quarta-feira, 27 de março de 2013

"Será que vai doer?"

Focinho.

Vai doer? - Foi a pergunta que eu fiz a várias pessoas antes do dia D, o dia de retirar quatro carocinhos/pintas/verrugas do rosto e duas pintonas nas costas. As respostas eram diversas. A primeira pessoa a quem eu perguntei foi a própria cirurgiã plástica, logo que decidimos eliminar essas "imperfeições". A resposta dela foi um sorrisinho do tipo "deixa de ser boba, menina!", mas notem que, resposta MESMO ela não deu.

Comecei a fazer um tratamento de pele e, aproveitando a visita à dermatologista, comentei da decisão de tirar todas aquelas coisinhas que me incomodavam, confirmei que o tratamento de pele não iria atrapalhar a cicatrização e aproveitei a deixa pra perguntar: "Mas será que dói?". Ela me olhou séria e disse - "Dói um pouco, mas não se preocupe porque é suportável". 
Meu Pai do Céu. "Ser suportável" é algo que não define exatamente o nível da tortura. Depilação é suportável, mas nada agradável. Dentista é suportável, apesar de psicologicamente aterrorizante. Parto normal é suportável, mas não tenho dúvidas que deve ser extremamente doloroso.

Minha mãe sempre respondia: "Deixa de ser boba menina, mas que covardia é essa, medo de tirar essa coisinha de nada que você tem aí.. nunca imaginei ter uma filha tão medrosa!!!". Meus amigos diziam: "Ah, dói um pouco, mas é tão rapidinho, que nem uma picadinha de formiga, você vai ver". Minha consciência dizia: "Corra por sua vida!".

Não consegui fazer uma mensuração comparativa da dor associada ao procedimento "simples" que eu iria fazer. Queria que alguém me dissesse: "Dói mais do que anestesia de dentista", ou então: "Dói quase a mesma coisa que ralar o joelho no asfalto"... qualquer comparação já me ajudaria. Até que chegou o dia.

Quando eu preciso levar qualquer tipo de agulhada, seja vacina, tratamento de dente, coleta de sangue, me sinto como um cordeiro sendo levado pro sacrifício. E sinto sono... muito sono. Acho que o sono, nessa caso, é um mecanismo compensatório. Pois lá estava eu, fazendo a ficha no hospital, tendo que assinar mil formulários onde eu atestava que conhecia os riscos da anestesia, que aceitava os termos de uma possível internação, e por aí vai. O bloco cirúrgico ficava no 19o andar. Acho que, assim, as pessoas não tem como fugir. Esperei no ar condicionado mais gelado do mundo, até chamarem meu nome. Segui uma enfermeira, que se apresentou, e arrisquei mais uma vez: "Será que vai doer? Morro de medo de agulhas...", ao que ela respondeu: "É, ter medo é complicado". Notem que, mais uma vez, não obtive uma resposta. Fiquei pensando freneticamente em mil e uma coisas que me fariam ser mais forte, corajosa, destemida. Pensei que eu também já submeti minhas cobaias a inúmeras cirurgias, que eu sempre saio do dentista ou do posto de saúde achando que "quase não doeu nadinha", que antigamente as pessoas tratavam até de catarata sem anestesia, que eu sou muito sortuda de ter uma medicina tão avançada ao meu dispor... Lembrei até de que existem pessoas que são hipnotizadas e não precisam de anestesia em cirurgias. Pensei se eu conseguiria me auto-hipnotizar, mas logo desisti da idéia. Hipnose requer concentração e calma e, em menos de 2 metros, eu entraria na sala de cirurgia.

Entrei na sala, deitei na maca, colocaram um aparelho amarrado à minha perna (para que o cauterizador não me desse choque), escutei a pergunta da médica ("Tudo bem?") e antes que eu pudesse me controlar, respondi: "Tudo ótimo, será que vai doer muito?". Ela riu e respondeu: "Só as picadas da anestesia". E em menos de 2 minutos eu pude constatar o fato. Só as picadas doeram. E Muito. Mas MUITO. É uma dor, sem explicação. Recebi 5 anestesias no nariz. Na primeira eu já fechei os olhos, por causa da quantidade de lágrimas que saíram. Eu pensava: calma, agora que já recebi uma, a área já está mais anestesiada. MENTIRA. Mesmo porque foram em áreas próximas, mas não tão próximas. A segunda doeu muito. Na terceira, ela comentou: "Agora vai doer um pouco". COMO ASSIM "AGORA" VAI DOER????' E doeu. Com vontade! Na última picada, ela falou: "Aqui dói mais porque no canto do nariz a pele é mais justinha". Naquele momento, meus amigos, eu quis morrer... a sensação que eu tinha era de uma agulha do tamanho de um boing entrando no meu nariz, vagarosa e implacavelmente. Pensava que NUNCA MAIS na vida, eu tiro pinta/verruga/firula alguma, sem um motivo seríssimo. Caso contrário, pode crescer e ficar do tamanho de uma pitanga que eu não me atrevo a mexer. Óbvio que, assim que a agulha foi retirada, não senti mais absolutamente dor nenhuma. Senti o cheiro de queimado causado pelo cauterizador. Senti a pele sendo repuxada, mas desconforto nenhum surgiu. Virei de costas e tomei mais duas anestesias. Doeram sim - "picada de formiga cabeçuda" como disse a médica - queimaram, mas nada comparado a uma anestesia no nariz.

É suportável? Sim. Dói? Muito! Enfiar uma agulha no nariz definitivamente não é legal... Eu faria de novo? Sim, caso algo realmente estivesse me incomodando. Valeu a pena? Bom, a cicatrização está ótima, eram áreas bem pequenas, portanto acho que valeu muito a pena. Mas vamos olhar pelo lado bom: pelo menos, agora, eu tenho um novo padrão de dor causado por agulhadas, para me ajudar a quantificar futuros incômodos.

1 comentários:

Bia disse... [Responder comentário]

A dor é temporária... importante pensar no depois!!! bjs

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