quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Uma mulher adulta em pleno uso das faculdades mentais

Imagem: NET

Minha dermatologista me colocou num tratamento com um produto desses super controlados. Ela me deu 3 vias de uma declaração que eu precisei assinar dizendo que sabia de todos os problemas que eu poderia desenvolver, ao tomar tal medicamento, e me comprometendo a não engravidar durante a utilização do medicamento, pois esse produto causa má formação embrionária. Me deu um pedido de exame de sangue para dosar enzimas do fígado e colesterol/triglicérides.

Fui eu, fazer o tal exame de sangue. Detesto agulhas. Trabalho com elas, faço cirurgias, mas eu mesma não suporto a dorzinha de uma agulhada. Normalmente, quando não tenho outra saída a não ser a coleta de sangue, fico amiga da moça que vai me dar a agulhada, nos 3 minutos de cadastro que antecedem o procedimento. Conto que eu sou uma pessoa boa, que pago meus impostos, que vivo de aluguel e pego transporte público. Falo que moro longe da minha família e trabalho mais de 40 horas por semana. Ressalto que tenho o maior respeito pela profissão de técnicos de análise clínica. Pergunto umas 30 vezes se vai doer muito e se existe uma chance de eu ter uma hemorragia fatal. Mostro os dois braços e digo que minhas veias são finas e profundas e que eu confio que ela vai acertar de primeira. Basicamente eu me humilho, me sinto a coitada, faço qualquer coisa pra mulher me dar um tratamento VIP e se sentir responsável pela minha vida. É muito parecido com o que eu faço sempre que vou depilar ou vou à manicure (fico meia hora dizendo como minhas cuticulas são finas e como sempre sangram e que eu confio que ela não vai tirar um bife do meu dedo, etc...). No final das contas, o exame é feito, sempre dói pra cacete um pouco, mas eu saio dali me sentindo uma mártir, com a alma até mais leve.

Em seguida fui à farmácia comprar o tal remédio do mal. Quando fui assinar o termo de responsabilidade, percebi que tinha um local pra marcar, dizendo que eu tinha feito um exame de gravidez na data tal e que não estava grávida. Só que eu não fiz exame nenhum. Não que exista a menor possibilidade de gravidez. Mas eu nem sabia que precisava fazer o tal exame. Pensei na possibilidade de não conseguir levar o remédio pra casa e da inutilidade de, nesse caso, ter feito um exame de tortura sanguínea. Ahh, não... meu martírio seria por alguma coisa. Ignorei o local que falava sobre o exame de gravidez e assinei em baixo. Óbvio que o cara da farmácia reparou e disse:
Ele: A senhora esqueceu de preencher essa parte. 
Eu: Não, não, eu acabei de fazer um exame de sangue. 
Ele: Mas então você precisa esperar o resultado e trazer aqui pra gente, antes de comprar o medicamento. 
Eu: Mas eu não fiz teste de gravidez. 
Ele: . . . mas precisa fazer. 
Eu: Não há nenhuma chance de eu fazer OUTRO exame de sangue quando tem apenas 10 minutos que eu quase morri em um! 
Ele: .........Espera, vou chamar a gerente.
Ela (gerente): Bom dia! Sabe o que é, Sra, pra esse medicamento é preciso ter certeza de que uma gravidez não esteja em andamento.
Eu: Ah, não, eu acho que tá tudo bem.
Ela: (levantando uma sobrancelha) Acha??
Eu: Não, eu sei que não há possibilidade de gravidez, eu falei "acho" pq é um vício de linguagem meu.
Ela: (fecha um pouco o olho, desconfiada) Sei...
Eu: (ficando sem graça porque a mulher acha que eu estou grávida)... Moça.. eu juro!!!!!
Ela: Tudo bem, Sra, é só pq em caso de gravidez a criança pode ter extensas deformações e....
Eu: Moça, eu tenho mestrado, doutorado, estudei biologia, eu entendo do perigo associado a esse medicamento, eu sou uma mulher adulta em pleno uso das minhas faculdades mentais, mas não há nada nesse mundo e nem no outro que me faça ir pra tortura da coleta de sangue assassina de novo!!!
Ela: Ahhh, tá! É só medo de agulha então? kkkkkk Tudo bem, não precisa mesmo do teste de gravidez é só ter certeza e tá tudo certo, é porque você estava com uma cara de culpada que me deixou preocupada!

Essas coisas só acontecem comigo!

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails