sexta-feira, 19 de abril de 2013

Infância oculta

Imagem: NET
Eu moro longe da minha família, me cuido sozinha quando estou doente, vou à farmácia pra comprar remédios, trabalho mesmo estando indisposta, mas quando estou na casa da minha mãe, qualquer resfriado é motivo pra eu fazer uma voz de manha e não conseguir sair da cama.

Eu escrevo relatórios, prestações de conta e projetos para o Governo, mas anoto todos os meus compromissos numa agendinha cor de rosa do ursinho Puff.

Eu sou alérgica a pelos de animais, mas não consigo deixar de agarrar meu gato siamês.

Eu uso um sapato elegante com um saltinho discreto para reuniões do trabalho, mas em casa não tiro dos pés minha pantufa de zumbi.

Eu como um monte de verduras durante a semana só pra me entupir de guloseimas aos sábados e domingos.

Eu sempre roubo um docinho em casamentos, escondida, antes da hora certa.

Eu sinto falta de rapar a mistura pra bolo que ficava na fôrma e o restinho de leite condensado que sobrava na lata.

Eu gosto de desenho animado até hoje.

Eu tenho bichinhos de pelúcia antigos, guardados no armário, mas de vez em quando eu vou até lá coçar a orelha deles e ver se "tá tudo bem".

É esse restinho de infância que não me deixa ser muito chata, muito séria, muito adulta!


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