quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um calo no pé


Eu tenho um calo no pé que não para de crescer. Ele não cresce descontroladamente ou sequer precisa de cuidados especiais. Eu até diria que ele cresce um pouquinho bem pouquinho por mês, bem menos do que uma unha ou um fio de cabelo, mas o que importa é que ele está desenvolvendo e eu estou ficando preocupada. Não estou preocupada porque é um calo especialmente difícil de se tratar ou porque sinto uma dor aguda a cada passo que dou. Na verdade ele é facílimo de ser tratado e não me causa nada além de um leve desconforto quando atinge um certo tamanho. Mas é aí que mora o problema, eu não estou tendo tempo para cuidar desse calo.

Tá, chega de mentiras! Tempo eu tenho: na hora do banho, antes de dormir, na hora de ver um vídeo ou ouvir uma música, até mesmo enquanto eu planejo o meu dia de trabalho. Só que, no trabalho, meus afazeres andam um tanto quanto confusos e eu estou numa crise onde quase tudo que tento dá errado. Chego em casa desanimada com todas as coisas profissionais que não estão saindo como deveriam e fico pensando em como vou conseguir dar a volta nessa situação. Tomo banho me perguntando se guardei tudo da minha mesa no local certo e me visto sem saber se coloquei o meu caderno profissional em dia. Assisto um vídeo com um pouco de nó no estômago, porque no fundo eu deveria estar pensando em como resolver essa situação profissional chata que anda dominando minha vida. Ouço músicas para tentar desencanar um pouco do alarme que soa constantemente na minha cabeça, insistindo em me lembrar que em poucos meses eu terei que prestar contas de tudo que não fiz. E, antes de dormir, tento escolher qual a atividade me deixará com mais sono rapidamente, para que eu não entre em um loop interminável de insônia regada a preocupações. E, nesse contexto diário, eu sempre acabo esquecendo de cuidar do calo do meu pé.

Da mesma maneira, atualmente tenho fios indesejáveis a mais na minha sobrancelha. Fiquei de passar no salão de beleza na quarta-feira, mas não me lembro se era na quarta feira da semana passada, quando eu tive dor de estômago de tanto nervoso, ou na quarta que cheguei depois das 8 da noite em casa, e o salão já estava fechado de qualquer maneira. Também nunca lembro de cuidar das minhas unhas, que mais parecem unhas de vestibulandos, todas comidas e maltratadas. As roupas que tenho andam cada vez mais folgadas (afinal de contas, quem tem apetite com tanta coisa a ser feita) e é comum eu ter que sair à noite para comprar algo no supermercado porque não percebi que as compras do mês já se foram há algum tempo. Eu me prometi renovar a matrícula da academia, mas a promessa ficou perdida em Outubro, quando simplesmente me sentia cansada e irritada demais para me submeter aquele local de tortura estética. O produto de limpeza que preciso usar "urgente" na minha cafeteira ainda não foi comprado (já há 6 meses tento arrumar tempo para procurar por ele) e a bichinha ainda resiste bravamente. Ainda bem! O que seria de mim sem o meu café? Prefiro nem pensar.

Em perspectiva, o calo do meu pé, que cresce mais lentamente que o meu amor por jiló, me fez lembrar de como era bom ter cabeça para pensar em coisas práticas, simples e corriqueiras. Coisas que mantêm a sanidade e diminuem o nível de infelicidade quando a rotina parece massacrar. E, sim, preciso de cabeça para me concentrar em outras coisas, porque tempo eu tenho de sobra. Só não tenho, no momento, um nível adequado de inteligência emocional para aproveitar esses momentos e... e... e o quê, mesmo?

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Brave (Sara Bareilles)

Como eu sempre falo, a cada muitos meses eu acabo descobrindo cantores que me deixam meio viciada. Essa música da Sara Bareilles me deixou completamente empolgada! E o vídeo é tão animado e divertido que dá vontade de dançar junto!!

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domingo, 15 de dezembro de 2013

Maneira de viajar

Imagem: Jogo Journey

Para cada alma solta pelo mundo, existe outra alma a ela destinada. Ou pelo menos esta é a motivação romântica mais disseminada ao redor do mundo. Como se o mundo só se baseasse em pares. Como se o mundo fosse destinado a ser vivido em dupla. Como se encontrar a alma certa fosse o principal objetivo de viver. Como se os mistérios e improbabilidades da vida não fossem, por si só, algo pelo qual valesse a pena continuar. Como se realmente o espírito ímpar fosse fadado à infelicidade.

Mal sabem eles que mais importante que o destino é a maneira de viajar. São as atitudes durante o caminho que definem o caráter, moldam a alma e fazem de cada uma delas uma experiência única. E é com cada atitude que nos afastamos ou nos aproximamos de outras almas em jornada. E se no fim só existir o abismo, a queda será mais leve e menos amedrontadora. Leveza de espírito é o que verdadeiramente desanuvia o coração.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Trilogia Jogos Vorazes (The Hunger Games)


Porque eu acho que Jogos Vorazes merece uma postagem exclusiva? Por inúmeros motivos. Primeiro: tenha em mente que essa é uma obra YA ("young adults" em inglês, o que seriam os "jovens adultos" numa faixa etária dos 15-19 anos, eu imagino). Portanto, como eu já falei num post mais abaixo, nada de comparar esse tipo de livro com outros de categorias diversas. Praticamente todo YA é um livro mais fácil de ler, com uma escrita mais fluida, focado em um grupo de pessoas jovens e, quase sempre, tem um romancezinho mais ingênuo e adolescente no meio. Bom, partindo dessas suposições, vamos falar de Jogos Vorazes.

Apesar de ter lido em muitos blogs e assistido vlogs meio que desmerecendo essa trilogia, eu posso afirmar que fiquei extremamente tocada pelo tamanho da obra. Sim, é uma obra incrível, que acredito mexer com as pessoas por vários motivos. Especificamente para mim, eu fiquei extremamente chocada com o livro. Essa foi a minha impressão inicial: choque. Choque por entender o pano de fundo da história: uma distopia em que o governo, para mostrar o seu controle supremo sobre os distritos que formam o "país", celebra anualmente jogos estilo "Big Brother", no qual 24 adolescentes entre 12-18 anos são escolhidos para que lutem até a morte, só restando um vencedor. E é óbvio que essa premissa poderia ser contada de diferentes maneiras. Mas Jogos Vorazes acerta na medida. A "narração" é direta, os fatos são entregues de maneira crua e sem grandes emoções (a princípio).. é simplesmente como "as coisas são"... Em poucas páginas o leitor começa a perceber o tamanho do problema, os meandros políticos por trás do que está sendo contado. A personagem principal (narradora) nos dá uma impressão vívida do que é viver no distrito mais pobre deste país opressor. E é extremamente interessante. O livro me envolveu de uma maneira que eu não conseguia parar de ler.

Daí você se pergunta: mas não é todo mundo que morre de amores por livros tristes sobre distopias selvagens, é? Não.. realmente conheço várias pessoas que preferem algo mais light ou mais realista. Mas como toda grande obra, é possível olhar para a história por vários prismas. Lembrando que é um livro YA, portanto, tem também um leve romance adolescente, tem aventura aos montes, tem cenas que nos fazem debulhar em lágrimas e outras de profundo desespero. A minha visão focou o frágil sistema de controle governamental, que, eventualmente acabaria entrando em colapso.

Ok, ok.. eu também não sou gente grande o suficiente pra só gostar das partes sérias.. eu também gostei bastante da maior parte das coisas. Acho que, ao longo dos 3 livros, muitos momentos foram lindamente retratados: amizades, amores que nasceram, esperança, etc.... e também consigo pensar em muitos pontos em que simplesmente tive vontade de jogar o livro no lixo: excesso de mimimi romântico, exagero de crises aborrecentes, confusões por nada, etc. Mas quando eu penso em tudo que li, percebo que as partes boas e impactantes foram realmente memoráveis!

E o mais incrível? Gente, estamos falando de um livro bestseller que conta a história sanguinária de um governo totalitário e impiedoso.. história essa escrita para o público "adolescente"!!! Sim, isso é incrível! Esse mundo de gente que acaba por esgotar os livros nas livrarias, que lota os cinemas para ver as adaptações, todas essas pessoas se comovem com uma história pra lá de séria. Pode até ser YA, mas a mensagem está lá!

E, claro, nem todos optam por se interessar pelas partes inquietantes... está cheio de gente dizendo que adoraria fazer parte dos jogos, que queria "viver" em Panem (esse país do livro, cheio de dor, angústia e morte), que o livro/filme não teve tantas cenas fofas de namoricos e beijinhos, que não mostrou o suficiente de ação eletrizante... sempre tem quem prefira só ver o superficial. Mas isso em nada tirou o brilho da trilogia Jogos Vorazes, na minha opinião. Muito recomendada!


PS: Tentei não falar praticamente nada da história. Se você já viu os filmes, sabe exatamente o que acontece. Se não viu ou leu nada, ainda, vai ter uma agradável surpresa!
PS2: Vi o primeiro filme antes de ler o livro e achei legalzinho, mas um tanto quanto cheio de personagens com os quais "eu não me importava". Depois de ler o livro 1, revi o filme. Daí tudo fez muito mais sentido!
PS3: O filme 2 é incrível e extremamente bem adaptado.

PS4: Esperei mais de 1 semana para escrever esse post. O terceiro livro (o mais estranho e "pior", na minha opinião), me deixou extremamente confusa. Apesar de não ser meu favorito e ter partes em que eu cheguei a pensar se a autora não escreveu aquilo enquanto estava delirando, tem momentos absurdos e que me fizeram pensar, me deixaram super confusa e pronta para discutir com outros leitores sobre o que foi que aconteceu em tal parte, como isso poderia ser adaptado nos próximos filmes, etc.

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

As coisas das quais não precisamos - por HPCharles

Nos últimos dias mergulhei de cabeça no canal do youtube da Tatiana Feltrin, vendo indicações e resenhas de livros. Na verdade só vejo resenhas de livros que já li, pois tudo pra mim acaba sendo um spoiler. De qualquer maneira, fuçando lá pelos vídeos dela, encontrei o link pro blog que ela divide com o marido, HPCharles. E não é que ele escreve textos incríveis??

Abaixo o link de um dos textos, que fala sobre "As Coisas das Quais Não Precisamos". Uma leitura muito válida e com a qual eu concordo plenamente:

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domingo, 8 de dezembro de 2013

"Quem tem cacife para falar de Literatura?"

Imagem: NET
Eu leio por prazer. Isso está acima de tudo. E mais do que tudo eu tento separar e não comparar injustamente diferentes estilos literários e, principalmente, livros que estão em categorias que não poderiam ser pareados. Sim, eu gosto dos clássicos. Eles podem ser um pouco mais difíceis de se ler, mas a grande maioria que li refletem tanto uma época/período e existe um motivo para terem virado clássicos. Mas eu também gosto de livros de fantasia, de terror, de ficção científica, de biografias.... gosto de livros infantis (adoro!), infanto-juvenis (adoro!) e também dos indicados para os jovens adultos (YA = young adults - ADORO!). Como comparar um livro clássico, como Iracema, a um Twilight da vida?? Impossível. Portanto, não tenho muita paciência para os doutores da razão literária, que colocam méritos em livros baseados no quão a história é válida. Eu sou da turma que acha que ler já vale a pena. Se a pessoa não curte o que é considerado "bom", o problema é dela. Ela tem todo o direito de se expressar como quiser. E, sim, eu também tenho pavor a certos livros, que considero uma perda gigantesca do meu tempo e dos neurônios de todos.. mas essa é a minha opinião e eu quero mais que os outros sejam felizes lendo o que lhes interessa.

Existe todo um estudo literário, uma "ciência" por trás da avaliação do mérito de um livro? Claro que existe! Mas do mesmo jeito que eu não perco meu tempo esperando que as pessoas avaliem de maneira científica qualquer "coisa biológica" que falem (apesar de eu ter uma formação acadêmica strictu sensu na área), também espero que as opiniões (por mais bobas que possam parecer) sejam respeitadas. Afinal de contas um livro não vende, principalmente, porque cai no gosto da grande massa??? Portanto, literatura boa ou ruim, sempre vai ter muita gente gostando daquela obra.

Lembro que uma vez, ao comentar que não suportava Dom Casmurro, uma pessoa me disse: "Ahh, se vc não gosta de Dom Casmurro, deve ser uma daquelas pessoas que adoram Paulo Coelho". Senti um mini-ódio dentro de mim. Bom, eu realmente admiro e adoro vários livros de Machado de Assis. Agora, porque eu considerei chato um livro clássico dele eu estou automaticamente condenada a ser "tapada" quando o assunto é literatura? Eu não gosto de Paulo Coelho.. pra mim os seus livros são uma repetição sem fim da mesma coisa, mas eu já gostei muito quando era adolescente. E respeito quem gosta! Me mata escutar esse tipo de "conclusão" que uma pessoa toma, sem ao menos me conhecer, só porque eu não repeti o que se espera de um livro clássico (e, olha, eu li/leio muitos clássicos e gostei/gosto bastante da maioria).

Essa revolta toda que estou expressando por aqui ressurgiu quando vi um vídeo de uma moça chamada Tatiana Feltrin, que tem um canal literário no YouTube. Reparem que eu não concordo com todas as resenhas/opiniões de livro que vejo no canal dela. Eu, particularmente, discordo seriamente de algumas, mas gosto bastante de ver os vídeos que ela posta, pois me dão idéias de novas leituras, me fazem enxergar pontos de vista alternativos, e por aí vai. Nesse vídeo abaixo ela fala sobre "Quem tem cacife para falar de literatura" e achei bem interessante. E foi isso que me deu vontade de escrever esse post.

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Trilogia Millennium - Stieg Larsson

É bem provável que os próximos posts que aparecerão por aqui serão sobre livros, já que esse ano eu dei uma enorme sorte de escolher obras excelentes! Entre tanta coisa para ler, eu finalmente consegui espaço para a Trilogia Millennium, do escritor/jornalista sueco Stieg Larsson. Acho que foi a decisão mais acertada que fiz em um bom tempo!

A trilogia é composta de "Os Homens que não Amavam as Mulheres" (The Girl with the Dragon Tattoo), "A Menina que Brincava com Fogo" (The Girl Who Played with Fire) e "A Rainha do Castelo de Ar" (The Girl Who Kicked the Hornet's Nest), e todos os três se baseiam no mesmo núcleo de personagens e locais. Não entendi a necessidade de se mudarem os títulos, mas tudo bem.

Essa série é incrível e está, sem dúvida alguma, em primeiríssimo lugar na categoria dos melhores mistérios/thriller que já li. A história é bem fundamentada, detalhada, rica em personagens interessantes e possíveis. Talvez isso seja porque o autor era, assim como um dos personagens principais - Mikael Blomkvist - um jornalista que trabalhava numa pequena revista conhecida por expor as sujeiras de pessoas do poder na Suécia (sim, eles também têm corruptos por lá!). Portanto, conhecia bastante desse submundo, suas artimanhas, a política burocrática e facilmente manipulável... O resultado é uma imersão incrível nesse ambiente tão real. Apesar disso, demorei algumas semanas para ler os livros, pois sempre ficava repensando os diversos momentos descritos.

Já foram feitos 3 filmes suecos baseados nestes livros, mas eu assisti somente a versão americana do primeiro livro (os demais ainda não foram produzidos). O filme também é memorável, com a medida exata de suspense, carisma (ou a falta dele), ansiedade e ação.

O livro 1 é uma história em si. Já os demais, seguem uma mesma sequência de eventos. Em todos eles está presente a personagem mais enigmática que eu já conheci: Lisbeth Salander, um verdadeiro ícone andrógino e uma heroína "às avessas". 

Abaixo um texto em uma coluna Globo, sobre ela:


Trailer do filme americano:

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Um Dia - David Nicholls

Já faz um bom tempo que eu não falo de nenhum livro por aqui. Dei uma olhada nas obras que li, ainda esse ano, e resolvi tentar te convencer a ler "Um Dia", do David Nicholls.

Tá, começo dizendo que até eu tinha preguiça de ler um livro especificamente sobre um possível romance entre amigos. Livro de romance (na minha cabeça) é algo que sempre acaba descambando pros relatos detalhados das aventuras amorosas das pessoas e vira uma coisa semi-erótica que eu, sinceramente, não acho muita graça em ler. Mas uma grande parte das mulheres ama livros assim (que o diga "50 Tons de Cinza"). Por outro lado, tropecei nesse "Um Dia" meio que por acaso. Acho que vi a chamada para o livro na Amazon.com, com a capa do filme que eu nem sabia que existia (e que é bem pior que o livro). Percebi que era um desses livros que muita gente gostou e dizia se sentir "impressionada" por não ser um livro fútil. Baixei pro kindle e deixei ele lá por mais de um ano.

Meses atrás, quando eu tinha terminado dois livros (um de aventura sci-fi e outro de terror) resolvi que queria algo bem fácil de ler e muito diferente dos gêneros que tinha acabado de visitar. Vi o "Um Dia", li a "idéia do livro" e meio que a contragosto, comecei a ler a história.

Aqui a minha postagem muda de tom. Eu ADOREI esse livro! Não, ele não é um livro pra ficar na lista dos melhores da vida. Não, ele não é um romance arrebatador. Não, ele não é o típico best-seller que se aproveita das descrições de romances tórridos, nos mínimos detalhes ginecológicos. Ele é apenas um livro REAL.

O que eu quero dizer com real? Obviamente em inúmeras passagens o leitor falará: "ahh, mas quem tem dinheiro pra passar um ano viajando e ficando só em lugares épicos? Quem simplesmente muda de vida, de profissão, de cidade. Quem tem acesso a todos os eventos de uma cidade grande.... (etc infinito)", mas, deixando esses detalhes meio viajantes de lado (que a maioria dos livros tem) eu posso dizer que fiquei muito tocada pela forma como a história não tenta te ganhar pela apelação. É um livro que fala de AMADURECER, de uma maneira muito interessante. Primeiro porque o autor sabe escrever. Várias passagens são descritas de maneira simples, mas chamam a atenção pela identificação que senti com o que estava sendo passado. Segundo porque você acompanha cerca de 20 anos na vida de dois amigos e eles mudam "de acordo com a idade" que apresentam. O livro é dividido entre faixas de idade: "20 e poucos anos" "30 e tantos anos", etc. Terceiro porque os personagens (ou pelo menos um deles) é extremamente real e "tangível". Você se identifica e passa a se importar com o destino deles. Finalmente, porque não é uma história brega com final previsível, apesar de vários componentes importantes estarem lá: medo do futuro, insegurança, ansiedade, tristeza, alegria, problemas, etc.

Termino declarando a minha admiração pela Emma Morley. Uma moça fictícia de muita fibra e que (pelo menos na minha concepção) consegue demonstrar bem os sentimentos conflitantes de amadurecer/envelhecer na época atual.

Sei que não deve ser um livro que vai encantar a todos. Mas tente ler com uma mente despretensiosa. Coloque na sua cabeça que é só uma leitura rápida e fácil, pra descontrair, tal qual uma sessão da tarde. Você pode se surpreender!

PS: não é que eu não tenha gostado do filme, mas ele mostra apenas um romancezinho comum. A beleza do livro está nas descrições tão reais que o autor faz. Por outro lado, eu comecei a ler o livro sem saber quase nada sobre a história e é exatamente por isso que gostei tanto. Sendo assim, resolvi não colocar os trailers do filme aqui, para que você tenha, caso deseje, uma experiência de leitura "cega", sem spoilers sobre possíveis eventos da história!

(música para acompanhar as citações)

Citações (em inglês):

"Live each day as if it's your last', that was the conventional advice, but really, who had the energy for that? What if it rained or you felt a bit glandy? It just wasn't practical. Better by far to simply try and be good and courageous and bold and to make a difference. Not change the world exactly, but the bit around you. Go out there with your passion and your electric typewriter and work hard at...something. Change lives through art maybe. Cherish your friends, stay true to your principles, live passionately and fully and well. Experience new things. Love and be loved, if you ever get the chance."

"So - whatever happened to you?'
'Life. Life happened."

"Occasionally, very occasionally, say at four o’clock in the afternoon on a wet Sunday, she feels panic-stricken and almost breathless with loneliness. Once or twice she has been known to pick up the phone to check that it isn’t broken. Sometimes she thinks how nice it would be to be woken by a call in the night: ‘get in a taxi now’ or ‘I need to see you, we need to talk’. But at the best of times she feels like a character in a Muriel Spark novel – independent, bookish, sharp-minded, secretly romantic."

"Salmon. Salmon, salmon, salmon, salmon. I eat so much salmon at these weddings, twice a year I get this urge to swim upstream."

"As soon as she'd met him at the arrivals gate on his return from Thailand, lithe and brown and shaven-headed, she knew that there was no chance of a relationship between them. Too much had happened to him, too little had happened to her."

 "She wondered if she was doomed to be one of those people who spend their lives trying things"

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domingo, 6 de outubro de 2013

Mosaico

Figura: NET
Hoje eu acordei meio tonta. Com uma vontade de trabalhar, fazer e acontecer, mas uma preguiça de sair da cama e começar o dia. Tudo foram motivos para minha inércia permanecer intacta e eu continuar a fazer planos que não sairiam do papel.

Hoje eu acordei meio diva. Pensando em marcar horário no salão, de cortar, pintar e chocar com um cabelo novo. De comprar mil cremes para todo cantinho de pele e me reinventar com os incríveis produtos cosméticos mirabolantes. De mudar pra França, sair na rua com vestido longo e echarpe e comer crêpe Suzette numa dessas patisseries bem lindas.

Hoje eu acordei meio santa. Com desejo de ir à missa das 7, confessar meus pecados, rezar um rosário inteiro, usar blusa de gola alta, cantar música Gospel e doar cada segundo da vida para os outros.

Hoje eu acordei meio louca. Vontade de me atirar de bungee jump, morder com força o caroço do pequi, esquecer do protetor solar, dançar a Conga na esquina, sair de moto sem capacete, pedir a sobremesa antes do prato principal, rasgar dinheiro na praça e contar a piada do papagaio desbocado para as freiras do convento aqui do lado.

Hoje eu acordei meio triste: chorando pelos cantos, pensando nos meus avós, imaginando como será ficar desempregada mais uma vez, deprimida pela intolerância do mundo, arrasada porque meu biscoito recheado acabou e com vontade de largar tudo e ir viver uma vida bem minimalista na Tailândia.

Hoje eu acordei meio romântica. Querendo fazer piquenique com uma flor no cabelo, pensando no número imenso de possibilidades amorosas que o mundo oferece, imaginando uma casa com uma porta azul e um jardim com um amor-perfeito.

Hoje eu acordei totalmente eu: tonta, diva, santa, louca, triste, romântica e infinitos outros adjetivos que se apresentam, se escondem, se misturam, se interagem e me fazem cada vez mais eu mesma.

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sábado, 5 de outubro de 2013

Pra Sonhar - Marcelo Jeneci

É ver esse vídeo lindíssimo e ter uma vontade doida de casar!! A música é uma preciosidade!



Vídeo de Marcelo Jeneci.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aquele cheirinho de livro...

Figura: NET
Eu sou uma leitora que não gosto de cheirar livros de outras pessoas. Pronto, abri a boca e falei. Agora não tem mais volta. Tenho certeza que muitos leitores ficariam abismados com essa afirmação, já que "cheirinho de livro" é algo quase unânime entre os book lovers. Admito que cheiro de livro novinho é até gostoso. Obviamente não se compara ao cheirinho do papel que passou pelo mimeógrafo (êta lembrança que entrega a idade!!), mas uma boa inspirada entre as páginas de uma obra nova recém adquirida tem o poder de nos pré-transportar para a história que está por vir. Mas cheiro de livro usado, principalmente livros que tiveram vários donos, não é comigo!

Acho que tudo tem a ver com aprendizados paralelos, que levaram a um desfecho negativo, e que me ensinaram a ter o "pé atrás" em algumas situações. Para ilustrar o que eu acabei de falar, trago à tona o fato de que sou super alérgica a pelos de gato. Eu tenho um gato (que fica na casa dos meus pais) e quando criança eu também tive um bichano e, nessa época, não era nada alérgica. Pra piorar a situação, eu não só adquiri essa sensibilização, como eu sei exatamente o momento quando isto ocorreu. Foi em 2001. O meu gato não tinha nem um ano de vida e gostava de brincar de me morder. Um dia eu devolvi a mordida! Claro que foi fraquinha, sem doer e de brincadeira, mas a quantidade de pelo que caiu na minha boca me deixou tal qual um paciente durante uma crise de asma. Até hoje, tantos anos depois, apresento uma reação violenta ao passar muitos dias perto de um gato.

O segundo exemplo vem da época das brincadeiras de esconde-esconde na casa dos meus avós. O local era enorme e minhas primas e eu brincávamos de esconder dentro de casa ou no jardim. Eu sempre me escondia debaixo das camas dos quartos pouco usados, ou atrás de um colchão velho... sempre em meio à poeira... Isso porque minhas primas eram alérgicas e dificilmente iriam mexer num local empoeirado. Na tentativa de ganhar a brincadeira, acabei ficando bem sensibilizada à poeira.

Figura: NET
Portanto, ao analisar esses e alguns outros casos/fatos da minha vida eu percebi que, hoje em dia, tenho pavor de me aventurar em situações "potencialmente hostis". Pior que a crise alérgica seria ficar impossibilitada de terminar o livro!! Imagina se eu começo a empolar sempre que tentar ler uma história? hahahahah! Sendo assim, cheirar livro antigo, nem pensar! Se possível, leio com um prendedor de roupa no nariz! =)

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sábado, 7 de setembro de 2013

Uma vez fui viajar e não voltei - por Marcelo Penteado

Não lembro que postou esse texto no facebook. Mas foi ler e me apaixonar instantaneamente. É um texto que descreve de uma maneira muito bonita e real o que nos acontece quando viajamos! O autor é um carioca que mantém um blog chamado sigoescrevendo.com e vale muito a visita!

"Uma vez fui viajar e não voltei.
Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei.
Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador.
Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos.
Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito.
Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma.
Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores.
Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha memória compartilha do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares.
Fiz amigos de verdade. Amigos de estrada não sucumbem ao espaço e nem ao tempo. Amigos de estrada cruzam distâncias; confrontam os anos. São amizades que transpassam verões e invernos com a certeza de novos encontros.
Vivi além da minha imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e consciência.
Redescobri o que me fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do que uma rotina qualquer permitiria.
E quer saber?
Conheci outras versões da saudade. Como nós, ela pode ser dura. Mas juro que tem suas fraquezas. Aliás, ela pode ser linda.
Com ela, reavaliei meus abraços, dei mais respeito à algumas palavras e me apaixonei ainda mais por meus amigos e minha família.
E ainda tenho muito que aprender.
Na verdade, tais experiências apenas me dirigem para uma certeza – que ainda tenho muito lugar para conhecer, pessoas a cruzar e conhecimento para experimentar.
Uma fez fui viajar…
e foi a partir deste momento que entendi que qualquer viagem é uma ida sem volta."
(Marcelo Penteado)
Essa figura também apareceu no meu feed do Facebook, compartilhada por uma amiga

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Eternamente Marisa!

Esse ano decidi fazer mais coisas que já gostaria de ter feito e, seja lá por qual motivo, ainda não fiz. Não falo de coisas profundas e necessariamente edificantes, mas de pequenos e médios prazeres, que acabamos empurrando para "algum dia" serem feitos.

Desde os meus 15 anos de idade lembro de shows da Marisa Monte que aconteciam de tempos em tempos. Em três ocasiões distintas eu resolvi não ir aos shows porque era caro ou porque ninguém mais estava indo e eu não teria companhia. Pois bem. A Marisa está encerrando a temporada 2012-2013 da turnê "Verdade Uma Ilusão", onde apresenta as músicas do mais novo álbum "O Que Você Quer Saber De Verdade" e revisita tantas outras que foram verdadeiros hits. Já fazia uns 4 anos que ela não saía em turnê. Resolvi que ia no show, comprei o ingresso duas semanas atrás e fui! Ainda consegui uma amiga para me acompanhar (mas eu já estava decidida a ir até se fosse sozinha).

O show foi tão incrível, tão prazeroso e reconfortante (isso mesmo, me fez lembrar de tempos ótimos e que já se foram) que me bateu um arrependimento absurdo por não ter ido aos outros. A Marisa Monte continua linda e diva! E como ela envolve a platéia! Estou pensando seriamente em ir a mais um dia de show!

Abaixo uma playlist do youtube dessa mesma turnê:



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sábado, 31 de agosto de 2013

Papel de parede com calendário - Smashing Magazine

Alguns anos atrás, uma amiga me mostrou que no site Smashing Magazine existe uma postagem mensal contendo papéis de parede selecionados, apresentando (ou não) um calendário do mês. Achei a idéia bonitinha e, desde então, venho trocando a imagem do fundo de tela do meu notebook. Para o mês de setembro achei as opções interessantes e já escolhi a imagem da ferrovia para me acompanhar!


Fonte: site Smashing Magazine
Fonte: Site Smashing Magazine
Fonte: Site Smashing Magazine

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

SPAM SPAM SPAM!!!

Foto: NET

É incrível a quantidade de vezes que eu já fui parar no SPAM do email das pessoas. Chega até a ser um pouco humilhante. De alguma maneira, o processo responsável por permitir a entrada de mensagens olha para as minhas e pensa: FRAUDE! e me classifica junto com os outros emails de promoções, de aumento duvidoso de partes do corpo, de possíveis fotos de traição do marido, de "encontre o seu amor hoje mesmo". O que eu fiz para merecer isso? Eu nunca repasso correntes, não mando mensagens em power point, não escrevo emails gigantescos nem nada parecido. Mas de alguma forma, o meu gmail não parece ter muita credibilidade, tal qual uma nota de 3 Reais.

O mais irritante é quando isso acontece num ambiente de trabalho. Mando um email para aquele incrível pesquisador gringo e nunca recebo uma resposta. Nem sempre dá pra saber se fui simplesmente ignorada ou SPAMeada. Em duas ocasiões, recebi mensagens desses pesquisadores tempos depois, pedindo desculpas e dizendo que meu email foi parar na pasta SPAM. Mas, com certeza, devem existir casos onde a pessoa simplesmente não responde porque não tem vontade. Egos inflados é o que mais se encontra no meio científico.

Apesar da minha bronca, o nosso cérebro é especialista em filtrar SPAM. Ainda bem! Se assim não fosse, estaríamos processando informações inúteis e repetitivas todo o tempo. Da primeira vez que passamos por uma região nova, observamos tudo em maior detalhe. Com o tempo, mal olhamos para os lados. Saber dar atenção ao que é importante é necessário.

Mas e o medo de ir parar na pasta de SPAM da vida?! Sabe aquela pessoa que é ou muito chata, ou muito cansativa, ou muito bitolada e que você acaba ignorando, não levando em conta sua opinião ou simplesmente a coloca no seu grupo de "conhecidos distantes". Pois é, o problema é se acostumar a ser sempre o certo, o exageradamente metódico, o dono da verdade, o chatonildo e acabar sendo "esquecido" por antigos amigos. Porque isso acontece. Não precisa necessariamente ser chato para cair no SPAM dos outros, todos nós fizemos isso com alguém, é só dar uma vasculhada na memória que é fácil encontrar várias pessoas a quem resolvemos "deixar um pouquinho de lado". Às vezes porque simplesmente não vale a pena ter as mesmas discussões infindáveis, às vezes porque cansa receber sempre um olhar de reprovação ou superioridade, às vezes porque essa pessoa já há tempos não nos traz nada de bom. Fazer o que?

Bom, da minha parte eu estou procurando, a passos lentos, me readaptar à minha nova realidade. Ser mais participativa na vida dos bons amigos, falar pra outros antigos colegas que lembrei deles pelo motivo tal, conhecer gente nova e interessante, e por aí vai. E, principalmente, entender que essa capacidade de mudança vem de mim e só eu posso acessá-la! E viver mais e melhor! Porque o pior de todos os sentimentos deve ser o de que grande parte da vida foi passada como um mero observador, de dentro da caixa de SPAM alheia.

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PS: O uso da palavra SPAM como significado de coisa repetitiva e amiúde, também aplicada à publicidade em massa, surgiu depois de uma propaganda de carne enlatada (chamada SPAM, mostrada na foto), onde a marca era cansativamente repetida.

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Thought of You - por Ryan Woodward

Sobre esse vídeo lindo, feito a partir de milhares de desenhos, baseados em movimentos de dança contemporânea, só tenho a dizer que reflete muito da nossa idealização de um "alguém". E muitas vezes, quando esse alguém se torna real, não é aquilo que pensávamos. E nos decepcionamos. E não queremos mais esta pessoa. Triste, mas bem real.

"Minh`alma é uma criança, ignorando o que faz. Quer tudo o que não alcança, quando alcança não quer mais..." (não tenho idéia do autor)

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domingo, 28 de julho de 2013

Of Monsters and Men

Of Monsters and Men - fonte: NET
Existe um momento mágico, quando as músicas de uma banda deixam de ser "desconhecidas" e passam a ocupar um lugar especial na sua playlist. Como já cansei de falar, eu não amo ouvir música o tempo todo. Não preciso de trilha sonora pra tudo o que faço. Quando realmente preciso me concentrar, tiro qualquer som de perto. Talvez por isso eu não tenha o costume de ligar o rádio, comprar álbuns ou acompanhar as novas bandas que explodem por aí. Mas, sim, de tempos em tempos eu caio de amores por alguns grupos "novos".

E quando a paixão pela música recém-descoberta é grande, eu me animo a escutar todo o cd, normalmente repleto de canções que eu nunca sequer ouvi antes. O estranhamento sempre ocorre. Adoro umas poucas. Gosto de outras. Acho várias estranhíssimas. E acontece, também, de eu colocar esses CDs "pouco conhecidos" pra tocar, sempre que estou na academia, jogando pela internet, indo pro trabalho ou fazendo faxina (olha a falta de glamour!!!!). E daí vem o "se acostumar" com as novas músicas e estilo. Até que um dia a mágica faz efeito! Percebo que já sei o ritmo da música seguinte da lista e começo a sorrir porque aquela é uma música que eu ADORO cantar o refrão! E assim a mágica acontece! Eu fico cativada por músicas que inicialmente não me chamaram a menor atenção!

Esse blablabla eterno é para falar de uma banda que não sai do minha playlist: "Of Monsters And Men".
Eles são uma banda islandesa (terra do gelo!!) e fazem uma música folk bem interessante! Meu primeiro contato foi com o vídeo "Little Talks", que é simplesmente lindo! Daí a mágica começou a me fazer gostar de "King and Lionheart" e "Dirty Paws". Agora sempre abro um sorriso quando começa a tocar "Sloom". O CD inteiro, chamado "My Head Is An Animal" é excelente! Vale a pena!




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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Breve relato sobre o coração

Quando pequena, uma coisa que constantemente me tirava o sono era pensar que o coração das pessoas tinha que continuar batendo, sem parar, pra que a gente não morresse. Eu sei, não faz muito sentido, mas eu lembro de ter essa preocupação e de, em muitos momentos, ficar com a mão no peito, contando as batidas e pensando que era realmente uma coisa muito angustiante depender daquele tum-tum ritmado. Também pensava o mesmo sobre a respiração, mas era o coração que me deixava mais tensa. 

Desde bem nova eu já tinha uma vontade científica de entender certas coisinhas e ficava criando hipóteses infantis a respeito da longevidade e funcionalidade dos órgãos. "Será que se eu levar um choque, ele pára?". "Se ele parar, será que um choque faz ele funcionar de novo?". "E se ele cansar de tanto bater?". "Será que gostar muito de alguém afeta o batimento cardíaco?". Eram muitas perguntas e muito começo de insônia. Mal sabia eu que, mais tarde na vida, ficaria mais preocupada com a capacidade de se quebrarem os corações.

Quando comecei a estudar Ciências, fiquei impressionadíssima de saber que o coração batia a partir de um estímulo elétrico. Daí a história do choque fez um pouco mais de sentido pra mim. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha um medo terrível de ser eletrocutada por excesso de batimento cardíaco.

Quando vi a foto de um coração real, me senti traída. Como aquela coisa feia, torta, cheia de calombos e mangueirinhas era o mesmo coração lindo, fofo e vermelhinho que todo mundo desenhava nos bilhetinhos? Não fazia sentido que algo tão mal desenhado fosse o responsável pelas paixões, amores e "corações partidos". Isso até eu descobrir que a história do coração despedaçado era mais uma mentira deslavada. No fundo, no fundo, somos todos reféns do cérebro!

Imagem: The Awkward Yeti


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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Doze profissões que não existem (mas deveriam) - por Silmara Franco

Pra variar, a Silmara Franco, do blog Fio da Meada, mais uma vez arrasando em seus textos! Eu bem queria contratar uns profissionais destes!  =)

"Doze profissões que não existem (mas deveriam)
Para o ofício tradicional e estabelecido, como de médico, engenheiro, vendedor de pastel, arquiteto, motorista de ônibus, professor, o mercado é garantido.
Algumas profissões, no entanto, ainda não foram inventadas. O motivo é desconhecido, posto que trabalho, para essas, também jamais faltaria. Algumas delas:
Organizador de fotos feitas no celular. O clique ficou tão fácil que, um belo dia, você se dá conta: mil e quinhentas fotografias ocupam a memória do seu aparelho. Há várias repetidas. Outras tantas são um festival de enquadramento e foco ruim, gerando um lixo inarquivável. No meio, as que as crianças tiram: do rabo do cachorro, da parede, do sapato no chão. A essa altura, a triagem se torna hercúlea. A promessa de, um dia, colocar a coisa em ordem é sistematicamente adiada. Até que a memória (do celular) fica cheia e a única alternativa é copiar tudo do jeito que está para um pendrive, um tablet, um notebook. Você, eu sei, ia querer chamar um.
Gerenciador de e-mails. De nada adiantou criar dúzias de marcadores – “Escola das crianças”, “MBA”, “Piadas” – se não é possível ler as cento e cinquenta mensagens que aterrisam diariamente na sua caixa postal. É preciso um especialista para ajudar a discernir o que fica, o que vai embora, o que deve ser respondido e quando. Você também ia querer chamar um.
Recolhedor de Lego. Quem tem criança em casa sabe o valor que esse profissional teria.
Arrumador de tupperware. Quem tem armário cheio deles, mas nunca sabe onde está a tampa de cada um, também sabe o valor que esse profissional teria.
Guardador de compras de supermercado. Depois de um tira-e-põe sem fim das mercadorias, da gôndola para o carrinho, do carrinho para a esteira do caixa, da esteira do caixa para as sacolas, caixas ou sacolinhas pláticas que sejam!, das sacolas, caixas ou sacolinhas plásticas de volta para o carrinho, do carrinho para o porta-malas do carro, do porta-malas do carro para o carrinho de supermercado do prédio, do carrinho de supermercado do prédio para a mesa, pia, bancada, cadeira ou qualquer outra superfície vaga na cozinha, e dali para os respectivos armários… simplesmente não saberíamos como foi possível viver tanto tempo sem esse profissional.
Esperador do técnico da TV a cabo. Você liga para agendar uma manutenção e o máximo que consegue saber é o período em que o serviço será feito: matutino ou vespertino. Considerando que a manhã útil dura quatro horas, assim como a tarde, o negócio será recorrer aos seus préstimos, se não quiser correr o risco de ficar em casa à toa. Porque a TV, que é bom, necas.
Intermediador de bate-boca em call center. Com ele, ninguém mais passaria nervoso na hora de contatar a operadora de celular ou o plano de saúde para tentar resolver um problema.
Novos sindicatos e conselhos regionais nasceriam, para regulamentar a emergente e fabulosa demanda. Para cada nova função, um curso técnico ou uma graduação. Os benefícios para a sociedade, a longo prazo, seriam incalculáveis.
Outras profissões, se não fundamentais para o dia-a-dia do cidadão comum, também seriam de grande valia para a humanidade. Como o fazedor de cócegas. Ele chegaria para o cliente e diria: “Bom dia, seu João! Onde vai ser hoje, na barriga ou na sola do pé?”. Há quem começaria a rir antes mesmo da sessão começar. Um santo remédio para gente azeda em geral.
Assim como o moço da cosquinha, outras especializações despontariam: omatador de saudade alheia, o esticador de horas, o mostrador de coisas-bonitas-no-meio-da-rua, o exterminador de maldades. Com a atuação deles, não haveria motivo para greves ou protestos. Essas ocupações trariam felicidade plena a contratado e contratante, patrões e empregados. Os sindicatos seriam desnecessários. E os conselhos regionais, ora entupidos de papéis, teorias e processos, virariam cafeterias, para aproveitar o espaço e os funcionários.
Hei de viver para ver."

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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sinal de novos tempos!

Pro bem ou pro mal, o Brasil está nas ruas, as pessoas estão se mobilizando e eu acredito, do fundo do meu coração, que verei uma mudança muito importante nesse país.. e pra melhor!

Mas, acima de tudo, é preciso se esforçar para não entrar de cabeça em qualquer "modinha" que surgir e simplesmente compartilhar informações incorretas, mesmo que seja daquela pessoa/político que a gente não gosta e acredita não valer nada. Meu lado cientista me faz tentar entender os diversos lados e filtrar a informação necessária. Com certeza vou fazer vários erros de julgamento, mas isso, infelizmente, acontece. E, quando preciso, vou voltar atrás e corrigir minhas idéias!

Retirado do site: Estante Virtual

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Somos tão Jovens - Legião Urbana

Eu gosto muito de Legião Urbana. O mais engraçado é que, quando eu tinha uns 10-12 anos de idade e eles ainda estavam tocando e no auge do sucesso, e mesmo até os 15-16 anos, eu nem gostava tanto assim. Só comecei a reparar que praticamente tudo deles era bom, quando passei a analisar as músicas. O Renato Russo era um cara muito conturbado, mas dava pra perceber que era uma pessoa bem sensível pelo tipo de letra que conseguiu compor.

Fiquei super feliz ao saber que um filme que contava a história do Legião iria ser lançado. "Somos tão jovens" saiu nos cinemas no mês passado (ou foi esse mês?) e confesso que fiquei um pouco decepcionada. Sim, o filme é divertido, sim, as músicas são incríveis, sim, o Thiago Mendonça representou o Russo de uma maneira interessante, maaaas.. vários diálogos foram extremamente bizarros. Extremamente exagerados, a maneira de atuação foi muito forçada. Acho que é isso que me deixou um pouco desanimada. Mas isso foi uma opinião minha, alguns amigos meus discordaram, de qualquer maneira o filme vale a pena, pois a história foi bem interessante! Legal ver como Brasília foi um ninho de boas bandas brasileiras, todas sendo "chocadas" na mesma época!

Trailer do filme "Somos tão Jovens"


Me identifiquei bastante com a resenha postada pelo site Omelete: 

OBS: Recentemente saiu um filme baseado na canção "Faroeste Caboclo", também do Legião. Mas este eu ainda não assisti!

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

O cérebro apaixonado

Já comentei que adoro as palestras TED e, recentemente, depois de receber o "newsletter" do www.brainpickings.org (um excelente site informativo), vi uma matéria sobre como se comporta o cérebro de uma pessoa apaixonada e lá tinha o vídeo da palestra da Helen Fisher, uma pesquisadora que vem descobrindo vários aspectos interessantes a respeito do cérebro "obsessivo" de quem ama.

Abaixo, segue o vídeo. (Dá pra colocar legendas em português!)


Acho sensacional como existe uma forma interessante e divertida de levar o conhecimento mais profundo ao público! E, pra falar a verdade, senti até um alívio quando ouvi a parte das pessoas que são igualmente apaixonadas após 25 anos de casadas. Isso não era algo considerado "inviável" (no sentido bioquímico da coisa?)? Não tinha uma história de que o sentimento de "paixão" só durava nos primeiros anos?

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Metades

two more halves of a lemon
Foto: Flickr

Dizem que cada pessoa tem uma certa tendência a ser mais racional ou mais emocional. Gente que pensa "metodicamente", separando o joio do trigo, que tem facilidade para ciências exatas, que se utiliza bastante da razão pra decidir as coisas, seria mais racional. Já os demais têm uma facilidade maior para artes, ciências sociais, qualquer evento que exija criatividade, improviso, dinamismo. Obviamente ninguém é só uma coisa. Somos todos uma mistura.

Eu não me conheço bem, até hoje. Esses dias mesmo me defini como sendo "desassossegada", porque ainda não encontrei um plano certo pra vida. Ainda não sei onde quero morar, não tenho ideia do tipo de trabalho que estarei fazendo em 10 anos, e só recentemente percebi que meu lado racional é o que manda aqui no coreto. Sim, percebi que, apesar de ser uma pessoa extremamente dramática, quando o bicho pega é com a razão que eu sempre resolvo tudo.

Entre as coisas que eu SEI sobre mim, tenho a plena certeza de que preciso viajar, e MUITO! Rondando por blogs na internet me deparei com um texto (não me lembro o autor) que dizia que as pessoas deveriam gastar uma parte do que ganham se permitindo viajar para lugares diferentes. Não importando a companhia, afinal de contas devemos saber nos virar sozinhos, mas sempre conhecendo, experimentando, saindo da mesmice de viagens programadas e passeios pré-determinados. Ele dizia algo muito certo: -Viajar é uma experiência que nos torna mais humildes.- Porque ver uma reportagem sobre pessoas passando fome e necessidades e estar no local são experiências completamente diferentes. Quando a gente viaja e se permite fazer parte do novo ambiente, as coisas nos afetam de uma maneira distinta. Sair do nosso casulo de conforto é essencial para que nós acabemos nos conhecendo mais. E o autoconhecimento nos acalma e nos deixa mais preparados pra lidar com tudo.

Eu ainda preciso me aprofundar bastante nisso para certas coisas fazerem sentido na minha cabeça. Em muitos e muitos momentos eu me sinto numa montanha-russa, como se eu fosse refém de sensações antagônicas de segurança e abandono, de tristeza e alegria, de otimismo e pessimismo. Sei que todo mundo deve ter isso, em um grau ou em outro.

Lembro que, há muitos anos, eu fui a uma consulta com um médico homeopata e, mesmo sem acreditar muito naquilo, aceitei entrar num tratamento que se baseava em engolir umas bolinhas açucaradas, todos os dias. O mais interessante foi que, na primeira consulta, antes de me receitar qualquer coisa, o médico me fez responder um questionário e uma das perguntas era: Qual o maior medo que você tem?- Aquilo me incomodou e, depois de pensar, respondi: Da solidão.- E, reparem, eu não estava falando necessariamente da solidão de não ter alguém, mas principalmente da solidão por não encontrar algo que me completasse, um sonho que valesse a pena, a certeza de um ideal. Meu medo era de ficar vagando sem rumo e ser muito diferente por isso, me sentindo só. Hoje eu já penso diferente, acredito que muita gente passa por isso. A solidão é o "mal do século", como disse Renato Russo.

É claro que já encontrei várias coisas boas pelas quais valem a pena se esforçar. E é claro que já me conheço muito mais do que naquela época. Mas tem dias que eu me lembro daquele poema do Oswaldo Montenegro, que conseguiu colocar tudo isso em algumas estrofes.

METADE
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca; 
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada 
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.. 

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta 
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.. 

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso 
Mas a outra metade é um vulcão... 

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei... 

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria 
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção... 

E que a minha loucura seja perdoada 
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro 

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Efeito Paul McCartney

Figura: NET
Eu estive recentemente em BH, para um Simpósio MUITO bom, exatamente com o tipo de coisa que estou lidando no meu pós-doutorado. O simpósio aconteceu entre os dias 2-5 de Maio, no Ouro Minas Palace Hotel, o melhor dos hotéis de Belo Horizonte. Em BH, no dia 4 de Maio, foi o show do Paul McCartney. Adivinha onde ele estava hospedado?

Pois é... entrar e sair do hotel, durante a passagem do Sir Paul McCartney não era nada fácil. Eu, que sou muitíssimo desligada, nem sabia que ele estaria por lá, na mesma data. Um dia cheguei ao Hotel e achei estranho ter tanta gente parada, encarando os elevadores que desciam. No dia seguinte, mais estranho ainda foi encontrar a rua lotada de ônibus, um deles da Argentina, e ver uma multidão cantando músicas que para mim eram dos "Beatles". Sim, a minha noção pra música é tão pouca que se um integrante de uma banda faz carreira solo, eu sempre associarei suas músicas ao conjunto. Até que, no dia 4, um frenesi tomava conta das pessoas que conseguiam entrar no saguão do Hotel. Daí eu fui perguntar se era verdade MESMO que o Paul estava por ali e me responderam com olhares chocados, como se eu tivesse perguntado alguma heresia, como se eu fosse um E.T. As palestras estavam cada vez mais vazias e, quando se aproximou do horário em que o cantor sairia pro seu show, o espaço no lobby era disputado quase no tapa. Todos olhando pros elevadores panorâmicos. Quando um deles ia até o último andar e começava a descer, a expectativa era quase palpável. Quando percebiam que era algum pobre mortal, os murmúrios de decepção tomavam conta. 

Como eu sou uma pessoa adulta e responsável, e como era ÓBVIO que o Paul McCartney NUNCA passaria no meio daquela multidão (e sim sairia escondido pelos fundos), fui a primeira a entrar para a palestra seguinte. O auditório estava somente com 1/10 da sua capacidade, já que a maioria ficou lá fora, à espera de um milagre. O palestrante começou a ler o título do trabalho que apresentaria, quando de repente: AAAAAAAAAEEEEEEEEEEEE!!!! UHUUUUUUUUU!!!! EEEEEEEEHHHHH!!!! - Gritos histéricos vindos do saguão... TODOS que estavam no auditório se entreolharam, ninguém sabia o que fazer, como reagir, até que duas senhorinhas comentaram em voz alta: Vamos até lá, tentar ver o Paul de perto?

Nessa hora, meus amigos, o caos de instaurou. Várias pessoas civilizadíssimas, em suas roupas sociais impecáveis e poses de especialista, simplesmente deram um pinote e saíram correndo pra tentar alcançar a porta. Eu larguei bolsa, casaco, celular... nunca usei tanto os meus dois metros de perna como naquele momento... era as velhinhas ou eu... corri como uma gazela e cheguei na frente de todo mundo. Infelizmente, quando encontramos a multidão, no lobby, o Paul já tinha saído. Ainda tinha gente tirando foto da entrada do hotel, como se o local onde ele passara tivesse se tornado algo muito valioso. Confesso que fiquei decepcionada. Não que eu seja muito fã do McCartney. Na verdade, nunca nem fui a show algum dele, mas era ele, poxa! E esteve ali, por alguns segundos, na "sala ao lado". E eu não vi! Perdi a chance de me tornar a próxima Sra. McCartney (kkkkkkkkk!!).

Voltei pro auditório e tive que entrar fazendo pose, fingindo que aquela louca pernuda que tinha saído correndo, quase passando por cima das velhinhas, não era eu. Fiz cara de muito importante e voltei pro meu lugar.

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sábado, 20 de abril de 2013

Meu pé de laranja lima

"O Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos, foi o primeiro livro que me fez chorar. Lembro de ter dor de cabeça, de tanto que chorei. De lá pra cá, outros tantos livros tiveram o mesmo efeito, mas este é impossível de esquecer.

Há alguns anos atrás, comprei o livro em promoção (o que li, quando era pequena, era da biblioteca), mas nunca nem o desembrulhei. Hoje fui ver o filme LINDO que estreou nos cinemas, super emocionante, e a mesma dorzinha de cabeça voltou, desta vez por tentar segurar o choro.

Vale muito a pena ir ao cinema pra assistir essa história tão bonita e tão triste!



PS: A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi desembrulhar o livro! =)

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