segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Medrosa

Quanto mais eu "cresço", mais medrosa eu fico. Quando pequena eu fazia coisas, na maior tranquilidade, que hoje eu me benzo 10 vezes antes de tentar. Aprender a dirigir me deixou com medo do trânsito. Andar no carro dos outros é uma tortura, a cada curva eu viro para um lado e para o outro, conferindo se o motorista realmente está dirigindo com cuidado. Viajar de ônibus me leva a ataques súbitos de taquicardia. Tantas vezes já viajei a noite inteira, pelas estradas tortuosas e mal conservadas de Minas, e só acordava no meu destino. Hoje em dia eu ainda consigo dormir, mas acordo assustadíssima, achando que o ônibus está virando. São pequenos ataques de pânico. Por outro lado, o meu "eu" racional anda me dominando bastante e acredito muito na estatística das coisas. Na minha cabeça, avião é a coisa mais segura que há, portanto voo numa boa, sem sustos. E por conta dessa mesma estatística, ando sempre em estado de alerta em São Paulo e grandes cidades em geral. Isso porque ela diz que assaltos e furtos são extremamente comuns no dia a dia da capital, e como eu nunca fui assaltada, morro de medo de ser. Fico pensando: Ai, meu Deus, será hoje? Resultado: ando na rua como se estivesse fugindo da polícia, guardando um segredo, como se a minha bolsa estivesse abarrotada de dinheiro. Voltar para casa de ônibus à noite/de madrugada, nem pensar! E olha que já fiz isso tantas vezes antes, sem grandes preocupações, que me impressiona como eu posso ter mudado tanto. Na dúvida, prefiro não sair de casa. Andar com notebook só se estritamente necessário. Eu fico tão preocupada com a mochila que o mundo inteiro sabe que eu carrego algo de valor. Também tenho medo de engordar, de emagrecer demais, de ruga, de doença, de ficar presa no doutorado pro resto da vida, de não conseguir emprego, de ganhar pouco, de fazer coisas chatíssimas só pra ganhar bem, de ET, etc etc e tal.

5 comentários:

entremares disse... [Responder comentário]

Oh Ana Lucia...

Então tu não sabes que eu sou um psicopata disfarçado, que anda nesta coisa dos blogs só para conseguir descobrir onde moram as suas vítimas?
sabes qual é a minha alcunha, sabes?

Sou o " pasteleiro " e sabes porquê?


porque mal eu descubro onde moram as vítimas... faço-lhes uma es+era à porta de casa e mal as vejo sair... catrapuz... aí vou eu e corro logo a oferecer-lhes uma caixinha com deliciosos pastéis de nata, uma das especialidades cá deste pequeno país.

( Vá... confessa... não ficaste assustada, pois não ? )

Ufa...

Um beijo, amiga.Relaxa.
O mundo é louco, é verdade... mas com jeito... a gente sempre o vai levando...
Rolando

Cristiane disse... [Responder comentário]

É este mundo moderno e maluco, em que ninguém conhece ninguém. Todo mundo hoje morre de medo, dizem que é o mal do século XX, junto com a depressão, o tédio e outros males mais advindos desta coisa da gente morar tudo um em cima do outro sem saber nem a cara do sujeito que arrasta os chinelos para ir ao banheiro a 01:45 da madrugada todo santo dia.
Vai entender este mundo doido.

**p.s.: a palavra que mandou confirmar o comentário aí embaixo é 'gattomen' hahahaha

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

Rolando, pois o que me deu foi uma vontade de comer os tais pastéis! Ahhh, que vontade! :)

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

Pois é, Cris! Triste mesmo é o vizinho que perde de conhecer uma pessoa tão viajada, estudada e chique como vc! hehe!

Teresa disse... [Responder comentário]

Ola! Ana Lucia
Amiga, vc como sempre com seus contos extremamente cómicos, eu me divirto muito,mas dessa vez realmente vc tem razão, são os mesmos medos da grande maioria da pessoas, infelismente.
Querida amiga, quero te pedir um favor, como faço para colocar um vídeo da youtube.
bjs no coração, tenha um excelente dia.
c/carinho
Teresa Grazioli

Related Posts with Thumbnails