segunda-feira, 27 de maio de 2013

O cérebro apaixonado

Já comentei que adoro as palestras TED e, recentemente, depois de receber o "newsletter" do www.brainpickings.org (um excelente site informativo), vi uma matéria sobre como se comporta o cérebro de uma pessoa apaixonada e lá tinha o vídeo da palestra da Helen Fisher, uma pesquisadora que vem descobrindo vários aspectos interessantes a respeito do cérebro "obsessivo" de quem ama.

Abaixo, segue o vídeo. (Dá pra colocar legendas em português!)


Acho sensacional como existe uma forma interessante e divertida de levar o conhecimento mais profundo ao público! E, pra falar a verdade, senti até um alívio quando ouvi a parte das pessoas que são igualmente apaixonadas após 25 anos de casadas. Isso não era algo considerado "inviável" (no sentido bioquímico da coisa?)? Não tinha uma história de que o sentimento de "paixão" só durava nos primeiros anos?

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Metades

two more halves of a lemon
Foto: Flickr

Dizem que cada pessoa tem uma certa tendência a ser mais racional ou mais emocional. Gente que pensa "metodicamente", separando o joio do trigo, que tem facilidade para ciências exatas, que se utiliza bastante da razão pra decidir as coisas, seria mais racional. Já os demais têm uma facilidade maior para artes, ciências sociais, qualquer evento que exija criatividade, improviso, dinamismo. Obviamente ninguém é só uma coisa. Somos todos uma mistura.

Eu não me conheço bem, até hoje. Esses dias mesmo me defini como sendo "desassossegada", porque ainda não encontrei um plano certo pra vida. Ainda não sei onde quero morar, não tenho ideia do tipo de trabalho que estarei fazendo em 10 anos, e só recentemente percebi que meu lado racional é o que manda aqui no coreto. Sim, percebi que, apesar de ser uma pessoa extremamente dramática, quando o bicho pega é com a razão que eu sempre resolvo tudo.

Entre as coisas que eu SEI sobre mim, tenho a plena certeza de que preciso viajar, e MUITO! Rondando por blogs na internet me deparei com um texto (não me lembro o autor) que dizia que as pessoas deveriam gastar uma parte do que ganham se permitindo viajar para lugares diferentes. Não importando a companhia, afinal de contas devemos saber nos virar sozinhos, mas sempre conhecendo, experimentando, saindo da mesmice de viagens programadas e passeios pré-determinados. Ele dizia algo muito certo: -Viajar é uma experiência que nos torna mais humildes.- Porque ver uma reportagem sobre pessoas passando fome e necessidades e estar no local são experiências completamente diferentes. Quando a gente viaja e se permite fazer parte do novo ambiente, as coisas nos afetam de uma maneira distinta. Sair do nosso casulo de conforto é essencial para que nós acabemos nos conhecendo mais. E o autoconhecimento nos acalma e nos deixa mais preparados pra lidar com tudo.

Eu ainda preciso me aprofundar bastante nisso para certas coisas fazerem sentido na minha cabeça. Em muitos e muitos momentos eu me sinto numa montanha-russa, como se eu fosse refém de sensações antagônicas de segurança e abandono, de tristeza e alegria, de otimismo e pessimismo. Sei que todo mundo deve ter isso, em um grau ou em outro.

Lembro que, há muitos anos, eu fui a uma consulta com um médico homeopata e, mesmo sem acreditar muito naquilo, aceitei entrar num tratamento que se baseava em engolir umas bolinhas açucaradas, todos os dias. O mais interessante foi que, na primeira consulta, antes de me receitar qualquer coisa, o médico me fez responder um questionário e uma das perguntas era: Qual o maior medo que você tem?- Aquilo me incomodou e, depois de pensar, respondi: Da solidão.- E, reparem, eu não estava falando necessariamente da solidão de não ter alguém, mas principalmente da solidão por não encontrar algo que me completasse, um sonho que valesse a pena, a certeza de um ideal. Meu medo era de ficar vagando sem rumo e ser muito diferente por isso, me sentindo só. Hoje eu já penso diferente, acredito que muita gente passa por isso. A solidão é o "mal do século", como disse Renato Russo.

É claro que já encontrei várias coisas boas pelas quais valem a pena se esforçar. E é claro que já me conheço muito mais do que naquela época. Mas tem dias que eu me lembro daquele poema do Oswaldo Montenegro, que conseguiu colocar tudo isso em algumas estrofes.

METADE
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca; 
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada 
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.. 

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta 
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.. 

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso 
Mas a outra metade é um vulcão... 

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei... 

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria 
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção... 

E que a minha loucura seja perdoada 
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro 

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Efeito Paul McCartney

Figura: NET
Eu estive recentemente em BH, para um Simpósio MUITO bom, exatamente com o tipo de coisa que estou lidando no meu pós-doutorado. O simpósio aconteceu entre os dias 2-5 de Maio, no Ouro Minas Palace Hotel, o melhor dos hotéis de Belo Horizonte. Em BH, no dia 4 de Maio, foi o show do Paul McCartney. Adivinha onde ele estava hospedado?

Pois é... entrar e sair do hotel, durante a passagem do Sir Paul McCartney não era nada fácil. Eu, que sou muitíssimo desligada, nem sabia que ele estaria por lá, na mesma data. Um dia cheguei ao Hotel e achei estranho ter tanta gente parada, encarando os elevadores que desciam. No dia seguinte, mais estranho ainda foi encontrar a rua lotada de ônibus, um deles da Argentina, e ver uma multidão cantando músicas que para mim eram dos "Beatles". Sim, a minha noção pra música é tão pouca que se um integrante de uma banda faz carreira solo, eu sempre associarei suas músicas ao conjunto. Até que, no dia 4, um frenesi tomava conta das pessoas que conseguiam entrar no saguão do Hotel. Daí eu fui perguntar se era verdade MESMO que o Paul estava por ali e me responderam com olhares chocados, como se eu tivesse perguntado alguma heresia, como se eu fosse um E.T. As palestras estavam cada vez mais vazias e, quando se aproximou do horário em que o cantor sairia pro seu show, o espaço no lobby era disputado quase no tapa. Todos olhando pros elevadores panorâmicos. Quando um deles ia até o último andar e começava a descer, a expectativa era quase palpável. Quando percebiam que era algum pobre mortal, os murmúrios de decepção tomavam conta. 

Como eu sou uma pessoa adulta e responsável, e como era ÓBVIO que o Paul McCartney NUNCA passaria no meio daquela multidão (e sim sairia escondido pelos fundos), fui a primeira a entrar para a palestra seguinte. O auditório estava somente com 1/10 da sua capacidade, já que a maioria ficou lá fora, à espera de um milagre. O palestrante começou a ler o título do trabalho que apresentaria, quando de repente: AAAAAAAAAEEEEEEEEEEEE!!!! UHUUUUUUUUU!!!! EEEEEEEEHHHHH!!!! - Gritos histéricos vindos do saguão... TODOS que estavam no auditório se entreolharam, ninguém sabia o que fazer, como reagir, até que duas senhorinhas comentaram em voz alta: Vamos até lá, tentar ver o Paul de perto?

Nessa hora, meus amigos, o caos de instaurou. Várias pessoas civilizadíssimas, em suas roupas sociais impecáveis e poses de especialista, simplesmente deram um pinote e saíram correndo pra tentar alcançar a porta. Eu larguei bolsa, casaco, celular... nunca usei tanto os meus dois metros de perna como naquele momento... era as velhinhas ou eu... corri como uma gazela e cheguei na frente de todo mundo. Infelizmente, quando encontramos a multidão, no lobby, o Paul já tinha saído. Ainda tinha gente tirando foto da entrada do hotel, como se o local onde ele passara tivesse se tornado algo muito valioso. Confesso que fiquei decepcionada. Não que eu seja muito fã do McCartney. Na verdade, nunca nem fui a show algum dele, mas era ele, poxa! E esteve ali, por alguns segundos, na "sala ao lado". E eu não vi! Perdi a chance de me tornar a próxima Sra. McCartney (kkkkkkkkk!!).

Voltei pro auditório e tive que entrar fazendo pose, fingindo que aquela louca pernuda que tinha saído correndo, quase passando por cima das velhinhas, não era eu. Fiz cara de muito importante e voltei pro meu lugar.

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