sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Casas

Alguns dias atrás, li um post do Eduardo Loureiro Jr., no blog Crônica do Dia, sobre as casas em que ele já morou e como cada uma delas representou uma parte da sua vida. Achei interessante e fiquei pensando nas minhas casas. 

Minha família quase sempre morou de aluguel, algo meio difícil de entender, mas isso quis dizer que sempre tivemos que mudar para outro local assim que o dono do imóvel resolvia pedí-lo de volta. A primeira casa que eu consigo me lembrar é a casa grande de uma cidade chamada Jequitinhonha. Assim que eu nasci, morávamos em outra, mas daquela só lembro das fotos. A casa que vem a minha cabeça era vizinha à casa dos meus avós. Tinha um quintal espaçoso e ficava na esquina de uma ladeira enooorme, e atrás da Igreja principal da cidade. Essa casa me parecia um exagero de grande, talvez porque eu tivesse só uns 3 anos de idade. De lá eu lembro do corredor longo que levava ao quarto dos meus pais. Lembro que eu corria atrás dos gatos no quintal. Lembro de assistir "Balão Mágico" na TV e comer ameixas pretas (eu adorava!), escondida atrás do sofá.

A minha segunda casa foi em BH, capital mineira. Moramos por um breve período em um prédio, do qual pouco me lembro. Sei que eu estudava em uma escolinha que acabou virando um Banco de Leite Humano. Lembro também que coloquei um aparelho móvel nos dentes e um vizinho chato (meninos são sempre chatos nessa idade) dizia que eu tinha colocado uma dentadura. Também ficou na minha cabeça que a rua ao lado da nossa era a Rua do Ouro e eu andava por ela procurando algum tesouro escondido.

Mudamos para outro apartamento. Na verdade era um apartamento num prédio novo. Fomos os primeiros moradores. Ali eu ganhei a minha primeira bicicleta. Fiz a minha primeira grande amizade. Aprendi a ler e passei a devorar livro atrás do outro. Entrei na quinta-série. Fiz a minha segunda grande amizade, que dura, até hoje, como no princípio. E de lá mudamos para uma casa no outro lado da rua. Meu quarto era bem maior, mas também era mais triste. Isso porque era uma espécie de "sub-solo". Não existia uma vista da cidade ou da rua. As janelas davam para os muros das casas ao lado. A casa era um pouco escura. Não tenho muitas lembranças de acontecimentos importantes que se passaram ali. Lembro do meu aniversário de 15 anos. Só. 

O próximo apartamento foi em uma rua badalada, cheia de barzinhos. Como eu gostava de morar ali! Foi lá que eu gastei meses estudando, como se daquilo dependesse a minha vida, entre escola e cursinho, para passar na UFMG. E deu certo. Foi um período cheio de mudanças, entre colégio, grupo de jovens, faculdade, festas, novos amigos. 

Dali seguimos para um apartamento próximo, num bairro vizinho, de onde eu também tenho ótimas recordações. Foi a época em que eu consegui, a duras penas, fazer minha primeira viagem internacional. Fui para os Estados Unidos trabalhar, passei 3 meses por lá. Foi quando eu fiz meu mestrado, larguei a pesquisa por um tempo, fui trabalhar em colégios e numa empresa. Nesse apartamento eu tomei a decisão de recomeçar profissionalmente. Fui morar no interior para trabalhar numa faculdade. Passei por duas casas. A primeira era de uma amiga da minha mãe. Morei com ela e seu marido por 6 meses. Depois arranjei um cantinho mais independente. Nessas duas casas eu vivi todo o drama de estar sozinha em um lugar novo, pela primeira vez, ter que recomeçar e se esforçar sozinha. Mas também conheci a paz do interior no dia a dia. Sosseguei por um tempo. Conheci uma grande amiga (que também permanece até hoje), que dividiu casa comigo. Um ano depois eu pedia demissão. Era hora de mudar, de encontrar uma nova casa. 

Voltei para BH, para a mesma casa dos meus pais, enquanto não achava a minha própria.  Eu a encontrei aqui em São Paulo. Voltei para a pesquisa. Um pouco "filho pródigo" essa história, mas foi bem isso mesmo. E a minha casa aqui tem sido bem interessante. Mais uma vez eu preciso recomeçar e provar o meu trabalho, mas encaro como uma forma de crescimento pessoal. Aqui também tenho novos amigos, muitos que ficarão para sempre, disso eu tenho certeza, e aqui eu também encontrei uma amiga que me ajudou a construir uma verdadeira casa nessa selva de pedras. E por enquanto eu estou feliz. Da minha próxima morada, eu não faço idéia. Só sei que o tempo de mudança ainda não chegou. Acho que ainda vai demorar uns dois anos, pelo menos. Mas como disse o Eduardo, no texto que me inspirou, "porque minha casa é onde estou, onde descanso em paz, onde estou à vontade."

 
Tá, eu admito que ando escutando Canon, de Pachelbel, 200 vezes por semana. Quando eu empolgo com uma música, sai de perto, ninguém segura minha obsessão.

2 comentários:

Bia disse... [Responder comentário]

Também já me mudei bastante e cada lugar tem sua história... O bom mesmo é manater na memória essas boas lembranças e levar dentro do coração para o próximo lugar. beijinhos

Eduardo Loureiro Jr. disse... [Responder comentário]

Ana, fiquei feliz por ter inspirado você. :)

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