segunda-feira, 15 de julho de 2013

Breve relato sobre o coração

Quando pequena, uma coisa que constantemente me tirava o sono era pensar que o coração das pessoas tinha que continuar batendo, sem parar, pra que a gente não morresse. Eu sei, não faz muito sentido, mas eu lembro de ter essa preocupação e de, em muitos momentos, ficar com a mão no peito, contando as batidas e pensando que era realmente uma coisa muito angustiante depender daquele tum-tum ritmado. Também pensava o mesmo sobre a respiração, mas era o coração que me deixava mais tensa. 

Desde bem nova eu já tinha uma vontade científica de entender certas coisinhas e ficava criando hipóteses infantis a respeito da longevidade e funcionalidade dos órgãos. "Será que se eu levar um choque, ele pára?". "Se ele parar, será que um choque faz ele funcionar de novo?". "E se ele cansar de tanto bater?". "Será que gostar muito de alguém afeta o batimento cardíaco?". Eram muitas perguntas e muito começo de insônia. Mal sabia eu que, mais tarde na vida, ficaria mais preocupada com a capacidade de se quebrarem os corações.

Quando comecei a estudar Ciências, fiquei impressionadíssima de saber que o coração batia a partir de um estímulo elétrico. Daí a história do choque fez um pouco mais de sentido pra mim. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha um medo terrível de ser eletrocutada por excesso de batimento cardíaco.

Quando vi a foto de um coração real, me senti traída. Como aquela coisa feia, torta, cheia de calombos e mangueirinhas era o mesmo coração lindo, fofo e vermelhinho que todo mundo desenhava nos bilhetinhos? Não fazia sentido que algo tão mal desenhado fosse o responsável pelas paixões, amores e "corações partidos". Isso até eu descobrir que a história do coração despedaçado era mais uma mentira deslavada. No fundo, no fundo, somos todos reféns do cérebro!

Imagem: The Awkward Yeti


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