domingo, 9 de dezembro de 2012

Calor...

 Mais um ano que passou e cá estou eu, novamente reclamando do calor. Não é possível... não é humanamente possível que as pessoas realmente adorem o calor. Fico indignada com isso... porque no calor insuportável acima dos 30 graus Celsius, que é o que está fazendo todo santo dia, eu não tenho forças nem pra continuar vivendo. Na tentativa de suportar melhor o dia, eu me estatelo na cama, com um ventilador na minha cara, mais esparrachada que uma lesma, mais suada que porco assando no forno (só me falta mesmo a maçã na boca), mais sem futuro do que fita cassete... sei la... isso não é coisa de gente. E o pior, o ventilador adianta pouco porque ele acaba jogando o ar quente pra cima de mim...

Já enfrentei locais muito frios. Mas aguentar o frio bravo é uma questão de roupa certa. Frio é algo que dá totalmente pra jogar "uma conversinha" e "levar no bico".. mas calor... calor é coisa de pagação de pecados, só pode. Eu não consigo render quando faz mais do que 30 graus. Não consigo pensar direito. No momento ando corrigindo provas e trabalhos dos meus alunos, mas só consigo botar a mão na massa depois das 6 da noite. Antes disso, é brincar de ovo frito...

Tenho medo do meu cérebro acabar sendo afetado. Às vezes tenho ânsia de mudar para um canto bem frio do globo, só pra eu reclamar bastante da temperatura super baixa. Mas o pior de tudo é que, ou a pessoa vai ficando velha e passa a reclamar de tudo e reparar em coisas que a irritam e que antes não percebia, ou cada ano está ficando absurdamente quente mais cedo. Da última vez que eu reclamei assim de calor, acho que foi em Janeiro ! Dessa vez o calor começou bravo em Outubro...

Figura: NET

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Em busca de um sofá e um pote de ameixas

É engraçado como certas coisinhas ficam na nossa memória, mesmo com o passar de uma vida inteira. Quando eu era bem pequena, adorava ficar escondida atrás do sofá de casa, comendo tranquilamente um potinho de ameixas. O sofá da casa onde eu morava era composto de dois colchões e almofadas grandes sobre eles. Eu empurrava os colchões, deixando um buraco entre eles e a parede, tirava uma das almofadas gigantes e me escondia ali. Eu e as minhas ameixas. Nessa época eu devia ter em torno de 3 ou 4 anos e não tenho nem idéia do porquê tinha essa fixação toda por ameixas, mas consigo me lembrar nitidamente dos momentos em que eu me escondia ali. Era como se aquele cantinho atrás do sofá fosse o local mais reconfortante do mundo e as frutas, o maior tesouro gastronômico que eu poderia desejar. Toda vez que essa memória me vem à cabeça, está acompanhada de uma sensação de "casa", de satisfação e de bem-estar.

Hoje vi uma reportagem sobre o vestibular e como os alunos se preparam para essa etapa tão cheia de dúvidas e inseguranças. O repórter perguntava a vários adolescentes o que eles consideravam importante na escolha de uma profissão. Alguns escolhiam carreiras financeiramente privilegiadas enquanto outros optavam mais pela satisfação pessoal, independente da profissão ser a de médico ou a de oceanógrafo. Em seguida, a reportagem mostrava dados científicos que correlacionavam o sentimento de satisfação profissional com o tipo de escolha feito. Sem a menor dúvida, as pessoas que se sentiam melhor em seu trabalho, após décadas de profissão, eram aquelas que gostavam (E MUITO) do que faziam. Neste ponto eu peço atenção: gostar de ganhar muito dinheiro é uma coisa bem diferente de gostar do trabalho do dia a dia. Geralmente, a não ser que você ganhe na loteria, seja de uma família rica ou dê uma sorte danada, o dinheiro em grande quantidade só vem pra quem se dedica bastante. E pra quem, além da dedicação, se esforça, abrindo mão de alguns programas com os amigos, de algumas regalias, de alguns finais de semana, pra chegar a um resultado. E, a verdade é que, se entregar a uma profissão com esse tipo de comprometimento, quando não é algo que você realmente goste (ou até mesmo AME) é complicado. A razão mais óbvia do porquê isso não tende a dar muito certo é que, apesar de no começo da carreira a gente aceitar se matar de trabalhar, a coisa perde um pouco a graça depois de alguns anos ou décadas. Neste ponto, passa a restar somente o dinheiro. A gente passa a trabalhar porque é a única forma de ganhar uma compensação financeira, mas está de saco cheio do dia a dia de trabalho.

Por esse motivo, eu acredito que ir em busca de um trabalho que nos motive é absolutamente essencial. Além da razão que eu já citei, existe também o fato da vida passar rápido e, embora essa frase ser um clichê, não deixa de ser muito verdadeira. A gente nunca sabe quando tempo nos resta, o que vai acontecer no nosso ciclo de amizades, na nossa família, etc. Sendo assim, apesar de ganhar dinheiro ser algo muito muito muito muito bom, ser feliz com as nossas escolhas é algo que vai afetar de maneira muito impactante a nossa vida futura.

Hoje eu tenho 33 anos e o que vejo é que vários dos meus amigos se desiludiram com a profissão. O principal motivo? Não ganhar bem e ainda ter que encarar um emprego chato, burocrático e bem diferente do que imaginaram 10 anos atrás. Tenho outros amigos que ganham um salário dos sonhos, mas mesmo assim admitem que não gostam muito do dia a dia, mas como largar uma conta bancária tão recheada? E, claro, tenho amigos que estão felizes, ganhando bem ou ganhando mal, mas com a certeza de que não fariam nada que não fosse uma atividade prazerosa. Nada mais frustrante do que lembrar dos tempos de "antigamente" como uma época feliz, quando não tínhamos obrigações e podíamos passar o dia fazendo qualquer coisa. Para mim, quem pensa assim é porque está insatisfeito com o rumo que sua vida tomou, seja com ou sem dinheiro. 

Eu ainda estou em busca do emprego que vai me dar tanto estabilidade quanto satisfação. Acredito que escolhi a área certa, apesar do momento de incerteza (onde vou trabalhar? onde vou morar?). Estou, agora, prestes a me tornar uma cientista pós-doutora. Se isso não der certo, vou atrás de algo mais. Porque, no fundo, o que todos procuramos, é a sensação de se esconder num sofá velho, com almofadões, e um pote de ameixas fresquinhas, prontas para serem devoradas...


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