quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Um Dia - David Nicholls

Já faz um bom tempo que eu não falo de nenhum livro por aqui. Dei uma olhada nas obras que li, ainda esse ano, e resolvi tentar te convencer a ler "Um Dia", do David Nicholls.

Tá, começo dizendo que até eu tinha preguiça de ler um livro especificamente sobre um possível romance entre amigos. Livro de romance (na minha cabeça) é algo que sempre acaba descambando pros relatos detalhados das aventuras amorosas das pessoas e vira uma coisa semi-erótica que eu, sinceramente, não acho muita graça em ler. Mas uma grande parte das mulheres ama livros assim (que o diga "50 Tons de Cinza"). Por outro lado, tropecei nesse "Um Dia" meio que por acaso. Acho que vi a chamada para o livro na Amazon.com, com a capa do filme que eu nem sabia que existia (e que é bem pior que o livro). Percebi que era um desses livros que muita gente gostou e dizia se sentir "impressionada" por não ser um livro fútil. Baixei pro kindle e deixei ele lá por mais de um ano.

Meses atrás, quando eu tinha terminado dois livros (um de aventura sci-fi e outro de terror) resolvi que queria algo bem fácil de ler e muito diferente dos gêneros que tinha acabado de visitar. Vi o "Um Dia", li a "idéia do livro" e meio que a contragosto, comecei a ler a história.

Aqui a minha postagem muda de tom. Eu ADOREI esse livro! Não, ele não é um livro pra ficar na lista dos melhores da vida. Não, ele não é um romance arrebatador. Não, ele não é o típico best-seller que se aproveita das descrições de romances tórridos, nos mínimos detalhes ginecológicos. Ele é apenas um livro REAL.

O que eu quero dizer com real? Obviamente em inúmeras passagens o leitor falará: "ahh, mas quem tem dinheiro pra passar um ano viajando e ficando só em lugares épicos? Quem simplesmente muda de vida, de profissão, de cidade. Quem tem acesso a todos os eventos de uma cidade grande.... (etc infinito)", mas, deixando esses detalhes meio viajantes de lado (que a maioria dos livros tem) eu posso dizer que fiquei muito tocada pela forma como a história não tenta te ganhar pela apelação. É um livro que fala de AMADURECER, de uma maneira muito interessante. Primeiro porque o autor sabe escrever. Várias passagens são descritas de maneira simples, mas chamam a atenção pela identificação que senti com o que estava sendo passado. Segundo porque você acompanha cerca de 20 anos na vida de dois amigos e eles mudam "de acordo com a idade" que apresentam. O livro é dividido entre faixas de idade: "20 e poucos anos" "30 e tantos anos", etc. Terceiro porque os personagens (ou pelo menos um deles) é extremamente real e "tangível". Você se identifica e passa a se importar com o destino deles. Finalmente, porque não é uma história brega com final previsível, apesar de vários componentes importantes estarem lá: medo do futuro, insegurança, ansiedade, tristeza, alegria, problemas, etc.

Termino declarando a minha admiração pela Emma Morley. Uma moça fictícia de muita fibra e que (pelo menos na minha concepção) consegue demonstrar bem os sentimentos conflitantes de amadurecer/envelhecer na época atual.

Sei que não deve ser um livro que vai encantar a todos. Mas tente ler com uma mente despretensiosa. Coloque na sua cabeça que é só uma leitura rápida e fácil, pra descontrair, tal qual uma sessão da tarde. Você pode se surpreender!

PS: não é que eu não tenha gostado do filme, mas ele mostra apenas um romancezinho comum. A beleza do livro está nas descrições tão reais que o autor faz. Por outro lado, eu comecei a ler o livro sem saber quase nada sobre a história e é exatamente por isso que gostei tanto. Sendo assim, resolvi não colocar os trailers do filme aqui, para que você tenha, caso deseje, uma experiência de leitura "cega", sem spoilers sobre possíveis eventos da história!

(música para acompanhar as citações)

Citações (em inglês):

"Live each day as if it's your last', that was the conventional advice, but really, who had the energy for that? What if it rained or you felt a bit glandy? It just wasn't practical. Better by far to simply try and be good and courageous and bold and to make a difference. Not change the world exactly, but the bit around you. Go out there with your passion and your electric typewriter and work hard at...something. Change lives through art maybe. Cherish your friends, stay true to your principles, live passionately and fully and well. Experience new things. Love and be loved, if you ever get the chance."

"So - whatever happened to you?'
'Life. Life happened."

"Occasionally, very occasionally, say at four o’clock in the afternoon on a wet Sunday, she feels panic-stricken and almost breathless with loneliness. Once or twice she has been known to pick up the phone to check that it isn’t broken. Sometimes she thinks how nice it would be to be woken by a call in the night: ‘get in a taxi now’ or ‘I need to see you, we need to talk’. But at the best of times she feels like a character in a Muriel Spark novel – independent, bookish, sharp-minded, secretly romantic."

"Salmon. Salmon, salmon, salmon, salmon. I eat so much salmon at these weddings, twice a year I get this urge to swim upstream."

"As soon as she'd met him at the arrivals gate on his return from Thailand, lithe and brown and shaven-headed, she knew that there was no chance of a relationship between them. Too much had happened to him, too little had happened to her."

 "She wondered if she was doomed to be one of those people who spend their lives trying things"

2 comentários:

Bia disse... [Responder comentário]

Eu adorei o filme! Sempre ouvi dizer que os livros sao melhores que os filmes, mas como tem tanto livro que quero ler, opto por ver filme que é mais rapido...rsrs e assim tenho tempo de ler outros livros.

Ana Campanha disse... [Responder comentário]

O importante é não parar de ler! =D

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