quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

2001



"À sua frente, qual cintilante brinquedo a que nenhuma criança poderia resistir, flutuava o planeta Terra com todos os seus povos. Regressara a tempo. Lá em baixo, naquele globo formigante de vida, alarmes deviam percorrer os visores dos radares, grandes telescópios perscrutariam com certeza os céus - e a história, como o homem a conhecia, estava a chegar ao fim. Apercebeu-se de que, mil e quinhentos quilômetros mais abaixo, uma adormecida carga de morte acabara de despertar, e se espreguiçava indolentemente na sua própria órbita. As débeis energias que continha não constituíam qualquer ameaça; mas ele preferia um céu mais limpo. Lançou-lhes a sua vontade, e as megatoneladas em rotação floresceram numa detonação silenciosa, que fez cair uma breve e falsa madrugada sobre metade do globo adormecido. Depois esperou, ordenou os pensamentos, e meditou sobre os seus poderes ainda por testar. Pois embora fosse senhor do mundo, não sabia bem o que fazer a seguir. Mas acabaria por descobrir alguma coisa."

2001, Uma Odisséia no Espaço ; Arthur Clarke

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OBS: Esse trecho está na primeira versão do livro. Quando Arthur Clarke resolveu escrever a continuação 2010, mudou um pouco a primeira história, para que uma sequência fosse possível. É, sem a menor dúvida, um dos livros mais interessantes já escritos!

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