quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vida de bailarina

Um dia me disseram que a bailarina, quando rodopia sem parar e ainda consegue sair do giro em perfeito equilíbrio, só faz isso direito se focar o olho em algo. Pode ser qualquer coisa, um ponto de referência, uma porta, uma cadeira, para que ela fixe o olhar por um tempo ínfimo. Ela gira e olha, gira e olha, gira e olha. Se ela não focar o olhar em nada, fica tonta e cai. E quando eu era pequena, treinei muito essa versão do "ponto de referência"... e sempre funcionou.
Hoje eu vejo que, no auge do meu trabalho desenfreado, que não respeita manhãs, tardes ou noites, pontos de referência são fundamentais. Eles mantêm a minha sanidade. Pode parecer besteira, mas no ritmo que ando, onde praticamente esqueço de almoçar e não tenho horários para dormir, mas sim para acordar, pequenos portos-seguros são essenciais para não deixar "a peteca cair", ou para quem preferir, a bailarina parar de girar. Os meus dois banhos diários são exemplos disso. Eu preciso tomar banho antes de sair e logo que eu chego em casa. PRECISO. É uma forma da minha mente entender que "ei, o dia ainda é longo"! Da mesma forma que assistir Bom Dia, Brasil se tornou um hábito saudável. Querendo ou não, essa é praticamente a minha única forma de saber o que acontece no mundo e na minha esquina. Tomar um café da manhã decente faz parte. E um cafézinho no meio da manhã, na USP, com amigos, é essencial. Essa pausa pro café é o meu primeiro grande ponto de referência do dia. É a partir dela que eu sei se estou atrasada com o trabalho ou não. De como o resto do dia vai ser. Reunião toda quinta-feira de manhã, para discutir duas coisas com o mesmo grupo de amigos: contos de autores famosos e experimentos que estão em andamento no laboratório e que merecem discussão. Pode parecer meio estranho, arranjar tempo numa agenda lotada para isso, que é tão "dispensável"... mas a sanidade agradece! O almoço de sexta-feira é especial... SEMPRE... é o dia em que me permito comer bem, num bom restaurante, com tempo, já que à tarde eu só tenho aula de espanhol. E sempre que possível, ver séries de TV ou filmes antes de dormir. Coloco o notebook do lado da minha cama, numa cadeira, assisto o episódio e depois viro pro lado e durmo. Me ajuda a tirar o trabalho da minha cabeça. Diminui o cansaço. Libera espaço para sonhos bons. E bom humor... sempre... nem que para isso eu tenha que ser a "palhaça" do lugar. Bom humor é remédio pra tudo. E é contagioso!
E assim eu vou indo, sabendo que é uma fase. Mas ao mesmo tempo querendo aproveitar que estou aqui para isso, mudei para SP para isso, e que, por ser só uma fase, vale a pena investir tudo e mais um pouco para terminar a tese bem, com a mente sã, ao fim de quatro anos em que eu farei de tudo para continuar como a bailarina do começo, graciosamente!
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2 comentários:

Cristiane disse... [Responder comentário]

Oh, que texto bonito!
Sim, bom humor é bom para tudo. No fundo, no fundo, tudo na vida é apenas uma questão de ponto de vista, de como encaramos os que nos acontece. É uma escolha nos mantermos "sadios" ou "insanos".
E esta música é linda.
bises

Anônimo disse... [Responder comentário]

Que lindo Ana!!!
Esse foi meu texto motivacional pra semana "manter referencial"

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