domingo, 28 de fevereiro de 2010

Curling ou Xadrez no Gelo ou Como limpar sua casa em dois tempos

Gente, em época de Olimpíadas de Inverno eu fico aqui sempre meio abismada com a infinidade de esportes que eu nunca tinha ouvido falar! Ontem fiquei até meio zonza com o tal do Bobsled, aquele carrinho que parece mais um foguete, que os caras dão um impulso, pulam dentro dele e saem a mil, morro abaixo! Tive que colocar a cabeça entre as pernas e contar até 10, pra eu não passar mal. Uma vertigem danada. 
Mas a coisa mais hilária que eu já vi é o tal do Curling (vídeo abaixo). Também chamado de "Xadrez no Gelo" pelo carinha da Record, o Curling é um jogo que envolve muita estratégia, e que eu não vou explicar porque não entendo também


Mas o que eu gosto mesmo são das vassourinhas. Eu me empolgo com a velocidade com que o povo varre o gelo. E eles varrem gritando, empolgados, emocionados, adrenalina a mil. Nunca vi ninguém tão feliz de limpar um chão! Eu, pra limpar o chão aqui de casa vou me arrastando, como se estivesse indo pra forca, infeliz de tudo. Meu sonho é contratar uma faxineira jogadora de Curling. Imagina só a cena: eu derramo leite no chão (ou qualquer outra coisa), a cozinha inteira fica suja, mas antes de eu sequer pensar em pegar um pano, vem a minha super master mega plus faxineira bombada, jogadora de Curling, e passa que nem um raio limpando. E para me sentir mais no espírito olímpico eu faço como eles, e vou gritando atrás: HARDER, HARDER, HARDER.. (kkkkkkk)

E não é que eu achei uma propaganda no youtube que pega exatamente essa idéia?


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Porque eu não consigo escrever um relatório...

Março, época de entregar o relatório anual das atividades realizadas no doutorado, momento mais chato do ano, vontade de fugir, largar tudo e ir pra ilha de Lost. Já há dois meses eu enrolo para escrever o relatório de uma vez e ficar livre dele. É penoso fazer o dito cujo. Hoje me deparei com a pergunta: Por que esse relatório demora tanto pra sair?

Porque me dá fome... Cada vez que eu sento e tento escrever uma parte do relatório me dá uma fome daquelas. Parece que eu tô de dieta há uma semana. Aí eu levanto, como um doce, como um salgado, tomo água, Coca e suco. Fome resolvida, vamos trabalhar. Que nada. Comi demais. Preciso dar uma descansadinha senão o cérebro pifa. Acordo uma hora depois. Sento na frente do computador, mas aí eu lembro que preciso tomar banho. Seja porque está quente demais, e é impossível fazer um relatório toda suada, ou porque está frio demais e tomar banho e colocar uma roupinha quente vai facilitar o fluxo das idéias... lá vou eu pro banheiro. Tomo o banho maaais demorado do mundo. Visto a roupa adequada. Vou para o computador. Olho pra tela e escrevo: Introdução do Projeto. Lembro que preciso colocar roupa na máquina, senão não vai dar tempo de estender mais tarde. Levo 3 vezes mais tempo para pegar a roupa e separar por cor e por tipo. Coloco umas de molho. Volto pro computador. Vou digitar algo. Vejo que não corto as unhas faz um tempinho e elas estão de dar inveja a Zé do Caixão. Paro para aparar as unhas, afinal de contas, não dá pra digitar com um casco desses. Olho pro computador. "Agora vai", eu digo pra mim mesma, "Mas antes vou só dar uma olhada nos meus emails, orkut, facebook, twitter, msn, blog....". Levo uns módicos 40 minutos para tentar responder a mensagens, acompanhar as páginas dos outros e voltar a pensar no relatório. Penso na sobremesa na geladeira. Levanto e pego só um pedacinho. Não consigo escrever nem um parágrafo porque quero só mais um pedacinho. Coloco uma meta. Se eu escrever um parágrafo como mais. Escrevo de qualquer jeito, um tanto quanto tosco, e vou comer mais doces. Volto culpada, pensando que eu devo ter algum problema, que se fosse qualquer um o relatório já estaria pronto. Escrevo mais um parágrafo e gasto uma hora corrigindo tudo o que escrevi e achando tudo horrível. Minha cabeça começa a doer. Deve ser porque eu trabalhei demais. Paro para ver TV. Volto e escrevo mais um parágrafo. Lembro de estender a roupa que já acabou de lavar. Volto disposta a terminar pelo menos mais umas duas páginas. Recebo uma mensagem: "Oi, quer jogar com a gente?". Meus amigos virtuais, que não tem nada a ver com minha lerdeza e provavelmente já fizeram as obrigações deles, me convidam. Respondo cheia de pompa: "Não posso, passei o dia todo ocupadíssima com o meu relatório e não dá pra ficar de bobeira jogando joguinhos". Digito mais algumas frases. Corrijo todas as anteriores. Resolvo que se eu der uma descansadinha as coisas fluem melhor. Quando eu percebo já são 10 da noite e está na hora de dormir. Páro tudo e vou ler um capítulo de cada um dos 3 livros que eu estou lendo. E o relatório, nada.

Sim, eu sei. Eu me sinto inútil. Eu odeio escrever relatórios. Não quer nem pensar quando for a vez de escrever a tese!

Boa mesmo é a vida de gato:

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Fobia

Eu fiz faculdade federal, estudei Ciências Biológicas, levei 5 anos para formar, passei por estágios em 4 laboratórios, trabalhei e desenvolvi projetos nos departamentos de Bioquímica e Imunologia, Farmacologia e Microbiologia, fiz bacharelado, escrevi uma monografia, fiz mestrado, escrevi uma dissertação, já dei aula em faculdade, já fui coordenadora de curso, passei no doutorado, mudei para São Paulo. Me considero uma pessoa um tanto quanto desinibida para resolver as pendengas da vida... então.. porque eu levei quase meia hora para me livrar de um besouro desses fedidos que ficam em árvores?

É vergonhoso admitir, mas fazer o que? Eu tenho NOJO de besouros. Mais do que isso. É um pavor que me domina, toma conta de mim, me arrepia de asco, me deixa com vontade de correr para longe. E no entanto, esse besouro enxerido e mal amado de hoje entrou pela janela do meu quarto. Era como um daqueles verdinhos e fedidos, mas esse era preto.. rajado.. parecia fantasiado.. nojentérrimo. E tinha uns antenões.. arghhhh que ECA! Eu estava no computador quando olhei para a parede, perto da cama, e ele estava lá. Saí correndo, lógico, e fui parar na área de serviço. Pensei em chamar alguém para sumir com o bicho, mas não dava. Eu estava sozinha em casa. Voltei e fiquei bolando um plano em que eu conseguisse, num esforço sobre humano, chegar perto daquela coisa e dar um peteleco nele. Pensei que ia feder. E se fedesse eu nunca mais entrava no meu quarto. A única saída era empurrar o coisa-ruim pela janela. A cada passo mais próximo dele eu me arrepiava mais. Fiquei tal qual um porco espinho. Peguei uma folha de papel e fui chegando perto do monstrinho, achando que ele pudesse subir nela e eu simplesmente o abanaria janela afora. Mas o bichinho era mais inteligente do que eu pensava. Vai ver ele foi pra faculdade dos besouros de árvore fedidos. Eu empurrava a folha e ele dava ré. Encostei na pata dele e ele deu um passinho pro lado. Parei.. me afastei.. porque um bicho esperto desse jeito com certeza iria arrumar uma forma de voar em cima de mim. Resolvi incomodá-lo para ver se ele se mexia. Passei uns bons 10 minutos acendendo a apagando a luz, gritando, abanando o bicho de longe. Ele nem aí. Acho até que gostou do ambiente de "balada" que tava rolando. Peguei um papel beeeem grande e cutuquei beeeem de longe. Ele finalmente se tocou e subiu na janela. Só faltava a paulada final. E quem disse que eu conseguia? Foram outros 5 minutos de angústia, pensando que se eu errase na investida o pretinho fedido iria se vingar de mim, sem dúvida. Ficamos, os dois, nos encarando. Quando ele, na dúvida, titubeou e levantou uma perninha, eu dei uma "folhada" tão grande que ele voou pela janela. Fechei o vidro, saí correndo, peguei água e sabão, lavei aquele cantinho com toda minha força, fechei todas as saídas de ar do apartamento. E agora estou aqui, suando bicas nesse calor horroroso... até bigodinho de suor eu tenho... mas medrosa demais para me deparar com outro besouro essa noite. Ninguém merece!

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Medrosa

Quanto mais eu "cresço", mais medrosa eu fico. Quando pequena eu fazia coisas, na maior tranquilidade, que hoje eu me benzo 10 vezes antes de tentar. Aprender a dirigir me deixou com medo do trânsito. Andar no carro dos outros é uma tortura, a cada curva eu viro para um lado e para o outro, conferindo se o motorista realmente está dirigindo com cuidado. Viajar de ônibus me leva a ataques súbitos de taquicardia. Tantas vezes já viajei a noite inteira, pelas estradas tortuosas e mal conservadas de Minas, e só acordava no meu destino. Hoje em dia eu ainda consigo dormir, mas acordo assustadíssima, achando que o ônibus está virando. São pequenos ataques de pânico. Por outro lado, o meu "eu" racional anda me dominando bastante e acredito muito na estatística das coisas. Na minha cabeça, avião é a coisa mais segura que há, portanto voo numa boa, sem sustos. E por conta dessa mesma estatística, ando sempre em estado de alerta em São Paulo e grandes cidades em geral. Isso porque ela diz que assaltos e furtos são extremamente comuns no dia a dia da capital, e como eu nunca fui assaltada, morro de medo de ser. Fico pensando: Ai, meu Deus, será hoje? Resultado: ando na rua como se estivesse fugindo da polícia, guardando um segredo, como se a minha bolsa estivesse abarrotada de dinheiro. Voltar para casa de ônibus à noite/de madrugada, nem pensar! E olha que já fiz isso tantas vezes antes, sem grandes preocupações, que me impressiona como eu posso ter mudado tanto. Na dúvida, prefiro não sair de casa. Andar com notebook só se estritamente necessário. Eu fico tão preocupada com a mochila que o mundo inteiro sabe que eu carrego algo de valor. Também tenho medo de engordar, de emagrecer demais, de ruga, de doença, de ficar presa no doutorado pro resto da vida, de não conseguir emprego, de ganhar pouco, de fazer coisas chatíssimas só pra ganhar bem, de ET, etc etc e tal.

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Desventuras em Série

Além de gostar muito de ler, eu sempre adorei livros infanto-juvenis. Acho que isso nunca vai mudar e eu gostaria de ter imaginação para conseguir escrever uma história como as que eu leio. Uma dica para quem também gosta desse tipo de livro é a coleção Desventuras em Série ("A Series of Unfortunate Events"). São 13 livros, cada um com 13 capítulos que conta a história dos irmãos Baudelaire. Os três irmãos ficam órfãos logo no começo da série e vão passando por diferentes tutores ao longo de cada livro até compreenderem que existe um mistério enorme que envolve a morte dos seus pais.Os livros, apesar de completamente impossíveis, são inteligentes, interessantes e empolgantes, e valem a pena! Cada episódio da saga começa com uma dedicatória para uma certa "Beatrice", que se revela alguém importante no decorrer da história, e um aviso do autor, dizendo que melhor seria se o leitor fechasse aquele livro e fosse fazer algo que pudesse ser prazeroso, já que o mesmo não será, de maneira alguma. E ao final, uma "carta para o editor", onde o autor conta da dificuldade de entregar o manuscrito que conta as próximas aventuras dos órfãos Baudelaire. É impossível não se apegar a Violet, Klaus e Sunny Baudelaire. E, o mais interessante, em todos os livros existem referências a obras já escritas e ao "mundo real" e sua "crueldade".

"Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro
livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz,
como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos
felizes no miolo da história são pouquíssimos. E isso porque momentos felizes não são o
que mais encontramos na vida dos três jovens Baudelaire cuja história está aqui contada.
Violet, Klaus e Sunny Baudelaire eram crianças inteligentes, encantadoras e
desembaraçadas, com feições bonitas, mas com uma falta de sorte fora do comum, que
atraía toda espécie de infortúnio, sofrimento e desespero: Lamento ter que dizer isso a
vocês, mas o enredo é assim, fazer o quê?"
(Abertura do livro 1- Mau Começo - Desventuras em Série, de Lemony Snicket)

Um filme foi feito com as aventuras dos 3 primeiros livros, onde o ator Jim Carrey viveu o vilão da história. Obviamente esse filme não chega nem aos pés da história original!

OBS: Descobri só agora que os livros são também ilustrados. Como eu ouvi os audiobooks, perdi toda a diversão dos desenhos!

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Resumão do Carnaval

E nesse carnaval teve um pouco de muita coisa! Tinha muita gente junta todos os dias. E olha que não saímos pro Carnaval de rua nem um dia (snif snif, nem gosto de pensar que perdi essa parte), mas o número de pessoas que se juntava para fazer churrasco e cair na bebedeira era sem noção! Não faltou piscina ou calor (que estava de matar), não faltaram jogos de tabuleiro, de cartas ou de Wii, não faltou comida boa demais da conta (na verdade eu acho que nunca vi tanta comida boa sendo servida sem parar) nem bebida à vontade, não faltou sofá pras sonecas nem picolé no café da manhã (acredite se quiser!), não faltou criança gritando, correndo, brincando, chorando, brigando, não faltou cachorro latindo, não faltou música (inclusive um repertório enooorme de marchinhas de Carnaval) cantada nem tocada, não faltou reunião de mulheres e conversas femininas, bebedeira geral masculina, não faltou lual dos bebuns na porta de casa, nem guerra de espuma, não faltou disposição pra ninguém! E por fim, a única coisa que faltou foi tempo para fazer de tudo um pouco. Os quatro dias passaram voando e já estou de volta a BH.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sem pé nem cabeça

É duro admitir, mas meu pé tem vida própria. E ele insiste em descalçar o sapato e sentir a textura e a temperatura de um chão diferente. Ou pelo menos é assim que eu encaro quando percebo que estou em um lugar qualquer, digamos no meio de um Museu, em uma escadaria de pedra ou num salão e simplesmente percebo que o meu pé, já livre do sapato, está grudado no chão. Isso costumava me assustar, mas quando eu percebi que esse é um daqueles pequenos prazeres estranhos, que eu faço sem ao menos perceber, botei a culpa no pé e não penso muito nisso. Até que um dia, quando estava em algum lugar na Europa (não me lembro mais onde), minha amiga perguntou: "Porque você está descalça de um pé só?". Confesso que foi um momento de vergonha, fiquei sem graça por ter sido assim descoberta, não soube direito o que responder, e resolvi, por fim, admitir: "Eu gosto de colocar meu pé nas coisas!". Tive que aguentar piadinhas como essa até o fim da viagem: "Vamos ao Museu do Vaticano? Lá tem um chão bom de colocar o pé! Você vai adorar!". ha...ha...ha...
Mas agora que meu pequeno segredo foi descoberto, eu admito que adoro por o pé num chão friozinho, de pedra, ou num tapete bem fofinho. Tem algo de prazeroso em sentir um pé frio e o outro quentinho. Só não consigo me conter quando, de tempos em tempos, essa minha amiga me fala: "Ah, esqueci de te perguntar, você pôs um pé em algum chão interessante na sua última viagem?"

Eu hein, conversa de doido.

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Zombieland / Zumbilândia

A coisa da moda, o que vende atualmente, o "in" do momento é vampiro. Não é à tôa que, em qualquer livraria, existe uma prateleira enorme de livros sobre eles. Mas segundo as novas previsões, o que está chegando para acabar com isso, o que vai dar uma reviravolta nos eventos, são os zumbis. Zumbis serão o chique do momento.

Mas tirando a brincadeira de lado, para aqueles que gostam de comédias, o melhor filme que apareceu é o Zombieland (ou Zumbilândia). Um filme engraçadíssimo, que não dá medo, mas sim faz rir e divertir muito. A estréia nos Estados Unidos aconteceu em outubro do ano passado. Aqui tivemos que esperar até semana passada, quando ele finalmente entrou em cartaz! Para quem quer ler uma resenha feita por gente que vive disso, está AQUI.

E o trailer está aí logo abaixo. Não sei se eu que tenho algum problema, mas tive verdadeiras crises de riso em algumas partes do filme!

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

É assim que funciona

Mais de uma vez eu comecei a falar de um assunto e passei para outro e de lá para outro, que me levou para um terceiro, quarto e quinto e, quando eu percebi, eu nem me lembrava de como tinha chegado numa conversa tão distante da primeira. E o mais importante, eu simplesmente voltava para o assunto inicial e continuava exatamente do ponto de onde eu havia desviado, sem nenhum esforço, até encontrar mais um motivo para divagar por outros rumos. E não sou só eu que faço isso, quase todas as amigas que tenho também tem esse dom. É algo feminino mesmo. Já nascemos com essa qualidade incrível de processar muita informação ao mesmo tempo, sem necessariamente ter um pensamento linear. Quer dizer, pra mim é bem linear, mas admito que para os pobres rapazes que escutam a minha conversa fica um pouco confuso. Pode não parecer para eles, mas dentro da  mente feminina está tudo organizadinho, tudo se encaixa e faz o maior sentido do mundo, o fato de toda a informação sair junta numa mesma frase não quer dizer nada. E outra. Mulher entende mulher. Não há dúvidas sobre isso. Quantas vezes, na hora do almoço, todas as meninas da mesa conversam, juntas, com todo mundo? E, apesar de dar a impressão de uma torre de Babel, tem um processo rolando. Mas é engraçado ver como os homens na mesa ficam completamente desesperados, perdidos de tudo! Mas a explicação é simples. O cérebro da mulher é um Core 2 Duo. O do homem está mais para um 486 (hahaha, maldade).E isso me leva a uma conclusão dramática: mulher não fala demais, ela só processa a informação mais rápido... kkk

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Casas

Alguns dias atrás, li um post do Eduardo Loureiro Jr., no blog Crônica do Dia, sobre as casas em que ele já morou e como cada uma delas representou uma parte da sua vida. Achei interessante e fiquei pensando nas minhas casas. 

Minha família quase sempre morou de aluguel, algo meio difícil de entender, mas isso quis dizer que sempre tivemos que mudar para outro local assim que o dono do imóvel resolvia pedí-lo de volta. A primeira casa que eu consigo me lembrar é a casa grande de uma cidade chamada Jequitinhonha. Assim que eu nasci, morávamos em outra, mas daquela só lembro das fotos. A casa que vem a minha cabeça era vizinha à casa dos meus avós. Tinha um quintal espaçoso e ficava na esquina de uma ladeira enooorme, e atrás da Igreja principal da cidade. Essa casa me parecia um exagero de grande, talvez porque eu tivesse só uns 3 anos de idade. De lá eu lembro do corredor longo que levava ao quarto dos meus pais. Lembro que eu corria atrás dos gatos no quintal. Lembro de assistir "Balão Mágico" na TV e comer ameixas pretas (eu adorava!), escondida atrás do sofá.

A minha segunda casa foi em BH, capital mineira. Moramos por um breve período em um prédio, do qual pouco me lembro. Sei que eu estudava em uma escolinha que acabou virando um Banco de Leite Humano. Lembro também que coloquei um aparelho móvel nos dentes e um vizinho chato (meninos são sempre chatos nessa idade) dizia que eu tinha colocado uma dentadura. Também ficou na minha cabeça que a rua ao lado da nossa era a Rua do Ouro e eu andava por ela procurando algum tesouro escondido.

Mudamos para outro apartamento. Na verdade era um apartamento num prédio novo. Fomos os primeiros moradores. Ali eu ganhei a minha primeira bicicleta. Fiz a minha primeira grande amizade. Aprendi a ler e passei a devorar livro atrás do outro. Entrei na quinta-série. Fiz a minha segunda grande amizade, que dura, até hoje, como no princípio. E de lá mudamos para uma casa no outro lado da rua. Meu quarto era bem maior, mas também era mais triste. Isso porque era uma espécie de "sub-solo". Não existia uma vista da cidade ou da rua. As janelas davam para os muros das casas ao lado. A casa era um pouco escura. Não tenho muitas lembranças de acontecimentos importantes que se passaram ali. Lembro do meu aniversário de 15 anos. Só. 

O próximo apartamento foi em uma rua badalada, cheia de barzinhos. Como eu gostava de morar ali! Foi lá que eu gastei meses estudando, como se daquilo dependesse a minha vida, entre escola e cursinho, para passar na UFMG. E deu certo. Foi um período cheio de mudanças, entre colégio, grupo de jovens, faculdade, festas, novos amigos. 

Dali seguimos para um apartamento próximo, num bairro vizinho, de onde eu também tenho ótimas recordações. Foi a época em que eu consegui, a duras penas, fazer minha primeira viagem internacional. Fui para os Estados Unidos trabalhar, passei 3 meses por lá. Foi quando eu fiz meu mestrado, larguei a pesquisa por um tempo, fui trabalhar em colégios e numa empresa. Nesse apartamento eu tomei a decisão de recomeçar profissionalmente. Fui morar no interior para trabalhar numa faculdade. Passei por duas casas. A primeira era de uma amiga da minha mãe. Morei com ela e seu marido por 6 meses. Depois arranjei um cantinho mais independente. Nessas duas casas eu vivi todo o drama de estar sozinha em um lugar novo, pela primeira vez, ter que recomeçar e se esforçar sozinha. Mas também conheci a paz do interior no dia a dia. Sosseguei por um tempo. Conheci uma grande amiga (que também permanece até hoje), que dividiu casa comigo. Um ano depois eu pedia demissão. Era hora de mudar, de encontrar uma nova casa. 

Voltei para BH, para a mesma casa dos meus pais, enquanto não achava a minha própria.  Eu a encontrei aqui em São Paulo. Voltei para a pesquisa. Um pouco "filho pródigo" essa história, mas foi bem isso mesmo. E a minha casa aqui tem sido bem interessante. Mais uma vez eu preciso recomeçar e provar o meu trabalho, mas encaro como uma forma de crescimento pessoal. Aqui também tenho novos amigos, muitos que ficarão para sempre, disso eu tenho certeza, e aqui eu também encontrei uma amiga que me ajudou a construir uma verdadeira casa nessa selva de pedras. E por enquanto eu estou feliz. Da minha próxima morada, eu não faço idéia. Só sei que o tempo de mudança ainda não chegou. Acho que ainda vai demorar uns dois anos, pelo menos. Mas como disse o Eduardo, no texto que me inspirou, "porque minha casa é onde estou, onde descanso em paz, onde estou à vontade."

 
Tá, eu admito que ando escutando Canon, de Pachelbel, 200 vezes por semana. Quando eu empolgo com uma música, sai de perto, ninguém segura minha obsessão.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Loucura climática

Ninguém nunca está seguro de nada! Isso é um fato tão óbvio na vida, que é impressionante como todo mundo se esquece. A gente sente que a vida é um dormir, acordar, trabalhar, comer, dormir. Mas é aí que está o engano. Porque as mudanças vem. Para o bem ou para o mal, elas acabam chegando. Quando a gente se descobre doente assim do nada. Quando a gente perde um emprego que era "certo". Quando a gente se separa de alguém que era um ponto de referência. Quando percebe que está envelhecendo e já não é mais parte da nova geração. Quando surge uma oportunidade tão maravilhosa que é impossível dizer não, mesmo que isso signifique mudar 100% de estilo de vida.

Mas se tem uma coisa que a gente sempre soube mas nunca imaginou que fosse vivenciar meeeeesmo, é a tal mudança climática. Gente, o que é isso, o mundo endoideceu? Ou fui eu? Eu nem lembro qual foi o meu último dia sem chuva em São Paulo. Dizem que faz mais de 40 dias. Eu nem sei quando foi que acordei e não ouvi no telejornal que um monte de gente morreu por causa da chuva, em deslizamentos e enchentes. Parece que não cai tanta água assim já há 60 anos. Ir e voltar do trabalho se tornou uma tarefa árdua. E o calor que faz aqui? A chuva só traz tragédia, mas não serve nem para refrescar a vida. Vou acabar comprando galochas pra andar até a USP todos os dias. Só não comprei porque, do tanto que eu ando reclamando do clima, vão me chamar de chata de galochas. É sério, essa loucura climática vai acabar me deixando doida. Ontem, quando estava chegando a uma avenida aqui perto da minha casa, começou a ventar tanto, mas TANTO, que me deu um ataque de pânico. Eu não conseguia andar reto, ficava torcendo as pernas, e pensava "já era, tô perdida, é um furacão, um mini-tornado, vou sair voando". A paranóia foi tanta que eu agarrei num poste e fiquei lá. Aí do nada começou a chuva. Se fosse uma chuvinha, ainda tava tudo bem. Mas não. Parece que São Pedro virou um balde lá do alto, bem em cima da minha cabeça. Saí correndo, xingando internamente. Pensando que o mundo tá perdido mesmo. Que se tudo continuar assim, SP não vai ter salvação!

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pindaíba generalizada

Ontem eu estava fazendo umas continhas de quanto dinheiro eu precisaria para ir em um congresso que vai acontecer em poucos meses e de quanto dinheiro eu teria na minha conta na época. Foi aí que ele veio. O Déjà vu mais esclarecedor dos últimos tempos. Senti que aquela cena, aquele desespero na conta de cada centavo, já tinha acontecido comigo antes. BINGO. Não deu outra. Da mesma forma que a vida da gente passa pelos nossos olhos logo antes da gente morrer (é o que dizem, né...), todos os momentos de angústia monetários que eu já vivi desfilaram na minha mente. Um colega até perguntou se eu estava bem, já que minha cara ficou meio que de choro. Eu só disse: "Parece que minha vida inteira eu estou contando moedas para tentar fazer algo". E é verdade! Desde a graduação eu contava moedas o ano todo para ir ao Congresso de Bioquímica. Depois, no mestrado, eu também economizava o almoço para pagar a janta, para conseguir ir aos encontros científicos. Agora, no doutorado, apesar de termos uma "ajuda de custo", eu percebo que estou sempre a contar e contar centavos. Para ir no Congresso na Europa no ano passado, foi uma operação militar! Era um tal de economizar comprando os produtos mais baratos no supermercado, almoçando no Bandeijão, com a calculadora ali do lado no fim do dia, refazendo as contas, pensando na pindaíba! E agora, eu me vejo na mesmo posição. Não só quero ir para o próximo Congresso na Europa, no ano que vem, como gostaria de ir a um esse ano. O problema é que os Encontros grandes e válidos são caríssimos e, normalmente, internacionais. Eu também tenho vontade de fazer um estágio fora do Brasil, durante o meu doutorado, o chamado "doutorado-sanduíche". Mas eu entro em pânico só de pensar de onde vou tirar dinheiro para viver apertadíssima fora daqui, e além de tudo pagando aluguel do apartamento em SP. Mas que é possível, é... tanta gente passa por isso! Eu penso que teria uma úlcera, um ataque cardíaco fulminante, ficaria tantan, só da stress de ter que passar por todo esse aperto. Mais fácil seria um doutorado para fazer sanduíche, num McDonald's qualquer.

Alguns dias atrás, uma pessoa que quer vir para São Paulo, de outro estado, me perguntou como é viver aqui com bolsa de doutorado. E eu escrevi uma senhora carta, abri o jogo. Falei da dificuldade de se viver de bolsa de pesquisa, do fato da gente morar mais ou menos, de trabalhar em excesso, de ficar meio bitolado até sobre o que se passa no mundo, já que a ciência ocupa a maior parte do nosso dia a dia. Mas também falei das oportunidades que aparecem, de como esse é um campo de quem realmente adora o que faz e de como a gente, às vezes, tem que abrir mão de uma coisa pra fazer outra. Abre-se mão de um passeio no fim de semana para fazer um experimento. Abre-se mão de ver a família com regularidade para conseguir tocar a pesquisa de maneira eficiente, morando em outro estado. Abre-se mão de ter um horário normal, para conseguir resultados satisfatórios. Por isso é preciso amar o que se faz. Mas para aqueles que ainda assim embarcam nessa, é também uma oportunidade de mergulhar em conhecimento. De se sentir parte do mundo que descobre o mundo. "E como é para você?" ela me perguntou. Eu so poderia responder uma coisa: "Eu faria tudo de novo!". E é verdade. 

Mas que a pindaíba dessa bolsa dá uma raiva, isso dá...

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