terça-feira, 14 de agosto de 2012

"Qual foi a melhor coisa que não lhe aconteceu?"

Figura: NET

Uma das crônicas de Martha Medeiros que li recentemente lançava a seguinte pergunta: Qual foi a melhor coisa que não lhe aconteceu?
Achei o questionamento muito interessante, afinal de contas sempre estamos acostumados a pensar sobre como seria a nossa vida "se" tivéssemos feito outra escolha. Mas, em geral, não pensamos de maneira positiva sobre algo que queríamos e que não deu certo. Por isso achei que vale a reflexão.

A melhor coisa que não me aconteceu, pelo menos que eu consiga pensar neste momento, foi não ter sido selecionada para uma viagem que eu queria MUITO! Mas se eu queria tanto essa viagem, como não ter sido escolhida pode ter sido tão "bom"? Já explico.

Quando tinha uns 19-20 anos descobri que existia um programa de preparação de jovens para trabalho temporário nos Estados Unidos. Especificamente, para trabalhar como monitores de acampamentos de verão, liderando brincadeiras e atividades. O programa durava alguns meses e os jovens passavam finais de semana aprendendo a se comunicar de maneira divertida, com teatros, jogos, músicas, tudo em inglês. Me inscrevi nesta seleção e acho que me adaptei realmente bem, mas por alguns motivos, não consegui viajar. Fui cortada na última "peneira", após uns 6 meses de treinamento. Na época, pensei que não iria conseguir superar aquele fracasso. Eu realmente tinha me esforçado e me saído bem. Era uma das poucas chances que teria de conhecer um novo país.

Após a "não-seleção", pus na minha cabeça que iria viajar SIM. Procurei uma maneira de conseguir o mesmo tipo de trabalho temporário em acampamentos e, apesar de ser algo extremamente burocrático, já que não tinha uma agência me ajudando (ficaria muito caro), consegui entrar em contato com um acampamento de verão que topou o desafio de me ajudar a conseguir um visto. Eu e uma amiga acertamos tudo e, quem diria (!), fomos! Esse acampamento era exclusivo para crianças, de 08-17 anos, diabéticas do tipo 1, isto é, que viviam num regime rigoroso de controle com injeções diárias de insulina. Apesar do medo de lidar com uma doença que eu pouco tinha ouvido falar e de ir para um país novo pela primeira vez, de falar uma língua diferente, até do medo que a minha mãe tinha disso tudo ser uma fachada e desse lugar ser uma rede que sequestrava mulheres (medo), esta foi a melhor viagem que já fiz na vida. Desde então, TUDO mudou pra mim. O tempo que passei no Clara Barton Camp me fez ter um interesse enorme a respeito do Diabetes, melhorou meu inglês, ajudou na minha independência e me fez mudar a minha carreira profissional. Larguei o bacharelado em Microbiologia e entrei no de Bioquímica. Comecei a pequisar parâmetros do Diabetes Mellitus e, até hoje, trabalho na área. Defendi meu doutorado focando o tema. Ano passado viajei para uma das clínicas/institutos mais importantes do mundo, que, por coincidência, é responsável por manter a parte clínica daquele acampamento que visitei 10 anos antes. 

A mudança que "não ter sido escolhida" naquela seleção, gerou na minha vida, foi gigantesca. Não sei o que seria se eu, de fato, estivesse entre os selecionados. O que sei é que, como resultado dessa experiência, essa, sem dúvida, foi "a melhor coisa que não me aconteceu"!

2 comentários:

Gui (Garpereira) disse... [Responder comentário]

Ana, que magico, legal saber mais de você.. Bj

Ana Campanha disse... [Responder comentário]

Obrigada, Gui!!! E tô esperando pra saber como um mineiro foi parar no interior de SP!! hehe

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