segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Enquanto isso, na gaiola

Enquanto eu trabalho com ratinhos e camundongos de laboratório, sempre imagino o que eles podem estar pensando...

"_ Ô Zé, pode ir acordando aí.. lá vem o gigante de novo...
_ Quê? Mas meu Deus do Céu... hoje é domingo! Mas nem domingo ele dá folga?
_ Calma Zé, cê sabe que é rapidinho. Sempre é. Ele vem aqui, cutuca a gente de um lado, cutuca do outro, puxa o nosso rabo, dá uma espetadinha, coça nosso cangote, coloca a gente na balança, coisa rápida.
_ Rápida? Mas como você é conformado, hein! Pois ninguém vem aqui e me cutuca e fica por isso mesmo, não. Hoje ele me paga. Vou lascar uma dentada naquele dedão dele. Ele vai ver só...
_ Zé, Zé, olha a pressão alta. Você é diabético e não pode se dar ao luxo desses pitís, olhe lá. Se o gigante te vê assim alterado vai achar que tem algo de errado e você vai ficar doidão de morfina.
_ Morfina? Ah, mas é muita folga mesmo. E a liberdade? E o livre-arbítrio? Pois eu cansei, Tião. Cansei dessa vidinha besta de gaiola. Cansei desse ambiente de luz controlada. Cansei desse monte de vizinho pamonha, feliz de receber ração e água. Pois é hoje que eu fujo!
_ Zé... mas pra que tanto ódio no coração? Eu até gosto do gigante. Ele vem, faz o que tem que fazer, mas também faz cosquinha na nossa orelha, canta pra gente, lembra que semana passada ele falou que eu era o camundongo mais lindo do mundo? Me chama sempre de lindão!
_ Tião! Seu traidor! O gigante é o inimigo! Ele pode me chamar de Xuxuzinho todo dia que entra por um ouvido e sai pelo outro. Palavras pra iludir a gente aqui! E você caiu nessa, seu besta! Você é um jacu mesmo, toda vez que ele troca a palha da gaiola por uma nova você fica assim meio bocó, meio emotivo.
_ Não é assim também, né, Zé... ele é um gigante bom...ele até pôs algodão pra gente se esquentar no inverno. E o tubo de PVC que você tanto gostou? Que eu me lembre você passou dias brincando de esconde-esconde ali dentro.
_ Vendido, Tião... é isso que você é! Um vendido! Já se bandeou pro lado de lá! Pois hoje eu vou fugir. Vou pro mundo, que lá é o lugar certo pra um camundongo genial como eu! E ai dele se ficar no meu caminho! Ai dele se tentar me segurar, ai dele se... se... se....... aquilo ali é algodão, Tião??
_ É sim, Zé. Algodão e um daqueles labirintos pra gente correr dentro!
_ Bom, então... eu acho que posso esperar mais um dia antes de ir embora, né, Tião?
_ Claro, Zé, claro! É só ficar quietinho que o gigante já já acaba o que veio fazer e vai embora...
_ Tá.. mas você sabe que eu faço esse esforço por você... mas amanhã.... ahhh.. de amanhã não passa!"

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sábado, 26 de dezembro de 2009

Síndrome de abstinência

Eu já comentei AQUI sobre como me sinto em relação às séries de TV. Pois não é que hoje eu vejo que já lançaram um vídeo teaser chamando a atenção de todo mundo para a estréia da ÚLTIMA temporada de LOST! snif snif snif! Nem vou conseguir dormir!


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A ogra natalina

É algo evolutivo. A gente não consegue se controlar frente à abundância de comida boa. Porque antigamente, lá na época das cavernas, acumular gordura era uma forma de se manter vivo, vencer o inverno rigoroso e a escassez de alimento, sobreviver. Já hoje... a gente se mata de dieta, reza, superstição doida para tentar manter a forma e nada. Não adianta. O nosso instinto básico de gordo ancestral nos impele a comer mais.. e sempre.. inevitavelmente. Imaginem uma picanha. Uma picanha bem graúda. Uma picanha bem fofinha. Uma picanha no ponto certo. É claro que a boca enche de água. Pois então. Instinto. Agora pensem num feijão tropeiro maravilhoso, como torresminho, linguiça, ovo. Uma costelinha bem temperada. Uma bisteca. Uma farofa das boas. Eu já babei no computador. Não é a tôa que somos gordas mulheres descontroladas. Mas, esse tipo de comida boa, essa tentação dos infernos, só acontece de vez em quando. No geral a gente se contem e come a saladinha, faz a malhação nossa de cada dia, se sente no controle de tudo. Isso até que funciona. Pena que existe dezembro. E o Natal. E o Ano Novo. E as festas de fim de ano. Porque aí, caro leitor, não há controle que dure. É um fato que todos comemos como porcos muito nessa época. Mas como eu ando comendo desde que cheguei em Minas, não há desculpa!

Sim, eu escrevi esse monte de coisas acima só pra introduzir a minha gula natalina. Eu sei que fiquei enrolando pra entrar logo na conversa, mas foi uma forma de eu me sentir menos culpada pela comilança. Pensei que se todos vocês também se sentissem um pouquinho gordos tocados, eu não seria a única com peso na consciência por aqui. Perdoem o golpe baixo, mas é que eu não consigo mais me controlar. Acabei de voltar de um jantar em família, com tanta comida boa e variada, que eu comecei a ficar com vergonha do número de vezes que levantei da mesa para encher o meu prato. Em um determinado momento eu comecei a pensar que era uma ogra. Só de ver alguém comendo algo que eu ainda não tinha visto eu começava a ter problemas em prestar atenção na conversa. Era algo so tipo: "Ahn, quer dizer então que você (opa, preciso pegar esse frango com catupiry que está com uma cara ótima) trabalha em hospital (hmmm, tem comida japonesa e ninguém me avisou?), portanto não vai ter folga (oba oba, tem picanha!) no Reveillon (eu babei?? BABEI????)?". Sim, eu devo ser bipolar. Uma parte de mim é dominada pela comida. Eu até economizo na bebida para comer mais! E o pior, eu posso estar entupida, lotada, completamente abarrotada de tanto comer que, se tiver sobremesa, eu encaro. Como diz minha amiga, o compartimento pra doce é diferente!

E Janeiro, como sempre, vai começar com depressão pós comilança!

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A casa da chuva

E hoje eu vim pra Minas! A viagem foi ótima, longa, mas cheia de surpresas. Nunca voei em um céu tão azul, tão cheio de nuvens, tão claro! No meio da viagem o avião passou do lado de uma nuvem GIGANTE. E, assim do nada, a nuvem começou a chover. Eu olhava pro alto e tava sol. Eu olhava pro lado e a nuvem gigante chovia! Eu olhava pra baixo e via a paisagem mineira cheia de morros. E começou a sair raio da nuvem. A poucos metros da gente ela chovia e jogava raio pra todo canto. E a gente lá, de espectador. Eu só pensei: então é assim que começa a chover? Porque a visão de baixo, meus amigos, é outra coisa. Aquela nuvem estava ali a pouquíssimos metros. Contornamos e fomos embora. Metade do avião tinha ido pra janela ver o "evento". E não caiu uma gota de chuva sequer na gente!

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sábado, 19 de dezembro de 2009

Ladrão de corações e almas e memórias

"Olhando para trás, suponho que parece óbvio, mas no princípio achei que a confusão dela era compreensível e normal. Começava por esquecer onde pusera as chaves, mas quem não o esquece? Esquecia-se do nome de um vizinho, mas não de alguém que conhecíamos bem ou com quem socializávamos. Às vezes ela escrevia o ano errado quando passava os cheques, mas de novo o punha de parte como um simples erro que se faz quando se está a pensar noutras coisas.
Não foi senão quando os acontecimentos mais óbvios começaram a ocorrer que comecei a suspeitar do pior. Um ferro de engomar no frigorífico, roupas na máquina da louça, livros no forno. Outras coisas também. Mas no dia em que a descobri no carro três quarteirões mais abaixo a chorar sobre o volante porque não conseguia encontrar o caminho para casa, foi o primeiro dia em que fiquei verdadeiramente assustado. E ela também estava assustada, porque quando bati na janela, virou-se para mim e disse, "Meu Deus, o que é que me está a acontecer? Por favor ajuda-me." Senti um nó no estômago, mas não ousei pensar o pior.

Seis dias mais tarde o médico viu-a e começou uma série de exames. Não os entendia então e não os compreendo agora, mas suponho que seja porque tenho medo de perceber. Demorou quase uma hora com o Dr. Barnwell, e voltou lá no dia seguinte. Esse dia foi o mais longo que alguma vez passei. Folheei revistas que não conseguia ler e joguei jogos em que não pensava. Por fim ele chamou-nos aos dois ao consultório e mandou-nos sentar. Ela dava-me o braço com confiança, mas recordo claramente que as minhas próprias mãos estavam a tremer.
- Lamento muito ter que vos dizer isto - começou o Dr. Barnwell -, mas parece que está nos primeiros estágios da doença de Alzheimer...
A minha mente ficou em branco, e tudo o que podia pensar era na luz que brilhava por cima das nossas cabeças. As palavras ecoavam-me na cabeça: os primeiros estágios da doença de Alzheimer..
O mundo rodava em círculos, e sentia o braço dela tenso a apertar o meu. Ela sussurrou quase para si própria: "Oh, Noah... Noah ... "
E quando as lágrimas começaram a cair, a palavra veio até mim outra vez: ... Alzheimer...
É uma doença estéril, tão vazia e sem vida como um deserto. É um ladrão de corações e almas e memórias. Não sabia o que lhe dizer enquanto ela me soluçava sobre o peito, por isso apenas a abracei e embalei para trás e para diante."

O Diário da Nossa Paixão - Nicholas Spark

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Diário de uma Paixão (The Notebook) é um filme baseado nesse livro. Como já citei AQUI, é um dos meus filmes preferidos.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Promessas de ano novo

Dezembro é sempre angustiante. Não existe mês que coloque mais pressão sobre mim. Em todos os sentidos! É porque as férias estão chegando e eu preciso deixar tudo em ordem no trabalho, para não ficar o tempo todo me remoendo de lembranças de coisas não feitas. Também porque oficialmente, pelo calendário, o ano ficou velho e será descartado em breve, portanto dá uma nostalgia estranha. O novo ano que está logo ali na esquina me deixa um pouco desconcertada. Mas antes de chegar nele ainda tem a suposta alegria do Natal e a explosão do Réveillon. Nunca gostei da comemoração de nenhuma das duas datas. Os Natais são muito cheios de emoções exacerbadas. Ou deveriam ser. Porque eu não consigo me sentir assim... me sinto na verdade triste por não conseguir me sentir assim. E o Réveillon então... acho que nunca passei um realmente bom. Sempre aquela coisa de última hora, muitas vezes desconfortável. A sensação é a de que nunca aproveitei a noite da forma que todo mundo aproveita.

Mas o motivo que eu considero o principal nesse mal estar de fim de ano, ou melhor, na incapacidade de me sentir parte da alegria/harmonia mundial, são mesmo os desejos que a gente "deveria" ter pro ano novo. Essa é a parte mais angustiante. Porque eu não sei o que prometer pro próximo ano. E não quero deixar de prometer algo pra mim mesma. Então eu sempre termino me prometendo a mesma coisa. Sempre. Basicamente eu prometo tentar seguir o que é importante pra mim. Fazer as escolhas certas, e isso quer dizer escolher de forma a ouvir o que eu desejo. Talvez por isso sempre tenha sido fácil pra mim, mudar. Desde que terminei o mestrado eu já mudei de emprego 4 vezes, nos últimos 4 anos. Só porque aquilo não me deixava mais feliz, só porque eu não me imaginava fazendo aquilo em 10 anos ou mais. E nessa eu mudei de cidade 2 vezes, troquei emprego bom por outro sem nenhuma garantia, troquei segurança por aventura. E as promessas de fim de ano me levam a isso de novo. Relembrar que a única coisa que eu quero prometer, que eu posso prometer, é ser fiel a mim mesma.

Hoje no laboratório surgiu uma conversa desse tipo. Algo sobre o motivo das pessoas estarem fazendo doutorado. Eu, por mais diferente que possa ser, faço por prazer. Ponto. Se isso aumentar minha renda no futuro, ótimo. Mas não acho tão provável, já que não tenho a menor intenção de continuar no meio acadêmico até virar uma catedrática de universidade federal. Isso é exatamente o que eu não quero. Quero manter o maravilhamento da descoberta científica. Acho que isso eu nunca vou perder. Mas catedráticos acabam virando burocráticos. E isso eu nunca quero ser.

Mas a minha promessa, esse ano, vai ser um pouco mais extensa. Além de respeitar os meus desejos, eu prometo cuidar mais de mim. Essa promessa é bem genérica, pra que eu não me sinta presa em um ponto somente. O cuidar de mim vai envolver cuidar do corpo e da alma. Porque não adianta ter uma mente boa e sã, ávida por aprender, se o resto não conseguir acompanhar. Então eu prometo ler coisas interessantes, por puro prazer, tentar conhecer gente nova e instigante, me exercitar um pouco, pra que o horror dos 30 diminua, ouvir mais música clássica, ser mais paciente, aproveitar mais o pouco tempo que eu tenho por aqui, que todo mundo tem.

E o que tiver de ser... será!


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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Momento "guti-guti felino"

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Loteria

Tá bom, eu sou pessimista pra tudo, eu admito. Mas olhe pelo lado bom, isso é uma vantagem, quase uma certeza de que as coisas vão sair pelo menos do jeito esperado. Porque se algo não dá certo, tudo bem, eu não acreditava que ia dar mesmo. Mas se dá certo... é como ganhar na loto! Diariamente o meu pessimismo me deixa feliz porque algo sempre dá certo! Foi assim quando eu passei no vestibular. Eu, passar no vestibular numa faculdade federal? Nunca! E quando saiu o resultado eu me senti ganhando na mega sena. Eu, conseguir passar no mestrado quando todos os meus amigos são tão mais inteligentes que eu? Nem pensar! Loteria de novo! Eu, conseguir passar no doutorado em Bioquímica mais desejado do Brasil? Opa! Sorte grande! Eu, conseguir que o meu resumo de trabalho seja aceito no congresso mais importante da minha área, e ainda por cima na Europa?? E num é que foi?!?!?!? E da mesma forma o desânimo não é tão absurdamente grande quando as coisas não dão certo. Foi assim quando eu resolvi que a vida de cientista não era pra mim, em 2005. Quando eu entendi que ser professora de faculdade do interior não dava mais certo. Quando eu percebi que trabalhar numa empresa sem ter que usar meu cérebro não era o que eu queria. Quando eu entendi que a ciência era o único lugar onde eu já tinha sido feliz, e resolvi recomeçar. Quando eu larguei tudo e todos pra trás e vim pra SP pra viver essa certeza. Quando eu resolvi que ficar dependente dos outros não trazia nada além de sofrimento, e resolvi seguir em "carreira solo".

É verdade, eu prefiro ser pessimista, pensar nas possibilidades que trazem menos esperança pra me preparar para o pior. Mas, verdade seja dita, não é porque eu chamo de pessimismo que deixa de ser "otimismo velado"!

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sábado, 12 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009

E o ano já está no fim! Quem diria que tudo seria como foi! Quando comecei esse ano, não sabia que o Carnaval marcaria o fim de uma época numa cidade chamada Jequitinhonha, no nordeste de Minas. Lá eu morei até os 4 anos de idade. E foi lá pra perto que eu fui, em 2006-2007, trabalhar como professora. Meu avô morava lá. Mas agora que ele já se foi, a cidade não possui mais o atrativo de antes. O Carnaval foi realmente um "tchau", um "até logo", porque não consegui mais encontrar o sossego de sempre naquela casa grande. A verdade é que a ausência incomoda. Esse ano eu também consegui me superar ao passar na matéria mais temida/chata do meu doutorado. Foi uma vitória de verdade, a certeza de que eu consegui vencer em algo que sempre me considerei fraca. Da mesma forma, tive a chance de revisitar um congresso que marcou o meu período de aluna de Ciências Biológicas da UFMG, o SBBq. Tenho que admitir que não foi tão interessante assim. Acho que hoje procuro informações mais específicas, mais focadas no meu trabalho. E essa certeza veio com a chance de conhecer a Europa! Sem dúvida uma viagem para ser lembrada, pro resto da vida. O Congresso que aconteceu por lá me deixou extremamente satisfeita. Foi a certeza de que o caminho que eu escolhi é o certo! Esse também foi o ano da virada dos 30 e de todo o desconforto que isso me causou. Fazer o que... o tempo não para. Ano bom pra amizades também, novas e antigas. Um ano a mais, tão diferente dos outros em suas surpresas, tão igual em sua rotina. De 2010 eu não tenho idéia. Sei que continuo em SP, na USP, no meu apartamento. Sei que passarei férias em BH. Ou pelo menos espero. Mas não sei do meu próximo Carnaval. Não sei dos futuros amigos ou dos antigos que ressurgirão. Não sei que livros vou ler nem que oportunidades vão aparecer. A única certeza é que eu estou ávida pra aprender, pra viver o que o futuro me reserva, seja bom ou mau, porque tudo isso vai me levar à pessoa que eu serei em um ano. Assim como hoje eu sou o resultado de todas as experiências passadas, de todos os certos e errados, dessa cascata inevitável de eventos.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

2001



"À sua frente, qual cintilante brinquedo a que nenhuma criança poderia resistir, flutuava o planeta Terra com todos os seus povos. Regressara a tempo. Lá em baixo, naquele globo formigante de vida, alarmes deviam percorrer os visores dos radares, grandes telescópios perscrutariam com certeza os céus - e a história, como o homem a conhecia, estava a chegar ao fim. Apercebeu-se de que, mil e quinhentos quilômetros mais abaixo, uma adormecida carga de morte acabara de despertar, e se espreguiçava indolentemente na sua própria órbita. As débeis energias que continha não constituíam qualquer ameaça; mas ele preferia um céu mais limpo. Lançou-lhes a sua vontade, e as megatoneladas em rotação floresceram numa detonação silenciosa, que fez cair uma breve e falsa madrugada sobre metade do globo adormecido. Depois esperou, ordenou os pensamentos, e meditou sobre os seus poderes ainda por testar. Pois embora fosse senhor do mundo, não sabia bem o que fazer a seguir. Mas acabaria por descobrir alguma coisa."

2001, Uma Odisséia no Espaço ; Arthur Clarke

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OBS: Esse trecho está na primeira versão do livro. Quando Arthur Clarke resolveu escrever a continuação 2010, mudou um pouco a primeira história, para que uma sequência fosse possível. É, sem a menor dúvida, um dos livros mais interessantes já escritos!

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

"Insônia"

No geral eu levo uma vida bem normal. Trabalho de segunda a sexta, às vezes finais de semana. Estudo pro meu doutorado e pro espanhol. Tento aproveitar certos momentos de lazer, sair com amigos, fico insuportavelmente cansada em alguns dias e extremamente animada em outros. Basicamente o meu dia a dia se repete, assim como o de todo mundo. Mas, às vezes, eu encontro algo que prende a minha atenção de uma certa forma que se torna praticamente um vício. E sempre que isso acontece eu já sei que boa parte da minha rotina será transformada, para que eu consiga "viver" um pouco essa novidade. Ler é algo que eu realmente gosto. Literatura provavelmente é a grande paixão da minha vida, empatando talvez com a Biologia. Só que as vezes eu encontro um livro, um específico, que me prende de um jeito que eu simplesmente não consigo parar. Só paro quando terminar de ler tudo. Muitas vezes eu até tento dar uma pausa, para que eu possa dormir, mas sempre acordo algumas horas depois e preciso ir até o fim da leitura. Se o livro tem uma sequência, então, o frenesi de ler chega a me deixar cansada. Eu admito, gosto de ler praticamente tudo. Desde os clássicos até coisas mais recentes, biografias, ficção científica, romance, literatura de horror/suspense e também livros infanto-juvenis. E tenho que confessar que adoro literatura fantasiosa. Ler O Senhor dos Anéis, Harry Potter, Eragon, As Brumas de Avalon, Encontro com Rama, 2001 Uma Odisséia no Espaço, O Historiador, entre outros, foi complicadíssimo. Isso porque eu passava a noite inteira lendo.

Já havia algum tempo que isso não acontecia. Acho que alguns anos até. Mas recentemente eu resolvi baixar audiobooks, com o singelo intuito de me distrair no caminho que faço casa-USP-casa. Demoro pelo menos uns 25 minutos por trecho. Era só isso, tornar o caminho mais interessante. Por isso baixei o audiobook do livro Eldest, que é uma aventurazinha infanto-juvenil fácil de acompanhar, já que pego áudios em inglês. Reparei que comecei a ouvir mais do que planejado. Escutava também no caminho pro espanhol, pro supermercado, pro salão de beleza, pra casa da minha tia. Quando o livro acabou, pensei: Legal, vou pegar algo então que seja bem fácil, que não precise pensar muito. Baixei a saga Crepúsculo, tão na moda hoje em dia. Achei que ia detestar, mas realmente eu criei um monstro! Tô me sentindo a pessoa mais adolescente do mundo, por gostar de um livro bobo desses! Ouvi o primeiro livro em 3 dias. O segundo eu comecei a ouvir as 10 horas da manhã do sábado. Parei para almoçar, jantar tomar banho e ir ao mercado. Só. Quando a meia noite chegou eu pensei: "Vou apagar a luz do quarto e assim que tiver sono é só desligar o mp4". Quando reparei já eram 3 da manhã e eu bem acordada. Resolvi que ia escutar só mais um pouquinho. Às 8 da manhã eu terminava o audiolivro. Apertei o off do aparelho e desabei de sono. Acordei 4 horas depois pensando em começar o terceiro livro. Resolvi sair de casa antes que a vontade me fizesse virar outro dia ouvindo o áudio.

Então é isso. Do nada esse vício apareceu e me pegou desprevenida! Estou tentando me controlar, pensando que a cada coisa relevante que eu fizer no dia, seja de trabalho, seja coisa doméstica, eu posso ouvir mais um capítulo. Só assim, pra eu ser produtiva, no momento! E agora, dá licença que esse post já me valeu dois capítulos bônus!







OBS: Eu sei que as músicas parecem estar um pouco fora de sincronia com o post, mas é que o audiolivro atual tem tudo a ver com elas. E as duas são tão lindas...

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fotógrafa profissional!

Igreja Santa Maria in Cosmedin, Roma


Igreja KarlsKirche, Viena

Um tempinho atrás recebi um email de uma moça que fazia, todos os anos, um catálogo virtual de várias cidades da Europa. Ela tinha visto, no Flickr, as minhas fotos da viagem que fiz em Outubro e pedia permissão para colocar duas das minhas imagens em votação (essas que estão aí acima). Se uma delas fosse escolhida, seria a foto que ilustraria uma pequena descrição do local, no tal guia.

Hoje recebi outro email dela, me parabenizando pela escolha da foto que eu tirei da Igreja KarlsKirche, em Viena! A foto está nessa página AQUI, e fiquei bastante surpresa, já que não é uma imagem inteira, mas somente da "fachada" da Igreja.

Tô me sentindo "A" Fotógrafa, com minha câmera macarrônica Canon PowerShot A470. Sabe quando você tira uma foto assim, totalmente por acaso? Pois é! E viva a sorte!

OBS: Opa, só pra dizer que a foto de Roma também foi pro Guia!

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Feliz Natal adiantado!

Eu e meus elfos treinamos muito para chegar nessa dancinha perfeita! hahaha!

Send your own ElfYourself eCards

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Antigamente


_ Bisa, conta das coisas de antigamente?
A mulher centenária olhou para a garota e sorriu. A menina sempre pedia pra ouvir seus casos antigos. Fosse em qualquer tempo, a curiosidade infantil era insaciável!
_ Bem, na minha época, as mulheres arrancavam os pêlos das pernas, axilas e outros locais estranhos com cêra quente. Doía pra burro, mas era o costume. A gente ia a um lugar chamado Salão de Beleza, onde uma moça nos esperava com uma cêra fumegante. Os pêlos eram arrancados na marra mesmo. O nome disso era Depilação.
A menina olhou de soslaio, desconfiada.
_ Mas porque elas não apertavam o botão pro pêlo sumir, Bisa?
_ Ah, minha filha, naquele tempo atrasado não existia essas modernidades tecnológicas não. Cabelo não crescia e diminuía que nem hoje, que basta programar e apertar o botãozinho. As pessoas sofriam! E era costume ter duas carreirinhas de pêlos bem aqui, acima dos dois olhos, chamadas de sobrancelhas. As pessoas achavam isso bonito. Mas era preciso aparar, senão crescia e ficava feio. E pra isso tinha alguém no Salão de Beleza que arrancava fio por fio com uma pinça.
A garota arregalou os olhos, em espanto.
_ Conta mais desse Salão de Beleza, Bisa!
_ Ixi, garota, no salão existia o cabeleireiro, que penteava e cortava o cabelo das pessoas que crescia na cabeça, você já deve ter visto em foto.
_ Ai, que feio! Cabelo na cabeça é tão brega, vó!
_ Mas naquela época não era! E olha que as mulheres passavam horas arrumando o cabelo, alisando, pintando. Era muito comum um instrumento que esquentava e era chamado de chapinha. Porque ninguém nunca estava satisfeito com o próprio cabelo, mesmo depois de ficar horas no Salão de Beleza, aí a chapinha ia lá e deixava tudo liso, tudo igual.
_ Nossa, a senhora ia muito a esse... Salão?
_ Ia, Soninha, toda mulher ia, Mas eu ia mais era na manicure.
_ Manicure?
_ Sim, uma moça que cuidava das unhas da gente, pintava e deixava bem bonito.
_ Unha? Ahh.. eu sei.. é o casco né, Bisa?
A senhora teve vontade de rir. Como o mundo podia ter mudado tanto!
_ É mocinha, era o casco sim. As pessoas tinham um casco em cada ponta de dedo.
_ E servia pra que?
_ Uai, minha filha, pra unhar. Bom, não sei. Mas assim era. E a unha crescia. Todas as 10 das mãos e as 10 dos pés. E a gente tinha que cortar sempre. E de vez em quando a unha encravava e crescia pra dentro da pele. Aí doía e a gente tinha que ir ao Salão pra consertar.
_ E todo mundo achava bom ter unha?
_ Claro, Soninha, unha era muito útil. Era uma maravilha para coçar. Pra tirar espinha, então!
_ Espinho?
_ Espinha, minha filha! Umas bolinhas inflamadas que apareciam no rosto das pessoas, principalmente quando se era jovem. Tinha até gente no Salão de Beleza especializada em tratar a pele para fazer sumir as espinhas. Era comum fazer limpeza de pele. A moça que fazia isso apertava o nosso rosto até ele ficar limpinho e inchado.
_ E a espinha servia pra que?
_ Uai, espinha não servia pra nada. Só pra atrapalhar mesmo.
A menina parecia confusa.
_ E as pessoas ganhavam bem pra ir ao Salão de Beleza?
_ ... Como é Soninha?
_ As pessoas, vó, elas ganhavam muito pra ir ao Salão e sofrer essa tortura toda?
_ Minha menina, as pessoas pagavam, e caro, por tudo isso!
A boca da garota se abriu num "O".
E a bisavó riu a valer do assombro da garota moderna, que tinha nascido em um tempo evoluído 100 anos à frente do seu.

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