quarta-feira, 18 de março de 2015

"Quando a democracia implodir no Brasil, restarão apenas baratas"

Dia desses o Leonardo Sakamoto, cientista político que escreve pro portal UOL, nos presenteou com um texto muito lúcido e necessário. Fala do absurdo que anda acontecendo atualmente, no nosso cenário político: o ódio entre os principais partidos, escancarado para a sociedade. A isso eu ainda acrescento que ando de estômago revirado com o ódio crescente entre as pessoas... Sabe-se lá onde isso vai parar, mas eu realmente mal consigo ler metade das postagens nas redes sociais e me decepciono a cada comentário maldoso, machista, superior, nojento, com a intenção de acabar com a imagem "daqueles que não votaram em quem eu votei, afinal, eu sou o senhor da verdade e todos os que não forem da mesma opinião merecem de fato o pior de mim".


Quando a democracia implodir no Brasil, restarão apenas baratas

Leonardo Sakamoto

Um experiente parlamentar do PSDB me disse, nesta terça (3), que, se nada for feito, ao final dessa guerra nuclear política, vão sobrar apenas baratas em uma ditadura conservadora pós-apocalíptica.
Pois os dois partidos que eram a maior esperança do país e em torno do qual a democracia brasileira se consolidou nos últimos 20 anos, vão garantir que ocorra Destruição Mútua Assegurada.
Segundo essa doutrina militar, conhecida por quem viveu o horror da Guerra Fria, como cada um dos lados (EUA e União Soviética) tinha armamentos nucleares suficientes para destruir o outro e que, uma vez atacado, retaliaria com força igual ou maior, a escalada resultante levaria ao fim de ambos. E talvez do mundo como o conhecíamos. Esse medo também levou o outro lado a, sabendo disso, evitar ao máximo começar um ataque. Um equilíbrio tenso mas, ainda assim equilíbrio.
Para o parlamentar, essa ponderação – de que o final de uma escalada de ataques sujos e rasteiros virtuais e analógicos colocará em cheque a utilidade das instituições democráticas – não está sendo feita. É o vale-tudo.
Ele reconhece que a classe política é a responsável pela situação a que chegamos, com toda a corrupção, incompetência e ignorância que minou a credibilidade de instituições. Mensalões, Trensalões, Lavas-Jato e a maioria dos escândalos, que permanece longe dos olhos do grande público.
Mas atacar a democracia, é jogar fora a criança com a água suja do banho. Pois é apenas em um ambiente democrático que a democracia consegue mudar seus próprios rumos e corrigir-se.
O parlamentar, em questão, está horrorizado com tantas mensagens que vem recebendo, exigindo o fechamento do Congresso. Pessoas decretando a inutilidade não só do parlamento, mas também da própria atividade política – que, teoricamente, deveria ser uma das mais nobres práticas humanas. Outros solicitam que se encontre um “salvador da pátria'' que nos tire das trevas, sem o empecilho de pesos e contrapesos. Ou que Jesus volte.
Pessoas que, em sua maioria, são muito jovens para ter ideia do que estão falando porque não viveram a desgraça da ditadura. Ou, em sua minoria, que sabem muito bem do que estão falando e querem, patologicamente, essa desgraça de volta.
Nesse contexto, o parlamentar reclamou que qualquer pessoa com posicionamento político tem sido criticada pesadamente. Ter opinião virou crime, defender um ponto de vista agora é delito, abraçar uma ideologia é passível de morte. Ou, nas suas palavras, “fazer política se tornou escroto''...
(para a postagem na íntegra, siga o link:)


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