quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma década

Demorou, mas caiu a ficha de que mais uma década se inicia. É estranho pensar em décadas, já que até então eu só tinha vivido duas delas, mas agora que a conta já chegou a três, e a coisa começou a acumular, achei legal olhar para os últimos dez anos e ver o que mudou e como mudou.

Tentando ser rápida, já que estamos falando aqui de dez anos, lembro que 2001 foi um ano empolgante. Para começar, só o fato de estarmos passando do ano 2000 ilesos, sem bug do milênio que iria acabar com tudo, sem concretização de profecias que falavam do fim do mundo, inaugurando um novo milênio, tudo isso contava para a seriedade da data. Foi em 2001 que o meu gatinho siamês lindo de morrer foi morar na minha casa. Meses depois, fiz a minha primeira viagem para fora do país - fui ser monitora de um acampamento de verão para crianças diabéticas, nos Estados Unidos. Dessa experiência veio a vontade de me especializar em pesquisa na área de Diabetes Mellitus. De lá para cá, terminei a faculdade (2002), fiz mestrado (2003-2005), fui professora, consultora, coordenadora de curso (2004-2007), e fiz boa parte do meu doutorado (2008 - hoje). Nessa última década, morei em 3 cidades diferentes, conheci a Europa (mesmo que brevemente), fiz uma porção de novos amigos, mantive a amizade com o pessoal das antigas, li muito, sonhei mais ainda, vivi do meu jeito, cresci e apareci. Perdi a linha, voltei pros trilhos de novo, perdi um avô muito querido, ganhei uma sobrinha quase na virada. E quando eu penso em mais dez anos, simplesmente o sentimento é grandioso demais. Não dá para saber o que será em mais outra década. Eu só sei que quero estar aqui, quando o dia chegar. E nesse texto-retrospectiva, o que me vem a memória, para terminar, é uma citação do escritor João Guimarães Rosa no livro Grande Sertão Veredas, que incrivelmente sempre me leva a lembrar da minha amiga Cris (que já o citou tantas vezes):

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

OBS: Infelizmente eu ainda não li Grande Sertão Veredas. Sei que um livro dificílimo, que eu vou deixar para ler quando tiver o tempo certo para ele.

3 comentários:

Bia disse... [Responder comentário]

Tb adoro essa frase... E ainda bem que essas viradas de ano nos fazem refletir e pensar em fazer uma vida melhor! bjao

Cristiane disse... [Responder comentário]
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristiane disse... [Responder comentário]

Seu texto me lembrou outra frase do Grande Sertão: "O senhor mire, veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra montão."

Mais uma década que afinaremos, aprenderemos, seremos moldadas, recriaremos nossa história e desacreditaremos em todas as verdades passadas.

bjão!

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