sábado, 24 de outubro de 2009

Enfim, Veneza!



Nossa última viagem de trem pela Europa nos levaria a Veneza. Demorava 4 horas, mas era o "trem rápido italiano". O casal que ia dividindo os assentos era Espanhol, mas entendiam bem o Português, porque falavam o "galego", que é algo mais próximo. Super simpáticos foram conversando, fazendo gracinhas, perguntando coisas. Eles desceram em Florença e nós seguimos. No vagão-restaurante encontramos 2 casais de brasileiros. Foi um tanto quanto diferente, pois eles estavam de férias em Roma e decidiram "passar o sábado em Veneza", mas voltariam pra Roma no mesmo dia. Gente, que viaja 4 horas ida e 4 horas volta pra visitar rapidinho uma cidade? Eles não aproveitariam quase nada! E o mais engraçado é que, ao chegarmos no nosso destino eles vieram dizer que não sabiam o que fazer alí e gostariam de dicas do que ver em Veneza. De novo: quem viaja 8 horas sem idéia do que quer ver do outro lado? Bom, seguimos da estação de trem para pegar o ônibus, ou melhor, o "water bus", conhecido como Vaporeto. O "ponto" do Vaporeto é uma estação sobre a água. E mexe. E sobe e desce. E eu passava mal. Carregar as malas pra dentro dos barquinhos também era outro processo complicado. Mas funcionou. A minha estada em Veneza foi um ponto altíssimo, não só nessa viagem mas também na minha vida profissional. O congresso que participei é o mais específico na minha área. É um congresso sobre transplante de órgãos e células para pacientes diabéticos, exatamente com o que trabalho. E foi tudo sensacional. Foram 5 dias em que eu tive a chance de encontrar pessoas do mundo inteiro que também trabalhavam com isso. Há dois anos eu leio artigos científicos sobre o tema e os pesquisadores mais brilhantes da minha área estavam lá. Todos eles! Era até empolgante! Aprendi muito. Relembrei várias coisas. Abri minha cabeça para novos rumos de pesquisa. Apresentei meu trabalho em 4 minutos cravados (sim, eu consegui, falando que nem uma metralhadora! Devo ter errado tudo no inglês!). Nunca antes, em um encontro científico, eu tinha me sentido assim tão certa do que eu faço. Estudar Diabetes, mais do que algo interessante, é um desafio apaixonante. Ainda tenho muito a fazer no meu doutorado. E tenho mais 2 anos para isso. Mas esse congresso foi uma injeção de ânimo! Conheci vários médicos, a maioria cirurgiões que fazem transplantes, que também são pesquisadores assim como eu. Porque médico fora do Brasil também faz pesquisa básica. Fiz alguns contatos, troquei cartões, ouvi diferentes opiniões e percebi que o grupo aqui da USP, do qual faço parte, não fica atrás em qualidade de trabalho frente a nenhum outro grupo. O próximo congresso é só daqui há dois anos. E, quem diria, será na cidade que eu mais tenho vontade de conhecer no mundo: Praga. Quase gritei de felicidade quando descobri! Até lá espero ter um trabalho muito mais rico do que já tenho agora.

Mas voltando para Veneza. É uma daquelas cidades em que é preciso estar por mais de um dia. Veneza é, basicamente, uma cidade musical. Não sei se porque o meu Hotel ficava ao lado da Praça São Marcos. Na praça, todas as noites, acontecem concertos simultâneos de música clássica. É a coisa mais maravilhosa do mundo! Você vai andando por aquela praça linda, com a Basílica de São Marcos e o Campanário ao fundo, e escuta aquele som perfeito, praticamente uma trilha sonora. Andar por Veneza é obrigatório! As vielas vão te levando. A cidade é um perfeito labirinto, e do nada, em uma virada de rua, descobre-se um lugar mais lindo que o anterior. Junte a isso as conversas que se ouve, aqui e ali, no idioma mais lindo do mundo, o italiano! Os bares e restaurantes são um espetáculo à parte, assim como as igrejas, que impressionam pela imponência. Em um dos dias, à noite, a direção do congresso nos preparou uma visita à Basílica de São Marcos, com guias exclusivos. Todo mundo deveria fazer visitas guiadas. O passeio triplica de importância. A basílica tem o chão completamente torto. São ondas no piso, podem acreditar! Isso porque Veneza não é exatamente o melhor lugar para se construir algo. Na verdade toda a cidade é meio torta. Visitamos, na basílica, o túmulo de São Marcos, entre tantas coisas interesssantes. No dia seguinte demos uma nova passadinha por lá, só pra conferir o interior da igreja com a luz do dia entrando pelas janelas, e não à luz de lampâdas. A entrada da igreja estava toda molhada! A maré subiu e alagou aquela parte. Em outro dia também visitamos o palácio do Doge ou Palazzo Ducale. Lindíssimo! Do palácio dá pra chegar até uma parte que era uma prisão. Vários presos condenados à morte ficavam nessas celas. E para chegar até lá atravessa-se uma ponte interna chamada Ponte do Suspiro.

Não visitamos tudo o que queríamos em Veneza. Faltaram igrejas, museus, praças, parques. Faltou uma passeio de gôndola (algo que eu não faria mesmo, porque é o "olho da cara" de tão caro). Mas tirei fotos de quem se aventurou em uma delas. Chegamos mesmo a ver, um dia, um cara cantando a plenos pulmão "Oh Sole Mío". Em muitos momentos de muita fome e pouco tempo para ver a cidade, as famosas pizzas italianas nos salvaram. Comprávamos e seguíamos a visita à cidade comendo pelo caminho mesmo. Sorvete então, nem se fala. Mesmo no frio que fazia por lá foi nosso companheiro diário! E por fim, os vinhos! Eu poderia me acostumar a tomar uma taça de vinho todos os dias, no jantar.

De todos os lugares que estive nessa grande viagem, Veneza foi, surpreendentemente, o que mais deixou saudade. Não porque seja melhor que Paris, Roma, Strasbourg ou Viena. Mas porque, além de termos passado mais dias por alí, foi muito significativo em termos profissionais também. Deixamos a cidade, rumo ao Brasil, numa sexta-feira, com um aperto no coração. E a certeza de que tudo que vivi ali valeu muito a pena. Assim como a Europa. Valeu cada centavo!

Detalhes das Gôndolas de Veneza

Parada do Vaporeto em frente à Piazza San Marco

Bom dia, Veneza!

Ponte Rialto

Um dos muitos cantinhos de Veneza

Pôr do sol

Entardecer

Piazza San Marco com Campanário e Palazzo Ducale em primeiro plano

"Ponto do Vaporeto"

Um dos inúmeros pequenos canais

Campanário e Basílica de San Marco ao fundo

Pedacinho da Piazza San Marco, entre o Palazzo Ducale e o Campanário

Relógio da Piazza San Marco

Foto tirada do alto do Campanário

Foto tirada do alto do Campanário

Pombos da Piazza San Marco

2 comentários:

Marly disse... [Responder comentário]

Menina, vc me deixou com água na boca e nos olhos, de ver tanta beleza, principalmente pq dia 09 de junho estarei indo pra Europa e lá pelo dia 15 + ou - estarei em Veneza. Já pude perceber e sentir a emoção que me aguarda. Obrigada por essa presente.
Marly (marlyvei@gmail.com)

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

Boa sorte, Marly! E sem dúvida alguma vc também vai se apaixonar por essa cidade incrível! Aproveite! Um abraço!

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