sábado, 22 de janeiro de 2011

Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden

Um livro surpreendente. Foi a conclusão a que cheguei após ler "Memórias de uma Gueixa", de Arthur Golden. O filme eu já tinha assistido há muito tempo atrás. Lembrava de poucas coisas: uma menina que foi vendida, uma gueixa má e outra boa, uma paixão, um monte de decepções, e paisagens lindíssimas. Acho que, por ter visto o filme, resisti tanto a ler o livro. Tenho tanta coisa diferente para ler que, esse não era nenhuma prioridade na minha lista. Só tive coragem de começar, depois que uma amiga insistou para que o fizesse, já que esse é um dos seus livros favoritos. E eu fiquei tão feliz por ter tomado essa decisão. Li em algum lugar um comentário com o qual concordo plenamente: esse livro é como uma sobremesa refinada, que deve ser saboreado vagarosamente, aproveitando-se a beleza, a apresentação, o gosto especial. "Memórias de uma Gueixa" é um livro para deixar os seus leitores querendo cada vez mais. A forma como o desenrolar da história é descrito já é encantadora, poética, cheia de vida! E, apesar da personagem principal ser fictícia, as referências ao Japão e aos seus costumes são bastante interessantes e próximos da realidade. E, como tantos outros bons livros, existem os personagens que sao claramente bonzinhos ou maus, mas também existem aqueles que caem num limbo de classificação, já que os adoramos ou detestamos, de acordo com as viradas dos capítulos. É uma obra linda. Vale muito a pena. É emocionante. E tem passagens que mereceram ser copiadas, como estas:

"A dor é uma coisa muito esquisita; ficamos tão desamparados diante dela. É como uma janela que simplesmente se abre conforme seu próprio capricho. O aposento fica frio, e nada podemos fazer, senão tremer. Mas abre-se cada vez menos, e menos ainda. E um dia nos espantamos porque ela se foi." 
"Voltei àquelas sepulturas pouco depois, e parada ali descobri que tristeza era uma coisa muito pesada. Meu corpo pesava duas vezes mais do que um momento atrás, como se aquelas tumbas me puxassem para baixo, para junto delas."

3 comentários:

Rolando Palma disse... [Responder comentário]

É uma definição interessante, este modo de descrever a tristeza. E agrada-me pensar que sim, que nada é eterno, tão pouco a tristeza. Pesado será contudo o espaço que essas memórias ocupam em nós, impedindo que outros ventos mais leves nos toquem e alegrem.

Não achas?

Tudo de bom para ti

Ana Campanha disse... [Responder comentário]

Rolando, que prazer ter você de volta! E concordo, plenamente, com o que você disse. Realmente acho que essas memórias difíceis que se acumulam vão pesando na alma!

Um abraço!!

Mikashi disse... [Responder comentário]

Já li há muitos anos este livro e lembro-me que me marcou pelas descrições das tradições e da cultura... adorei principalmente a primeira passagem que puseste aqui no teu espaço...vou partihar no meu espaço..com as devidas referências... Um abraço do outro lado do oceano ;)

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