríamos numa cabine couchette, com 4 camas. Portanto, eu e a Letícia teríamos provavelmente outros dois vizinhos. Sabíamos que as camas de baixo viravam sofás. Sem dúvida era melhor viajar em baixo, porque pode-se sentar confortavelmente no sofá quando der vontade ou transformá-lo em cama se assim quiséssemos. Já quem viajava na cama de cima... sem comentários. Como nós somos garotas de sorte, no nosso bilhete já vinha especificado que viajaríamos em baixo. Chegamos com aquelas malas gigantescas ao vagão. Óbvio que os dois possíveis vizinhos de cabine eram bem reais e já estavam instalados. Era um casal de velhinhos. O senhor falava francês e pouquíssimo inglês. A senhora parecia ter algum problema, provavelmente Parkinson, e não falava quase nada. O marido vira pra gente e diz: "vamos ver como fazer com as camas... vocês preferem ir em cima ou em baixo? Porque a minha mulher não vai querer ir em cima". Olhei pra ele.. pensei: "ele sabe muito bem que comprou o ticket pra ir no alto, mas o que eu posso fazer? Obrigar os dois a subirem? E se a senhora passa mal?". Nos oferecemos para irmos empoleiradas e eles prontamente aceitaram. Sacanagem. O trem partiu as 19:00 e quando percebi que eles queriam deitar era assim umas 21:00. Fiquei meio desesperada. Só chegaríamos a Roma as 10:30 do dia seguinte! Não dava pra ir dormindo tantas horas seguidas! Resolvi apelar pro cara que toma conta do vagão. O cara era um italiano, que tinha passado mais cedo para conferir as nossas passagens e simplesmente sumiu com os nossos passaportes. Nos explicaram depois que o trem cortaria caminho pela Suíça, e lá os passaportes seriam apresentados, e depois nos devolveriam. Mas voltando ao italiano. Esse cara não era só italiano. Era a pessoa MAIS ITALIANA DO MUNDO! Cabelo, corpo, nariz, olhar, tudo batia com o estereótipo. Como disse a Letícia, se alguém procurasse pela palavra italiano no dicionário provavelmente teria uma foto dele lá! Encontrei com ele no corredor. Falei se não era possível trocarmos de cabine. Ele disse que não. Falei se pelo menos não dava pra gente ficar um tempo em outra, porque nossos amigos já estavam indo dormir e nós não queríamos ficar no poleiro e no escuro. Ele, na maior cara de pau italiana, inflou a bochecha, virou pra mim e apontou pra ela, o mesmo gesto que fazemos para uma criança quando pedimos um beijinho. Olhei aquilo sem acreditar. Falei: "Hum????". E ele apontou de novo a bochecha. Lasquei um beijo meio sem encostar e ele disse: "cabine oito!". Ficamos um tempo lá até a primeira parada quando o mesmo cara veio nos dizer que era hora de voltar pra cabine inicial. Sei não. Acho que não valeu o beijo. Voltamos e ficamos deitadas até as 8 da manhã do dia seguinte. Foi horrível! Meu corpo doía e os senhores em baixo não acordavam. Até promessa eu fiz para aquilo acabar logo!

O que importa é que chegamos a Roma. O MAIOR calor do mundo. Achei que era proibido fazer tanto calor assim na Europa. Encontramos o Hotel e uma senhora, que também não falava nada que não fosse italiano, pegou o passaporte da Letícia e disse que depois devolveria. E eu tentava perguntar: "mas porque o passaporte fica com você?" e ela dizia "só 10 minutos". Tentei me comunicar e ela perguntou em italiano se falávamos uma língua X, que nem me lembro mais. Fiz que não com a cabeça e ofereci todas as opções de línguas que a Letícia sabia: inglês, francês, alemão, espanhol, árabe, mandarim, esperanto, klingon... nada... parece que na Itália só se fala italiano e ponto final. Fomos pro quarto. Não parecia legal como o da foto. Tomamos banho e descemos. Outro cara na portaria. Um senhor gorducho super gracinha e animado que veio falando italiano. Disse que podíamos falar português que a gente se entenderia. Mas ele mesmo só falava a língua local. Perguntei sobre opções de tours pela cidade. Ele me mostrou um, explicou por uns 5 minutos as vantagens de comprar um passe de 48 horas, com o qual poderíamos pegar um ônibus sempre que quiséssemos e desceríamos próximo aos pontos turísticos. Compramos o tal do passe. Tudo isso em italiano, não se esqueçam. Já começava a me empolgar. Saí falando uns prego, grazie, arrivederci, buongiorno. Tudo isso com um sotaque inconfundível e gritado. Muito engraçado!

Fomos pegar o tal do ônibus. A mulher que recebia os passes me olhava e gritava PREGO! E eu, com medo, entrava no ônibus e ficava quietinha. Porque uma coisa que percebi em Roma é que as pessoas de lá se comunicam gritando. E quando discutem? É uma diversão só. Eles movimentam tanto as mãos que parecem mais regente de orquestra. E a entonação ao dizerem: MA CHE! Mas voltando ao tour, foi a nossa melhor opção, realmente. Ônibus rodavam pelos principais pontos turísticos o tempo todo. Podíamos descer onde quiséssemos e pegar os ônibus mais tarde. Era bem fácil se deslocar por lá.

Resolvemos ir primeiro ao Vaticano. Eu estava grudada no vidro, esperando o momento em que sairíamos de Roma e ingressaríamos na Cidade do Vaticano por um portão de ouro maciço, encrustado de anjos enfeitados de pedras preciosas, com a guarda suiça tomando conta dessa preciosidade, ao som de trombetas. Que nada. Do nada o ônibus parou e a mulher do tour grita "CITTÀ DEL VATICANO!". Eu pensei "como assim? cadê o portão? cadê o Papa?". Santa ingenuidade! Descemos e andamos até a praça São Pedro. Fomos entrando, em meio a uma enorme quantidade de gente, na basílica de São Pedro. Eu me sentia uma criminosa, por estar entrando assim, sem nenhuma solenidade prévia, num lugar tão importante. Chegamos lá e havia duas filas: tumbas e cúpula. Fomos nas tumbas. Do nada a gente desce, desce e chega num lugar onde ficam as tumbas dos Papas falecidos. A multidão falando sem parar e tirando foto de tudo. De repente chegamos num local onde o silêncio predominava. Era bem em frente à tumba de João Paulo II. Várias pessoas ajoelhadas e rezando. Bem impactante. Dalí seguimos para a basílica de São Pedro. É um dos lugares mais lindos que eu já estive. A Pietà está lá, maravilhosa! E a basílica é um absurdo de grande! Saímos de lá querendo achar o tal famoso museu do Vaticano. E quem disse que tem placa? Era um tal de rodar, entrar em fila errada, até que alguém nos disse que tinha que dar a volta na Igreja. Depois de muito andar debaixo daquele calor insuportável chegamos lá! 14 euros pra entrar. Nada santo esse precinho. Entramos e logo colocamos como meta visitar primeiro a Capela Sistina. E logo no começo tinha uma placa. Mas as placas na Itália deviam vir com quilometragem. A gente deve ter andado assim bem uns 20 minutos ininterruptos, num passo rápido. Isso porque a maior multidão de pessoas estava indo também e mesmo se não quiséssemos seríamos carregadas museu afora. Portanto, nesse andar rápido, passávamos por muitas capelas lindíssimas, corredores com tapetes maravilhosos, escadarias santas, mapas enoooormes. E a gente olhava tudo meio que rapidinho, com medo de sermos esmagadas pela massa de gente que seguia conosco, ensandecidos para chegarem à Capela Sistina. O que a gente rodou, subiu e desceu escada, foi e voltou, não tá no mapa! E as placas continuavam apontando o caminho pra Capela. Chegou um momento que eu achei que o Vaticano tava de gozação com a minha cara! Percebemos, tarde demais, que era praticamente impossível voltar, depois de chegarmos à capela, para rever as coisas que tínhamos só passado o olho. Era um caminho só de ida mesmo. De repente, a multidão à frente começava a ficar silenciosa. No alto de uma escadaria, as pessoas viravam à direita e o barulho terminava. "É lá!" pensei. E era. Enquanto eu subia os degraus fiquei lembrando o que tinha ouvido daquele local. Que era uma capelinha pequena, e no teto estava o famoso afresco de Michelangelo, do encontro do Homem com Deus. Quando eu entrei, me deparei com uma capela ENORME. Olhei pro teto e lá havia dezenas de afrescos. Era cor demais, gente demais, grandiosidade demais. Pensei: "não.. não pode ser isso". Mas era. Levamos uns bons momentos para distinguir onde o afresco mais famoso estava, em meio aos outros. Ele se perde lá no alto. Sentamos e ficamos olhando, admirando, com os pés doendo de tanto andar naquele labirinto. A Capela Sistina foi uma grande surpresa. Era em tudo diferente do que eu imaginava! Era linda, sem a menor dúvida, mas era até difícil se concentrar em uma coisa só. Pelas paredes laterais murais enormes pintados eram visíveis. O que me chamou a atenção e que eu mais gostei foi o "Julgamento Final". É impressionante! Lindo e assustador ao mesmo tempo. Ficamos um tempo mais por ali, mas tivemos que deixar aquele primor para trás logo, mesmo porque era tanta gente, que incomodava. Nessas horas devia haver um botãozinho que eliminasse as demais pessoas do lugar.

Dali paramos numa gelateria. Dos sorvetes italianos só digo que essa podia ser minha única fonte de alimentação pro resto da vida que eu viveria feliz! Seguimos a "ponte" que liga o Vaticano ao Castelo Sant'Angelo. Lá do alto do Castelo dá pra ver a cidade toda! Parecíamos turistas japoneses, de tanta foto que tiramos. Como já estava ficando tarde, resolvemos pegar o ônibus que nos deixaria no Hotel num ponte próximo a uma praça. Escolhemos a Piazza Navona, provavelmente a praça mais badalada de Roma. E ela é realmente linda! Lá estava o maior ritmo de festa. Barzinhos, restaurantes, muita música e... a Embaixada Brasileira! Ficamos por lá um tempo, aproveitando o clima ótimo com jeitão de Carnaval no Brasil e depois fomos embora. Nem é preciso dizer que desabamos na cama de tanto sono e cansaço acumulado por causa da viagem de trem bizarra, do calor equatorial que estava fazendo e das nossas andanças. Mas foi um dia inesquecível!

Praça São Pedro e Basílica de São Pedro

Eu e Letícia e a Basílica de São Pedro torta e faltando o topo

Praça São Pedro

Pietà de Michelangelo

Um pedacinho do interior da Basílica de São Pedro

Outro cantinho da basílica de São Pedro

Guarda Suíça do Vaticano

Museu do Vaticano - um dos muitos corredores lindíssimos

Teto da Capela Sistina (foto retirada da internet)

Julgamento Final - afresco na parede da Capela Sistina (foto retirada da internet)

Escada em espiral na saída do Museu do Vaticano

Castelo Sant'Angelo

Fonte na Piazza Navona

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domingo, 18 de outubro de 2009

Paris para dummies II



Acordei cedo pra tomar banho e enfrentar o aspirador de pó/secador de cabelo. O dia seria bem corrido. Começaríamos pelo Louvre, numa missão quase impossível de ver boa parte do museu em uma manhã! O Louvre! As pirâmides do Louvre! O LOUVRE! Esse pensamento era um tanto quanto arrebatador por si só. Mas hoje também seria o dia do Arco do Triunfo e da Torre Eiffel!

O Louvre é uma coisa impressionante! É gigante! Chegando lá pegamos um mapinha e fomos marcando as prioridades. Obviamente começaríamos pela parte mais conhecida do museu: a Grande Galeria. E tínhamos que ir rapidinho para não ter que disputar no tapa um espacinho em frente à MonaLisa. Subindo as escadas já nos deparamos com uma escultura linda e chamativa: a Vitória de Samotracia. Ao chegarmos na Grande Galeria parei um pouquinho pra admirar a vista. Esse era, possivelmente, o pedaço de Museu mais conhecido e visitado na Europa. Fiz uma busca mental de todas as coisas que eu sempre quis ver e que estavam em exposição ali. Logo logo reconheci alguns quadros do Leonardo da Vinci: La belle Ferronière, A Virgem das Rochas, São João Batista. É empolgante ver de perto um trabalho que a gente conhece só por livros a vida inteira. Em seguida fomos ver de perto a Mona Lisa. Não sei porque as pessoas tem a mania de dizer que a Mona Lisa é um quadro super pequeno. Não achei. É um quadro de tamanho comum, algo que poderia ser pendurado numa parede de uma casa. Acho que talvez por estar numa sala onde estão vários quadros enormes, do tamanho de uma parede grande, a Mona Lisa pareça ser menor. Mas ela é do tamanho que eu imaginava mesmo. Parei... olhei... perguntei "tá rindo do que?"... tentei tirar fotos, mas não ficou lá muito bom. Pensei: "sabia que eu vim lá do cafundó pra te ver?". Ela riu mais.. quer dizer.. não riu.. mas seria engraçado se risse. Dei tchauzinho, expliquei que tinha que ver outras coisas.. saí da sala entupida de gente. Segui pela Grande Galeria olhando agora tudo aquilo que eu nunca tinha ouvido falar antes. Tem muita coisa legal. Eu, particularmente, adorei um quadro que representa a vitória de David sobre Golias. Lá existem várias pinturas sobre esse tema. Mas um deles é simplesmente sensacional, porque precisa ser visto frente e verso. A pintura mostra os dois lados, como a cena seria vista por expectadores de cada lado da ação. Vimos ainda coleções de pintura francesa, espanhola, inglesa, do norte e ainda antiguidades medievais e egípcias. Passamos ainda pela Vênus de Milo, que é muito maior do que eu pensava, e terminamos nos aposentos de Napoleão. Tudo junto forma um quadro sensacional. Não há como não gostar do Louvre, definitivamente. Na saída passei pela pirâmide invertida e saí diretamente nos jardins ao redor do Museu.

Caminhamos pela Champs-Elysées. Só faltava a trilha sonora, porque essa avenida é igualzinha a tudo que a gente vê em filme mesmo. E ela te leva direto pro Arco do Triunfo! Lá tem o túmulo de um soldado desconhecido, que homenageia todos os soldados que morreram na Primeira Guerra Mundial. A chama que existe ao lado está sempre acesa. De lá pegamos o metrô e paramos bem perto da Torre Eiffel. Isso era óbvio pela quantidade de vendedores de chaveiros de miniaturas da Torre que nos importunavam. Novamente me senti como na Notre Dame de Paris. Quando a Torre Eiffel apareceu inteira, meu queixo quase caiu. Ela é muito bonita! Muito mais do que a gente pensa MESMO. E Paris se revela inteira lá do alto. Um absurdo de coisa linda! E sabe quando o dia está simplesmente pintado à mão? Bom, saí de lá já meio depressiva. Já eram 5:30 da tarde e todos os outros museus e locais que eu gostaria de visitar fechariam as 6:00. O único lugar aberto até as 9:00 era o Centro Georges Pompidou, que abriga coleções de arte moderna. Eu simplesmente odeio arte moderna. Mas fomos assim mesmo, afinal de contas era arte moderna em Paris. Entramos no metrô e, ao sair dele, vimos o edifício diferentão que abriga o centro. Ficamos meio que seguindo as pessoas para saber onde ir. Vi tudo o que pude, não entendi absolutamente nada, e quase morri de tanto rir de algumas coisas, que pra mim não tinham o menor cabimento. Quando saímos do museu, o lindo dia tinha sido substituído pela maior chuva do mundo! Chegamos ao Hotel com a roupa tão encharcada que dava mesmo pra torcer.

No dia seguinte arrumamos as malas, carregamos tudo pra estação de trem e saímos para aproveitar mais um restinho da cidade enquanto não chegava a hora da viagem. Resolvemos ir à igreja Saint Sulpice. Obviamente lembrando do "Código da Vinci" procurei a Linha Rosa no chão. E ela estava lá! E a visita valeu pela própria igreja, que é bem bonita. De lá fomos ao Museu de Arte Medieval, o Cluny. Esse é imperdível! Apesar de pequeno e não tão conhecido como muitas atrações de Paris, o Cluny abriga uma quantidade enorme de artefatos da Idade Média e, entre eles, estão 6 tapetes que representam os 5 sentidos e o desejo, conhecidos como "A Dama e o Unicórnio". A sala onde os tapetes estão expostos é isolada e escura. Isso dá um destaque impressionante aos desenhos, que são bem interessantes.

Finalmente voltamos à Estação. O trem que pegaríamos tinha cabines couchette, que são basicamente camas "amontoadas". Entramos no trem já morrendo de medo dos nossos possíveis "vizinhos de cabine" que estariam conosco nas próximas 16 horas até Roma! Mas este é um assunto pro próximo post!

Museu do Louvre


Vitória de Samotracia


Grande Galeria do Louvre


La Belle Ferronière, Leonardo da Vinci


Virgem das Rochas, Leonardo da Vinci


Mona Lisa, Leonardo da Vinci


O combate de David e Golias - "frente", Daniele Ricciarelli

O combate de David e Golias - "verso", Daniele Ricciarelli


A Jangada da Medusa, Théodore Géricault


Psique reanimada pelo beijo do Amor, Antonio Canova


Vénus de Milo


Pirâmide Invertida do Louvre


Arco do Triunfo


Túmulo do soldado desconhecido - Arco do Triunfo


Torre Eiffel


Vista do alto da Torre Eiffel - Louvre no centro


Vista do alto da Torre Eiffel - Arco do Triunfo no centro


Linha Rosa - Igreja de Saint Sulpice


A Dama e o Unicórnio - em exposição no Cluny

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