terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ratos e Homens - John Steinbeck

Um "Prêmio Nobel" não chegou lá sem motivo. Uma pessoa que recebe um prêmio Nobel em literatura, é, muito provavelmente, alguém que fez um trabalho consistente e muito interessante. Diferente do "Oscar", o Nobel tem lá o seu valor! É claro que, nem todo mundo vai concordar que as obras de um determinado escritor são muito boas só por causa do prêmio. Eu mesma ainda não vi a "genialidade" merecedora de algo tão prestigioso no escritor Orhan Pamuk, apesar de só ter lido dele o livro "Neve". Mas algo me diz que eu mudaria de opinião se lesse a sua obra mais famosa: "Meu Nome é Vermelho". Mas hoje eu vou falar de outro "Nobel": John Steinbeck. Mais particularmente, falar de um livro curto que terminei há alguns dias, e que me deixou empolgada para ler várias outras obras dele: Ratos e Homens (do original "Of Mice and Men"). Cheguei a ele através de um pedido do meu pai. Pedi que ele escolhesse um livro e ele prontamente comentou que tinha se interessado por essa história, simplesmente porque ouviu alguém, na TV, comentar algo sobre ser um dos melhores livros que já tinha lido. Quando me passou a obra, meu pai disse que não tinha sido tããão boa assim. Portanto, talvez por pensar que leria uma história "mais ou menos", e não ter criado expectativas, eu tenha gostado TANTO dela.

John Steinback foi um escritor americano, de classe média baixa, que teve que ralar muito para conseguir fazer faculdade e se estabelecer como profissional. Sempre escreveu sobre grupos de pessoas, normalmente trabalhadores sazonais, de determinadas regiões dos Estados Unidos, e de como essas pessoas levavam suas vidas, exaltando a luta pela própria dignidade, as dificuldades das relações de afeto frente à crueldade do mundo, a solidão e a rotina. Seu romance mais famoso é "As Vinhas da Ira", pelo qual recebeu o prêmio Pulitzer e que foi, ainda, transformado em filme. "Ratos e Homens" parece seguir o mesmo estilo literário e, na minha opinião, é genial pela sua simplicidade poética na descrição dos personagens e ambientes. Os diálogos contêm os erros comuns das pessoas comuns. Há quem diga que isso torna o texto meio cansativo. Para mim, foi a forma perfeita de fazer o leitor entrar no clima. O livro emociona por isso, por levar quem lê bem perto da ação, dos lugares, dos sentimentos. E uma curiosidade interessante que encontrei revirando a net é que, ainda estudante, John Steiback ouviu de um professor que ele só conseguiria se tornar um escritor "quando os porcos voassem". Por causa disso é comum encontrar em seus livros a frase "ad astra per alia porci", que significaria algo como "para as estrelas, nas asas de um porco".


"Como de vez em quando acontece, um momento se instalou ali e ficou pairando. O som cessou, e o movimento parou - por muito, muito mais do que um momento."
Ratos e Homens - John Steinback

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