sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"Me hago Doctora!"

Existe uma coisa, um sentimento, um "feeling" de reconhecimento, entre todo mundo que faz pós-graduação "strictu-sensu" e vive de bolsa. E não é só aqui no Brasil. Essa química bizarra que une a galera pós-graduanda é a mesma em qualquer lugar do mundo. Fato número 1: Mestrandos e doutorandos que vivem e dependem da bolsa sofrem mesmo em países de primeiro mundo. Fato número 2: O ambiente de trabalho, os anseios e os nervosismos são os mesmos também. Fato número 3: Todo pós-graduando escuta de amigos e familiares, frequentemente, que é preciso parar de brincar de estudar e arrumar um emprego de verdade (se a gente falasse o que pensa sobre o empreguinho deles, aí sim daria briga...). Fato número 4: As piadinhas entre pós-graduandos são universais. Não importa a área que você esteja, elas são óbvias demais para não serem entendidas.. E eu me mato de rir, quando vejo ou escuto coisas que refletem 100% do que eu penso, nesse meu humor de doutorado, de pessoas lá do outro lado do mundo. 

Existe um site que é assim a coisa mais engraçada sobre vida de pós-graduação e que faz tanto sucesso que suas tirinhas viraram livros e suas camisetas e canecas são as mais desejadas. Já falei deles antes AQUI no blog, e tanto tempo depois, posso afirmar que poucos que estão nessa vida não conhecem o PhD Comics.


Doutorandos na área de ciência têm coisas em comum, como: todos sabem o que significa "correr um gel", "entrar no fluxo", "fazer cultura primária", "deixar overnight". É como uma família "gigantona" mesmo. A gente convive a maior parte do tempo, sai junto, bebe junto, faz experimento junto, fica com raiva porque o outro é muito folgado, engole sapo e trabalha pelo menos o dobro do que seria o permitido. A gente também conta dinheiro para ver se dá para ir a uma balada, come no bandeijão só porque lá só se paga R$2,00, espera o circular universitário que é de graça e não pesa no bolso, vai ao cinema nas quartas pois é dia de promoção... e por aí vai. E a gente se ferra. Ahh, mas como se ferra. Não me entendam mal. Eu adoro essa vida. Sim, eu sei que isso soa meio psicopata, mas o ambiente, apesar de ser meio escravagista, é gostoso porque é meio que todo mundo na mesma situação e se virando como pode. Mas que a gente se ferra, sem dúvida. Porque doutorando/mestrando não têm férias. A gente até sai uns dias. Mas se olhar no "contrato" da bolsa, não existe nem um dia de férias para bolsista. Nem uma hora. Nada. Bau-Bau. Fazer experimentos aos sábados e domingos é o normal. Depender do humor de quem manda (seja chefe, professores, colaboradores) faz parte, assim como engolir uns "cururus" gordos. Escrever projeto e relatório de madrugada, de última hora, é de praxe. Mas o que me fez rir esses dias, foi a frase que encontrei por aí, que simplesmente resume TUDO para um pós-graduando:

"Sabe a Hilda Furacão, de noiva, entrando no puteiro pela primeira vez e dizendo "vim porque quis"? Pois é, a pós-graduação é isso.

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