terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ciao Roma!



Roma é uma zona! Verdade seja dita. A cidade é sim maravilhosa, praticamente um museu a céu aberto, cheia de locais que tiram o fôlego e que quase fazem a gente chorar de emoção. Mas isso não muda o fato de ser uma cidade muito, mas MUITO, "largadona". Não que isso seja ruim. Na verdade combina perfeitamente com o jeitão "caloroso" dos italianos!

Comecei a descobrir um tiquinho da Itália já no trem Paris-Roma. Como já comentei antes, viajaríamos numa cabine couchette, com 4 camas. Portanto, eu e a Letícia teríamos provavelmente outros dois vizinhos. Sabíamos que as camas de baixo viravam sofás. Sem dúvida era melhor viajar em baixo, porque pode-se sentar confortavelmente no sofá quando der vontade ou transformá-lo em cama se assim quiséssemos. Já quem viajava na cama de cima... sem comentários. Como nós somos garotas de sorte, no nosso bilhete já vinha especificado que viajaríamos em baixo. Chegamos com aquelas malas gigantescas ao vagão. Óbvio que os dois possíveis vizinhos de cabine eram bem reais e já estavam instalados. Era um casal de velhinhos. O senhor falava francês e pouquíssimo inglês. A senhora parecia ter algum problema, provavelmente Parkinson, e não falava quase nada. O marido vira pra gente e diz: "vamos ver como fazer com as camas... vocês preferem ir em cima ou em baixo? Porque a minha mulher não vai querer ir em cima". Olhei pra ele.. pensei: "ele sabe muito bem que comprou o ticket pra ir no alto, mas o que eu posso fazer? Obrigar os dois a subirem? E se a senhora passa mal?". Nos oferecemos para irmos empoleiradas e eles prontamente aceitaram. Sacanagem. O trem partiu as 19:00 e quando percebi que eles queriam deitar era assim umas 21:00. Fiquei meio desesperada. Só chegaríamos a Roma as 10:30 do dia seguinte! Não dava pra ir dormindo tantas horas seguidas! Resolvi apelar pro cara que toma conta do vagão. O cara era um italiano, que tinha passado mais cedo para conferir as nossas passagens e simplesmente sumiu com os nossos passaportes. Nos explicaram depois que o trem cortaria caminho pela Suíça, e lá os passaportes seriam apresentados, e depois nos devolveriam. Mas voltando ao italiano. Esse cara não era só italiano. Era a pessoa MAIS ITALIANA DO MUNDO! Cabelo, corpo, nariz, olhar, tudo batia com o estereótipo. Como disse a Letícia, se alguém procurasse pela palavra italiano no dicionário provavelmente teria uma foto dele lá! Encontrei com ele no corredor. Falei se não era possível trocarmos de cabine. Ele disse que não. Falei se pelo menos não dava pra gente ficar um tempo em outra, porque nossos amigos já estavam indo dormir e nós não queríamos ficar no poleiro e no escuro. Ele, na maior cara de pau italiana, inflou a bochecha, virou pra mim e apontou pra ela, o mesmo gesto que fazemos para uma criança quando pedimos um beijinho. Olhei aquilo sem acreditar. Falei: "Hum????". E ele apontou de novo a bochecha. Lasquei um beijo meio sem encostar e ele disse: "cabine oito!". Ficamos um tempo lá até a primeira parada quando o mesmo cara veio nos dizer que era hora de voltar pra cabine inicial. Sei não. Acho que não valeu o beijo. Voltamos e ficamos deitadas até as 8 da manhã do dia seguinte. Foi horrível! Meu corpo doía e os senhores em baixo não acordavam. Até promessa eu fiz para aquilo acabar logo!

O que importa é que chegamos a Roma. O MAIOR calor do mundo. Achei que era proibido fazer tanto calor assim na Europa. Encontramos o Hotel e uma senhora, que também não falava nada que não fosse italiano, pegou o passaporte da Letícia e disse que depois devolveria. E eu tentava perguntar: "mas porque o passaporte fica com você?" e ela dizia "só 10 minutos". Tentei me comunicar e ela perguntou em italiano se falávamos uma língua X, que nem me lembro mais. Fiz que não com a cabeça e ofereci todas as opções de línguas que a Letícia sabia: inglês, francês, alemão, espanhol, árabe, mandarim, esperanto, klingon... nada... parece que na Itália só se fala italiano e ponto final. Fomos pro quarto. Não parecia legal como o da foto. Tomamos banho e descemos. Outro cara na portaria. Um senhor gorducho super gracinha e animado que veio falando italiano. Disse que podíamos falar português que a gente se entenderia. Mas ele mesmo só falava a língua local. Perguntei sobre opções de tours pela cidade. Ele me mostrou um, explicou por uns 5 minutos as vantagens de comprar um passe de 48 horas, com o qual poderíamos pegar um ônibus sempre que quiséssemos e desceríamos próximo aos pontos turísticos. Compramos o tal do passe. Tudo isso em italiano, não se esqueçam. Já começava a me empolgar. Saí falando uns prego, grazie, arrivederci, buongiorno. Tudo isso com um sotaque inconfundível e gritado. Muito engraçado!

Fomos pegar o tal do ônibus. A mulher que recebia os passes me olhava e gritava PREGO! E eu, com medo, entrava no ônibus e ficava quietinha. Porque uma coisa que percebi em Roma é que as pessoas de lá se comunicam gritando. E quando discutem? É uma diversão só. Eles movimentam tanto as mãos que parecem mais regente de orquestra. E a entonação ao dizerem: MA CHE! Mas voltando ao tour, foi a nossa melhor opção, realmente. Ônibus rodavam pelos principais pontos turísticos o tempo todo. Podíamos descer onde quiséssemos e pegar os ônibus mais tarde. Era bem fácil se deslocar por lá.

Resolvemos ir primeiro ao Vaticano. Eu estava grudada no vidro, esperando o momento em que sairíamos de Roma e ingressaríamos na Cidade do Vaticano por um portão de ouro maciço, encrustado de anjos enfeitados de pedras preciosas, com a guarda suiça tomando conta dessa preciosidade, ao som de trombetas. Que nada. Do nada o ônibus parou e a mulher do tour grita "CITTÀ DEL VATICANO!". Eu pensei "como assim? cadê o portão? cadê o Papa?". Santa ingenuidade! Descemos e andamos até a praça São Pedro. Fomos entrando, em meio a uma enorme quantidade de gente, na basílica de São Pedro. Eu me sentia uma criminosa, por estar entrando assim, sem nenhuma solenidade prévia, num lugar tão importante. Chegamos lá e havia duas filas: tumbas e cúpula. Fomos nas tumbas. Do nada a gente desce, desce e chega num lugar onde ficam as tumbas dos Papas falecidos. A multidão falando sem parar e tirando foto de tudo. De repente chegamos num local onde o silêncio predominava. Era bem em frente à tumba de João Paulo II. Várias pessoas ajoelhadas e rezando. Bem impactante. Dalí seguimos para a basílica de São Pedro. É um dos lugares mais lindos que eu já estive. A Pietà está lá, maravilhosa! E a basílica é um absurdo de grande! Saímos de lá querendo achar o tal famoso museu do Vaticano. E quem disse que tem placa? Era um tal de rodar, entrar em fila errada, até que alguém nos disse que tinha que dar a volta na Igreja. Depois de muito andar debaixo daquele calor insuportável chegamos lá! 14 euros pra entrar. Nada santo esse precinho. Entramos e logo colocamos como meta visitar primeiro a Capela Sistina. E logo no começo tinha uma placa. Mas as placas na Itália deviam vir com quilometragem. A gente deve ter andado assim bem uns 20 minutos ininterruptos, num passo rápido. Isso porque a maior multidão de pessoas estava indo também e mesmo se não quiséssemos seríamos carregadas museu afora. Portanto, nesse andar rápido, passávamos por muitas capelas lindíssimas, corredores com tapetes maravilhosos, escadarias santas, mapas enoooormes. E a gente olhava tudo meio que rapidinho, com medo de sermos esmagadas pela massa de gente que seguia conosco, ensandecidos para chegarem à Capela Sistina. O que a gente rodou, subiu e desceu escada, foi e voltou, não tá no mapa! E as placas continuavam apontando o caminho pra Capela. Chegou um momento que eu achei que o Vaticano tava de gozação com a minha cara! Percebemos, tarde demais, que era praticamente impossível voltar, depois de chegarmos à capela, para rever as coisas que tínhamos só passado o olho. Era um caminho só de ida mesmo. De repente, a multidão à frente começava a ficar silenciosa. No alto de uma escadaria, as pessoas viravam à direita e o barulho terminava. "É lá!" pensei. E era. Enquanto eu subia os degraus fiquei lembrando o que tinha ouvido daquele local. Que era uma capelinha pequena, e no teto estava o famoso afresco de Michelangelo, do encontro do Homem com Deus. Quando eu entrei, me deparei com uma capela ENORME. Olhei pro teto e lá havia dezenas de afrescos. Era cor demais, gente demais, grandiosidade demais. Pensei: "não.. não pode ser isso". Mas era. Levamos uns bons momentos para distinguir onde o afresco mais famoso estava, em meio aos outros. Ele se perde lá no alto. Sentamos e ficamos olhando, admirando, com os pés doendo de tanto andar naquele labirinto. A Capela Sistina foi uma grande surpresa. Era em tudo diferente do que eu imaginava! Era linda, sem a menor dúvida, mas era até difícil se concentrar em uma coisa só. Pelas paredes laterais murais enormes pintados eram visíveis. O que me chamou a atenção e que eu mais gostei foi o "Julgamento Final". É impressionante! Lindo e assustador ao mesmo tempo. Ficamos um tempo mais por ali, mas tivemos que deixar aquele primor para trás logo, mesmo porque era tanta gente, que incomodava. Nessas horas devia haver um botãozinho que eliminasse as demais pessoas do lugar.

Dali paramos numa gelateria. Dos sorvetes italianos só digo que essa podia ser minha única fonte de alimentação pro resto da vida que eu viveria feliz! Seguimos a "ponte" que liga o Vaticano ao Castelo Sant'Angelo. Lá do alto do Castelo dá pra ver a cidade toda! Parecíamos turistas japoneses, de tanta foto que tiramos. Como já estava ficando tarde, resolvemos pegar o ônibus que nos deixaria no Hotel num ponte próximo a uma praça. Escolhemos a Piazza Navona, provavelmente a praça mais badalada de Roma. E ela é realmente linda! Lá estava o maior ritmo de festa. Barzinhos, restaurantes, muita música e... a Embaixada Brasileira! Ficamos por lá um tempo, aproveitando o clima ótimo com jeitão de Carnaval no Brasil e depois fomos embora. Nem é preciso dizer que desabamos na cama de tanto sono e cansaço acumulado por causa da viagem de trem bizarra, do calor equatorial que estava fazendo e das nossas andanças. Mas foi um dia inesquecível!

Praça São Pedro e Basílica de São Pedro

Eu e Letícia e a Basílica de São Pedro torta e faltando o topo

Praça São Pedro

Pietà de Michelangelo

Um pedacinho do interior da Basílica de São Pedro

Outro cantinho da basílica de São Pedro

Guarda Suíça do Vaticano

Museu do Vaticano - um dos muitos corredores lindíssimos

Teto da Capela Sistina (foto retirada da internet)

Julgamento Final - afresco na parede da Capela Sistina (foto retirada da internet)

Escada em espiral na saída do Museu do Vaticano

Castelo Sant'Angelo

Fonte na Piazza Navona

7 comentários:

Luciana disse... [Responder comentário]

Ufa! Consegui chegar ao fim da viagem... cansei junto...rs. Adorei tudo, Ana! Obrigada por partilhar essa preciosidade.

Bjos

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

Ahhhhh! Tô até com vergonha do tanto que eu escrevo! E ainda falta terminar de contar de Roma e falar de Veneza!

Eduardo Loureiro Jr. disse... [Responder comentário]

Ana, fiquei aqui refazendo minha própria viagem no seu relato. Roma tem seus encantos.

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

Ahh Eduardo, você que é encantado! (ainda não esqueci da "prosa encantadora"!)

Amy and Angela disse... [Responder comentário]

It seems like the people are just as interesting as the monuments! Beautiful pictures. I loved looking at your Paris pictures!!! It made me want to hop on a plane and visit....NOW!.

~amy

Gislene disse... [Responder comentário]

OI, ANA!
NÃO DEIXE DE DAR UMA PASSADINHA NO MEU BLOG AMANHÃ. TEM UM MIMO PRA VOCÊ!
BEIJOS,
GISLENE.

Vini disse... [Responder comentário]

Meldels... Muito linda as fotos *-*


E que comédia vocês na Itália... Meldels kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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