segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O Expurgo do Capeta - ou, Como foi o meu primeiro dia de depilação com luz pulsada

Imagem: Marutaru/REX
Chega um momento na vida da pessoa que os pelos corporais, independente do quão frequentes e irritantes eles são, começam a pelar o saco de uma maneira indescritível! Nessa hora, para aqueles que já não aguentam mais usar gilete ou sofrer com a cêra, o negócio é apelar para o laser. E existem as pessoas frescas e medrosas, como eu, que nunca na vida teriam coragem de enfrentar a dor do laser e optam pela luz pulsada.

Pra quem não sabe, a luz pulsada é usada para depilação e apesar de ser menos dolorido e custar menos são necessárias mais aplicações para se observar um bom efeito. TODO MUNDO ME DISSE: NÃO VAI DOER NADA! Aprendi com essa experiência que “todo mundo” tenta te enganar, para que você sinta a mesma dor que a pessoa sentiu antes!

Tá... OK... Estou sendo um pouquinho dramática... Mas tenho certeza que se houvesse uma forma de se avaliar a sensibilidade à dor eu estaria na ponta da escala onde ficariam as pessoas mais sensíveis. Eu sou daquelas que vai ao dentista e pede logo 5 ampolas de anestesia e prefere sair babando no tapete a arriscar qualquer tipo de sensibilidade.

Voltando à depilação: hoje foi meu primeiro dia enfrentando o novo método. Me muni de pensamentos positivos, do tipo: “se todo mundo consegue, eu tb conseguirei”, "no pain, no gain", "dor do parto é pior" ou ainda “pensa que a bolsa de pós-doutorado logo acaba e você vai ficar desempregada, nada é mais dolorido que isso...”. Portanto, com essa atitude pra lá de positiva lá fui eu.

Pra começar, a sala onde o procedimento é realizado é super gelada por causa do equipamento que esquenta muito. Foi entrar no quartinho e fazer cosplay de porco-espinho arrepiadíssimo! Depois me deitei na caminha, fazendo pose de quem estava muito à vontade, e comecei a me preocupar quando me trouxeram uma proteção pros olhos. Oi?? Quer dizer que eu não vou ver nada? Me bateu o pânico daquilo não ser pra proteger ninguém, mas sim pra me impedir de ver o banho de sangue que se seguiria. Daí sinto algo geladíssimo nas pernas e a moça me explica que “assim ia doer menos”. Ué... mas não é sabidíssimo que esse método é indolor?? Humpf... De repente ela diz: “vou começar, ok?”, e eu sinto uma leve picadinha na pele. “Ok”, pensei – “não é tão mau assim”, e as coisas foram bem suportáveis até, do nada, eu sentir uma dor de agulhada. Acho que devo ter feito uma careta tão feia que a moça soltou um: “doeu um pouquinho, né?”. Eu não consegui falar, por causa do susto, e ela emendou um “Dói mais onde tem mais pelinhos”. Me agarrei aquilo como quem segura uma boia em alto-mar.  A cada mini-agulhada eu pensava: “Queima, pelo maldito dos infernos, expurga, capeta!”. E foi assim que eu sobrevivi ao primeiro dia de luz pulsada, com uma boa dose de humor porque eu acabava rindo do minha própria frescura e maneiras de “comemorar” o fim desses pelos indesejáveis.

Saí de lá e comi hambúrguer, refrigerante, sorvete e doritos, pra comemorar essa vitória hercúlea!! (kkkkkk)

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Quando a Morte bateu à minha porta

Imagem: NET
Quando a Morte bateu à minha porta ela veio somente para uma visita social, nada muito sério. Ou, melhor dizendo, nada sério pra mim, mas fatal pra outro tanto de gente. Ela entrou assim sem cerimônia, foi logo sentando à mesa e servindo um café meio amargo (o que me pareceu combinar bastante com a situação). Soube da sua chegada por uma mensagem no whatsapp que dizia: "O Tio morreu!". Em outras três vezes bastante próximas recebi mensagens semelhantes, só mudando o gênero da pessoa. Tio, Tia, Tio e Tia, nessa ordem, sem muita dó ou piedade, como se ela estivesse mostrando que ninguém pode ficar por muito tempo protegido da sua visita, principalmente quando se tem uma família grande como a minha.

Sentada na minha cadeira nova, ela me olhava sem pudor nenhum, bebericando o café e fazendo cara de quem não estava ali pra fazer amigos. Eu bem que fingia que estava muito ocupada, arrumando os meus cadernos, lendo as notícias no jornal e amarrando os cadarços em um laço duplo, mas sentia aquele presença indesejada me analisando de uma maneira fria e calculista, como quem dissesse: "não adianta achar ruim... você viveu uma vida inteira sem grandes perdas, não venha reclamar que agora eu resolvi fazer uma limpa neste terreiro".

Encarei aqueles olhos de ressaca com a evidente resposta-muda pronta: "Não se leva quem está bem, quem ainda tem muito o que fazer, quem sequer tem idade pra ir embora!". Achei que ela repuxou o canto da boca, num escárnio superior, como quem mostra que a minha opinião era tão ingênua e irrelevante quanto um gato tentando apanhar uma sombra: "E desde quando você criou as regras do jogo? Como vocês gostam tanto de dizer - Para morrer, basta estar vivo - e isso vale pra qualquer um. Inclusive você."

E foi essa lembrança que restou desse encontro inusitado, uma frase persistente que tem me acordado todas as noites, que tem dançado nos meus sonhos e gritado no meu ouvido:
"Para morrer, basta estar vivo..."

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PS: A lembrança será eterna, assim como a saudade. Ainda lembro dos trejeitos, das brincadeiras, de situações únicas! E o que ficou foi a certeza de que não se deve perder um minuto, uma chance, uma oportunidade...
Obrigada por tudo, tios!

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Os livros de 2014

No ano de 2014 eu consegui, em meio a tanta coisa rolando, ler 28 livros. E acho que já fazia um tempo enorme que eu não lia uma seleção de livros tão boa e variada. O resumo que sempre faço das leituras do ano que passou segue abaixo.

1. O Quarto de Jacob, por Virginia Woolf
Odiei esta leitura. Comecei o ano lendo o que pode ser um dos piores livros que li na vida. Morro de tristeza de admitir que Virginia Woolf não é a minha praia (infelizmente!). Acho a narrativa cansativa, cheia de detalhes que acabam por tirar meu interesse pela história. Mas me forcei a pelo menos completar a leitura.

2. O Arroz de Palma, por Francisco Azevedo
Um livro incrível! Ao contrário da primeira leitura, esta entra fácil na minha lista de preferidos. Te dá vontade de chorar, de rir, te faz ficar triste quando chega ao fim! A saga de uma família portuguesa no Brasil, contada do jeito mais emocionante possível. Um livro "de família", sobre famílias, que traz à tona um monte de sentimentos bons! Daqueles que você precisa parar pra tomar nota das tantas passagens sensacionais que aparecem!

3. The American Book of the Dead, por Henry Baum
Um livro estranhíssimo, que mistura guerra, alienígenas, viagem no tempo e motivações religiosas. No final eu gostei, mas admito que não foi assim um super "must read". Mas vale a pena pela estranheza que causa.

4. As Vantagens de Ser Invisível, por Stephen Chbosky
Ao contrário do que vejo em tantos blogs, eu gostei dessa leitura, principalmente por algumas passagens bem impactantes, mas não amei como todo mundo. É um livro bem infanto-juvenil, apesar de tratar de um tema sério que acaba se revelando mais pro final da história. Vale a pena, mas saiba que é um jeito de escrever um tanto quanto adolescente.

5. Fundação e Terra, por Isaac Asimov
Asimov (junto com Arthur C. Clarke) está no topo da minha lista de escritores preferidos e este livro só comprova isto. Um ótimo final para esta saga maravilhosa, mesmo com algumas repetições cansativas durante a leitura. Essencial para quem gostou de Fundação!


6. e 7. The Fall (A Queda) e The Night Eternal (A Noite Eterna), de Guillermo del Toro e Chuck Hogan 
Esses dois são a continuação do terror "Noturno", que li no ano anterior e gostei demais! Conta a história desses vampiros absolutamente aterrorizantes que chegam a New York dispostos a escravizarem a raça humana. Realmente fiquei empolgada com esta leitura, apesar de vários absurdos, mas afinal de contas é um livro de monstros sugadores de sangue e almas, poxa...

8. The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared (O Ancião que Saiu Pela Janela e Desapareceu), por Jonas Jonasson
A ideia do livro é fantástica: contar as peripécias de um velhinho que resolveu fugir do asilo aos 100 anos de idade e se mete em uma série de aventuras. Tem um toque de Forrest Gump, já que o vovô vai relembrando os causos da sua vida, recheados de personagens históricos. Mas acho que o livro cansa um pouco. Não sei bem o porque, talvez pelo ritmo meio repetitivo da história. Vale sim a pena, mas eu esperava mais.

9. The Paris Wife (Casados com Paris), por Paula McLain
Gostei bastante desse livro que conta o período em que o Ernest Hemingway foi casado com sua primeira esposa, Hadley, e o tempo que o casal passou em Paris. É interessante observar a evolução do casamento dos dois, até chegar ao fim. Tem momentos felizes, muito tristes, revoltantes... bom pra gente lembrar que a vida dos outros também é cheia de altos e baixos.

10. O Velho e o Mar, por Ernest Hemingway
Após ler o "The Paris Wife" fiquei tentada e reler "O Velho e o Mar". Gosto desse livro, mas acho um pouco cansativo também. Acho que poderia ser um tiquinho mais enxuto, mas, no geral, é uma leitura rápida e fácil... também bastante poética.


11. The Uncertain Consolation, por Vardan Partamyan
Um mini-livro/conto muito interessante e futurista. Com uma sacada legal sobre as nossas "certezas e incertezas". 

12. O Chamado do Cuco, por Robert Galbraith
Um livro da J. K. Rowling, usando este pseudônimo, mas muito diferente tanto da série Harry Potter quanto do "Morte Súbita". É uma história de detetive, cheia de mistérios. O problema é que não consegui achar nada tão interessante... na verdade penso que a escolha do tema/mistério foi bem fraca, já que o detetive por si só é um personagem bem construído e engraçado.

13. A História Sem Fim, por Michael Ende
Simplesmente o melhor livro infanto-juvenil já escrito. E um dos meus favoritos da vida. Contém tudo pra impressionar uma criança e marcá-la pro resto da vida. Cheia de fantasia, aventura, mágica! Sensacional!!! E uma história muito mais longa do que a mostrada no filme.

14. Além de Darwin - Evolução: O Que Sabemos Sobre a História e o Destino da Vida, por Reinaldo José Lopes
Um livro sobre evolução, abordado de maneira "biológico-filosófica". Vale muito a pena, se você quer uma leitura tranquila, cheia de bom humor, muito parecida com uma conversa informal. Como sempre, o Reinaldo escreveu um ótimo texto!

15. e 16. Crime e Castigo, Volumes 1 e 2, por Fyodor Dostoyevsky
Adorei esta leitura. Nunca tinha lido nada de Dostoyevsky e sempre imaginava que seria uma leitura difícil, cansativa, antiga demais. Mas tive uma excelente surpresa ao começar o livro. Gostei da forma sofrida com a qual o personagem principal conta sua história de pobreza, crime e redenção.


17., 18. e 19. The Maze Runner (Correr ou Morrer), The Scorch Trials (Prova de Fogo) e The Death Cure (A Cura Mortal), por James Dashner
Apesar dessas livros estarem no auge da fama, eu tenho que admitir que a leitura foi penosa! A ideia dos livros é incrível, mas extremamente mal escrita e desenvolvida. Dá até tristeza ver como um autor ruim consegue estragar uma premissa interessante.

20. Stranger Things Happen, por Kelly Link
Uma coletânea de contos da autora, que só escreve coisas bizarras e surreais. Adorei alguns contos e achei outros super cansativos. Mas, em geral, ela é extremamente imaginativa e só por isso já vale a leitura de seus textos. Admito que do meio do livro pro final eu já estava um pouco cansada, pelo fato de todos os contos serem muito estranhos e manterem a "mesma fórmula", muitos exageradamente com finais"abertos".


21. Big Bang, por Simon Singh
Um livro SENSACIONAL! Mostra a evolução da astronomia ao longo do tempo, associado ao relato das descobertas e dos problemas enfrentados pelos cientistas. Um livro que me fez ter vontade de ler mais a respeito. E que me fez aprender muito sobre o assunto!

22. Slaughterhouse-Five (Matadouro 5), por Kurt Vonnegut
É bizarro: mistura viagem no tempo com episódios da segunda guerra, um zoológico num planeta alienígena, a rotina de um optometrista, entre outros tantos... mas também é divertidíssimo! O autor tem uma maneira única de escrever. Quero muito ler seus outros livros!

23. As Pequenas Memórias, por José Saramago
Eu adoro memórias e achei essa leitura muito interessante. Fala de um período de vida muito específico do Saramago: infância e parte da adolescência. Ele sabe escrever com simplicidade e poesia, fazendo um texto muito bonito!

24. 1Q84, por Haruki Murakami
Ai, ai... o que dizer desse livro? Ficou parado na minha estante por 3 anos: trouxe essa edição de luxo pesadíssima que ganhei de presente quando estive da última vez em Boston e achei meio sem graça. Um livro que não tem uma história forte, que deveria encolher as mil páginas em não mais de 300, que cansa pela enrolação, fixação com cenas picantes desnecessárias e final decepcionante. É claro que tem pontos bons, mas a canseira é maior.

25. The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray), por Oscar Wilde
Gostei demais deste livro, talvez porque o personagem Dorian Gray acabou por exercer um fascínio sobre mim pelo fato de ser tão absolutamente narcisista e mimado. Um clássico fácil de ser lido e bem interessante.

26. Nas Montanhas da Loucura, por H. P. Lovecraft
Enquanto lia este livro, achava tudo muito curioso, já que o mesmo se apresenta como um diário "científico" de uma situação. Em certos momentos eu chegava a pensar "que absurdo", "agora foi tanto exagero que perdeu um pouco da graça", etc etc etc... o que importa é que, continuando esta leitura comecei a ficar extremamente incomodada com as descrições das coisas terríveis que aguardavam os personagens. E entendi porque normalmente se define Lovecraft como o pai do "terror inominável". Sim, é um terror inominável de fato. Existe uma construção de uma situação e eu realmente senti calafrios ao me imaginar nela. Muito bom!

27. A Dupla Hélice, por James D. Watson
Ótimo livro que conta de maneira bem humorada (e um tanto quanto politicamente incorreta) como se deu a descoberta da estrutura do DNA. Recomendadíssimo pra quem se interessa pelo assunto.

28. The Giver, por Lois Lowry
Já tinha assistido o filme e o livro não é muito diferente, já que é bem pequeno. Gostaria que fosse mais descritivo, pois achei o mundo retratado interessantíssimo. Achei o final um pouco decepcionante por ser "aberto demais". Mas sem dúvida uma ótima leitura.

Pra finalizar, um link contendo todos esses livros no próprio Goodreads (em inglês).Seguindo o link e clicando sobre cada exemplar, você será direcionado para a página onde dei minha opinião sobre o mesmo:


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