quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Um calo no pé


Eu tenho um calo no pé que não para de crescer. Ele não cresce descontroladamente ou sequer precisa de cuidados especiais. Eu até diria que ele cresce um pouquinho bem pouquinho por mês, bem menos do que uma unha ou um fio de cabelo, mas o que importa é que ele está desenvolvendo e eu estou ficando preocupada. Não estou preocupada porque é um calo especialmente difícil de se tratar ou porque sinto uma dor aguda a cada passo que dou. Na verdade ele é facílimo de ser tratado e não me causa nada além de um leve desconforto quando atinge um certo tamanho. Mas é aí que mora o problema, eu não estou tendo tempo para cuidar desse calo.

Tá, chega de mentiras! Tempo eu tenho: na hora do banho, antes de dormir, na hora de ver um vídeo ou ouvir uma música, até mesmo enquanto eu planejo o meu dia de trabalho. Só que, no trabalho, meus afazeres andam um tanto quanto confusos e eu estou numa crise onde quase tudo que tento dá errado. Chego em casa desanimada com todas as coisas profissionais que não estão saindo como deveriam e fico pensando em como vou conseguir dar a volta nessa situação. Tomo banho me perguntando se guardei tudo da minha mesa no local certo e me visto sem saber se coloquei o meu caderno profissional em dia. Assisto um vídeo com um pouco de nó no estômago, porque no fundo eu deveria estar pensando em como resolver essa situação profissional chata que anda dominando minha vida. Ouço músicas para tentar desencanar um pouco do alarme que soa constantemente na minha cabeça, insistindo em me lembrar que em poucos meses eu terei que prestar contas de tudo que não fiz. E, antes de dormir, tento escolher qual a atividade me deixará com mais sono rapidamente, para que eu não entre em um loop interminável de insônia regada a preocupações. E, nesse contexto diário, eu sempre acabo esquecendo de cuidar do calo do meu pé.

Da mesma maneira, atualmente tenho fios indesejáveis a mais na minha sobrancelha. Fiquei de passar no salão de beleza na quarta-feira, mas não me lembro se era na quarta feira da semana passada, quando eu tive dor de estômago de tanto nervoso, ou na quarta que cheguei depois das 8 da noite em casa, e o salão já estava fechado de qualquer maneira. Também nunca lembro de cuidar das minhas unhas, que mais parecem unhas de vestibulandos, todas comidas e maltratadas. As roupas que tenho andam cada vez mais folgadas (afinal de contas, quem tem apetite com tanta coisa a ser feita) e é comum eu ter que sair à noite para comprar algo no supermercado porque não percebi que as compras do mês já se foram há algum tempo. Eu me prometi renovar a matrícula da academia, mas a promessa ficou perdida em Outubro, quando simplesmente me sentia cansada e irritada demais para me submeter aquele local de tortura estética. O produto de limpeza que preciso usar "urgente" na minha cafeteira ainda não foi comprado (já há 6 meses tento arrumar tempo para procurar por ele) e a bichinha ainda resiste bravamente. Ainda bem! O que seria de mim sem o meu café? Prefiro nem pensar.

Em perspectiva, o calo do meu pé, que cresce mais lentamente que o meu amor por jiló, me fez lembrar de como era bom ter cabeça para pensar em coisas práticas, simples e corriqueiras. Coisas que mantêm a sanidade e diminuem o nível de infelicidade quando a rotina parece massacrar. E, sim, preciso de cabeça para me concentrar em outras coisas, porque tempo eu tenho de sobra. Só não tenho, no momento, um nível adequado de inteligência emocional para aproveitar esses momentos e... e... e o quê, mesmo?

Leia Mais…

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Brave (Sara Bareilles)

Como eu sempre falo, a cada muitos meses eu acabo descobrindo cantores que me deixam meio viciada. Essa música da Sara Bareilles me deixou completamente empolgada! E o vídeo é tão animado e divertido que dá vontade de dançar junto!!

Leia Mais…

domingo, 15 de dezembro de 2013

Maneira de viajar

Imagem: Jogo Journey

Para cada alma solta pelo mundo, existe outra alma a ela destinada. Ou pelo menos esta é a motivação romântica mais disseminada ao redor do mundo. Como se o mundo só se baseasse em pares. Como se o mundo fosse destinado a ser vivido em dupla. Como se encontrar a alma certa fosse o principal objetivo de viver. Como se os mistérios e improbabilidades da vida não fossem, por si só, algo pelo qual valesse a pena continuar. Como se realmente o espírito ímpar fosse fadado à infelicidade.

Mal sabem eles que mais importante que o destino é a maneira de viajar. São as atitudes durante o caminho que definem o caráter, moldam a alma e fazem de cada uma delas uma experiência única. E é com cada atitude que nos afastamos ou nos aproximamos de outras almas em jornada. E se no fim só existir o abismo, a queda será mais leve e menos amedrontadora. Leveza de espírito é o que verdadeiramente desanuvia o coração.

Leia Mais…

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Trilogia Jogos Vorazes (The Hunger Games)


Porque eu acho que Jogos Vorazes merece uma postagem exclusiva? Por inúmeros motivos. Primeiro: tenha em mente que essa é uma obra YA ("young adults" em inglês, o que seriam os "jovens adultos" numa faixa etária dos 15-19 anos, eu imagino). Portanto, como eu já falei num post mais abaixo, nada de comparar esse tipo de livro com outros de categorias diversas. Praticamente todo YA é um livro mais fácil de ler, com uma escrita mais fluida, focado em um grupo de pessoas jovens e, quase sempre, tem um romancezinho mais ingênuo e adolescente no meio. Bom, partindo dessas suposições, vamos falar de Jogos Vorazes.

Apesar de ter lido em muitos blogs e assistido vlogs meio que desmerecendo essa trilogia, eu posso afirmar que fiquei extremamente tocada pelo tamanho da obra. Sim, é uma obra incrível, que acredito mexer com as pessoas por vários motivos. Especificamente para mim, eu fiquei extremamente chocada com o livro. Essa foi a minha impressão inicial: choque. Choque por entender o pano de fundo da história: uma distopia em que o governo, para mostrar o seu controle supremo sobre os distritos que formam o "país", celebra anualmente jogos estilo "Big Brother", no qual 24 adolescentes entre 12-18 anos são escolhidos para que lutem até a morte, só restando um vencedor. E é óbvio que essa premissa poderia ser contada de diferentes maneiras. Mas Jogos Vorazes acerta na medida. A "narração" é direta, os fatos são entregues de maneira crua e sem grandes emoções (a princípio).. é simplesmente como "as coisas são"... Em poucas páginas o leitor começa a perceber o tamanho do problema, os meandros políticos por trás do que está sendo contado. A personagem principal (narradora) nos dá uma impressão vívida do que é viver no distrito mais pobre deste país opressor. E é extremamente interessante. O livro me envolveu de uma maneira que eu não conseguia parar de ler.

Daí você se pergunta: mas não é todo mundo que morre de amores por livros tristes sobre distopias selvagens, é? Não.. realmente conheço várias pessoas que preferem algo mais light ou mais realista. Mas como toda grande obra, é possível olhar para a história por vários prismas. Lembrando que é um livro YA, portanto, tem também um leve romance adolescente, tem aventura aos montes, tem cenas que nos fazem debulhar em lágrimas e outras de profundo desespero. A minha visão focou o frágil sistema de controle governamental, que, eventualmente acabaria entrando em colapso.

Ok, ok.. eu também não sou gente grande o suficiente pra só gostar das partes sérias.. eu também gostei bastante da maior parte das coisas. Acho que, ao longo dos 3 livros, muitos momentos foram lindamente retratados: amizades, amores que nasceram, esperança, etc.... e também consigo pensar em muitos pontos em que simplesmente tive vontade de jogar o livro no lixo: excesso de mimimi romântico, exagero de crises aborrecentes, confusões por nada, etc. Mas quando eu penso em tudo que li, percebo que as partes boas e impactantes foram realmente memoráveis!

E o mais incrível? Gente, estamos falando de um livro bestseller que conta a história sanguinária de um governo totalitário e impiedoso.. história essa escrita para o público "adolescente"!!! Sim, isso é incrível! Esse mundo de gente que acaba por esgotar os livros nas livrarias, que lota os cinemas para ver as adaptações, todas essas pessoas se comovem com uma história pra lá de séria. Pode até ser YA, mas a mensagem está lá!

E, claro, nem todos optam por se interessar pelas partes inquietantes... está cheio de gente dizendo que adoraria fazer parte dos jogos, que queria "viver" em Panem (esse país do livro, cheio de dor, angústia e morte), que o livro/filme não teve tantas cenas fofas de namoricos e beijinhos, que não mostrou o suficiente de ação eletrizante... sempre tem quem prefira só ver o superficial. Mas isso em nada tirou o brilho da trilogia Jogos Vorazes, na minha opinião. Muito recomendada!


PS: Tentei não falar praticamente nada da história. Se você já viu os filmes, sabe exatamente o que acontece. Se não viu ou leu nada, ainda, vai ter uma agradável surpresa!
PS2: Vi o primeiro filme antes de ler o livro e achei legalzinho, mas um tanto quanto cheio de personagens com os quais "eu não me importava". Depois de ler o livro 1, revi o filme. Daí tudo fez muito mais sentido!
PS3: O filme 2 é incrível e extremamente bem adaptado.

PS4: Esperei mais de 1 semana para escrever esse post. O terceiro livro (o mais estranho e "pior", na minha opinião), me deixou extremamente confusa. Apesar de não ser meu favorito e ter partes em que eu cheguei a pensar se a autora não escreveu aquilo enquanto estava delirando, tem momentos absurdos e que me fizeram pensar, me deixaram super confusa e pronta para discutir com outros leitores sobre o que foi que aconteceu em tal parte, como isso poderia ser adaptado nos próximos filmes, etc.

Leia Mais…

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

As coisas das quais não precisamos - por HPCharles

Nos últimos dias mergulhei de cabeça no canal do youtube da Tatiana Feltrin, vendo indicações e resenhas de livros. Na verdade só vejo resenhas de livros que já li, pois tudo pra mim acaba sendo um spoiler. De qualquer maneira, fuçando lá pelos vídeos dela, encontrei o link pro blog que ela divide com o marido, HPCharles. E não é que ele escreve textos incríveis??

Abaixo o link de um dos textos, que fala sobre "As Coisas das Quais Não Precisamos". Uma leitura muito válida e com a qual eu concordo plenamente:

Leia Mais…

domingo, 8 de dezembro de 2013

"Quem tem cacife para falar de Literatura?"

Imagem: NET
Eu leio por prazer. Isso está acima de tudo. E mais do que tudo eu tento separar e não comparar injustamente diferentes estilos literários e, principalmente, livros que estão em categorias que não poderiam ser pareados. Sim, eu gosto dos clássicos. Eles podem ser um pouco mais difíceis de se ler, mas a grande maioria que li refletem tanto uma época/período e existe um motivo para terem virado clássicos. Mas eu também gosto de livros de fantasia, de terror, de ficção científica, de biografias.... gosto de livros infantis (adoro!), infanto-juvenis (adoro!) e também dos indicados para os jovens adultos (YA = young adults - ADORO!). Como comparar um livro clássico, como Iracema, a um Twilight da vida?? Impossível. Portanto, não tenho muita paciência para os doutores da razão literária, que colocam méritos em livros baseados no quão a história é válida. Eu sou da turma que acha que ler já vale a pena. Se a pessoa não curte o que é considerado "bom", o problema é dela. Ela tem todo o direito de se expressar como quiser. E, sim, eu também tenho pavor a certos livros, que considero uma perda gigantesca do meu tempo e dos neurônios de todos.. mas essa é a minha opinião e eu quero mais que os outros sejam felizes lendo o que lhes interessa.

Existe todo um estudo literário, uma "ciência" por trás da avaliação do mérito de um livro? Claro que existe! Mas do mesmo jeito que eu não perco meu tempo esperando que as pessoas avaliem de maneira científica qualquer "coisa biológica" que falem (apesar de eu ter uma formação acadêmica strictu sensu na área), também espero que as opiniões (por mais bobas que possam parecer) sejam respeitadas. Afinal de contas um livro não vende, principalmente, porque cai no gosto da grande massa??? Portanto, literatura boa ou ruim, sempre vai ter muita gente gostando daquela obra.

Lembro que uma vez, ao comentar que não suportava Dom Casmurro, uma pessoa me disse: "Ahh, se vc não gosta de Dom Casmurro, deve ser uma daquelas pessoas que adoram Paulo Coelho". Senti um mini-ódio dentro de mim. Bom, eu realmente admiro e adoro vários livros de Machado de Assis. Agora, porque eu considerei chato um livro clássico dele eu estou automaticamente condenada a ser "tapada" quando o assunto é literatura? Eu não gosto de Paulo Coelho.. pra mim os seus livros são uma repetição sem fim da mesma coisa, mas eu já gostei muito quando era adolescente. E respeito quem gosta! Me mata escutar esse tipo de "conclusão" que uma pessoa toma, sem ao menos me conhecer, só porque eu não repeti o que se espera de um livro clássico (e, olha, eu li/leio muitos clássicos e gostei/gosto bastante da maioria).

Essa revolta toda que estou expressando por aqui ressurgiu quando vi um vídeo de uma moça chamada Tatiana Feltrin, que tem um canal literário no YouTube. Reparem que eu não concordo com todas as resenhas/opiniões de livro que vejo no canal dela. Eu, particularmente, discordo seriamente de algumas, mas gosto bastante de ver os vídeos que ela posta, pois me dão idéias de novas leituras, me fazem enxergar pontos de vista alternativos, e por aí vai. Nesse vídeo abaixo ela fala sobre "Quem tem cacife para falar de literatura" e achei bem interessante. E foi isso que me deu vontade de escrever esse post.

Leia Mais…
Related Posts with Thumbnails