segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak

Já faz mais de uma semana que eu terminei de ler "A Menina que Roubava Livros", mas só agora tive cabeça para escrever sobre isso. É um daqueles livros que precisa de um tempo após terminada a leitura, para que as coisas se encaixem e a gente possa olhar para tudo aquilo, sem se deixar levar pela confusão de sentimentos que se abate sobre nós. Eu AMEI esse livro. Realmente foi um dos ótimos livros que eu já li. Talvez eu tenha gostado tanto pelo fato de algumas pessoas próximas terem dito que não conseguiram terminá-lo, seja porque não gostaram ou porque se sentiram muito deprimidas. Vai ver eu esperava que a história fosse ruim. Mas, para mim, foi um livro em um milhão. Está classificado como infanto-juvenil. Não se engane. É uma obra para todas as idades. Para começar, a própria Morte conta a história. E, como está escrito na contracapa: "Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler". Vai por mim, vale a pena. O clima da história é meio sombrio, pois ela se passa em plena Alemanha nazista, que é revelada pelos olhos de uma menina órfã. É um livro que possui uma boa quantidade de perdas, mortes, desilusões, rebeldia, revolta e tristeza, mas também que fala da amizade, da família, do amor, das relações que nos transformam, de crescer, de questionar, de se posicionar, de dar a cara a tapa, de tomar partido. Ao contrário de quem leu esse livro em pouquíssimos dias, eu levei semanas. Cada capítulo era um turbilhão emocional. Principalmente quando os personagens se desenvolviam, cresciam, se revelavam. Em muitas passagens eu o fechei para reabrí-lo momentos depois e reler tudo de novo. O escritor é um jovem australiano, chamado Markus Zusak, que caiu nas graças do Mundo inteiro depois dessa história tão bem contada. Realmente bem contada. Poética na medida certa, sem perder o tom. Em alguns momentos eu tive que parar para anotar uma passagem interessante. Um livro fantástico que me fez virar uma grande fã do autor e de sua capacidade criadora.

Citações:
"Por alguns instantes, Liesel ficou calada. Era uma daquelas conversas que precisam que um tempo se escoe entre um dito e outro."
“Imagine sorrir depois de levar um tapa na cara. Agora imagine fazê-lo vinte e quatro horas por dia. Era essa a tarefa de esconder um judeu."
"As palavras pousaram na mesa e se posicionaram no meio. As três pessoas ficaram a olhá-las. As tênues esperanças não ousaram elevar-se mais do que isso. Ele ainda não morreu. Ele ainda não morreu." 
"...tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A conseqüencia disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles tem uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer."
"Como a senhora pode ver, estive novamente em sua biblioteca e destruí um de seus livros. É que eu estava com tanta raiva e tanto medo que eu quis matar as palavras. Eu a roubei e agora destruí sua propriedade. Desculpe-me. Para me castigar, acho que vou parar de vir aqui. Ou será que isso é mesmo um castigo? Adoro este lugar e o odeio, porque ele é cheio de palavras. A senhora tem sido minha amiga, embora eu a tenha magoado, embora eu tenha sido ignominiosa (palavra que consultei no seu dicionário), e acho que agora vou deixá-la em paz. Sinto muito por tudo. Obrigada, mais uma vez."
"Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito."

2 comentários:

Anônimo disse... [Responder comentário]

Oi Lú,

Realmente o livro é tudo isso que você falou. Eu li bem rápido, não conseguia parar de ler. Um dos melhores que já li também, com certeza. Gostei tanto que comprei o outro livro do autor, escrito antes deste. Chama "Eu sou o mensageiro". Se não é tão bom quanto a menina, também tem algumas passagens que fazem a gente pensar.
Até mais, abraço.
Eric

Ana Campanha disse... [Responder comentário]

Ei Eric! Eu também comprei o "Eu Sou o Mensageiro". O meu chega amanhã e tenho certeza que deve ser muito bom! Mal posso esperar pelos futurps livros dele! Um abraço!

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