sexta-feira, 13 de maio de 2011

Campus "unificado"? Não é bem assim...

Symbol Yin Yang by Yin Yang: Premium Lifestyle Loungements
Poucas coisas me deixam mais irritada do que a capacidade do ser humano de ser ignorante, impondo sua vontade sobre a dos demais. Particularmente, vim falar de duas coisas que acontecem na USP e que sempre geram conflito. A primeira delas é a greve anual “de praxe”, que ocorre sempre do meio para o final do ano, e que é conduzida da PIOR maneira possível. Eu não sou contra greve ou grevistas. Longe de mim! No meu entender, todos têm o direito de exercer aquilo que lhe é de... direito! Pois bem. Se um tem o direito de entrar em greve, outro tem o de NÃO aderir à mesma. Simples, não? Mas não é assim que funciona. Na USP (assim como eu já vi acontecer na UFMG, quando estudei lá), a greve é obrigatória, mesmo para aqueles que não querem se envolver. Quando o movimento de greve é lançado, dentro de pouco tempo começam as agressões à liberdade alheia. Pessoas são impedidas de assistirem aulas, de usarem os “bandejões” universitários (mesmo que alguns sejam privados), de deixarem os filhos na creche da USP... e por aí vai. Esses absurdos acontecem SEMPRE. E, para o público em geral, a mensagem passada é que a greve na universidade tem total apoio dos estudantes, funcionários e professores. MENTIRA! Essa é a mensagem que gente que quer levar a greve adiante, custe o que custar, passa para o resto da população. Direito a greve? Sim! Mas cada um na sua. Respeitem o direito de quem não está nem um pouco a fim de aderir a esse movimento. Algum tempo atrás, um grupo de estudantes “anti-greve” foi fazer um protesto pacífico... algo desastroso, que resultou em confronto direto com o pessoal a favor da mesma. Em que mundo nós vivemos em que as pessoas exercem o seu direito subjugando tudo e todos ao seu redor? Por isso tenho uma enorme PREGUIÇA de paralisações universitárias... elas sempre me lembram episódios VERGONHOSOS como esses que citei. Isso sem falar das inúmeras vezes que, para impedir funcionários, alunos e professores de trabalharem durante uma greve, o patrimônio público acabou sendo destruído. Aí, quando essas cenas revoltantes acontecem e a polícia entra na jogada para tentar controlar a situação, os jornais bradam em alto e bom som que o Estado fez uma intervenção ditatorial no espaço universitário, que os grevistas sofreram agressões horríveis simplesmente por estarem no seu direito, etc... realmente, não é bem assim.

A segunda coisa que me tira do sério é o velho discurso da “independência” das universidades no que se refere à ausência da Polícia Militar no campus. Eu entendo que isso foi algo grandioso e importante numa época onde ações ditatoriais coibiam a liberdade das pessoas. Uma vitória, que permitiu o “livre-discurso” onde antes não havia espaço para algo do tipo... e por aí vai. Mas os tempos mudaram. De nada adianta ficar batendo na mesma tecla eternamente quando a situação está cada vez mais estranha, que é o que acontece na USP, hoje em dia. A guarda universitária é a responsável pela patrulha do campus, mas além de serem poucos para uma Universidade tão grande, “diz a lenda” que a guarda não pode portar armas ou agir como PM. Tudo bem. Só que, já há muito tempo, a violência dentro da cidade universitária vem aumentando de maneira assustadora. Todos já ouvimos de histórias de roubos, furtos, estupros e mortes de estudantes eventuais. Atualmente, a nova “moda” é o seqüestro relâmpago. Bandidos armados abordam pessoas que estão entrando em seus carros, e saem com elas do campus, roubam dinheiro do banco, celulares, cartões e a vítima acaba por ser liberada em algum ponto de SP. Até agora, pelo menos, foi assim. Três pessoas, que trabalham no mesmo prédio que eu, passaram por isso, além de outras que não conheço. Está mais que na hora de reverem essa decisão de PM NÃO PODE atuar no campus. Dizem mil e uma coisas. Que a situação onde a PM atua não é nada melhor, que também há violência de sobra pela cidade, que a presença de armas não mudaria nada pra melhor, mas poderia piorar muito a situação, etc, etc, etc... Mas a única coisa que eu penso é: estamos vivendo um tempo de medo, onde qualquer proteção adicional traria um pouco de paz para todos que trabalham na USP. Não me venham com a mesma conversa de sempre. Se a PM é ruim, infelizmente é o que temos. Um ladrão vai pensar um pouquinho mais se deve ou não atacar qualquer pessoa que seja, sabendo que ali perto está uma viatura da PM. Mas, no fundo, além do discurso válido de que a presença da PM poderia não ajudar em muita coisa, se esconde a triste realidade que MUITA GENTE (diga-se aqueles que têm motivos “duvidosos” para não querer a PM por perto) tem uma opinião contrária, simplesmente porque sairia “prejudicado” com a polícia ali do lado. Por ex., quem nunca viu o tráfico correr solto nos campi? Eu já vi inúmeros alunos usando livremente drogas pela(s) universidade(s). Mas, nããão... vamos nos esconder atrás de argumentos que mexem fundo com o sentimento das pessoas... vamos clamar aos quatro ventos a nossa necessidade de liberdade do Estado... quem sabe assim conseguiremos enganar a nós mesmos.

OBS: Obviamente essa é a minha opinião e respeito a de cada um. Se não respeitasse, estaria fazendo a exata coisa que disse me irritar, logo no começo desse texto.

Photo:  Symbol Yin Yang, a photo by Yin Yang: Premium Lifestyle Loungements on Flickr.

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