domingo, 18 de julho de 2010

Sobre o Everest de cada um


Hoje eu acordei com o programa de esportes na TV mostrando a história de um menino de 14 anos, que com 13 escalou o Monte Everest, chegou ao topo e voltou para contar a história. Fiquei olhando para TV com a sensação de que não tinha escutado direito, ou estava sonhando, ou alucinando. Como assim um menino de 13 anos foi ao topo do Everest? Isso sequer é permitido? Não existe uma lei que proíba crianças de subir uma das montanhas mais perigosas do mundo? Uma lei que seja anti-idéia de girico? A história desse menino começou aos nove anos de idade, quando ele, sozinho, passou a se interessar por alpinismo. Procurou se informar pela internet e, no seu aniversário, fez o pedido ao pai para que ele pudesse ser alpinista e um dia escalar o Everest. Mas não foi só um pedido. Ele levou tudo que tinha pesquisado. O toquinho de gente estava munido de informações e tudo que fosse preciso para tentar convencer o pai de que queria ser levado a sério. E o pai deixou! Como assim o pai deixou?? Pois é. Deixou. Tentei lembrar das coisas que me interessavam quando eu tinha 9 anos. Nem sei se lembro da época exatamente. Foi em 1989 e eu morava em BH e provavelmente gostava de andar de bicicleta e brincar de Barbie. Era um rato de biblioteca e a coisa mais emocionante que eu devo ter feito nessa época foi ler algum livro de aventura. Com certeza eu não tinha a menor maturidade para fazer algo assim, tão selvagem e perigoso. E mesmo se eu achasse que tivesse, meus pais COM CERTEZA não me deixariam ir lá e provar a minha coragem. Nesse caso, o menino teve sorte. O que aconteceria se ele tivesse morrido ou se ferido seriamente lá no alto da montanha? O pai desse garoto algum dia se perdoaria por ter permitido isso? E pior, eles não puderam fazer a subida a partir do Nepal, pois o país proíbe que menores de 16 anos tentem a escalada. Era mais uma coisa dizendo NÃO VÃO EM FRENTE, mas eles foram. Saíram da China, que não impõe limite de idade, e não é que conseguiram?!?! Fiquei um tanto quanto chocada com essa história e fui atrás para saber mais. Pai e filho se prepararam por 4 anos para essa tentativa, escalando várias montanhas em diferentes continentes. Seguiam um regime rígido de treinamentos, inclusive participando de várias competições tipo triathlon em tudo quanto é canto do mundo. Fiquei pensando em qual é o momento que a gente cresce o suficiente para decidir que já está pronto para desafios que exigem decisões maduras e adultas. Não tenho a menor idéia. Até hoje certas decisões me deixam com frio na barriga, eu não me sinto preparada para tanta coisa! E vem esse menino, essa coisa nova e muito possivelmente "despreparado" para um risco desse tamanho e resolve que vai dar esse passo! E foi aí que eu vi a entrevista com o próprio garoto. Ele me pareceu uma daquelas pessoas felizes, realizadas por estar fazendo algo que gosta, com um ar de tranquilidade que só as pessoas confiantes têm. E eu passei a me perguntar: quantas vezes deixamos de fazer algo que REALMENTE QUEREMOS, simplesmente por acreditarmos que isso não é o que deveríamos estar fazendo, seja por medo de não dar certo, por pressão para investirmos em algo mais palpável, etc. E, sinceramente, na maior parte das vezes, mesmo quando resolvemos encarar uma "loucura" sempre encontramos quem nos desestimule. Não que eu ache certo uma criança escalar o Monte Everest. Provavelmente eu seria uma mãe chata e controladora porque eu seria ABSOLUTAMENTE contra essa idéia. Mas, em algum ponto da nossa vida, essas pressões externas se transformam apenas em coadjuvantes e a decisão é realmente nossa. Será que acostumamos desde cedo a escolher o caminho "certo", "seguro" e não temos coragem de encarar um desejo que está escondido lá no fundinho? Seja algo menos perigoso do que o garoto fez, talvez tirar um ano das nossas vidas para viajar ou ir ajudar pessoas desabrigadas no nordeste, sul, norte do Brasil, ou na África. Quem sabe seguir o exemplo daquelas poucas pessoas que largam TUDO e vão montar uma pousadinha numa praia distante de um litoral mais distante ainda. São tantos exemplos de gente que não segue as "regras", e por tantos motivos! E para finalizar, o garoto de 14 anos, o mais novo alpinista a chegar ao cume da "Montanha da Morte" disse, ao ser perguntado sobre sua mensagem para as pessoas que estavam escutando: "Eu diria para elas acharem o Everest delas". Não é lindo? Quatorze anos, mas com uma cabeça tão mais resolvida que a de tanta gente. Acho que seguir um sonho assim, tão apaixonadamente, traz essa paz de espírito!

----------------------------------------------------------------------------------------

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails