terça-feira, 5 de junho de 2012

A arte de procrastinar


Muitas vezes parei pra pensar se eu tenho alguma doença séria.. dessas que só acontece 1 vez em 1 bilhão de pessoas. Dessas enfermidades raríssimas e, se bobear, ainda desconhecida. Às vezes eu realmente acho que eu tenho alguma síndrome com um nome estrangeiro chique, aquele tipo de coisa que não há o que fazer, a não ser aceitar a sua condição. Mas no dia-a-dia eu sei perfeitamente bem qual é o meu problema: Procrastinação.

Gente, eu tento... todo dia eu falo: "Amanhã vou acordar cedinho e fazer tudo sem ficar enrolando, sem preguiça, super disposta e meu trabalho vai render! Às 4 da tarde já terei terminado tudinho e vou pro meu descanso e lazer merecidos!". Vã ilusão... Claro que, quando necessário, eu acordo cedo sim. Mas, caso eu não tenha nada marcado pras primeiras horas do dia, eu acordo depois das 10. Se me deixarem e a vergonha não me matar, eu acabo acordando bem depois do meio dia! Eu tenho essa tendência à preguiça que é algo horroroso.
Não me entenda mal, se eu preciso trabalhar, eu trabalho e sai tudo muito bom. Mas se eu preciso estudar pra uma prova, eu deixo pro último minuto e faço tudo com o tempo corrido. Eu vou bem, mas me dá uma raiva eu ter me deixado nessa situação, com o coração na boca.


E eu procrastino loucamente. Essa palavra grande, difícil e chique faz parte do meu dia a dia. Basicamente ela quer dizer: "Pra que fazer hoje o que você pode deixar pra amanhã?". E, pior, ultimamente eu cheguei a aceitar esse meu lado. Porque antes eu sofria por ficar procrastinando o dia todo ao invés de estudar. Eu via tv, ia pra internet, lia um capítulo de um livro, via um episódio de um seriado, deitava e ficava olhando o teto, reorganizava minha gaveta 80 vezes, etc, etc, etc... Mas eu me sentia extremamente culpada por isso. Hoje eu me sinto "culpadinha" somente.. Eu sei que quando for preciso eu vou lá e faço. Mas não sou uma pessoa extremamente produtiva. Uma vez fui a uma palestra de um dos meus professores lá da USP e o cara falou assim: "Sejam produtivos! Isso fará toda a diferença na sua vida científica, pra sua carreira, pro seu senso tarefas cumpridas. Durante o horário de trabalho - das 8 da manhã até as 5 da tarde - não abram facebook, twitter ou qualquer site que possa te distrair. Só abram emails e só respondam os que forem sobre trabalho..."
Eu juro, PELOS PODERES DE GREYSKULL, que eu queria afirmar que cumpro isso à risca. Mas não cumpro. Por isso às vezes me pego pensando se eu não tenho a Doença do Sono ou uma enfermidade que afeta a minha produtividade e estimula a procrastinação...

O que eu tenho feito, sempre que preciso terminar algo de uma vez, é trabalhar na base da recompensa. Dizem que o castigo que é aplicado à minha sobrinha, quando ela não se comporta, é segurá-la sentada no sofá por alguns minutos, sem deixá-la descer e brincar, pra ele "entender" que não deve fazer certas estripulias. O que eu faço comigo própria é quase isso. Eu trabalho na base da recompensa. Penso: "se eu escrever esse capítulo eu posso jogar no computador por meia hora". Ou então: "Se eu terminar de estudar e resolver os exercícios eu posso comer chocolate". E assim vou levando tudo, presa no meu sofá imaginário. As coisas ficam prontas.. mas com tanta enrolação, eu gasto 3 vezes mais quando eu poderia já estar qualquer outra coisa sem peso na consciência.


1 comentários:

Juliana disse... [Responder comentário]

Oi Ana, tudo bem?
Sou repórter da Folha de S.Paulo, caderno Folha Equilíbrio, e estou fazendo uma matéria sobre uma pesquisa que fala dos motivos da procrastinação. Será que podemos conversar?
Meu e-mail é juliana.vines@grupofolha.com.br
Obrigada desde já,
Juliana

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