domingo, 21 de março de 2010

Persuasão

Jane Austen é assim, um caso sério. Antes de ler qualquer coisa dela, já morria de amores pelo filme "Orgulho e Preconceito", baseado no seu livro mais famoso. Podem jogar as pedras que quiserem, sapateiem, reclamem, me chamem de cinéfila tapada, não me importo. É um dos filmes mais lindos que eu já vi. E olha que se tiver um único beijo, nesse romance, já está de bom tamanho. O filme mostra a força, a beleza, a firmeza de caráter dos dois personagens principais: Mr. Darcy e Elizabeth Bennet. Já vi e revi tantas vezes, que nem conto mais. Quando fui ler o livro, já fui imaginando as milhares de cenas a mais, lindas, que o filme não mostrava. Comecei a ler com tanta ânsia, que nem gostei tanto. Muitas partes eram diferentes do filme, menos pomposas. E outras não carregavam o mesmo apelo emocional. Foi meio decepcionante. 
Hoje já acho o livro um primor. Claro que eu comecei a ler já esperando algo absurdamente sensacional e esse foi o problema. Tem aquela história de que livro é sempre melhor que filme (e eu concordo com isso), mas os livros da Jane Austen se parecem muito por apresentar um começo extremamente descritivo, até meio cansativo, seguido pela construção de vários personagens e apresentando um problema "ambientado". Daí surge a "grande questão" que prende a atenção até o fim. Já no filme, as partes meio cansativas são cortadas e a gente fica só no bem bom.
Decidi ler algo mais de Jane Austen há alguns meses atrás. Comprei um livro desses de bolso, em inglês, uma obra póstuma chamada Persuasão, para ler nas idas e vindas SP-MG-SP. Novamente o começo foi um pouco devagar. Mas quando o livro prendeu a atenção foi algo assim irresistível. Frequento muito um site chamado GoodReads, onde é possível criar uma biblioteca virtual e mostrar o que já foi lido o que está sendo e os projetos futuros. Da mesma forma, é possível visitar bibliotecas de outras pessoas, comentar, entrar em grupos de discussão, fazer uma análise das obras, etc. E lá eu pesquisei a opinião das pessoas sobre Persuasão. E fiquei bastante surpresa de saber que muita gente achava que esse era "o grande" livro da autora. Muitos alegavam que essa obra ganhava em experiência e conteúdo, que era mais madura, que era mais completa. E de uma certa maneira eu realmente concordo. De cara já encontrei uma comparação. Orgulho e Preconceito e Persuasão me lembram as mesmas sensações que tive com O Primo Basílio e Os Maias, ambos de Eça de Queiroz. O Primo Basílio é o mais "popular", entretanto, Os Maias, apesar de muito mais descritivo e longo, é melhor trabalhado e possui uma história mais intrincada. Não sei se prefiro Persuasão ou o outro, mais famoso. Mas sei que esse livro é simplesmente encantador. Me identifiquei muito mais com sua heroína, Anne Elliot, que já é uma mulher em todos os aspectos, com vinte e tantos anos de idade e convivendo com as pressões da época. E a forma como você passa a torcer para que certos acontecimentos ocorram, é até engraçado! A história é basicamente sobre a chance que duas pessoas tiveram, no passado, de ficarem juntas, e de como isso não foi possível. E agora elas se reencontram em condições totalmente opostas e estranhas. O resto só sabe quem ler o livro!

Para quem gosta de romances, esse é um livro muito sensível e interessante!

OBS: Acabei de ver que existe um filme chamado Persuasion. Dele não sei nada, mas aposto que não deve ser tão bom!

2 comentários:

Sarah disse... [Responder comentário]

Love, love, LOVE Jane Austen! She is one of my favorite authors.

Ana Lucia disse... [Responder comentário]

So do I, Sarah! Can't resist her "storytelling"!

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