quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Antigamente


_ Bisa, conta das coisas de antigamente?
A mulher centenária olhou para a garota e sorriu. A menina sempre pedia pra ouvir seus casos antigos. Fosse em qualquer tempo, a curiosidade infantil era insaciável!
_ Bem, na minha época, as mulheres arrancavam os pêlos das pernas, axilas e outros locais estranhos com cêra quente. Doía pra burro, mas era o costume. A gente ia a um lugar chamado Salão de Beleza, onde uma moça nos esperava com uma cêra fumegante. Os pêlos eram arrancados na marra mesmo. O nome disso era Depilação.
A menina olhou de soslaio, desconfiada.
_ Mas porque elas não apertavam o botão pro pêlo sumir, Bisa?
_ Ah, minha filha, naquele tempo atrasado não existia essas modernidades tecnológicas não. Cabelo não crescia e diminuía que nem hoje, que basta programar e apertar o botãozinho. As pessoas sofriam! E era costume ter duas carreirinhas de pêlos bem aqui, acima dos dois olhos, chamadas de sobrancelhas. As pessoas achavam isso bonito. Mas era preciso aparar, senão crescia e ficava feio. E pra isso tinha alguém no Salão de Beleza que arrancava fio por fio com uma pinça.
A garota arregalou os olhos, em espanto.
_ Conta mais desse Salão de Beleza, Bisa!
_ Ixi, garota, no salão existia o cabeleireiro, que penteava e cortava o cabelo das pessoas que crescia na cabeça, você já deve ter visto em foto.
_ Ai, que feio! Cabelo na cabeça é tão brega, vó!
_ Mas naquela época não era! E olha que as mulheres passavam horas arrumando o cabelo, alisando, pintando. Era muito comum um instrumento que esquentava e era chamado de chapinha. Porque ninguém nunca estava satisfeito com o próprio cabelo, mesmo depois de ficar horas no Salão de Beleza, aí a chapinha ia lá e deixava tudo liso, tudo igual.
_ Nossa, a senhora ia muito a esse... Salão?
_ Ia, Soninha, toda mulher ia, Mas eu ia mais era na manicure.
_ Manicure?
_ Sim, uma moça que cuidava das unhas da gente, pintava e deixava bem bonito.
_ Unha? Ahh.. eu sei.. é o casco né, Bisa?
A senhora teve vontade de rir. Como o mundo podia ter mudado tanto!
_ É mocinha, era o casco sim. As pessoas tinham um casco em cada ponta de dedo.
_ E servia pra que?
_ Uai, minha filha, pra unhar. Bom, não sei. Mas assim era. E a unha crescia. Todas as 10 das mãos e as 10 dos pés. E a gente tinha que cortar sempre. E de vez em quando a unha encravava e crescia pra dentro da pele. Aí doía e a gente tinha que ir ao Salão pra consertar.
_ E todo mundo achava bom ter unha?
_ Claro, Soninha, unha era muito útil. Era uma maravilha para coçar. Pra tirar espinha, então!
_ Espinho?
_ Espinha, minha filha! Umas bolinhas inflamadas que apareciam no rosto das pessoas, principalmente quando se era jovem. Tinha até gente no Salão de Beleza especializada em tratar a pele para fazer sumir as espinhas. Era comum fazer limpeza de pele. A moça que fazia isso apertava o nosso rosto até ele ficar limpinho e inchado.
_ E a espinha servia pra que?
_ Uai, espinha não servia pra nada. Só pra atrapalhar mesmo.
A menina parecia confusa.
_ E as pessoas ganhavam bem pra ir ao Salão de Beleza?
_ ... Como é Soninha?
_ As pessoas, vó, elas ganhavam muito pra ir ao Salão e sofrer essa tortura toda?
_ Minha menina, as pessoas pagavam, e caro, por tudo isso!
A boca da garota se abriu num "O".
E a bisavó riu a valer do assombro da garota moderna, que tinha nascido em um tempo evoluído 100 anos à frente do seu.

2 comentários:

Vini disse... [Responder comentário]

Hum... Interessante!

Matheus disse... [Responder comentário]

gostei, nao do futuro, mais da criatividade do "autor" que fez isso. Ja penso se for assim, meldels...quero nem imaginar

Related Posts with Thumbnails