segunda-feira, 28 de março de 2011

Crônica de minuto - por Silmara Franco

Um dos Blogs que sempre visito e que consegue me encantar vezes seguidas é o Fio da Meada. A Silmara Franco é a responsável pelos inúmeros (e maravilhosos) textos que são postados por lá e, toda vez que eu leio algo como o texto abaixo, fico pensando que capacidade é essa que ela tem de escolher as palavrinhas certas para me deixar suspirando de vontade de escrever como ela!

"Crônica de minuto #21
Criança de colo ainda, conheceu três orfanatos. Sempre o mesmo enredo, não havia lugar para ele. Nunca houvera, enfim. Sequer no útero original foi bem-vindo; ele é que não obedecera às ordens de despejo. Da infância, cerzida a caridade, só recordava dos confetes de papel colorido que ganhava na quarta-feira de cinzas. Os que haviam sobrado. Aprendeu a fazer festa depois da festa. Fez alegoria da solidão. Inventou sua história com os pedaços de vida que os outros não queriam mais. Vida de retalhos que não combinavam entre si. Teimou tanto em ser feliz, que um dia costurou e vestiu sua própria fantasia de alegria. Nunca mais tirou."

Já postei outros textos da Silmara aqui, inclusive um que ela cedeu generosamente a todos que quisessem homenagear a chegada de um novo bebê na família. E, é claro, que esse texto emocionou a TODO mundo na minha família, com o nascimento da minha sobrinha.

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domingo, 20 de março de 2011

O avesso do sonho

Dream. by Alaska Young.
Dream. a photo by Alaska Young. on Flickr.
Essa noite tive um sonho perturbador. Sonhei que morava numa casinha linda, no interior de algum país distante, tinha um labrador, um gato preguiçoso e uma lareira acesa, um laguinho cheio de peixes, uma escrivaninha cheia de idéias, rascunhos e manuscritos. Cinco crianças corriam, brincavam, gritavam no jardim, e a alegria do momento era tão grande que acordei com um nó na garganta, pensando no absurdo de um sonho que não queria dizer absolutamente nada para mim, que moro em uma megalópole, faço doutorado, estudo e trabalho nessa vida corrida e cheia de rotinas, sem muito tempo para viajar, descansar, aproveitar...

Essa noite tive um sonho perturbador. Sonhei que morava numa cidade grande, animada, cheia de vida e oportunidades, fazia doutorado e me dedicava integralmente aos estudos e pesquisas. Tinha uma rotina puxada, mas competitiva e empolgante, sem filhos ou qualquer tipo de obrigações familiares que me impedissem de ser uma "cidadã do mundo". Viajava quando podia e o dinheiro permitia, mas era livre e feliz. Acordei com um nó na garganta, pensando no absurdo de um sonho que não queria dizer absolutamente nada para mim, que moro em uma cidadezinha pacata do interior, sou uma pequena escritora, mãe de cinco filhos, vivendo uma vida simples e cheia de rotinas, sem muito tempo para viajar, descansar, aproveitar...

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terça-feira, 15 de março de 2011

Cisne Negro


O que dizer do filme "Cisne Negro", de Darren Aronofsky, que concorreu ao Oscar e nos presenteou com a maravilhosa performance de Natalie Portman? Nem sei por onde começar, ou como fazê-lo. Cisne Negro ficou marcado a ferro na minha memória, por vários motivos, associado a várias sensações, mas todas intrincadamente relacionadas à angústia. Sim, essa é a palavra que define esse filme: Angústia. Na sua forma mais nua e crua.
Sempre que assisto a um filme considerado um "primor", fico remoendo, durante a exibição do mesmo, a história que estou vendo e me pergunto mil vezes se o filme realmente merece a fama. Posso dizer que, até um pouco depois da metade, Cisne Negro é somente interessante. A trama se constrói de uma maneira inteligente, deixando o expectador incomodado com a situação apresentada. Mas, de repente, o filme entra num redemoinho de situações absurdamente angustiantes, culminando num dos finais mais perfeitos que eu já vi no cinema. A viagem emocional foi tão grande que eu sentia calafrios e arrepios de acordo com o "acorde" das cenas, entrando num loop crescente de aflição, que terminou juntinho com o destino da personagem principal.
Conheço várias pessoas que não acharam esse filme lá grande coisa. Todos homens. Não sei, talvez seja algo com o qual a percepção feminina se conecte melhor. Talvez eu não conheça gente o suficiente para chegar a uma conclusão. Sei que aquela tela gigantesca de cinema conseguiu me levar lá pra dentro, me aprisionar, me emocionar, me desinquietar, e me devolver emocionalmente esgotada e revirada. Pode parecer bobeira, mas não foi. Talvez esse tenha sido o motivo de eu não ter conseguido escrever esse post antes. Talvez o fato da minha noite também ter terminado em desassossego tenha ajudado nesse "bloqueio" que me impediu de escrever sobre o filme, antes de hoje. Não sei. Só sei que Cisne Negro entrou para a minha lista de filmes que me tocaram profundamente, e duvido que algum dia eu consiga encarar uma reexibição do mesmo.

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domingo, 13 de março de 2011

Carnaval 2011 - Maresias

Momento "despedida da praia" -  08/03/11

Ahhh, o Carnaval! Será que existe quem passe o ano esperando o Carnaval chegar? Ou sou só eu? Por isso o desespero de não ter algo pra fazer quando a data se aproxima. Mas dessa vez, assim como em alguns momentos, quando eu simplesmente deixei coisas novas acontecerem, resolvi encarar algo diferente: ir pra Maresias (praia do litoral de SP) com a turma de uma amiga. Não conhecia ninguém. E era meio que um pacote completo e fechado. Umas 20 pessoas em duas casas de um condomínio, convivendo por 4 dias inteirinhos, acordando juntas, almoçando juntas, indo pra praia em comboio, saindo à noite, jogando jogos de tabuleiro e de videogames. Foi um tiro no escuro sim. Mas entre ficar em SP ignorando o feriado e ir para BH (onde o Carnaval é sem-graça) resolvi arriscar, afinal de contas já há quase 10 anos não ia à praia. O resultado foi sensacional! Acho que nunca conseguiram uma turma que combinasse tanto! E que se "gostasse" tão rápido! Várias pessoas, assim como eu, estavam no esquema: "não conheço quase ninguém, mas vou assim mesmo para ver como vai ser".
Tá bom, tá bom, não teve lá muito sol. Mas mesmo sem sol a gente se divertiu muito. No sábado fomos conhecer a Sirena, uma balada famosa de Maresias, e quem tocou foi o Bob Sinclair. Dele eu só conhecia uma música (Love Generation) que já é meio idosinha, mas bastou a combinação Hit Antigo + Carnaval + Àlcool na cabeça, pra noite virar um MEGA-EVENTO! kkkkkkk! Chegamos quase meia noite e aproveitamos tudo, mas quando saímos às 5 da manhã, não é que o bendito não tinha tocado a tal da música?? Tive que me contentar em ouvir no YouTube mesmo!
Nos dias seguintes, caminhamos muito na praia, comemos, comemos, comemos e comemos (pensamento gordo no Carnaval!), jogamos MUITO Imagem e Ação, inclusive alguns momentos de crise de riso MASTER que eu já tive foram durante essas partidas. Também aprendi a não ser tão ruim jogando Guitar Hero e Rock Band, bebi muita Brahma, e Itaipava, e mais Brahma, e Itaipava... num círculo vicioso. Isso tudo, além de conhecer ótimas pessoas, e realmente acredito que várias delas ainda vão ficar um bom tempo por perto.

O balanço foi absolutamente positivo! Não é à tôa que o meu Facebook está abarrotado de fotos do Carnaval, de novos amigos adicionados, de gente marcando barzinhos e baladas! Voltar para a rotina é que vai ser difícil!

E só porque essa música não tocou no Sirena:

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sábado, 12 de março de 2011

Tô viva!!!

Tá, eu sei, faz um tempão que eu não posto nada, sem exatamente um motivo claro. Mas ele existe... é claro que SEMPRE existe um motivo pra gente fazer ou deixar de fazer as coisas, mesmo que o motivo seja só "gostar" ou "estar a fim" de fazer algo. Há algumas semanas eu estava focada em fazer um post sobre o filme "Cisne Negro"... mas não consegui. É algo assim, muito confuso. O filme e o meu estado de espírito naquele momento. Então fui deixando, fui esperando o momento certo, fui amadurecendo o que gostaria de falar, e tô quase pronta para escrever as minhas impressões. Logo logo elas estarão por aqui. Também pensei em falar do Carnaval que estava chegando, do Carnaval que estava no seu auge, e do Carnaval que acabou e só deixou alegrias. Mas ainda não processei direito esse turbilhão de coisas que aconteceram recentemente, nem as pessoas que conheci, nem as mudanças que elas trouxeram pra minha vida. E hoje, eu acabei de ver novas idéias de posts, de coisas que eu queria compartilhar, e que, acreditem, também estão no forno, quase prontas para serem despejadas por aqui. 

Resumindo, esse post é só pra mostrar que eu tô viva, tô "pensante" e que assim que posível volto com as mesmas bobeiras de sempre!

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Praticando o desapego

 Picture: "Lonely in Venice" -  From my good friend Nabin

De todas as formas de expressão do ser humano, a que mais me espanta é a capacidade de "auto-sofrimento". Sofremos não porque gostamos de sofrer, mas porque nos apegamos demais a algo criado pela nossa cabeça. Li recentemente num blog que acompanho que na verdade não sofremos por amor, mas sim pelas expectativas montadas ao redor da pessoa que gostamos. A nossa mente cria uma realidade paralela onde conseguimos vislumbrar o que gostaríamos, mas algo que não é real. Concordo. E isso vale para todo o resto. Temos essa característica singular de sentir culpa por coisas que claramente não são da "nossa alçada". Ninguém deve ser culpado por um sentimento que acabou, por um gostar que esmaeceu, pelo destino dos outros. Simplesmente porque essas coisas acontecem, independentes da nossa vontade. É normal se preocupar com as consequências de uma atitude tomada, mas pode ser até mesmo doentio deixar que essa preocupação tome conta das nossas vidas, guie os nossos passos, impeça a vida de seguir leve e fácil, como ela deve ser.
Repito: a vida tem que ser fácil, leve, interessante, divertida. Sofrimento só é bom por permitir uma reavaliação, um check up completo, para que depois possamos voltar a viver mais felizes e bem resolvidos. Quando o sofrimento é pesado demais, um pouquinho da nossa alegria acaba indo embora para nunca mais voltar. Do mesmo jeito que, em certos momentos sofrer é preciso, expurgar a tristeza é vital. Auto-piedade e culpa literalmente podem destruir o que temos de melhor. Não só perdemos a cabeça numa confusão sem fim, como perdemos a noção do que queremos e fechamos as portas para situações e pessoas que obviamente poderiam nos ajudar. E como tudo na vida é timing, pode ser que essa "ajuda providencial" já tenha ido embora, quando finalmente estivermos prontos para ela. E, acredite, ninguém quer perder uma chance de voltar a ser feliz.
Resolver-se é preciso. E o tempo ajuda nesse processo. Como já escrito por Érico Veríssimo: "...O tempo passou. Dizem que o tempo e remédio pra tudo. O tempo faz a gente esquecer. Há pessoas que esquecem depressa. Outras apenas fingem que não se lembram mais...". Mais do que esquecer, é preciso querer melhorar, trabalhar esse turbilhão de sentimentos tristes e transformá-los em algo cada vez menos penoso. Caso contrário, todo o sofrimento, a tristeza e a melancolia acabam virando mágoa. E esta ocupa direitinho o espaço que a alegria deixou, quando foi embora. Sem a menor dúvida, isso explica uma grande quantidade de pessoas amargas, infelizes e deprimidas que existem por aí.
Portanto, desapegar é importante. Pra gente viver mais e melhor. Pra gente ser feliz, independente do quanto já sofreu. Pra gente gostar mais ainda de nós mesmos. Desapegar, sem dúvida, é um atalho para a felicidade.

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