quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Alegria na Tristeza - por Martha Medeiros

 Imagem: NET

"O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."
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PS: Achei muito bonito esse texto da Martha Medeiros. Bonito e pertinente. Às vezes quando fazemos de um tudo para esconder a nossa tristeza e fingir uma falsa felicidade, deveríamos mesmo era exorcizar esse sentimento na sua fonte... para no futuro sairmos mais de bem com a Vida.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Além da Vida


Quando assisti o filme "Além da Vida" (em inglês: Hereafter), de Clint Eastwood, não soube bem como definir o que vi. Gostei, sem dúvidas, mas não sabia dizer se era um filme "imperdível" ou "fora de série". Na verdade, até agora não sei. "Além da Vida" trata de um tema intragável, para muitos: a relação que temos com a Morte/Vida pós-Morte. Mostra um pouco o período de vida de 3 pessoas. Alguém que perdeu um ente próximo, alguém que quase morreu e alguém que é um médium genuíno, mas não gosta de ser reconhecido como tal. Primeiro me preocupei, porque achei que seria um filme exaltando o poder dos mediuns, desses bem de fazer chorar por mostrar um drama meloso e triste. Pois não foi isso que vi na telona. "Além da Vida" é um filme extremamente sensível. Talvez essa opinião seja bem pessoal, mas a sensibilidade está nas pequenas coisas mostradas, como na forma que o diretor encontrou para expressar o vazio, a incompreensão, a busca de si mesmo. Não vá esperando um filmaço. É uma obra bonita, que fala de sentimentos de uma maneira meio velada, que mostra um tema tão controverso de um jeito inesperado. Também não é um filme que tenta explicar, lançar teorias ou dizer se realmente existe um pós-Morte. Mas sem dúvidas merece ser visto, por aqueles que se emocionam em ver pessoas passando por situações onde o recomeço é o ponto-chave. Com certeza dá pra se imaginar em alguns desses momentos apresentados. E a trilha sonora, então! Lindíssima!

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

"...Pára um pouquinho, descansa um pouquinho, 550 km!"

Aproveitar enquanto ainda é possível. Essa é a regra da vez. Porque todos nós temos esse tendência incrível de nos acostumarmos com o dia-a-dia e achamos que tudo vai ser sempre (ou quase sempre) assim. Quantas vezes paramos pra pensar se estamos felizes ou no caminho certo? Bom, eu sempre paro. Mas já fazia tempo que eu não fazia isso. E porque tudo acaba virando uma grande rotina, e porque o cotidiano tem um jeitão de coisa "eterna", a gente vai vivendo como dá, como as coisas vão aparecendo, e o mundo vai rodando, e a vida vai passando... e quando a gente percebe.... ahh.. ela já passou... e dá uma nostalgia danada. 

Nas últimas duas semanas, minha vida tem sido uma espécie de dia único, tudo ligado, tudo apressado, tudo agitado, tudo atrasado, e eu, vivendo de cansaço. Resultado: meu corpo se revoltou. Tá que não foi uma revolta das grandes, eu diria que foi só um aviso, mas me deu um pouco de medo. Entre tanta coisa pra fazer, relatórios e projetos para entregar, meu estômago resolveu que ia dar um jeito nessa anarquia em que eu estou vivendo. E quando algo na saúde não vai bem, nada funciona. Fiquei ainda mais estressada, pois não conseguia virar noites trabalhando, porque sentia dores causadas por uma gastrite nervosa, porque o prazo final do que eu estou fazendo se aproximava, porque o ambiente de trabalho estava completamente revirado... e por aí vai. Por alguns dias eu praticamente vivi de remédios. E é aí (só aí) que a gente pára pra pensar em como é sério não ter uma vida equilibrada. Claro que em toda profissão, coisas como essas acontecem. O bom é que, nas noites insones de dor de estômago, pensei e repensei nas minhas prioridades dos próximos meses, do próximo ano. Descobri que eu gosto mais de Ciência do que eu achava. E também percebi que está na hora de eu começar a entrar nisso pra valer, pra competir, pro resto da vida (pelo menos é o que quero nesse momento). O mal-estar estomacal me fez rever o que vale a pena e, ainda, que já está na hora de eu parar de deixar "a vida me levar" profissionalmente. E, olhem só, foi só eu ter tido essa "epifania" que as coisas ficaram mais suportáveis. Tudo são fases. A fase agora é de extremo trabalho e pouco descanso. Tô me sentindo que  nem a música de uma propaganda antiga, da VARIG, lá de 1995: "550 km, 550 km, pára um pouquinho, descansa um pouquinho, 550km!!!". Mas com a certeza de que isso tudo vai me levar a um lugar onde eu quero estar.

E as boas decisões foram: Esse ano vou a um congresso em Praga, na República Tcheca, como já havia comentado AQUI. Também estou tentando conseguir fazer uma parte do meu doutorado numa clínica super importante nos Estados Unidos, mais precisamente (rufem os tambores) em Harvard!!! Tcharam!! Se eu vou conseguir, não é muito certo, por motivos bem burocráticos mesmo, de arrumar um apoio financeiro aqui no Brasil. Mas o que importa é que os pesquisadores de lá já me enviaram uma carta com a aceitação do "estágio". E como parte da minha gastrite se deve a isso, eu achei por bem já comemorar as coisas boas! E a verdade é que, mesmo que esse projeto não saia do papel, eu posso terminar o meu doutorado e ir fazer um pós-doutorado por lá... afinal de contas, ser aceito por eles é a parte mais complexa!

Sobre o ano que vem, ainda não sei exatamente. Tudo vai depender de como esse ano desenrolar. Mas já tenho planos A, B e C. O C é decidir o que fazer. Hahahaha! Sobre o atual momento, sei que vou postar isso no blog e correr pra piscina, pra aproveitar o restinho de sol! É isso! Fui nadar! Tchau!

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

A vida secreta da área da piscina

Recentemente descobri que o coração do condomínio em que se vive é, sem dúvida alguma, a piscina. Já comentei antes por AQUI que resolvi usar as dependências do prédio, já que pago caro pela manutenção das mesmas e chega até a ser uma vergonha não usar nadinha. Mas, não é que eu descobri uma vida secreta, que só acontece ali, debaixo do sol e de biquini?!?! Porque a piscina é uma rota de informações... tudo passa por lá. Amizades com os vizinhos começam ali e o ambiente é totalmente propício para a troca de informações não confirmadas, a famosa fofoca, carregada de exclamações como "não acredito, meniiiiinaaaa!" e "nooooosssaaaaa". Aquilo é praticamente uma "sopa primordial" de onde os boatos saem por todos os lados e vão evoluindo, tomando forma e corpo, ficando cada vez mais complexos. Eu tenho o meu ritual, sempre desço com uma toalha, óculos de sol, um livro (desses bem bobinhos, que agora eu costumo chamar de "o livro da piscina"), as chaves e, é claro, o celular (vai que alguém ligue... nunca se sabe). E como diria aquele bordão de novelas: cada mergulho é um flash! Nunca sei como a tarde vai se desenrolar. Tem dias que não há ninguém e aí eu leio à vontade, me esparramo na cadeira, sem ter vergonha das celulites à mostra. Tem dias em que a porção feminina do prédio está em peso. Esses são dias ótimos para se adquirir cultura inútil, falar abobrinhas, trocar conselhos de academias, dietas, gorduras e homens. Sim, porque pode ter certeza, juntou a mulherada (ainda mais a mulherada que já passou dos 25), o assunto sempre aparece. Esses dias uma até recomendou que arrumássemos um rapaz de 20 anos, que esses é que sabem como aproveitar a vida, além de estar "super na moda" sair com rapazinhos. Em outro momento, a conversa girou em torno da gravidade e das bundas, coxas, e outras coisas que começam a afofar e ir em direção ao chão, após os 30 anos de idade. Deu vontade de chorar quando pensei na realidade da coisa! Mas o bom é que nem tudo são tristezas, junto com a infelicidade do assunto vêm receitas milagrosas para deixar tudo em cima. Na piscina fala-se dos casamentos que deram errado, dos que estão começando e dos sonhos de se ter um, assim como da doença de uns e das cirurgias plásticas de outras. Quando as famílias vão se refrescar por lá, todos são só sorrisos, crianças que gritam o tempo todo e jogam bolas e respingam água por todo canto, e o resto de nós abre um sorriso e também se mantém educadíssimo. Na piscina as pessoas são sempre agradáveis, meigas e suaves. Agem como se conhecessem todos desde a infância e eu tenho lá minhas dúvidas se, com o cloro que é adicionado à água, também não há alguma outra droga que transporta todos para um universo paralelo, cheio de sol, calor e futilidades, mas extremamente relaxante. O ambiente da piscina, de uma certa forma, é como ler a revista CARAS no cabelereiro: não adiciona nada à nossa vida, mas ajuda a descansar a cabeça. E isso sem dizer que FINALMENTE eu estou perdendo a minha corzinha de leite desnatado! E viva o piscinão!!

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Como estragar um casório

Certos momentos me dão crise de ansiedade. Às vezes nem sou eu que estou passando pela situação, mas mesmo assim fico extremamente nervosa, segurando a respiração, até ver que tudo saiu bem. Andar na frente de um monte de gente, para receber um diploma de formatura ou no dia do casamento, são situações que eu sempre imagino tombos e humilhação máxima. Mas esse vídeo abaixo conseguiu bater TODAS as minhas expectativas:

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fim de Caso

Querida Pós-Graduação,

Está tudo "quase" acabado entre nós. Não sou eu, é você. Eu te culpo por ter acabado com meus sonhos utópicos científicos e ter me tornado uma pessoa nua e crua. Quando eu te vi, pela primeira vez, ahh... aquele vislumbre já me enchia de energia, de emoção, de um desejo altruísta de salvar o mundo! E hoje eu só quero chegar ao fim do mês com um grau modesto de sanidade e as contas pagas. No começo, tudo eram flores. O status de "pós-graduanda", a imponência do título de "Doutora", o orgulho de fazer parte da nata de estudantes que chegaram ao seu máximo educacional, tudo isso contribuiu para a minha súbita paixão... inconsequente, eu diria, dessas que faz a gente prometer 4 anos das nossas vidas (no mínimo) e mais de 40 horas de trabalho semanal por uma reles bolsa de estudos, dessas que é preciso vender o almoço para pagar a janta. Mas eu te aceitei, de braços abertos e perdidamente embriagada pela idéia de Você. Quanta ingenuidade! Com o passar dos dias, semanas e anos eu percebi que o mundo não seria salvo... não pelo meu doutorado, mas o meu mundo, ahh, este sim, ficaria revirado, como ficam as cidades despreparadas após as grandes catástrofes. Sim, porque eu eu acreditei em você. E, é triste constatar, você mente! Me iludiu com suas falsas promessas de artigos, experiências que dariam certo nas primeiras tentativas, hipóteses que seriam metodicamente refutadas ou aceitas pelo método científico, congressos maravilhosos, onde eu poderia apresentar todos os meus esforços compensados e a certeza de um prêmio Nobel... Você MENTE! A verdade nua e crua é que você se esconde atrás de uma falsa imagem de glamour, quando na verdade não passa de uma armadilha para os ingênuos e de boa fé, como eu. Quando nos damos conta, temos 30 anos de idade, quase nenhum artigo publicado, infinitos gráficos que não nos dizem nada e resultados pífios, mas ainda assim obtidos após semanas inteiras sem dormir. Por que ninguém é o mesmo que era, depois de uma pós-graduação. Reparamos que os dias não são tão alegres, na verdade são bem cinzas e frios ou quentes demais; percebemos que a Ciência não é mais tão palatável quando repetimos o mesmo experimento pela octagésima nona vez; aprendemos a ser verdadeiramente humildes, não por opção, mas pela falta dela... fato que fica evidente pela pindaíba generalizada apresentada por exércitos de pós-graduandos pelo mundo afora. Você MENTE! E também corrompe! Da candidata a doutoranda esperançosa e cheia de planos eu me tornei a quase-doutora sádica, que acha normal ver um estagiário levando ferro num experimento, só pra provar que eu não sou a única azarada nesse mundão de meu Deus, mas que todos estamos condenados. Assim como eu, milhares de outros pós-graduandos, já surrados e desestruturados, se escondem atrás de uma máscara de felicidade superior, como se fôssemos seres elevados, só para atrair mais gente pra pesquisa e nos sentirmos vingados em te ver destruindo a vida de cada um deles... O nosso caso, pós-graduação, está perto de um fim. Ainda falta um ano: fevereiro de 2012, mas os dias estão sendo contados avidamente! E que fique claro... a culpa não é minha.. é sua! E, mais uma vez, repito: VOCÊ MENTE!

PS: Querido doutorado, foi só uma brincadeirinha! Você sabe que eu te amo um tantão e que te escolheria mil vezes de novo, né? Por favor, não se vingue de mim! Eu fui obrigada por ETs-besouros a escrever esse texto abominável, mas você sabe que é o meu xodó, né? Te adoro, lindão!

Figura: PhD Comics

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